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OPERACIONALIZADAS 115 APÊNDICE B – ESTATÍSTICA DESCRITIVA DAS VARIÁVEIS

2.2 TEORIA DE AGÊNCIA

2.2.1 Conflito Principal-Principal

Os pesquisadores cada vez mais percebem que não há um único modelo de agência que adequadamente descreve os conflitos existentes em todos os contextos. O modelo predominante de governança para mitigar conflitos é um produto de economias desenvolvidas, principalmente Estados Unidos e Reino Unido. Nas economias desenvolvidas, como a propriedade e o controle são muitas vezes separados e os mecanismos legais protegem os interesses dos proprietários, os conflitos de governança que recebe maior parte das atenções são entre o principal e o agente (MORCK et al., 1987).

Os conflitos principal-principal são caracterizados pela propriedade concentrada e controle, fraca proteção institucional dos acionistas minoritários e poucos indicadores de governança nas empresas do país, tais como menos empresas de capital aberto; poucas informações contidas nos preços das ações; pouco investimento em inovação; e, em muitos casos, a expropriação dos acionistas minoritários (LA PORTA et al., 1999).

Na última década, pesquisadores em finanças e economia têm afirmado que a conceituação tradicional do conflito principal-agente de Jensen e Meckling (1976) não representa as realidades dos conflitos principal-principal, que dominam as economias emergentes.

O trabalho de Young (2008) pode ser considerado seminal neste campo. Os autores alertam que a teoria da agência tradicional não consegue acomodar as diferenças entre os grupos de interesses. O quadro institucional em economias emergentes exige um conjunto diferente de mecanismos de governança, já que os conflitos de governança corporativa ocorrem frequentemente entre duas categorias de “principais”. Os acionistas controladores e acionistas minoritários.

O conflito principal-principal também pode ocorrer em economias desenvolvidas. Porém, a literatura indica grande parte de estudos subsequentes ao de Young 2008 em diversas economias emergentes onde as instituições são consideradas fracas, como em Singapura (WOAN, 2007), na China (SU; XU; PHAN, 2008; CUI, 2010; LI; QIAN, 2012), na Índia (PALEPU, 2009), no Leste Europeu (RENDERS; GAEREMYNCK, 2012), no Brasil (BRANDÃO; CRISÓSTEMO, 2015), e inclusive economias asiáticas em crise (KIM et al. 2009; WARD; FILATOTCHEV, 2010; PENG; JIANG, 2010; LIN; CHUANG, 2011; PENG; SAUERWALD, 2012).

As cooperativas de crédito também possuem grupos de principais. Porém, diferentemente das empresas tradicionais, não existe

dominância de grupos controladores contra grupos minoritários, já que ela se baseia pelo princípio de um membro, um voto. Porém, esse conflito pode se dar pelo diferencial no capital investido, e o interesse de determinados grupos em tomar ou poupar crédito.

A Figura 06, com base em Lima, Araújo, Amaral (2008), a partir do conflito de agência, compara como esse problema principal-principal é caracterizado nas empresas tradicionais e nas cooperativas de crédito. Figura 06 – Comparação de Conflitos

Fonte: Lima, Araújo e Amaral 2008.

Conflito de Agência Empresas Tradicionais Cooperativas de Crédito

Credor X Acionista

Determinante da estrutura de capital, pois define a combinação de interesses entre diversos grupos que fornecem recursos e possuem direitos

sobre o fluxo de caixa gerado pela empresa.

Não aplicável, considerando que os fornecedores de recursos são os próprios associados, que participam

tanto da formação das quotas de patrimônio líquido como dos saldos

depositados.

Acionista Minoritário X Acionista Majoritário

Ligado ao aspecto de difusão da propriedade, proporciona dificuldades de monitoração relatadas por Andrade e Rossetti aos detentores das parcelas difusas, mantendo uma

parcela concentrada que facilita a condução das atividades e a influência sobre o administrador de

acordo com interesses próprios.

Não aplicável, sociedade de pessoas, onde os associados possuem poder de deliberação (votos) equivalentes

e independe do percentual de participação no capital.

Associado/Acionista X Gerência

Foco principal da teoria, o relacionamento entre o gestor que dispõe de informações e podem ter ações que não sejam de interesse dos

acionistas e de difícil observação. Envolve problemas de assimetria de

informações entre o agente e o proprietário e faz parte das considerações de Jensen e Meckling

(1976) e Eisenhardt (1989).

Relevante na realidade de delegação de poderes. Estudos empíricos sugerem que esta é a principal fonte

de fracasso das cooperativas de crédito, o que demonstra a necessidade de regulamentação prudencial específica para essas

instituições.

Tomador de Empréstimo X Poupador (Aplicador)

de Recursos

Apesar dos depositantes e devedores tentarem ter as melhores margens em seu benefício, esses interesses não chegam a caracterizar um conflito de interesses entre agentes na condução

e administração de instituições financeiras tradicionais.

Relevante, pois ambos os grupos exercem pressão sobre a conduta dos

gestores, com a possibilidade de concessão de empréstimos subsidiados e/ou, possivelmente, remuneração de depósitos acima da

média do mercado. Pode levar à falta de competitividade, elevação

no risco de crédito e fracasso da cooperativa.

Por exemplo, vê-se que na relação entre tomador de empréstimo e poupador na cooperativa de crédito, há interesses difusos. Em razão disso, o gestor sofre pressões para empreender decisões favoráveis aos interesses do tomador e do poupador. O tomador de recursos a fim de realizar seus projetos tem a pretensão de pagar o menor custo possível. Enquanto que o poupador ao alocar recursos excedentes pretende que os mesmos sejam remunerados por taxas dentro de sua expectativa. Assim, evidencia-se que a relação pode não ser parcimoniosa e equitativa.

Tomar decisões de modo a proteger o interesse do principal da cooperativa, tanto o principal dos poupadores quanto o principal dos tomadores de empréstimos, é uma tarefa árdua ao gestor. Destaca-se que o gestor (tomador de decisões) tanto pode estar na condição de tomador quanto de poupador. Daí a proxy apontada pela literatura no sentido de capturar os vieses mais protetivos ao tomador ou ao poupador por meio dos benefícios distribuídos aos cooperados.