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Os depoimentos apontam que o homem vivencia sentimentos ambivalentes e contraditórios que podem se acentuar quando a gravidez não é planejada ou aceita. No início da gravidez o homem não percebe o bebê e seus movimentos. Percebe-se pai, a partir dos sentimentos e sensações de sua mulher, envolvendo-se e identificando-se com ela, apresentando inclusive alterações como o aumento da sensibilidade e enjôo, e também estabelecendo vínculos com o bebê, imaginando como será seu filho, como poderá aproximar- se dele e conhecê-lo, procurando já durante a gravidez transmitir amor. A preocupação com a companheira e com sua saúde algumas vezes é tão intensa, que os cuidados podem incomodar a mulher. Por outro lado, revelam o carinho e o amor naquele momento.

Participando desde a gestação, estando ao seu lado, presente na consulta do pré-natal, nos exames de ultra-som, afirmam os participantes, o homem, ao perceber os movimentos do bebê, escutar seus batimentos e o visualizá-lo na tela, inicia um movimento para transpor desse estado imaginário para o concreto e abre-se para o exercício da paternidade, mas nem

sempre consegue fazê-lo na sua totalidade. Assim como para algumas mulheres o sentimento de ser mãe começa com as modificações corporais e percepção dos movimentos em seu ventre e outras só despertam este sentimento na medida em que conhecem e interagem com seus filhos, muitos pais só se sentem realmente pais quando ele nasce, quando conseguem tocar o bebê, interagir com ele, envolvê-lo e olhá-lo nos olhos. Tal sentimento é evidenciado pela maioria dos participantes deste estudo e pode explicar o distanciamento inicial de alguns homens da gravidez e de todo o processo de nascimento. Para Maldonado, Dickstein e Nahoum (1997), a formação do vínculo entre pai e filho costuma ser mais lenta e se consolida gradualmente após o nascimento e no decorrer do desenvolvimento da criança, em função de que apenas a mulher sente o filho crescer dentro de si, dá a luz, e o amamenta. Freitas, Coelho e Silva (2007) revelam que muitos homens só se sentem pai com o nascimento ou mesmo após a chegada do filho ou da filha, e que mesmo assim para alguns deles o sentimento de paternidade ainda não é tão perceptível, assim como o peso da responsabilidade que esse evento pressupõe.

O sentimento de confirmar sua masculinidade, de perpetuar a espécie também transpareceu no estudo, sobretudo nas entrelinhas. A paternidade como um desejo que se estabelece em um determinado momento de sua trajetória de vida - o casamento -, que amadurece com o tempo, e está voltado para o futuro, para a descendência. Ter filho aparece concretizando a virilidade heterossexual (COSTA, 2002).

Percebe-se nas falas que a mistura de sentimentos e os conflitos dos homens se ampliam em decorrência das alterações físicas e emocionais ocorridas com a sua companheira nem sempre compreendidas por eles, e de seus próprios medos frente ao novo papel na sociedade, mudanças de ritmo de vida e responsabilidades implícitas a este momento.

Já a mulher que passa pela mesma ambivalência tem mostrado uma abertura para inclusão do homem no processo de nascimento, estimulando-o ou até pressionando-o para participar e estar presente durante todo o processo, o que se evidencia em alguns discursos. No entanto, isto não se estende a todas e aparece de modo velado. Algumas que sempre foram educadas para apenas cuidar dos filhos isto nem sempre é fácil, constituindo-se também no nosso entender em um fator de conflito e de perda de poder.

A paternidade e a maternidade são permeadas por conflitos determinados pela situação nova que o casal vivencia. Uma gravidez em curso pode gerar diferentes sentimentos: alegria, tristeza, satisfação e insatisfação. Para alguns casais, essa fase traz alegrias e o desejo de conviver harmoniosamente. Para outros, conflitos anteriores acentuam-se, muitos deles

papéis sociais. Questões culturais, sociais, religiosas e familiares permeiam a vivência da paternidade como experiência desejada ou não desejada, desejável ou não desejável, ditando como será estabelecida a relação entre homem-mulher e com o(a) filho(a). Além da proximidade física com a gestante, o envolvimento afetivo e aceitação da gravidez são fundamentais para que o homem se sinta pai antes do nascimento (FREITAS; COELHO; SILVA, 2007). A participação do homem na gravidez o insere processo e se reflete na qualidade de vida do casal, e redução dos conflitos também com a mulher. Para que os homens experienciem a paternidade de modo equânime e não apenas mais participativo, é necessário que homens e mulheres reflitam e repensem seus atributos sociais no processo de nascimento, e reconheçam a paternidade como uma oportunidade para que os homens ampliem suas dimensões internas e renovem sua relação com a vida (FREITAS; COELHO; SILVA, 2007).

