1. SALGADO, R S ; SANTOS, B F ; SAAVEDRA, O R Transmission Cost and Loss Allocation Based on Network
2.4 CONCLUS ˜ OES
Neste cap´ıtulo, foram revisadas as metodologias aplicadas para a aloca¸c˜ao de perdas de transmiss˜ao e demanda de potˆencia que mais co- mumente s˜ao encontradas na literatura. As metodologias apresentadas s˜ao divididas de acordo com os princ´ıpios metodol´ogicos utilizados.
Apesar da grande disponibilidade de t´ecnicas de aloca¸c˜ao de per- das, o problema continua como uma quest˜ao aberta e complexa, visto ainda n˜ao haver consenso sobre qual a melhor t´ecnica a ser adotada, uma vez que todas apresentam um maior ou menor grau de arbitrari- edade. Isto tem levado a estudos que tentam conciliar ou aprimorar m´etodos, visando sanar suas deficiˆencias e ao mesmo tempo em que aproveita as suas vantagens. Situa¸c˜ao semelhante tamb´em ´e encon- trada para o problema de aloca¸c˜ao de custos.
No pr´oximo cap´ıtulo ser˜ao revisados os principais m´etodos para aloca¸c˜ao de custos de transmiss˜ao propostos na literatura, abordando principalmente seus aspectos metodol´ogicos.
3 ALOCA ¸C ˜AO DE CUSTOS DE TRANSMISS ˜AO 3.1 INTRODU ¸C ˜AO
A necessidade de dividir os custos incorridos pelo uso da rede entre os agentes do mercado requer o desenvolvimento de m´etodos que permitam alocar adequadamente estes custos. Na maioria dos m´etodos de aloca¸c˜ao dois aspectos importantes s˜ao considerados: a quantidade da capacidade de transporte de energia de cada linha ou transformador utilizados e; o custo por unidade da capacidade deste sistema. O c´al- culo da capacidade usada ´e realizado por meio de simula¸c˜oes de fluxo de potˆencia, considerando cen´arios de gera¸c˜ao e demanda, enquanto o custo por unidade da capacidade pode ser determinado por meio dos custos marginais [33].
A maioria dos m´etodos de aloca¸c˜ao de custo baseiam-se no con- ceito de uso natural do sistema de transmiss˜ao (ou uso da rede), ou seja, no quanto geradores e cargas influenciam na opera¸c˜ao da rede de transmiss˜ao. V´arias s˜ao as formas usadas para se quantificar o uso que um agente usu´ario faz da rede de transmiss˜ao, sendo necess´ario para isto definir previamente uma medida que ser´a utilizada para este fim (fluxo de potˆencia, fluxo de corrente, tens˜ao, localiza¸c˜ao, etc), de ma- neira que se possa associar posteriormente a cada barra do sistema, um custo pelo uso das linhas, transformadores, ou quaisquer outros equi- pamentos da rede de transmiss˜ao. A soma dos custos incorridos pelo uso destes equipamentos resulta no custo pelo uso da rede. A forma com que se define o uso da rede ´e um dos fatores que distinguem os v´arios m´etodos de aloca¸c˜ao propostos na literatura, contribuindo tam- b´em para se determinar as vantagens e desvantagens acerca de suas aplica¸c˜oes.
O custo do uso do sistema de transmiss˜ao pode ser interpretado como a receita necess´aria para a manuten¸c˜ao, o planejamento e a opera- ¸
c˜ao da rede el´etrica [34]. Este custo ´e constitu´ıdo, dentre outras coisas, pelo custo anualizado de cada equipamento do sistema de transmiss˜ao (linhas de transmiss˜ao, transformadores, etc.), sendo assim um valor fixo.
Alguns m´etodos de aloca¸c˜ao utilizam este conceito de custo fixo para o desenvolvimento de suas formula¸c˜oes, tal como o m´etodo Zbarra
apresentado em [35], bem como outros m´etodos de natureza propor- cional. Por´em, h´a estrat´egias que partem da defini¸c˜ao de um custo vari´avel, geralmente fun¸c˜ao dos fluxos nas linhas de transmiss˜ao, para
determinar as parcelas alocadas a cada usu´ario, tal como o m´etodo apresentado em [36]. Entretanto, as abordagens baseadas no princ´ıpio incremental, n˜ao recuperam a totalidade dos custos, necessitando assim de uma parcela de ajuste.
Os m´etodos de aloca¸c˜ao de custos devem atender a certos requi- sitos gerais, referidos em [37], que podem servir tamb´em como crit´erios de avalia¸c˜ao destes m´etodos. Estes requisitos dividem-se entre os de natureza conceitual e os de natureza operativa [36].
Os requisitos de natureza conceitual s˜ao os seguintes:
1. Solidez t´ecnica e objetividade: trata-se de aspectos fundamentais que conferem um tratamento justo e n˜ao discriminat´orio a todos os agentes envolvidos. Isto significa que o m´etodo precisa ser conceitualmente bem fundamentado e deve atender `a finalidade espec´ıfica a que se prop˜oe;
2. Eficiˆencia econˆomica: este princ´ıpio refere-se `a necessidade dos m´etodos garantirem a m´axima recupera¸c˜ao poss´ıvel dos custos de transmiss˜ao, al´em de emitir sinais econˆomicos suficientemente real´ısticos, tais que induzam os agentes a comportamentos mais eficientes com respeito `a utiliza¸c˜ao das redes;
3. Justi¸ca: este princ´ıpio relaciona-se `a identifica¸c˜ao dos custos dire- tamente relacionados `as transa¸c˜oes de energia e `a aloca¸c˜ao destes custos entre os agentes do sistema, visando evitar principalmente a presen¸ca de subs´ıdios cruzados;
4. Aplicabilidade em mercados: o grau de aplicabilidade de um m´e- todo de aloca¸c˜ao dever´a ser aferido de acordo com o modelo de mercado adotado pelo setor.
Os requisitos de natureza operativa s˜ao os seguintes:
1. Estabilidade e Volatilidade Reduzida: este princ´ıpio consiste em que a metodologia deve garantir uma previsibilidade confi´avel com rela¸c˜ao `a remunera¸c˜ao dos agentes al´em de tornar o processo de aloca¸c˜ao de custos o mais transparente poss´ıvel;
2. Simplicidade: este princ´ıpio visa permitir um maior grau de com- preens˜ao dos mecanismos de aloca¸c˜ao de custos por parte dos agentes envolvidos. Ressalta-se por´em que, geralmente os m´eto- dos mais simples s˜ao os menos s´olidos do ponto de vista t´ecnico e econˆomico. Desta forma torna-se necess´ario encontrar um equil´ı- brio entre solidez e simplicidade.
Neste cap´ıtulo s˜ao apresentadas algumas das principais meto- dologias utilizadas para aloca¸c˜ao dos custos da transmiss˜ao, divididas sob dois paradigmas principais: rateio do custo total e caracter´ısticas incrementais.
3.2 CLASSIFICA ¸C ˜AO DOS M ´ETODOS DE ALOCA ¸C ˜AO DE CUS-