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CONFLITOS A PARTIR DOS AGENTES ATUAN TES

No documento Orientador: Prof. Dr. Valdir Frigo Denardin (páginas 93-99)

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.4 CONFLITOS A PARTIR DOS AGENTES ATUAN TES

Durante a realização das entrevistas os entrevistados foram questionados sobre a existência de conflitos entre atores ou entre as ações desenvolvidas no meio rural do litoral paranaense.

Ao se analisar os relatos notou-se certo desconforto por parte dos entrevistados sobre o tema. Em nossa percepção acredita-se que devido à proximidade e a relação estabelecida entre os principais atores que atuam no meio rural do litoral paranaense, os conflitos não tenham sido totalmente relatados.

Os relatos são de que os conflitos não ocorrem ou que dependem da história dos conselhos e o perfil das pessoas que os compõem, ou que os conflitos ocorrem por acordos não cumpridos. Como podemos notar no relato do entrevistado 9:

[...] a c h o que os c o n flito s p o d e m o c o rre r sim , po r e xe m plo, o no sso co n s e lh o aq ui é um po uco d ife ren te , pelo qu e eu co n h e ç o dos ou tro s con selhos. O no sso aq ui te m hora que os co n flito s a p a re c e m m ais, por vá ria s s itua çõe s; po r exe m plo: po r d e fic iê n c ia s da p re fe itu ra que p e rm ite m que os co n flito s ac o n te ça m , po r q u e se vo c ê não fa z as c o isa s e não cu m p re vo c ê está d a n d o b re ch a pa ra q u e os c o n flito s a c o n te ç a m [...].

Foi relatado que na maioria das vezes as pessoas não estão predispostas ao conflito. Para o entrevistado 9 a maior parte das pessoas preferem o consenso, mas frisa que isso pode acabar prejudicando o processo, pois algumas decisões importantes acabam sendo proteladas, mencionado:

T e m ce rto s a m b ie n te s que vo c ê pe rm ite q u e os c o n flito s a p a re ça m , q u a n d o vo c ê se n ta com to d o m un do m uito tra n q u ilin h o d ific ilm e n te v ã o oco rre con flitos. E ta m b é m se tu d o o q u e foi p a ctu a d o está o c o rre n d o os co n flito s não v ã o o co rrer... já o co rre ra m , m ais va i d e p e n d e r de cad a c o n s e lh o e da histó ria de ca d a um deles, de co m o ele foi fo rm a d o , do perfil da s pe sso a s que c o m p õ e m o con selho, a lg u m a s p e s so a s te m um perfil de ir m ais para o co n flito ou tra s ne m ta n to e p re fe re m tra b a lh a r com o co n se n so , as ve z e s as co is a s m ais d e lic a d a s não são c o lo c a d a s e ai a ca b a te n d o co n s e n s o só nas co is a s m ais fáce is, e as m ais co m p lic a d a s v ã o fica n d o , m as os co n flito s o c o rre m (E n tre v is ta d o 9).

Para Torre (2010), as dinâmicas de conflitos e de negociação estão imbricadas no processo de governança territorial e se alternam em fases de conflitos e de paz. O autor menciona que a governança dos territórios pode se dar em períodos de alta conflitualidades, onde se manifestam oposições; ou em fases mais

consensuais, onde se organizam acordos entre as partes, concessões e de

São relatadas principalmente situações envolvendo atores ligados ao desenvolvimento de pesquisa ou fiscalização. Há certa interpretação que estes atores não compartilham da visão de uma participação coletiva, do mesmo modo são citados exemplos internos a algumas instituições que mesmo ela tendo um perfil de atuação coletiva ou de promoção da mesma, alguns servidores não fazem questão deste engajamento. Dentre as dificuldades relatadas, cabe destaque a visão de atores que não são ligados as esferas públicas, e que a disputa ou posição

política nestas organizações acabam criando situações de desencontros ou divisão em grupos, causando o enfraquecimento de ações propositivas.

Em relação aos conflitos externos, foi possível constatar três circunstâncias, sendo elas: se apropriarem e não se sentirem corresponsáveis por projetos propostos por outros atores, deste modo se fazendo presente, mas sem uma real participação. O que

acaba criando um vazio institucional, pois em pouco tempo esses atores que não são ativos se distanciam e deixam outros atores isolados.

ii) Sobre a função ou atribuição de atores no território foi relatado que:

...a ge n te ta m b é m te m a lg u n s c o n flito s e n tre as in s titu iç õ e s em te rm o s de atrib u iç õ e s , po r e xe m p lo , no caso da pesca, a m a io ria da s no rm a s de pe sca são a n tig a s e fo ra m fe ita s pelo IAP e pelo IB A M A ; que hoje não te m m ais a trib u iç ã o de fa z e r no rm as de pesca; é um a d ific u ld a d e da ge nte re v e r as no rm a s an tiga s, po rqu e hoje o s is te m a de p ro d u çã o de no rm a s é outro, não e n vo lve m ais e s sa s in s titu iç ã o ne m o IC M B IO . E ntã o isso é um a dificu ld a d e , um c o n flito c o n s ta n te de a trib u iç õ e s de q u e m revê e ssa s no rm as (E n tre v is ta d o 10)

O entrevistado 10 destaca que existem conflitos relacionados a atribuição de papéis dos atores presentes no território. No litoral do Paraná isso é potencializado ao ter em torno de 82% de seu território formado por áreas de proteção ambiental e, consequentemente, a sobreposições de legislações. Neste mesmo sentido o Entrevistado 4 aponta que “falta efetividade dos Órgãos Ambientais, eles são convidados a participar, mas não participam” .

iii) intervenção político-partidária. Como exemplo:

[...] se m p re te m disputa, p rim e iro p o rq u e s e m p re e xiste os in te re sse s p o lítico s (p a rtid á rio ) né! já co m e ça p o r ai né! en tã o já co m e ça a d iv id ir os grupos, um pu xa pra cá, o u tro puxa pra lá (E n tre v is ta d o 5).

