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4. OS FUNDAMENTOS PARA A PROPOSTA

4.5. Condicionantes legais

Nesta seção são apresentadas, de modo resumido, as condicionantes de ordem legislativa vigente tanto em nível urbanístico (código do urbanismo, 2008) como arquitetônico (código da construção, 2010). Essas considerações são interdependentes para a elaboração de qualquer projeto de arquitetura.

4.5.1 O Código de urbanismo e de construção

A partir deste código são identificados, para o desenvolvimento da proposta os seguintes itens:

Densidade Residencial Exata por tipo de atividades (Artigo 77º) calculada por

meio da seguinte fórmula: DRN = (Superfície total do lote) / (Superfície reservada para o habitat e anexos);

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Superfície reservada para o habitat e anexos no máximo 70%;

Superfície reservada para as vias no mínimo 15% e;

Superfície reservada para as atividades e equipamentos de 15%;

Presença de normas técnicas de construção (NORMES SENEGALAISES

TECHNIQUES), embora haja dificuldade de acesso à documentação, possibilitando trabalhar com o que está disponível e aproveitar algumas diretrizes elencadas nas normas técnicas brasileiras, mas apenas a título de referência simbólica e como base de comparação;

Indicações da Lei 2016-31 de 08 novembro de 2016, com a legislação de

orientação sobre a habitação de interesse social;

Para habitação de até 4 pessoas, são considerados 14m² mínimo por pessoa e

10m² a partir da quinta pessoa. Este último dado, dá relevância à nossa proposta pela sua área importante causando um rompimento nos padrões de projetos e produções de habitações de interesse social, principalmente no Brasil onde a habitação mínima definida por legislações específicas tem áreas entre 30 a 40 m². Além da legislação que abre oportunidades para propostas de habitações sociais chegando até aproximadamente 100m², há o fator cultural dos modos de viver em habitats espaçosos mesmo naqueles das populações de baixa renda.

106 5. PROPOSTA

5.1 O PROCESSO DE CONCEPÇÃO

Aqui serão apresentados, em primeiro lugar, o conceito do projeto e o partido arquitetônico escolhidos para a concepção da proposta, a fim de demonstrar o processo de desenvolvimento das estratégias projetuais adotadas e soluções formais e volumétricas, antes da proposta final.

Usam-se, para este capítulo, além dos dados levantados nos capítulos anteriores, principalmente a partir da análise do universo de estudo sob o olhar dos 3 eixos do presente trabalho, as informações tiradas do estudo das condicionantes

projetuais, sendo elas, as condicionantes ambientais e legais.

Para que o presente trabalho de arquitetura atinja os objetivos propostos é necessário o estabelecimento de uma série de metodologias e técnicas uma vez que, além das pesquisas e estudos referenciais, há o processo de criação, o qual nem sempre é linear, envolve subjetividade e diversidade de caminhos possíveis que podem gerar as mais diversas respostas para um mesmo problema. Para tal, aproveitar-se do cruzamento feito, neste trabalho, entre algumas metodologias de projeto, de autores tais como: Kowaltowski et al.(2006); Elvan Silva (2000), Laerte Neves (1998), Edson Mahfuz (1995) e Sue Roaf (2009).

O cruzamento de metodologias decorre, não da obrigatoriedade, tampouco a necessidade de seguir uma metodologia rígida afirmada pelos autores mencionados acima. Kowaltowski et al aponta que o processo de projeto é caracterizado como um conjunto de atividades intelectuais básicas - análise, síntese, previsão, avaliação e decisão -, organizadas em fases de propriedades e resultados distintos.

A definição neste trabalho, dos 3 eixos estruturantes, remete também ao foco do projeto que estará na sua relação tanto com as características ambientais - nas quais tratam-se dos parâmetros bioclimáticos e dos materiais locais do universo de estudo-, com as características socioeconômicas, como com as propriedades culturais - tratando dos modos de morar e de viver do povo Wolof.

107 Mahfuz, por sua vez, tratando da razão compositiva, defende que na composição arquitetônica há uma progressão que acontece das partes para o todo, sendo que para que essas sejam geradas o autor classifica os processos projetuais, distinguindo-os por métodos de analogia: inovativos, tipológicos, miméticos e normativos.

Portanto, devido à complexidade do processo de projeto, podendo ser suportada mediante a utilização de métodos de controle e planejamento do processo cognitivo (KOWALTOWSKI et al, 2006), será adotado uma evolução na concepção que reSultará da junção de metodologias para o processo projetual arquitetônico.