No início eu fiquei apavorado, mas depois, começa a se acostumar (PAI PINGÜIM).

Vontade de matar, porque a gente sempre se cuidou, e tal, só que ela deu uma relaxada, e ela não

assume, mas... depois foi normal, tranqüilo, fui me acostumando com a idéia, eu sempre, já faz tempo que eu quero ter um filho, né, não queria ter agora, queria que fosse planejado, certinho, a gente já tava se planejando em fazer a nossa casa e tal, quer dizer, atropelou tudo né, mas foi tranqüilo. Meus sentimentos agora são de amor, carinho, quero mais é que venha mesmo pra brincar comigo, deixar a família toda piradona, que nós vamos aloprar, a mãe principalmente (PAI PEIXE PALHAÇO).

É um sentimento diferente assim...de felicidade. [...] dá um frio na barriga, a gente fica mais sensível também (PAI AVESTRUZ).

Ultra-som [...] não, no dia, mas só que é assim pra mim, ainda não consegui. Aí depois que vi o negocio crescendo, então falei: ah, bom, realmente [...] então, quando ela me mostrou o exame, Foi muito louco, foi massa mesmo (PAI CAVALO MARINHO).

Não sei, é tudo muito estranho, porque a ficha meio que não caiu ainda, a gente vai lá vê, já vê barriga, vê que meche, vê ultra-som e tal, mas tipo a ficha ainda meio que não caiu sabe, eu acho que só depois que nascer mesmo (PAI PEIXE PALHAÇO).

Quando 'cai a ficha', fico feliz, mas acho que vai cair só quando nascer. Sinto-me com mais responsabilidade, um peso a mais. É uma mistura: fico feliz, preocupado, angustiado (PAI LOBO GUARÁ).

É super importante, porque ele dá apoio, mas ele mais me assusta.[...] No inicio não caiu a ficha , agora ele só me paparica, cuida se estou comendo, pega no meu pé. Os exageros me incomodam, por exemplo, quando vou ao posto: diz que é pra eu ir e voltar rápido (MÃE PEIXE PALHAÇO).

Eu acho que estimulo sim, eu acho que até demais, porque as vezes eu cobro, assim, eu não deixo ele muito espontâneo, eu fico 'mor, fala com o teu filho, amor, da boa noite pro teu filho', as vezes ele desliga o telefone, ele ta trabalhando, 'ah, boa noite, beijo, tchau, te amo', aquelas coisas, 'Fala boa noite pro teu filho também', eu acho que um pouco... eu pego muito no pé (MÃE PINGÜIM).

6.3 CAMINHOS PARA EXERCER A PATERNIDADE

As formas de participação do pai no processo de nascimento foram expressas por meio de três categorias descritas a seguir.

a) Preparando-se para a paternidade: O preparo para a paternidade, segundo os casais se dá mediante a aquisição e ampliação de conhecimentos obtidos através das leituras e do acesso às informações existentes nos diversos meios de comunicação, entre eles, a televisão e a internet; e compartilhamento de saberes e experiências com outros casais e profissionais de saúde. Esta participação pode também se dar coletivamente nos grupos educativos, como o grupo de gestantes e salas de espera e individualmente, nas visitas e consultas. Envolver-se com os preparativos para a chegada do bebê, ajudar na decoração do quarto e compra do enxoval. Interessar-se pelo cuidado do bebê, procurando aprender como se faz a troca da fralda, se dá banho, se atende as emergências e conhecer formas de educá-lo, além de cuidar da mulher, acompanhá-la e auxiliá-la no trabalho de parto e parto, ver o bebê nascer e interagir com ele precocemente são essenciais nessa preparação, recepção do bebê e relacionamento do casal.

