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Concursos e festivais fora das instalações do CRAMC

Parte I: Prática de Ensino Supervisionada | Reflexão 1 Apresentação e percurso do estagiário

5 Como considera o

10. Relações com a comunidade

10.2. Concursos e festivais fora das instalações do CRAMC

Existem também outro tipo de atividades exteriores tais como concursos, festivais e conferências de trompete que tenho por norma incentivar a participação dos meus alunos. No ano letivo 2014/2015, a classe esteve representada no 2º Festival Internacional de Trompete Almost 6, no Concurso Internacional de Instrumentos de Sopro “Terras de la Salette” e no X Concurso de Música Anatólio Falé Cidade de Lagos 2015 onde nos últimos dois mencionados, arrecadou um total de 3 prémios. No ano letivo 2015/2016, a participação dos alunos da classe de trompete foi novamente muito ativa, tanto em festivais como em concursos de trompete e orquestra, realizados um pouco por todo o país fora das instalações do CRAMC.

10.2.1. Reflexão sobre os concursos e festivais fora das instalações do CRAMC

As referidas atividades extracurriculares, denotaram ser extremamente enriquecedoras para os alunos e fulcrais para o seu desenvolvimento de

conhecimentos e inerente evolução artística. A competição, sempre que desenvolvida num ambiente saudável, constitui momentos em que os alunos têm a oportunidade de conhecer e comparar o nível artístico que se desenvolve fora do seu habitat natural, o

CRAMC. Por outro lado, a participação em festivais presenciando concertos, palestras, conferências e masterclasses, realizados por professores com mérito artístico reconhecido, estabelece ocasiões de renovação e aquisição de novos conhecimentos, assim como de perspetivas musicais.

Relativamente ao 1º Algarve Brass Forum, foi positivo visualizar a forma como os alunos que participaram na atividade, interagiam com as pessoas e rubricas do próprio festival. Nomeadamente para os alunos já em fase final de curso

secundário, foi importante poderem conhecer e estabelecer contato com professores de ensino superior presentes no festival. Também o facto de poderem observar

concertos realizados por alunos a frequentar o ensino superior, fez com que pudessem estabelecer qual o nível a atingir a curto/médio prazo nas suas carreiras.

Figura 14. Cartaz 1º Algarve Brass Forum

Ao nível pessoal, poder observar a alegria, vontade de participar e envolvência que os alunos demostraram ao longo da atividade, foi o estimulo que faltava para definitivamente avançar com o projeto que viria a realizar no seguinte mês de Abril de 2016, o 1º FTA e assim proporcionar novamente, sem terem de se deslocar, todo este tipo de atividades aos meus alunos.

O Concurso Jovens Solistas OCS, promovido pela Orquestra Clássica do Sul, teve como principal objetivo a seleção de jovens solistas provenientes do raio de ação da referida orquestra, nomeadamente as regiões do Algarve, Alentejo e Península de Setúbal. Assim, o regulamento do concurso estipulava que poderiam ser selecionados até oito jovens solistas, com vista a interpretarem um concerto ou obra a solo com a

OCS, inserido no seu ciclo de concertos pedagógicos.

Figura 15. Cartaz Concurso Jovens Solistas da Orquestra Clássica do Sul

Provindos da minha classe, participaram dois alunos interpretando respetivamente os concertos para trompete e orquestra de J. N. Hummel e Capel Bond. Ambos os alunos tiveram uma excelente prestação, embora nenhum deles tenha ficado selecionado.

Enquanto expectador das referidas provas e músico da Orquestra Clássica do Sul (doravante OCS), deparei-me com alguns procedimentos e escolhas que em nada beneficiaram a imagem, justiça e idoneidade deste concurso. Se por um lado um dos alunos teve uma falha de memória na sua execução, passível de determinar a sua eliminação, o outro aluno foi autor de uma prestação excelente a todos os níveis. Contudo, o júri selecionado pela OCS, era possuidor de alguns conflitos de interesses, nomeadamente a presença de professores de alunos em prova, bem como dos seus respetivos pais. Como resultante, ficaram selecionados apenas sete jovens, não conseguindo eu entender o porquê de um aluno que tem uma brilhante prestação com um conceituado concerto, não ser selecionado quando havia mais uma vaga por preencher.

