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Veja, caríssimo(a), a conduta é o primeiro dos elementos que compõe o fato típico (formador da estrutura do crime).

Para tanto, a conduta é toda ação ou omissão humana, consciente e voluntária dirigida a uma finali- dade. Então, de qualquer modo, sua existência está condicionada a um comportamento humano.

Ainda, a partir do conceito que acabamos de construir, é possível verificarmos as formas pelas quais se dá a conduta humana, quais sejam: ação e omissão.

Vejamos:

AÇÃO OMISSÃO

É toda conduta positiva, que nasce a partir de um movimento corpóreo.

A grande maioria das figuras típicas do ordena- mento jurídico descreve uma conduta positiva, p.ex.

“matar; subtrair; apropriar-se; ameaçar”.

É a conduta negativa, consubstanciada na indevida abstenção de um movimento obrigatório.

Então, caríssimo(a), somente haverá conduta quando houver uma exteriorização do pensamento, através de um movimento corpóreo ou uma abstenção indevida. Assim, vale dizer, o direito penal não pune nenhum pensamento, por mais criminoso que ele possa ser.

Desse modo, enquanto a empreitada criminosa não irradiar para fora do pensamento do agente, por pior que esse seja, não poderá haver reprimenda criminal sob o ato.

Imaginemos uma situação do cotidiano: Austin, indignado depois de ver seu time de futebol perder para o maior rival, imbuído de raiva, trama em sua mente, a morte de um torcedor rival da forma mais cruel possível. Entretanto, digerida a derrota e mais calmo após a partida, Austin esquece o plano e segue adiante sua vida.

Veja, caríssimo(a), desse modo, por mais que o pensamento seja moralmente reprovável, para o Direito Penal ele é irrelevante, pois encontra-se no claustro psíquico de Austin, que não exteriorizou nenhum ato com a finalidade de matar o desafeto.

Sendo assim, somente entram no campo da ilicitude os atos conscientes. Então, podemos concluir que os atos praticados involuntariamente são penalmente atípicos, ou seja, não interessam para o Direito Penal.

“Professor, mas ato involuntário, como assim?”

Suponhamos que o agente pratique um ato sob o efeito de hipnose ou sonambulismo. Sendo o ato prati- cado nessas condições, estamos diante de uma conduta involuntária do agente, razão pela qual, o ato é penal- mente irrelevante.

Agora que já dissertamos bastante acerca do tema, vamos testar nosso conhecimento? Vejamos como os concursos estão questionando acerca do tema:

Ano: 2014 Banca: FUNCAB Órgão: PC-RO Prova: FUNCAB - 2014 - PC-RO - Escrivão de Polícia Civil De acordo com o conceito analítico de crime, é um dos elementos do fato típico:

A) imputabilidade. B) conduta.

C) exigibilidade de conduta diversa. D) exercício regular de um direito. E) potencial consciência da ilicitude.

Resolução: veja, meu(a) caro(a) estudante, a partir da tabela que formulamos anteriormente, é perfeitamente possível respondermos o que a banca nos indaga.

a) a imputabilidade é um dos elementos da culpabilidade; b) a conduta é um dos elementos que compõe o fato típico;

c) a exigibilidade de conduta diversa é um dos elementos da culpabilidade; d) exercício regular de um direito é uma excludente de antijuridicidade; e) a potencial consciência da ilicitude compõe a culpabilidade.

Gabarito: Letra B.

Conhecimento adquirido, vamos a mais uma questão! Avante, guerreiro(a)!

Ano: 2010 Banca: PC-SP Órgão: PC-SP Prova: PC-SP - 2010 - PC-SP - Escrivão de Polícia Civil

Assinale o conceito de crime lecionado pelos penalistas que adotam a corrente doutrinária finalística, que tem em Welzel seu maior expoente.

A) Ação típica, antijurídica e culpável. B) Ação típica, antijurídica e voluntária. C) Ação típica e juridicamente relevante. D) Ação típica, antijurídica e dolosa. E) Ação típica e culpável.

Resolução: de acordo com o nosso estudo até o momento, verificamos que a maioria dos penalistas e, tam- bém, os Tribunais Superiores, utilizam a definição da teoria tripartida para a qualificação do conceito analítico do crime, ou seja, caríssimo, o crime é fato típico + antijurídico/ilícito + culpável.

“Mas professor, a questão fez menção a Welzel. Qual foi a contribuição dele para a teoria finalista?”

Welzel foi o idealizador da teoria finalista da ação. Ademais, trago a lição do Professor André Estefam8 acerca da teoria finalista da ação.

“Teoria finalista da ação: ação é a conduta humana consciente e voluntária dirigida a uma finali- dade (Welzel). Ação e finalidade são conceitos inseparáveis. Esta é a espinha dorsal daquela. Isso porque o homem, sendo conhecedor dos diversos processos causais que pode desencadear, dirige seus comportamentos buscando atingir algum objetivo” (ESTEFAM, André. p. 214).

Quero que você fixe muito bem essa matéria, então, antes de avançarmos, fecharemos com mais uma questão.

Ano: 2013 Banca: FUNCAB Órgão: PC-ES Prova: FUNCAB - 2013 - PC-ES - Escrivão de Polícia Infração penal significa:

A) Quando um caso não previsto em lei é regulado por um preceito legal, que rege um semelhante.

B) Ofensa real ou potencial a um bem jurídico, levando-se em consideração os elementos subjetivos do tipo, a ilicitude e a culpabilidade.

C) Todos os valores ético-sociais que estejam a exigir uma proteção especial, no âmbito do direito penal, por se revelarem insuficientes à proteção dos outros ramos do direito.

D) Quando o princípio para o caso omitido se deduz do espírito e do sistema do ordenamento jurídico, consi- derado em seu conjunto.

E) Que o delito é sinônimo de contravenção penal no Brasil.

Resolução: faremos um comentário geral que servirá para a resolução como um todo da referida questão. A primeira informação que precisamos ter em mente, meu(a) jovem, é que infração penal é gênero, enquanto crime e contravenção penal são espécies desse gênero. Desse modo, a infração penal, que se transfigura em crime ou contravenção penal, é todo comportamento que causa lesão ou risco de lesão a um bem jurídico, le- vando em conta o elemento subjetivo do tipo (dolo ou culpa), a ilicitude (contrariedade ao direito) e a culpabi- lidade (imputabilidade; potencial consciência da ilicitude e exigibilidade de conduta diversa).

Gabarito: Letra B.

Assim, fechamos essa primeira parte do nosso estudo!

Dessa forma, a partir do que analisamos anteriormente, conseguimos verificar que a conduta que des- creve uma ação é praticamente dominante dentro do ordenamento jurídico. Então, cabe-nos analisar com um pouco mais de profundidade as condutas omissivas.

Preparado?

Avante, guerreiro(a)!