5.1.1 Conceito

Antes de iniciar o processo de concepção projetual, parte-se dos 3 eixos transversalmente usados no processo inteiro do trabalho, para definir o conceito do projeto. Assim, foram considerados os seguintes itens:

o eixo ambiental: Adequação das características bioclimáticas do contexto

semi árido – poucas chuvas (consequentemente gerando umidade baixa) e variação de grande amplitude das temperaturas durante o dia, podendo ser na ordem de 10°C –, e uso de materiais locais (principalmente a terra crua, compactada);

o eixo socioeconômico: priorizar a escolha de projetos que visam atender a

população de baixa renda por meio de eficiência energética e construtiva do sistema adotado – escolhendo, para isso, materiais economicamente e facilmente acessível;

o eixo cultural: Adequação aos modos tradicionais de construir da

comunidade Wolof nativa de Tivaouane.

Portanto, para atender essas diretrizes, escolheu-se o conceito chamado de Baobá (Arbre à Palabre).

108 O baobá, ou no francês baobab, é antes de tudo o símbolo da nação (figura 42) e, também, e é comumente conhecida, no Senegal, como a árvore da sabedoria.

Figura 41. Ilustração de Baobá. Fonte: https://i.pinimg.com/originals/a0/cb/fc/

a0cbfc641f432ada9a76c917439d5005.jpg. Acesso em outubro de 2019

Figura 42. Brasão do Senegal. Fonte: Around Travels, 2016.

109 Além dessa característica simbólica popular e espiritual de sabedoria, ela proporciona, como a maioria das árvores, um lugar de descanso e também – para a cultura wolof (e para outras igualmente) –, representa o lugar de congregação, de reunião comunitária (formal ou informal) de estudos e até de recreação. Antigamente, era o lugar onde os mais velhos se encontravam para discutir assuntos da aldeia.

Figura 43. Pessoas reunidas em torno de baobás. Fonte:

https://openagenda.com/roubaix/events/semaine-culturelle-africaine-arbre-a-palabre?lang=en

Acesso em outubro de 2019

5.1.2. Partido Arquitetônico

A partir da interpretação da teoria de Elvan Silva (2000), o projeto de arquitetura implica dois planos coexistentes: o plano da proposta – ou seja, da essência, envolvendo a categoria da criatividade –, e o plano da comunicação – que representa o plano material da forma. Cada um desses planos corresponde respectivamente ao conceito do projeto e ao partido arquitetônico. Este último consiste, assim, nas decisões projetuais que serão aplicadas para alcançar o objetivo do projeto.

As decisões projetuais são consideradas como tendo um caráter formal e gráfico/imagético de representação das ideias motoras às quais o conceito remete. O conceito do projeto – Arbre a Palabre (baobá) – remete a ideias de centralidade, conexão, convite, paz, sossego, (re)encontro-troca, tanto dos corpos presentes no espaço, quanto da ancestralidade em contato com a herança das novas gerações presente(adas) no tempo – o que ultrapassa os limites do próprio projeto, assentando sua sustentabilidade cultural –, trazida pela representação imagética de

110 um pátio. Para além, segundo Olgyay (1963), nos seus estudos sobre a carta bioclimática, a volumetria adequada para os climas quentes e secos, é um formato compacto, de base quadrada, para diminuir a exposição ao clima, ou alongada com pátio a fim de manter um controle sobre o conforto térmico interno.

Traduzindo em uma linguagem arquitetônica de representação do processo de concepção, a estratégia arquitetônica do uso do pátio é considerada como a representação imagética das ideias (mencionadas acima) que o conceito remete, De fato o pátio no edifício desenvolve o mesmo papel que um baobá em uma vila de cultural africana e, mais especificamente, de cultura wolof, No caso, trata-se aqui desse papel como sendo um lugar de convivência, de reunião, de aprendizado e de acolhimento. Da mesma maneira, o pátio tem a função, na casa tradicional Wolof, de ser um ponto de convivência, principalmente entre os membros da família.

Esta última, por ser de tipo poligâmica, apresenta necessidades específicas que serão levantadas na próxima seção para dar continuidade à definição e pré-dimensionamento dos ambientes da proposta deste trabalho e consequentemente início da concepção projetual.