Quando se organiza um concurso com jovens de tão tenra idade, é necessário ter a noção do quão grave e incauto de ética é a manipulação dos sentimentos e sensações reais de uma criança. Para o meu aluno lesado com a prova, foi muito difícil de entender e ultrapassar tal decisão, uma vez que os próprios colegas a concurso eram da opinião que ele deveria também ter sido selecionado. Quando de crianças e jovens se trata, nenhum tipo de conflito nas relações entre profissionais, deveria ser misturado com a tomada de decisões justas, coerentes, honestas e desprovidas de boicotes aos respetivos resultados.

participação de dois alunos da minha classe. Ao contrário do concurso Jovens Solistas OCS, o referido concurso teve uma boa organização e, na minha opinião, seleção do repertório a executar.

Figura 16. Cartaz VII Concurso de Trompete da Póvoa do Varzim

O nível foi de elevadíssima qualidade, não tendo os meus dois alunos

avançado para a final do seu escalão. Contudo, devo mencionar que as suas prestações em nada diferenciaram dos alunos selecionados para a final, estando eu convicto que a escolha se baseou numa questão de mero gosto por parte dos jurados e certamente de enorme grau de dificuldade ao nível da decisão. Ainda assim e não podendo eu atestar tal informação, foi me transmitido por alguns colegas de profissão presentes no local, que uma grande parte dos participantes selecionados para a final eram alunos de professores presentes no júri. Contudo, e tal como disse, o nível foi elevado e muito idêntico, não sendo completamente descabidas as decisões tomadas.

Ironia do destino ou não, o nível da mencionada final, em pouco ou nada se assemelhou com a eliminatória. Os níveis de qualidade da performance dos

participantes foram bastante baixos e de certa forma carenciados de preparação. Como tal, gerou-se um clima de frustração entre os meus alunos, os quais tinham tido o cuidado de preparar ambas as provas com igual dedicação e qualidade. Deparado com tal momento, senti a necessidade de lhes agradecer pelo seu esforço, da mesma forma que os incentivei a continuar a trabalhar para outros concursos, pois quando se compete podemos sempre ter dois resultados, ganhar ou perder. Certo é que a

evolução proveniente do estudo de preparação, é um ganho que ninguém nos pode tirar.

Para as provas de seleção do 3º Estágio da Orquestra Sinfónica “Ensemble”, decidi propor o desafio aos quatro alunos que faziam parte integrante da Orquestra Juvenil do CRAMC. Como é óbvio, os referidos alunos possuíam já alguma experiência no ramo orquestral, da mesma forma que partilhavam o gosto pela

vontade de fazer música de conjunto.

Figura 17. Cartaz 3º Estágio da Orquestra Sinfónica “Ensemble”

O referido desafio era de grande responsabilidade, uma vez que as provas foram realizadas em todo o país a alunos frequentadores de escolas do ensino particular e cooperativo. Ainda assim, todos os alunos mencionados o aceitaram e cumpriram com enorme sucesso. As provas de seleção, referente à região do Algarve, foram realizadas no Conservatório Música de Olhão e decorreram dentro da

normalidade e com resultados satisfatórios.

De um universo de cerca de cinquenta jovens trompetistas de todo o país a concurso, foram selecionados seis. Três na condição de titulares e três na condição de suplentes. Assim, dois alunos da minha classe foram selecionados na condição de suplentes, resultado o qual em muito me satisfez e orgulhou. Também os outros dois alunos, tiveram excelentes prestações e muito embora não tenham sido selecionados, fiquei igualmente agradado com as suas participações.

Em suma, creio que os indicadores sugeridos pelas positivas participações de todos os alunos em concursos e festivais, foram a prova de que estes jovens

possuidores de carácter e atitude exemplar, têm um futuro grandioso e promissor pela frente.