Dos 165 FEAs médicos veterinários da SEAPDR, 90 foram convidados a participar da pesquisa. Destes, 56 responderam ao questionário, representando uma taxa de resposta de 62,2%. A maioria dos participantes tinha menos de 40 anos, eram graduados há mais de 10 anos e atuantes no serviço de inspeção há menos de 10 anos. A proporção entre homens e mulheres foi praticamente a mesma. Todos os participantes responderam que um atlas digital facilitaria a sua rotina de trabalho e consideraram importante que os diagnósticos e decisões sanitárias fossem contemplados.
A habilidade diagnóstica e adequação da conduta sanitária dos fiscais sanitários em atuação no Rio Grande do Sul sobre as enfermidades mais recorrentes na inspeção post mortem de bovinos por meio de um questionário ilustrado contendo fotografias de lesões patológicas, como esperado, não foi totalmente assertiva, demonstrando que os fiscais possuem dúvidas quanto a identificação das lesões e suas decisões sanitárias. A maioria dos participantes diagnosticou corretamente a lesão e elegeu a decisão sanitária adequada para quatro das seis lesões apresentadas.
Cisticercose foi a doença com 100% de diagnóstico correto, entretanto, abscesso foi a doença com maior percentual de decisão sanitária adequada. Os menores percentuais de diagnóstico correto e decisão sanitária adequada foram para actinobacilose, a qual, provavelmente, os fiscais confundiram com a enfermidade tuberculose, devido à semelhança das características morfológicas das lesões. Considerando a decisão sanitária corretamente apontada para a lesão com o diagnóstico correto, foi observado que os maiores índices de acertos foram para tuberculose e abscesso. Nenhum participante atingiu a pontuação máxima.
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Quanto a recorrência das doenças, fasciolose foi a patologia considerada extremamente recorrente por 62% dos entrevistados, enquanto carbúnculo hemático e sintomático foram considerados não recorrentes por, respectivamente, 95% e 91% dos participantes.
É importante que os médicos veterinários inspetores estejam embasados legal e sanitariamente para que tomem a decisão sanitária mais adequada, visto que uma tomada de decisão equivocada pode acarretar perdas econômicas para produtores e indústria, além de risco à saúde pública ao liberar para o consumo um produto que ofereça algum perigo. Uma ferramenta digital para utilização na rotina dos inspetores, que contemple os diagnósticos e as decisões sanitárias de acordo com a legislação vigente, foi considerada como facilitadora do trabalho desses profissionais. Assim, um atlas digital foi elaborado e disponibilizado em um hotsite (www.aisb.com.br) para download nas versões expandida, para computador, e compacta, para smartphones. Espera-se que constitua uma ferramenta importante na capacitação continuada desses profissionais.
Existe um longo caminho a ser percorrido em busca da padronização, o que requer empenho das entidades governamentais, servidores e indústrias, com foco no principal objetivo: a garantia e preservação da saúde pública a partir de produtos inócuos, que atendem às exigências do consumidor e aos padrões de identidade dos alimentos.
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