3. Confiabilidade e garantia de produtos
3.1. Confiabilidade para desenvolvimento de produtos
Para Huang, Liu e Murthy (2007), o sucesso de novos produtos depende de decisões de desenvolvimento e engenharia, gerando confiabilidade do produto, e decisões de marketing tais como preço e garantias.
Desde o advento da revolução industrial, novos produtos têm entrado no mercado a cada dia. Como resposta a livre concorrência desses produtos e o crescente nível de exigência sobre a qualidade dos mesmos, nota-se uma tendência clara de crescimento na complexidade e no grau de inovação que eles apresentam.
Devido ao rápido avanço tecnológico, a pressão para que o produto seja colocado rapidamente no mercado aumenta a cada dia. Sabe-se que, se não se é pioneiro no lançamento de um determinado produto no mercado, as chances de se obter lucro rápido com aquele produto são bem menores.
Lu et al. (1999) afirmam que o propósito final de um processo de desenvolvimento de produto é a obtenção de um produto que satisfaça as necessidades dos clientes com o intuito de gerar lucros. Porém, os mesmos autores afirmam que quando essas duas grandezas podem
ser medidas, após alguns meses de lançamento no mercado, geralmente já é tarde demais para se propor melhorias, principalmente em produtos eletrônicos onde o risco de obsolecência é alto.
A questão da obsolecência pode ser contornada quando se aplicam os estudo de confiabilidade não em produtos, mas em mecanismos e componentes. Esses mecanismos não são unicamente utilizados no produto estudado e conclusões sobre a confiabilidade desses mecanismos ou componentes podem trazer melhorias para os próximos produtos a serem desenvolvidos. Assim, ao invés de estudar a confiabilidade do produto em si, como um todo, pode-se recorrer aos tempos de falhas relativos somente ao componentes de interesse e estudar sua confiabilidade, assim, é possível traçar projetos para aumentar sua confiabilidade. Um exemplo é a tela de LCD utilizada nos celulares. Quando essa tela começou a integrar os celulares o número de defeitos atribuidos a essa parte do equipamento certamente era maior do que o número de defeitos encontrados atualmente. Uma análise sobre as falhas que usualmente ocorrem nesse componente certamente gera melhorias na sua confiabilidade, com o passar do tempo e sua utilização em outros produtos semelhantes pode ser estudada e avaliada.
O desafio do processo de desenvolvimento de produtos é determinar a confiabilidade do produto antes mesmo que ele seja lançado ao mercado. Em muitos casos, onde uma falha do produto põe em risco vidas de pessoas, esse aspecto é mandatório.
Segundo Yadav et al. (2003) existem várias fontes de informação de confiabilidade do produto durante sua fase de desenvolvimento. Informações provenientes de experimentos e testes de robustez, análise de modos de falhas e até mesmo as opiniões de especialistas deveriam ser consideradas no processo de melhoria da confiabilidade de produtos em desenvolvimento. Os mesmos autores ressaltam que os modelos de previsão de confiabilidade tradicionais não são suficientemente flexíveis para integrar as diferentes fontes de informação. Existem soluções alternativas para a determinação da confiabilidade do produto nos estágios iniciais do seu desenvolvimento. Lindley (2000) propõe uma teoria de análise subjetiva de probabilidades para tratar os dados que muitas vezes podem ser vagos nos primeiros estágios do desenvolvimento enquanto Yadav et al. (2003) propõem a utilização de logica fuzzy como solução do problema.
A medida que se caminha para o final do processo de desenvolvimento, as informações vão ficando mais claras, além de existir em maior quantidade nos estágios finais.
Quando o produto está inteiramente projetado, surge a oportunidade de realizar testes nesse produto antes de lançá-lo efetivamente no mercado. Os teste de vida acelerados já foram abordados na secção 2.6, cabe aqui ressaltar que os resultados desses testes podem e devem ser utilizados para analisar produtos em desenvolvimento. Mesmo assim, análise de dados de falha em campo também constitui fonte de informação para desenvolvimento de novos produtos, principalmente porque, além de representarem falhas colhidas em condições reais, não simuladas, podem ser adicionadas a esses dados de falhas informações sobre a satisfação do cliente com o produto, o que não ocorre em testes acelerados, uma vez que o produto ainda não está nas mãos do cliente.
Hussain e Murthy (2003) abordam a questão de custos no processo de desenvolvimento de produtos. Quando se faz uma análise de confiabilidade do produto em desenvolvimento e se propõe modificações, existe um custo implícito nessas modificações. Esses custos normalmente recairão sobre o processo produtivo que deverá ser alterado para aumentar a confiabilidade do produto final. Os autores argumentam que é preciso estudar um ponto ótimo entre redução dos custos devido ao aumento da confiabilidade e aumento dos custos de produção para o mesmo fim.
Apesar de defender que o melhor momento para melhorar a confiabilidade do produto é na sua fase de desenvolvimento, devido aos altos custos de se trabalhar um produto que já está no mercado, Cui e Khan (2008) propõem um método para estudo de confiabilidade e estimação do período de garantia após o lançamento do produto.
Lu (1998) trabalha a estimativa de confiabilidade em uma indústria automotiva baseada em dados de falha prematuros, que ocorrem entre 4 e 5 meses após o lançamento do produto. Trabalhar com dados de falha prematuros ajuda a identificar componentes que têm maior possibilidade de ser acionados no futuro para recalls. Através da identificação desses componentes, modificações no projeto do produto já são feitas e os produtos que são produzidos após essa análise já saem corrigidos, diminuindo a quantidade de veículos chamados nos recalls. O autor conclui que a aplicação dessa metodologia traz benefícios financeiros tanto para o cliente quanto para a empresa.
Ion et al. (2007) aplicam os conceitos de análise de dados de campo em produtos eletrônicos. Os autores também utilizam dados de falhas prematuras para prever o comportamento do produto e então atuar no projeto antes que a vida útil desse produto acabe devido ao rápido grau de inovação presente no ambiente de eletrônicos. Os autores concluíram que o indicador utilizado foi incapaz de indicar o grau de confiabilidade do
produto dada a pouca quantidade de dados utilizada para seu cálculo, outros indicadores devem ser utilizados para esse tipo de análise.