Para Piccinini; Silva; Gonçalves; Lopes (2004), a gestação funciona, para os pais, como um período de preparação para que possam assumir os novos papéis, frente à mulher, ao bebê e a tudo que eles exigirem. Este preparo segundo Maldonado, Dickstein e Nahoum (1997) pode-se se dar por meio do acompanhamento das consultas pré-natais, organização do enxoval e quarto do bebê, e estabelecimento de interações com o filho intra-útero. Além disso, fazem parte desta preparação, a busca de conhecimentos sobre a gravidez, o parto e os cuidados com os bebês, lendo-se livros sobre o assunto e acessando todas as informações disponíveis. Alguns pais sentem-se profundamente envolvidos com questões da gestação, procurando participar o máximo possível e mostrando uma grande disponibilidade emocional para esta experiência.

Mota e Crepaldi (2005) reforçam que as informações sobre trabalho de parto e orientações sobre os cuidados com a parturiente são fundamentais para que o homem assuma uma participação mais ativa no processo de nascimento, apóie, reduza as ansiedades e os medos, e dê segurança e tranqüilidade a mulher. Acreditamos que essas orientações e preparação do pai rumo à paternidade se faz de modo mais efetivo no período pré-natal. A participação de homens em encontros de casais grávidos ou em grupos específicos para pais,

coordenado por homens ou não, em horários que estes tem disponibilidade e a troca de informações por pais que já acompanharam o parto de suas companheiras e fizeram parte de outros grupos facilitam a inclusão do homem no processo de nascimento e indicam um cuidado que considera as especificidades da paternidade (CARVALHO, 2003).

Acho que ele tem que buscar o máximo de informação para poder conduzir melhor todas essas mudanças no corpo e tudo que a gente passa durante a gestação. Muita coisa nem a gente sabe, nem porque está passando por aquilo, e naquele momento nem tem forças para perguntar a alguém, ta é precisando de um colo (MÃE CAVALO MARINHO).

A gente sempre conversa bastante, lê assim algumas coisas, presta atenção em algumas reportagens que passam na televisão né, sobre bebê (MÃE AVESTRUZ).

O próprio sentimento do pai, se ele está grávido junto coma mulher. Por mais que não possa participar fisicamente ele pode de outras maneiras, buscando informações na internet, perguntando ao médico ou a quem for (MÃE CAVALO MARINHO).

Vou no grupo de gestante também. [...] conversamos bastante sobre o assunto né? (PAI AVESTRUZ).

Eu to curtindo cada minuto, cada instante [...] Cada instante tudo, desde pintar a parede do quarto, montar o bercinho, dispensamos o montador, deixa que eu faço, sabe o prazer de você fazer, de você executar a coisa (PAI CAVALO MARINHO).

É essa troca que é interessante, o pai querendo compreender para ajudar a sair daquilo. No parto, é tranqüilizar, eu quero parto normal, já disse para ele se na hora eu fraquejar ele me puxa...porque não deve ser fácil (MÃE CAVALO MARINHO).

Eu quero ver ele nascer, eu quero ser a primeira pessoa que esteja ali em contato na hora que ele chegar no oxigênio ali ó, (tahh), e ta o paizão ali. Quero ser o primeiro a ver. [...] pelo fato de, já que ta acompanhando tudo certinho, se tem oportunidade de ver o nascimento do filho, ver o parto ali, eu quero ta junto (PAI PEIXE PALHAÇO).

b) Fazendo parte da rede de apoio: A participação do homem nas várias etapas do processo de nascimento se dá pela sua presença, compreensão, zelo, cuidado, suporte emocional e financeiro. Isto se mostra quando presta cuidados a sua companheira, acompanha as consultas e os exames, procura passar tranqüilidade e segurança, dá conforto, carinho e atenção, ouve atentamente, estabelece diálogos autênticos, têm paciência ou esforça-se para tê-la, fortalece auto-estima e auto-imagem da mulher, e acompanha no parto. É companheiro, compreensivo e divide tarefas. Dá colo, coloca-se a disposição do outro, aproxima-se sem imposições. Abstém-se de atividades, muda prioridades e planeja o futuro da nova família.

Para Dessen e Braz (2000) e Mota (2003), o pai é um dos membros mais importantes da rede social que fornece apoio à mãe e à família. O acompanhamento da gestante durante a

consulta pré-natal, assim como um conjunto de atitudes diante da gravidez, demonstrada através do companheirismo, cuidados com a gestante, assim como para com a criança, fazem parte do comportamento atualmente assumido pelos homens diante da paternidade. Além disso, a presença do companheiro influencia favoravelmente na evolução da gravidez e diminui riscos e efeitos desfavoráveis à saúde da criança, pois a insegurança e a solidão podem causar riscos físicos e psicológicos (LIMA 2002, apud TOMERELI et al, 2007). Para tanto, os profissionais compreenderem os papéis desempenhados pelo homem durante momentos de transição decorrentes do nascimento dos filhos, é tarefa preponderante para compreender a influência da rede social no funcionamento das famílias (DESSEN; BRAZ, 2000).

