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Conforme revela Edward G Hudon (Imprensa e liberdade, p 22), a proposta original de James Madison para a Primeira Emenda, estimada por este último como a mais valiosa da lista de emendas à

No documento Liberdade de expressão e comunicação (páginas 54-58)

Constituição dc: Estados Unidos, prescrevia não apenas que "o povo não será privado ou cerceado em seu direito de falar, escrever ou publicar seus sentimentos; e a liberdade de imprensa, como um dos grandes baluartes da liberdade, será inviolável", porém acrescentava que "nenhum Estado violará os direitos comuns de consciência, ou a liberdade imprensa ou o julgamento pelo júri em processos criminais... A Comissão especial da Câmara dos Deputados encarregada de estudar a matéria acrescentou a liberdade de palavra".

Recomendou ao Conselho Econômico e Social a convocação de uma conferência sobre o assunto e aprovou a Resolução n. 59, de 14 de dezembro de 1946, que estabelecia que "a liberdade de informação é um direito humano fundamental e pedra de toque de todas às liberdades as quais estão consagradas as Nações Unidas".

A Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem, aprovada em abril de 1948, na cidade de Bogotá, estabelece no seu art. 4o: 'Toda pessoa tem o direito à liberdade de investigação, de opinião e de expressão e difusão do pensamento, por qualquer meio".

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada em dezembro de 1948, pela Organização das Nações Unidas - ONU proclama no seu art. 19: ’Todo homem tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser incomodado por suas opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias, por quaisquer meios de expressão, independentemente de fronteiras".

O Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, adotado e aberto à assinatura, ratificação e adesão pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, em dezembro de 1966, prescreve no seu art. 19:

1. Ninguém poderá ser molestado pelas suas opiniões.

2. Toda e qualquer pessoa terá direito à liberdade de expressão; esse direito incluirá a liberdade de procurar, receber e difundir informações e idéias de toda espécie, sem consideração de fronteiras, sob forma escrita ou oral, impressa ou artística, ou por qualquer outro meio a sua escolha.

3. O exercício das liberdades previstas no parágrafo 2 do presente artigo comporta deveres e responsabilidades especiais. Pode, em conseqüência, ser submetido a certas restrições, as quais, todavia, devem ser expressamente previstas em lei e serem necessárias para:

a) garantir o respeito dos direitos ou da reputação de outros;

Humanos, ocorrida em novembro de 1969, na cidade de San José de Costa Rica, estipula no seu art.13:

1. Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento e de expressão. Esse direito compreende a liberdade de buscar, receber e difundir informações e idéias de toda natureza, sem consideração de fronteiras, verbalmente ou por escrito, ou em forma impressa ou artística, ou por qualquer outro processo de sua escolha.

2. O exercício do direito previsto no inciso precedente não pode estar sujeito a censura prévia, mas a responsabilidades ulteriores, que devem ser expressamente fixadas pela lei e ser necessárias para assegurar:

a) o respeito aos direitos ou à reputação das demais pessoas; ou

b) a proteção da segurança nacional, da ordem pública, ou da saúde ou da moral públicas.

3. Não se pode restringir o direito de expressão por vias ou meios indiretos, tais como o abuso de controles oficiais ou particulares de papel de imprensa, de freqüências radioelétricas ou de equipamentos e aparelhos usados na difusão de informação, nem por quaisquer outros meios destinados a obstar a comunicação e a circulação de idéias e opiniões.

4. A lei pode submeter os espetáculos públicos a censura prévia, com o objetivo exclusivo de regular o acesso a eles, para proteção moral da infância e da adolescência, sem prejuízo do disposto no inciso 2.

