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Concurso para as centrais de biomassa florestal 42 

3.2. Centrais termoeléctricas e de cogeração em Portugal 40 

3.2.3. Concurso para as centrais de biomassa florestal 42 

Em Fevereiro de 2006 foi lançado um concurso para a construção de 15 novas centrais termoeléctricas a biomassa florestal, representando um adicional de 100 MW de potência instalada e um investimento total estimado em 225 milhões de euros. O objectivo é atingir uma meta de 250 MW em 2010 de energia eléctrica produzida através da biomassa, permitindo a redução da emissão de CO2 em 700 mil toneladas, possibilitando a convergência para as metas definidas no Protocolo de Quioto (MEI, 2007b). As centrais enquadram-se em duas tipologias: centrais com potência de 2 a 5 MVA, orientadas para as dinâmicas locais, e centrais com potência de 10 a 11 MVA, orientadas para grupos industriais. As novas centrais surgem como um dos instrumentos de combate aos incêndios, possibilitando a retirada de 1 milhão de toneladas de resíduos das florestas. O aproveitamento da BFR para fins energéticos permite a criação de emprego local na recolha de biomassa e a criação de dinâmicas de inovação na gestão e exploração florestal.

A localização das centrais foi seleccionada privilegiando zonas com elevada fitomassa e elevado risco estrutural de incêndio, evitando a sobreposição com grandes “consumidores” actuais e potenciais de biomassa, como centrais termoeléctricas e de cogeração a biomassa existentes e pontos de ligação já atribuídos para futuras centrais (DGEG, 2006). Nesta altura tinham já sido atribuídas licenças para a construção de quatro novas centrais, localizadas em Cabeceiras de Basto (com um máximo de 12 MWe), em Gondomar (com um máximo de 13 MWe), em Oleiros (com 9,3 MWe) e em Monchique (com 14,65 MWe), para além da licença de ampliação da Central Termoeléctrica de Mortágua, permitindo um aumento da potência instalada a partir de biomassa florestal em 57 MWe (Enersilva, 2007). Estas centrais foram tidas em conta na selecção dos locais das novas centrais dedicadas, apesar não se encontrar ainda nenhuma em funcionamento.

Na Figura 10 são apresentadas as distribuições de fitomassa em sub-coberto florestal e de risco estrutural de incêndio por concelho. A sobreposição dos dois mapas permitiu a definição de áreas prioritárias e após a análise da localização dos consumidores actuais e potenciais de biomassa foram definidas as localizações e tipologias dos 15 lotes, apresentadas na Figura 11. As centrais estão distribuídas por 12 distritos, maioritariamente no norte e interior centro do país. Destacam-se os distritos de Castelo Branco e Vila Real, com quatro e três lotes respectivamente.

Gestão de cinzas produzidas em centrais de cogeração operadas com biomassa

Figura 10 - Distribuição de fitomassa em sub-coberto florestal e de risco estrutural de incêndio por concelho (DGEG, 2006).

Gestão de cinzas produzidas em centrais de cogeração operadas com biomassa Os critérios de classificação dos concorrentes tiveram em conta:

 a caracterização do combustível da central, ou seja, a percentagem prevista de biomassa florestal e de outros combustíveis;

 a solidez e sustentabilidade do fornecimento de biomassa à central, avaliando os vínculos contratuais para fornecimento do recurso florestal (duração dos contratos e entidades contratadas) e as garantias de cumprimento contratual;

 a tecnologia e eficiência energética da central, tendo em conta o rendimento de produção de energia eléctrica e o aproveitamento de calor;

 a inovação e dinamização do sector, avaliando a cooperação com instituições do Sistema Científico e Tecnológico e o associativismo na área da biomassa para a energia (DGEG, 2006).

Analisando a ponderação de cada critério, é notória a importância dada ao recurso florestal: 30% dizem respeito à caracterização do combustível e 45% à solidez e sustentabilidade do fornecimento, sendo as maiores classificações atribuídas aos concorrentes que apresentem melhores garantias de disponibilidade da biomassa e em que a utilização de outros combustíveis seja inferior a 10% (DGEG, 2006).

A lista de concorrentes foi divulgada em Setembro de 2006, sem que fossem apresentadas propostas para os lotes 2 e 6, respectivamente em Vila Real e Bragança, correspondentes a um máximo de 4 MWe. Actualmente, só se encontram em funcionamento duas das novas centrais previstas, tendo ambas entrado em funcionamento este ano: a central de Belmonte, com 2,3 MVA, correspondente ao lote 7, e a central relativa ao lote 11, na Sertã, com 3 MVA, explorada pelo grupo Palser – Bioenergia e Paletes, Lda.. A central da Palser é alimentada por serrim proveniente do processamento interno, para além da BFR comprada ao exterior.

Um dos entraves à instalação de centrais de biomassa é a enorme demora na tramitação dos processos de licenciamento. Para além disso, o abastecimento das centrais e a tarifa de venda de energia a partir de biomassa florestal são grandes ameaças. A falta de uma rede logística de recolha de biomassa em Portugal, complementar ao negócio da madeira, e os mercados de biomassa ainda bastante recentes e em estruturação são alguns dos condicionantes. Para além disso, não há uma politica energética comum na Europa relativamente à biomassa, permitindo a cada país estabelecer os preços de venda de energia. Apesar dos aumentos na tarifa de remuneração da electricidade produzida em centrais de biomassa florestal verificados em 2005 e 2007, a tarifa em Portugal é ainda uma das mais baixas da UE:

 na Alemanha há diferentes tarifas para diferentes tipos de biomassa, variando entre 85-175 €/MWh, aplicando-se a tarifa máxima para potências inferiores a 5MWe e biomassa florestal ou culturas energéticas;

Gestão de cinzas produzidas em centrais de cogeração operadas com biomassa

 na Áustria a tarifa é paga consoante a potência instalada, variando entre 160 €/MWh para potências inferiores a 2 MWe e 103 €/MWh para potências superiores a 10 MWe;

 na Holanda a tarifa varia entre 70-110 €/MWh, sendo a tarifa máxima atribuída a potências inferiores a 50 MWe;

 na Itália a retribuição de energia é acrescida do valor dos certificados verdes, variando entre 130- 300 €/MWh, sendo a tarifa máxima para centrais até 1 MW e biomassa até 70 km;

 em Espanha, desde 1 de Julho de 2007, varia entre 118 €/MWh para biomassa florestal e 159 €/MWh para espécies agrícolas ou silvícolas dedicadas;

 no Reino Unido, a tarifa mínima é de 120 €/MWh;  em Portugal o preço médio é de 107-109 €/MWh.

Como consequência da baixa tarifa aplicada em Portugal, verifica-se a exportação de biomassa para outros países. Os dados disponíveis de 2004 indicam que nesse ano foram exportadas 1200 toneladas de pellets e 1200 toneladas de briquetes para a Itália, pagas a 150 €/t e 140€/t respectivamente (Figo, 2006). Note-se que em 2004 a tarifa máxima em Itália era de 170 €/MWh, bastante inferior aos 300 €/MWh pagos actualmente, sendo por isso a tendência para a exportação aumentar. Em 2007 o preço médio verificado no mercado consumidor interno era de 29 €/t, cerca de 40% inferior à receita média obtida na exportação (Santos, 2008). A agravar o problema das tarifas está o valor do IVA aplicável para a biomassa: em vez da tarifa reduzida de 6% aplicável na electricidade e gás natural, a biomassa é taxada a um IVA de 21% (valores actualizados tendo em conta o aumento de 1% de IVA verificado a 1 de Julho de 2010).

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