CAPITULO IV Globalização, TIC e Migrações
4.2. Conectando comunidades: Efeitos e implicações
Tendo em conta a era globalizada em que nos encontramos, factor que foi desencadeado pelos fenómenos migratórios, considerando que a emigração existe há já alguns séculos. Pois já em tempos remotos se procuravam novas oportunidades para desenvolver o comércio, se cruzavam fronteiras e se encontravam novos povos e culturas diferentes, as comunidades humanas por onde passaram deixaram pequenas marcas da sua cultura e trouxeram vestígios de outras (Marques, 2003). Não obstante, a emigração nunca teve tanta relevância e complexidade como nos dias de hoje.
Com a globalização surgiu o desenvolvimento de redes mundiais, nomeadamente sistemas sociais e económicos, facultando o acesso a meios de transporte mais rápidos e baratos, tornando as comunicações mais fáceis, instigando à migração. Uma vez que existe a facilidade de manter o contacto com a comunidade de origem, bem como nas deslocações entre países.
Como refere Oliveira (2003) o maior efeito da globalização é a redução das distâncias, o facto de se terem aberto as fronteiras veio aproximar pessoas e empresas, independentemente da religião, do grupo social a que pertençam, dos países ou organizações. No entanto, esta aproximação pode trazer várias consequências devido à “troca de informação e conhecimento, o que permite o posicionamento de cada indivíduo no contexto internacional de forma mais precisa do que antigamente, evidenciando forças e fraquezas e facilitando a compreensão das distancias que os separam” (p.27).
A evolução tecnológica e a política têm contribuído para o aumento do comércio transfronteiriço, sendo as tecnologias de informação e de transportes, os principais difusores da globalização, em que os indivíduos, ideias e culturas se movam frequentemente em diferentes direcções, segundo Castels (2005) “a globalização definida como a proliferação de fluxos transfronteiriços e de redes transnacionais, alterou o contexto das migrações”(p.43). Em traços muito gerais e tendo em conta o
contexto da globalização, existem dois modelos do processo migratório. O primeiro em que os imigrantes pretendem fixar-se e integrar-se na sociedade de acolhimento, com o objectivo de fixação definitiva, ou seja pretendem reunir ou reconstituir as suas famílias, deixando-se assimilar perante a cultura dominante. Por outro lado, existe a migração temporária, em que o migrante pretende permanecer no país de acolhimento por um período de tempo limitado, mantendo as relações afectivas e de comunicação regular com o país de origem, tendo como objectivo regressar ao seu país.
Assim, a globalização leva a que as comunidades se tornem transnacionais, uma vez que a mesma, segundo Castels (2005) “está estreitamente associada a alterações nas estruturas e nas relações sociais, e a mudanças nos valores culturais relacionadas com o lugar, com a mobilidade e a pertença” (pp78).
De acordo com Rodrigues (1999) o lançamento do satélite Telstar, em 1962, assinalou no domínio das telecomunicações, uma nova era, levando à globalização da informação a partir da década de 80.
Contudo visões divergentes se pronunciaram quanto à negatividade da globalização da informação. Por um lado, considerando a riqueza da experiencia humana, a diversidade de línguas, os diferentes modo de vida, os diferentes modos de pensar, variedade dos comportamentos poderiam estar comprometidos acabando por destruir a identidade das culturas particulares, dando origem, segundo Rodrigues (1999) a um “modelo cultural homogéneo e uniforme imposto a todo o planeta, através dos dispositivos da informação mediática” (p.146). Seguindo esta linha de pensamento, independentemente do local onde o indivíduo se encontrasse as informações seriam transmitidas em tempo real, sendo divulgados iguais produtos culturais e seriam interpretados da mesma forma, ou seja a informação transmitida seria igual para qualquer parte do mundo, uniformizada, independentemente das experiencias culturais e da identidade de quem obtém essa informação. Assim, e tendo em conta essa teoria as culturas particulares veriam a sua sobrevivência ameaçada.
Por outro lado, segundo Rodrigues (1999) há quem defenda que “ a actual globalização da informação mediática asseguraria uma maior solidariedade entre os povos e representaria uma oportunidade positiva de democratização política” (p.147), uma vez que disponibilizaria a todos os povos, os recursos e produtos culturais,
independentemente do local geográfico e do desenvolvimento económico em que se encontrassem.
Assim, com a nova sociedade de informação diminuiriam as diferenças existentes e com a facilidade de acesso aos meios de informação seria possível exercer o direito de cidadania de forma directa, a população poderia pronunciar-se livremente e ampliaria a transparência das resoluções de quem se encontra no poder.
Não obstante, Rodrigues(1999) salienta que
cada uma das diferentes culturas é constituída por um conjunto de traços comuns a um povo que apresentam, nesse conjunto, uma marca que torna semelhantes os membros de uma mesma comunidade cultural e que os distingue dos que não pertencem à mesma comunidade (p. 146).
Contudo, muitas dúvidas se levantam em torno da questão da globalização da informação, nomeadamente no que se refere à expressão cultural que as redes divulgam para todo o mundo, colocando em causa as culturas particulares existentes, sobrepondo às características de cada comunidade as formas culturais universais, independentemente da identidade dessas mesmas comunidades (Rodrigues, 1999). Em suma, as redes de informação sobrepõem-se às fronteiras geográficas e aos territórios nacionais de pertença, essas “fronteiras tornam-se hoje fluidas, permeáveis à penetração tecnológica dos novos media” (Rodrigues, 1999, p.150), tornando-se acessível através da internet estabelecer relações com indivíduos que vivem em outra parte do mundo. Assim, independentemente do local em que nos encontramos, sem grandes dificuldades e simplesmente equipados com um computador, uma linha telefónica e um modem podemos contactar alguém noutra parte do mundo, consultar as mais diversas informações actualizadas e enviar e receber mensagens.