5.1.3. Programa de necessidades e Pré Dimensionamento

Considerado um dos requisitos para determinação do uso de uma construção, para a elaboração de um programa de necessidades, dos ambientes para fazer parte da proposta, parte-se tanto do estudo das normas legais e técnicas vigentes no universo de estudo, que justificam e qualificam as decisões de projeto como pontos levantados nos referenciais empíricos. Também, reaproveitam-se dados levantados a partir dos 3 eixos estruturantes do trabalho, que foram classificados da forma apresentada no seguinte quadro:

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Tabela 10. Eixos Norteadores. Fonte: Elaborado pelo autor, 2019.

EIXO AMBIENTAL EIXO SOCIOECONÔMICO EIXO CULTURAL

- As propriedades

bioclimáticas em contexto do semiárido como amplitude térmica alta pouca humidade e ar quente seco e muita poeira

- Uso de materiais com inércia térmica alta como a terra em paredes externas - Uso de pátio ou lareira para ventilar e iluminar os quartos e outros ambientes no seu entorno

- Uso eficiente da água pela aproximação das áreas molhadas

- 64,6% de Famílias grandes em média de 08 a 10 pessoas em nível nacional (11 pessoas para as poligâmicas)58

- Familias poligâmicas 35,2% - 2,5 pessoas por ambiente - 10 pessoas por casa em média

- Separação dos usos (intimo, social e serviço) - pátio como elemento de de agrupamento da família - Uso de bastante espaços abertos comuns como recreação e socialização -Propensão ao uso do ambiente externo para lavagem de roupa ou cozinhar - Junção da sala de estar e jantar

Foram tomadas como base, também, algumas referências teóricas sobre projeto de habitação em clima tropical semiárido, e trabalhos acadêmicos na área de arquitetura. Todas essas informações, servindo como indicações projetuais.

Este último programa apresenta uma proposta que foca em atender as necessidades habitacionais do público alvo de famílias poligâmicas (anteriormente caracterizadas), apenas de duas maneiras. A primeira é por meio de uma habitação considerada “fragmentada”, tomando como base os modos de viver (eixo cultural) de uma família poligâmica wolof, que segundo Lasnet (1990):

58 Dados de 2013 pela ANSD.

112 As mulheres vivem com as suas crianças dentro do mesmo quadrado junto com o marido, mas têm as suas cabanas distintas, o marido, por sua vez, reserva um alojamento específico onde as mulheres não têm acesso; a primeira esposa chamada “awa” e tem prioridade e autoridade em cima das outras assim como sobre a gestão da casa. (LASNET, 1990, p 128)59

A habitação dita fragmentada trata, consequentemente, de um conjunto de 2 subunidades separadas fisicamente, mas unidas em torno de pátio comum às mesmas. Portanto, ela destaca a leitura feita de propriedades culturais tradicionais do povo wolof, no caso da existência de diferentes cabanas de uma mesma família que formam um quadrado limitado por uma cerca viva - paliçada ou tapade - e a cozinha, sendo esta última um lugar separado do resto da habitação e mais rebaixado.

Já a segunda habitação, dita “compacta” leva em consideração, além das características socioeconômicas e culturais presentes no universo de estudo, a realidade urbana em que o local escolhido como terreno do projeto se insere. O que resulta, na habitação compacta, numa distribuição espacial diferente dos mesmos tipos de ambientes que compõem a habitação fragmentada.

Para atender ao programa, ilustrado anteriormente, cruzando com as informações coletadas para a sua elaboração, sugere-se o pré-dimensionamento ilustrado a seguir:

59 les femmes logent avec leurs enfants dans le même carré que le mari, mais ont leurs cases distinctes, le mari se réserve un appartement particulier où les femmes n'ont pas accès; la première femme s'appelle “awâ” elle a le pas sur les autres et la direction du ménage.

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Tabela 11. Pré-dimensionamento. Fonte: Elaborado pelo autor, 2019.

Também, aproveitaram-se algumas referências de projeto de habitação multifamiliar, no caso trabalhos finais de graduação, porém, com universo de estudo no Rio Grande do Norte, que são: 1) Casa Juá de Larisse Hellen da Silva (2016); 2) Vivenda João de Barro de Maria Evane Medeiros (2015). Esta diferença entre essas referências e o nosso estudo, à primeira vista, pode se revelar incompatível com este trabalho por não ter as mesmas propriedades culturais, mas que se manteve por estar tratando de objetos de estudo aproximados e, no caso das referências citadas, essas trabalham em universos de estudo cujas características bioclimáticas são parecidas com as elencadas no nosso trabalho ou

114 seja do contexto tropical semiárido. Dessa forma, agrupou-se o programa de necessidades adotado nas duas referências em uma tabela comparativa dos ambientes e suas respectivas áreas para poder ter uma base para elaborar o pré-dimensionamento deste trabalho.