O papel do pai é dar apoio: financeiro, psicológico. Tem que estar do lado pra ajudar. No parto, só estar do lado dando apoio, já ajuda. No pós-parto ele pode dar apoio com o bebê. Nós vamos morar sozinhos (MÃE PEIXE PALHAÇO).

Eu acho que da mais tranqüilidade pra mãe, mais conforto né, tu saber que o pai ta ali junto, que ela não ta sozinha (PAI PEIXE PALHAÇO).

Indo as consultas, aprendendo a ter mais paciência (PAI LOBO GUARÁ).

Participar é ter que estar junto na hora que ela estiver com dor, na hora que ela estiver sofrendo, na hora que ela estiver alegre, em todas as horas, participar é sempre (PAI CAVALO MARINHO).

Porque tu ta protegendo também né, acho que a figura do pai também é um pouco disso, proteção (PAI PINGÜIM).

Acho que eles têm que ter um pouco mais de compreensão, e assim, às vezes a mulher começa a se achar feia, a se achar gorda, principalmente no começo que a barriga não ta grande, que não ta definida, assim como grávida, e também não deixar assim, cuidar pra não ficar com a alta estima muito baixa, ta sempre ali bem parceiro (MÃE PINGÜIM).

Tando junto, e dando toda a assistência que ela precisa, planejando agora o futurinho dele (PAI PEIXE PALHAÇO).

c) Aproximando-se do filho: Este processo inicia-se, segundo os casais, quando o homem compartilha sentimentos e sensações em relação à gravidez com sua companheira, muitas vezes por ela estimulados, quando está atento aos sinais do bebê, escuta o coração na consulta e no exame ultra-som, percebe os movimentos do bebê e tem acesso a imagens nítidas ou não de seu corpo. Além disso, esta se efetiva quando o homem interage com o filho por meio do toque, do pensamento e da fala, estabelecendo vínculos já na gestação. Depois do nascimento, isto se mostra quando divide as tarefas, ajuda a cuidar do bebê e também de sua companheira, que se sente fortalecida para atender o filho.

Para Piccinini et al (2004) o envolvimento paterno na gestação não se refere apenas a comportamentos como acompanhar consultas e exames, mas também a um envolvimento emocional, sendo que estes aspectos não estão necessariamente relacionados. Além das suas preocupações e ansiedades com a companheira e com a saúde do bebê, envolvem-se com preparativos para a chegada do bebê ( quarto e enxoval), com a esposa, dando apoio emocional, e com o filho, procurando estabelecer vínculos, por meio do toque e da fala. De acordo com May (1982 apud Piccinini, 2004), o envolvimento paterno pode variar ao longo da gestação, de acordo com o desenvolvimento do bebê e as características de cada pai. Com relação às diferenças ao longo da gravidez, a autora sugere um padrão de mudanças seqüenciais no envolvimento emocional dos pais, constituído de três fases. A primeira compreende o período que vai desde a suspeita de gravidez, normalmente acompanhada de um grande impacto inicial, até a sua confirmação, quando os pais podem vivenciar reações de desconforto, estresse e ambivalência. Na segunda fase, os pais ainda não sentem a gestação como uma realidade, uma vez que os sinais físicos ainda não são evidentes, sendo o distanciamento emocional a característica mais marcante deste período. Na última fase, especialmente no ultimo trimestre, os homens vivenciam a gestação como real e importante em suas vidas, conseguindo definir-se como pais. Isto ocorre quando o nascimento do bebê está próximo e os pais tornam-se mais participativos nos preparativos para a sua chegada.

O medo dele parecia que ele queria evitar que não precisava ir nas consultas e exames. Ele foi indo, vendo que é normal, ouviu o coração, ver na telinha, aí ele foi se acalmando (MÃE LOBO GUARÁ).

