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CONCLUSÕES

No documento Roleteamento de virabrequins (páginas 69-72)

O completo conhecimento dos efeitos das variáveis e sua inter-relação com os mecanismos que regem um determinado fenômeno ou comportamento, nem sempre são obtidos facilmente. Entretanto, a identificação das possíveis variáveis de influência sobre um determinado processo, juntamente com o uso de técnicas de modelagem e simulação, é essencial para a compreensão dos resultados e para a tomada de decisões a respeito de uma determinada situação adversa, antes mesmo que ela aconteça.

Um dos objetivos traçados neste trabalho foi o levantamento de dados sobre a operação de roleteamento de virabrequins, para um melhor entendimento do processo. Apesar de o processo existir a algum tempo, não se dispõe ainda de informações completas sobre a operação. Diversos autores têm dedicado seus estudos ao efeito das tensões residuais sobre a resistência à fadiga de componentes mecânicos em geral e alguns poucos especificamente aos virabrequins submetidos ao processo de roleteamento.

Os resultados das medições dos ensaios em corpos de prova mostram que o virabrequim apresenta variação no seu comprimento durante a operação de roleteamento. Em todos os ensaios houve redução do comprimento dos virabrequins, com exceção de apenas um, que não teve seu comprimento alterado e outro virabrequim que apresentou um aumento no comprimento. Um fator de grande influência sobre a variação de comprimento é a magnitude da força de roleteamento, o que exige cuidadosa seleção desta variável de entrada. Variações elevadas no comprimento do virabrequim acarretam em complicações severas nas operações de usinagem posteriores, como na retificação. Quanto maior for a alteração no comprimento do virabrequim, maior será também o desalinhamento do mesmo. Caso esta deformação seja excessiva, poderá ocasionar problemas de interferência durante a montagem dos componentes no motor do automóvel.

A formação de pequenas elevações na porção cilíndrica adjacente ao raio de concordância é atribuída à movimentação angular do rolete durante as rotações do virabrequim. Estas irregularidades devem ser removidas pelos processos de usinagem posteriores ao roleteamento, e podem causar um desgaste desigual de rebolos utilizados nos processos de retificação. Estas protuberâncias podem ser controladas através da seleção adequada dos seguintes elementos em conjunto: força de roleteamento, velocidade de aplicação da força e rotação do virabrequim. Uma força de roleteamento muito elevada sendo aplicada com alta velocidade provoca o surgimento de endentações ao longo da superfície trabalhada já no início do processo. Estas endentações são responsáveis pela deformação e conseqüente quebra dos roletes. A rotação do virabrequim deve ser adequada, para que as regiões de aplicação de força sejam atingidas com precisão, pois, o sistema hidráulico de aplicação da força possui limitações quanto à atuação (resposta) em função dos estímulos (sinais) para início e parada do processo.

Os ensaios mostram um aumento da profundidade de penetração à medida que a força de roleteamento tem seu valor aumentado. Todos os virabrequins testados apresentaram redução no valor do raio de concordância após o roleteamento, estando em conformidade os resultados encontrados na literatura [9, 10]. A profundidade de penetração deve ser selecionada de tal forma que haja a formação de trincas e a conseqüente ruptura desta região do raio de concordância. Forças de roleteamento elevadas acarretam em deformações excessivas ocasionando o enfraquecimento das áreas submetidas ao roleteamento. A seleção do raio da ferramenta também é de extrema importância, uma vez que o mesmo interfere na deformação e também na vida em fadiga, tanto do virabrequim quanto do próprio rolete utilizado.

A perda de alinhamento dos mancais deve ser avaliada antes e após o processo de roleteamento. Os resultados mostram que virabrequins com características mecânicas distintas apresentam alterações significativas na coaxialidade dos mancais quando submetidos ao roleteamento. Além disso, virabrequins com elevados níveis de desvio no alinhamento dos mancais antes da operação de roleteamento, poderão apresentar

problemas após o roleteamento além de refugo em função da impossibilidade da correção da coaxialidade.

Hoje em dia as máquinas-ferramenta utilizadas para o roleteamento de virabrequins realizam a medição da coaxialidade dos mancais ao mesmo tempo em que as forças de roleteamento são aplicadas. Com isto, o controle é mais preciso e o tempo de retirada da peça da máquina é menor devido à realização de uma quantidade menor de medições.

5.1 Sugestões para Trabalhos Futuros

O processo de roleteamento possui diversas variáveis de influência, e que atuam de maneira mais ou menos significativa. Uma das possibilidades para trabalhos futuros é realizar a simulação em elementos finitos tridimensional, e englobar o efeito do deslocamento dos roletes sobre a superfície do raio de concordância do virabrequim, com o objetivo de avaliar a deformação do raio de concordância e também do restante do virabrequim.

Devido à carência dos dados de não-linearidade do material dos virabrequins ensaiados, é necessário fazer um levantamento das características no regime plástico do material e alimentar o software de elementos finitos com estes dados. Desta maneira, ter- se-ia uma simulação com um grau de precisão maior.

Os ensaios até agora realizados restringem-se a uma velocidade. O estudo da influência da velocidade de roleteamento permitirá otimizar o tempo da operação nas aplicações industriais e avaliar seus efeitos sobre a vida em fadiga e deformações resultantes do virabrequim. A conclusão da bancada de roleteamento e sua caracterização em ensaios permitirá ampliar os estudos iniciados na Hegenscheidt-MFD. O projeto e a construção de um sistema para ensaios de vida em fadiga de virabrequins baseado na freqüência de ressonância, poderá fornecer dados mais completos a respeito da influência do roleteamento sobre as características de vida de um virabrequim.

No documento Roleteamento de virabrequins (páginas 69-72)

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