Tabela 12. Pré-dimensionamento. Fonte: Elaborado pelo autor, 2019.

Depois desta seção do trabalho, que consistiu em apresentar o pré-dimensionamento – dos ambientes que compõem o projeto e suas respectivas áreas estimadas, descreve-se, a partir do próximo ponto, a evolução formal e espacial da proposta que aproveita o programa elencado e o pré-dimensionamento dos ambientes listados acima.

5.1.4 A evolução formal e espacial

A partir do conceito e partido arquitetônico criados e apresentados anteriormente, foram realizados alguns estudos formais bidimensional e tridimensional, determinantes para o início da concepção projetual. Dessa maneira, parte-se do pátio que é a ilustração escolhida para representar as ideias motoras de centralidade, convite, paz, sossego e encontro-troca.

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Figura 44. Montagem de Evolução da Forma. Fonte: Elaborado pelo autor, 2019.

Do pátio distribuem-se comumente tanto ambientes como edifícios, pois uma praça pública rodeada de casas pode ser considerada um pátio coletivo, desde que ele esteja circundado por elas. Mas de forma imagética há uma disposição ao redor desse pátio, com diferentes funções ou usos, tais como o íntimo, o social, o serviço.

A primeira proposta procurou adaptar o programa de necessidades pré dimensionado, integrando a ideia inicial do pátio.

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Figura 45. Estudo de zoneamento. Fonte: Elaborado pelo autor, 2019.

No entanto, como essa primeira proposta foi baseada em um público-alvo diferente, foram desenvolvidas unidades de tipos monogâmicas (ligados por um pátio) e poligâmica, afetando a solução, até então, da implantação, causando um preenchimento e compactação do solo com demais habitações no lote, gerando problemas a partir da distribuição dos volumes, no sentido de obter áreas comuns legíveis (projetualmente falando). Além desses problemas, nessa primeira versão de implantação, a busca do pátio coletivo comprometeu a orientação dos edifícios, inadequada para as direções mais quentes.

Essa primeira proposta que, após certas modificações de ordem de reconfiguração do público-alvo passando de 5 famílias – 3 monogâmicas de 6 pessoas, e 2 poligâmica de 10 pessoas – para 3 famílias poligâmicas, de 10 a 12 pessoas. Adicionam-se às suas primeiras modificações a integração da zona agrícola existente e a questão da linha do trem, cuja proximidade revelou-se preocupante, em nível de concepção projetual, para o conforto acústico-visual das habitações. Por último, as condicionantes ambientais e normativas são integradas, buscando conforto térmico interno, aspecto essencial em regiões com clima semiárido. Desse modo, atinge-se a forma final que relata as intenções projetuais de fugir de blocos

117 volumetricamente monolíticos, criando dinamismo formal em planta e jogos de volumes, com a finalidade de manter o pátio central. Os dois tipos de unidades habitacionais, se distinguem pelo tipo social de vivência de uma família poligâmica, podendo ser de forma fragmentada (em volumes separados) ou compacta (no mesmo volume).

Figura 46. Representação esquemática tridimensional do partido adotado. Fonte: Elaborado pelo autor, 2019.

5.1.5. Implantação, acessos e zonas de ocupação

Após o conceito, partido definidos e os estudos formais preliminares desenvolvidos, tanto nas unidades habitacionais como de implantação – que busca estabelecer uma relação programática entre intimo, social, serviço –, apresentam-se os estudos de implantação, a fim de mostrar a que a solução foi finalmente adotada, fazendo referência às pranchas do caderno de pranchas anexado a este volume escrito.

O terreno escolhido, cujas dimensões são mostradas adiante, abaixo, se localiza entre a estrada nacional N°2 e a linha do trem do itinerário (Dacar - Saint Louis). As duas vias ligadas por uma via de barro não identificada, chamada aqui de rua sem nome (ver prancha 01). Atualmente esse terreno é utilizado como campo de agricultura familiar, protegido e cercado por um muro de concreto, cujo acesso é garantido por um portão largo metálico. O terreno tem uma inclinação de 45° para Noroeste em relação ao Norte.