5. A lei deve proibir toda propaganda a favor da guerra, bem como toda apologia ao ódio nacional, racial ou religioso que constitua incitação à discriminação, à hostilidade, ao crime ou à violência.74

74 Dentre os documentos internacionais que protegem a liberdade de expressão e comunicação cabe menção ainda ao Convênio Europeu para a Proteção dos Direitos Humanos e das Liberdades Fundamentais,

aprovado em Roma, no ano de 1950, que consagra no seu art. 10: "1. Toda pessoa tem direito à liberdade de expressão. Este direito compreende a liberdade de opinião ~ a liberdade de receber ou de comunicar informações ou idéias sem que possa haver ingerência de autoridades públicas e sem consideração de fronteiras. O presente artigo não impede que os Estados submetam as empresas de radiodifusão, cinematográfica ou de televisão a um regime de autorização prévia. 2. O exercício destas liberdades, que contêm deveres e responsabilidades, poderá ser submetido a certas formalidades, condições, restrições ou sanções previstas pela lei, que constituem medidas

reunida em Conferência Geral realizada na cidade de Paris, em 1979, "propugnou uma nova ordem mundial da informação e da comunicação, mais justa e equilibrada".75 Ademais, a UNESCO, que gradativamente passou a realizar a atividade da ONU no âmbito das comunicações, criou uma Comissão Internacional de Estudos de Problemas da Comunicação, que ficou conhecida como Comissão Macbride, em razão de seu presidente, o irlandês Sean Macbride.

A referida Comissão configurou a liberdade de expressão e comunicação com base nos seguintes princípios:

a) o direito a saber, isto é, a ser informado e a procurar livremente qualquer informação que deseja obter, principalmente quando se refere à vida, ao trabalho e às decisões que é preciso adotar tanto individualmente quanto como membro da comunidade. A negativa de comunicar uma informação ou a divulgação de uma informação falsa ou deformada constituem uma infração desse direito;

b) o direito do indivíduo de transmitir aos outros a verdade, tal como a concebe, sobre as suas condições de vida, as suas aspirações, as suas necessidades e as suas queixas. Infringe-se esse direito quando se reduz o indivíduo ao silêncio mediante intimidação ou sanção, ou quando se nega a ele o acesso a um meio de comunicação;

c) o direito a discutir: a comunicação deve ser um processo aberto de resposta, reflexão e debate. Esse direito garante a livre aceitação das ações coletivas e permite ao indivíduo influir nas decisões que tomam os responsáveis.76

necessárias em uma sociedade democrática para a segurança nacional, a integridade territorial ou a segurança pública, a defesa da ordem e a prevenção do delito, a proteção da saúde ou da moral, a proteção da reputação ou dos direitos alheios, p^r?. impedir a divulgação de informações confidenciais ou para garantir a autoridade e a imparcialidade do poder judiciário".

75 ÁNGEL EKMEKDJIAN, Miguel - Derecho a la información : reforma constitucional y libertad de expresión. Nuevos aspectos, p. 27.

76 Apud LOPES, Vera Maria de Oliveira Nusdeo - O direito à informação e as concessões de rádio e televisão, pp. 188-189.

Contudo, a grande inovação do Relatório da Comissão Macbride, e que não consta expressamente em sua conclusão, é a exigência de democratização do processo de comunicação, evidenciada pela garantia efetiva a todos dos meios necessários para expressão de pensamentos e comunicação de informações, ou seja, a liberdade de expressão e comunicação como status positivus ou como direito fundamental à prestação.77

3 - Concepção dual da liberdade de expressão e comunicação

Múltiplas são as razões arroladas para justificar o enorme prestígio conferido à liberdade de expressão e comunicação. Boa parte dos cultores do Direito (e de outras ciências humanas afins) considera a liberdade em questão como uma das estrelas mais reluzentes da constelação dos direitos fundamentais amparados na constituição do Estado democrático de Direito.78 Por outro lado, da mais variada natureza e complexidade são as diversas funções atribuídas à liberdade de expressão e comunicação. Porém, nesse caleidoscópio de fundamentos racionais, o que se observa é uma tendência doutrinária de rechaçar qualquer concepção monista da liberdade de expressão e comunicação, seja baseada na proteção da personalidade humana, seja relacionada com a proteçíio da coletividade.79

No documento Liberdade de expressão e comunicação (páginas 54-58)

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