Já vi s itu a ç õ e s v á ria s s itu a ç õ e s assim ; a s s o c ia ç õ e s e os a g ric u lto re s e stã o lá, não e stã o co n co rd a n d o , m as eles p re fe re m não se m a n ife s ta r e d e ix a r que a q u e la p e s so a leve a q u ilo ad ia nte, com m e d o de algu m tip o de p e rse g u içã o po r não te r um a h a b ilid a d e e m d e ba te r; po r não e s ta r s eg uro em fa z e r um d e b a te na fre n te de ou tra s p e s so a s (E n tre v is ta d o 9).

Outro elemento que possibilita o surgimento de conflitos é a interferência político partidária. Nota-se que ela se faz presente tanto nas instituições públicas como nos Conselhos, sejam de nível municipal ou regional. Observa-se que essa interferência acaba causando disputas e divisão de grupos. Assim é constante a observação de atores não ligados a esferas públicas ou a questões políticas deixarem de debater ou de não aprovar determinadas decisões devido ao medo de sofrerem perseguições em seu ambiente de trabalho ou até políticas.

Porém, também há relato de situações de enfrentamento, desencadeadas por questões político partidárias:

[...] te v e s itu a çã o p o r exe m plo, aq ui no no sso co n se lh o (C M D R ) os capacidade de gerar projetos comuns essas situações de manipulação” conforme descrito por Torre (2010) e comprovado pelo relado a cima.

Dallabrida (2007, não paginado) considera a necessidade de relações de igualdade entre os atores envolvidos num processo deliberativo. A democracia deliberativa, não se fazendo eficaz, acaba apresentando riscos, por exemplo, na relação de reforço às posições corporativas e a dificuldade de consenso. Para o autor, é um risco que merece atenção, pois é indispensável que a sociedade civil se fortaleça, evitando ser capturada por processos de cooptação por parte do aparato estatal, sendo suficientemente autônoma para preservar sua identidade e, ao mesmo tempo, forte, para que os distintos atores vejam contemplados seus interesses na administração negociada de seus conflitos, no processo de formação da agenda pública.

Já com relação aos conflitos socioambientais, não vamos aqui nos aprofundar, mesmo considerando esse ponto como de extrema importância a qualquer área de estudo que venha a tratar o Litoral do Paraná.

Andriguetto-Filho (2004) afirma ainda que o processo se beneficiaria do apoio da pesquisa interdisciplinar, para aumentar o potencial da verdadeira

resolução dos conflitos, e não apenas de seu abafamento. Para o autor essa abordagem dos conflitos estaria em sintonia com vertentes do estudo que, destacam a importância do conflito como categoria para organizar a pesquisa interdisciplinar costeira, visto que o seu estudo invoca o conjunto de dinâmicas naturais e sociais necessárias para o seu equacionamento, permitindo uma aplicação mais direta das descobertas ao processo de gestão.

Porém destaca-se aqui o relato dos dois entrevistados suas óticas:

te m o h is tó ric o de c o n flito ali na região, p rin c ip a lm e n te da le g isla çã o humana, são normalmente áreas consideradas ideais para essa transformação pois foram, ou ainda são habitadas por populações que sempre preservaram o meio

implantação das áreas protegidas, sejam elas de proteção integral ou de uso sustentável.

[...] a ge n te e n te n d e q u e p rin c ip a lm e n te aq ui no litoral te m re striçõ e s na pesca, não dá pra p e s c a r em q u a lq u e r região; com q u a lq u e r tip o m alha;

com q u a lq u e r tip o de rede. E na a g ricu ltu ra é a m esm a coisa, e stã o d e ntro de áre a de pa rqu e, de re se rv a e tal. O p ro d u to r que te m a q u e la área, não pode a u m e n ta r m ais, não pode d e s m a ta r m ais nada, en tã o d e s sa áre a que eles te m só a p a rtir da a g ro in d ú s tria que a ge n te c o n s e g u e a g re g a r v a lo r ao p ro d u to dele. A ge n te te m v is to que na prá tica o p e ss o a l te m m o n ta d o as a g ro in d ú s tria fa m ilia re s com re cu rso s ai de créd ito do P R O N A F ou créd ito su b sid ia d o e te m se d e s e n v o lv id o bem m ais ráp id o e a g re g a d o v a lo r ao p ro d u to dele, g a n h a n d o m ais e a pe sca é a m e sm a coisa. (E n tre v is ta d o 1)

Conforme nota-se no relato do Entrevistado 1, há necessidade de ações voltadas ao apoio dessas populações. Para ele o projeto das agroindústrias é uma das ações que poderiam cooperar com a manutenção e permanência da população tradicional nesse espaço.

No documento Orientador: Prof. Dr. Valdir Frigo Denardin (páginas 93-99)

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