A vegetação existente no lote atualmente é rasteira, com a presença de duas grandes mangueiras e algumas palmeiras, estas últimas identificadas como Borassus

118 aethiopum, e o solo bastante fértil, pois o terreno tem um uso voltado à agricultura.

Figura 47. Identificação das árvores existentes. Fonte: Elaborado pelo autor, 2019.

A partir das condicionantes ambientais elencadas anteriormente, e pelo fato do terreno ter apenas uma face voltada para a rua sem nome e outra para a linha do trem, se optou por locar o acesso único e principal ao lote pela rua sem nome. Esta, por ser a via de menor tráfego, tem sido considerada a única adequada para receber um acesso, devido ao perigo que a proximidade da outra face com a linha do trem representa.

Da mesma forma que, para o zoneamento em macroescala do lote como todo, foi estabelecida uma estratégia projetual de definição de uma modulação de 10,00m x 5,00m, que é a metade do lote padrão (300m²) em nível nacional no Senegal, definido pelo plano diretor do Dacar (RÉPUBLIQUE DU SÉNÉGAL, AJCI, 2016). A modulação aplicada na divisão do terreno por meio de eixos, cujas subdivisões a caráter de estudo, ajudaram bastante a direcionar decisões de distribuição espacial, desde os acessos até a demarcação das zonas de ocupação, e consequentemente, das próprias habitações.

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Figura 48. Terreno de intervenção em módulos de 5,00m x 10,00m sem escala definida. Elaborado pelo autor, 2019.

Na proposta da implantação do projeto, conforme esse nível de concepção, a divisão da área do terreno é feita em 4 zonas de ocupação (ver prancha 01):

Zona de Habitação;

Zona Agrícola;

Zona verde livre de proteção acústica e visual;

Zona flexível de expansão;

A zona de habitação é constituída por casas, enquanto a zona agrícola é reservada para que haja a continuidade da atividade principal e usos atuais do terreno, de forma concentrada em um único ponto. Em seguida, a zona flexível de expansão define-se como tendo 6,00 m de largura, destinada à expansão tanto da zona agrícola como residencial, dependendo das necessidades dos usuários. E por fim, a

120 zona verde livre de proteção acústica e visual que, pelo nome, é caracterizada por uma área de vegetação densa e diversificada em portes, servindo como “tentativa” de barreira acústica e visual contra o barulho periódico dos trens e dos carros que passam.

Sobre as zonas de ocupação descritas, pode-se comentar, ainda, os seguintes aspectos adicionais:

a zona flexível tem múltiplas funções: 1) corredor de entrada de emergência

para ambulância ou carro de bombeiros; 2) estacionamento futuro a partir da consideração feita sobre a possibilidade de melhoria nas condições socioeconômicos das famílias que, porventura, poderão usar carros para dentro do lote; 3) uso redirecionado à agricultura, tanto como terra cultivável, como espaço de realização de feiras periódicas de apresentação/vendas de produtos agrícolas.

a zona agrícola é devidamente abastecida por água, através de um sistema

de encanamento subterrâneo ligado ao castelo d’água que propõe-se no projeto.

a zona verde livre de proteção, que serve também como canal

potencializador da ventilação para as habitações

a zona de habitação, composta de áreas de uso coletivo para circulação e convivência. Essa mesma zona também está localizada de tal forma que não cause a retirada de certas árvores como o Borassus aethiopum, cuja locação específica não foi levantada.

Optou-se para que a zona de habitação traga a ideia do pátio coletivo entre

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Figura 49. Implantação sem escala definida. Fonte: Elaborado pelo autor, 2019.

5.1.6. Zoneamento e Layout

Neste nível do desenvolvimento da concepção arquitetônica, definem-se cada vez mais as soluções adotadas. De fato, as tipologias edilícias estavam aos poucos sendo desenvolvidas em conjunto com a implantação, aproximando-se do nível de aprofundamento e detalhamento finais. Aqui, propõe-se trazer ao foco

122 maior às unidades habitacionais, mostrando o zoneamento e layout finais adotados.

A particularidade deste projeto é a existência, com base em dois tipos de casa poligâmica: Uma habitação fragmentada, isto é, a partir de um embasamento pelo eixo cultural da pesquisa, dividida em duas subunidades, consideradas como conjunto de uma mesma família. Com efeito, este tipo de habitação parte de propriedades culturais, em termos dos modos de morar e de construir do povo

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