É ele sente essa timidez de chegar e falar com o bebê e tudo bem, às vezes ele chega, beija, mas eu vejo que ele beija meio se achando meio bobão, assim ‘o que é que eu to fazendo aqui? ’. Ele nunca falou pra mim, mas eu conheço ele, eu percebo.[...] não tem como ele sentir o que eu sinto, ta crescendo dentro de mim (MÃE PINGÜIM).

Eu acho que a cada, vai passando o tempo assim, vai acontecendo coisas novas, assim preocupações que tu não tinha com dois meses tu começa a ter assim com cinco meses, e ai pá, eu ouvi o coração dele e já chorei né cara, e a hora que eu vi ele ali se mexendo (PAI PINGÜIM).

Mas uma das coisa que eu mais faço ele participar, porque é uma coisa que eu sinto, por exemplo, ela se mexer, quando ela começa a se mexer, quando ela acorda alguns momentos do dia, daí eu já pego vem, vem vem, porque sou eu que to sentindo o tempo inteiro né? Então é legal ele sentir, ver que realmente tem alguém. Assim como no ultra-som, quando ele viu, nossa olha lá. Ta sentindo mesmo que tem alguém aí mesmo (MÃE CAVALO MARINHO).

Ele pode participar indo no parto, dando apoio, cuidando do bebê: trocar, dar papinha (MÃE PEIXE PALHAÇO).

Então esse negócio dele ficar escolhendo música; depois que falaram sobre as musicas, ele ficou um tempão, selecionando as letras. Escolheu varias musicas pra nossa filha. Quando chega do trabalho ele me leva e fica cantando, fica pondo e conversando com a barriga. Então no comecinho também,

pelo fato de ele não sentir mexer, acho que ele ficava meio atrapalhado, sentia meio bobo, essas coisas (MÃE CAVALO MARINHO).

6.4 LIMITAÇÕES PARA A PARTICIPAÇÃO ATIVA DO PAI NO PROCESSO DE

NASCIMENTO

Atualmente o pai tem procurado espaços permeáveis na família, nas instituições de saúde e na sociedade para incluir-se e participar ativamente durante todo o processo de nascimento. Este movimento ainda é lento e tem crescido nas últimas décadas, mas não atinge toda a população masculina. Apesar da vontade e disponibilidade de muitos homens algumas barreiras se constituem fatores limitantes para esta efetiva participação. O trabalho foi a limitação mais citada. Em relação a esta questão foram apontados: a extensa carga de trabalho, gerando cansaço; os horários de trabalho coincidentes com as consultas e grupos; e especialmente a visão e o comportamento dos empregadores que não dão a devida importância a participação do homem na atenção pré-natal. Desta forma, não liberam os funcionários para acompanharem as consultas, os exames e para fazerem parte dos grupos. Restringem-se ao que a lei recomenda, se o fazem. O desconhecimento dos direitos e a forma de alcançá-los corroboram com este quadro e é um dos fatores que dificultam a participação.

Um dos impedimentos para a presença dos pais nas consultas ou nos grupos educativos ao longo da gestação se dá devido à dificuldade destes se afastarem do trabalho, já que não há proteção das leis para acompanhamento do pré-natal. Os pais muitas vezes ficam presos ao seu papel de provedor, apesar do interesse em participar mais efetivamente do processo e das atividades que envolvem a gestação do filho, perdendo uma oportunidade única em sua vida (TOMERELI et al., 2007).

A questão cultural, evidenciada pela influência e pressão exercida por amigos e familiares e percepção e concepção do que é ser homem. Alguns homens ainda possuem reservas quanto à sua participação efetiva neste processo, encontrando-se fortemente arraigada a isso a idéia de que o amor e o cuidado com os filhos, mesmo na fase pré-natal, são basicamente responsabilidades femininas, devendo o homem manter certa distância (CARVALHO, 2003).

Em relação à atenção dada nas instituições de saúde alguns obstáculos se destacaram, entre eles: a falta de estímulo do CS à participação do pai, a descontinuidade e a reduzida oferta de atividades educativas grupais e a falta divulgação destas nos diversos meios de

funcionamento do grupo de gestantes e/ou casais grávidos, normalmente realizados no horário comercial.

Carvalho (2003) aponta o despreparo dos profissionais como um empecilho para inserção do pai na gravidez e parto, reforçando a necessidade de sensibilizar e capacitar as equipes obstétricas e, aqui incluímos as equipes de saúde da família, para trabalharem e estimularem a presença e participação de pais e familiares em todo o processo de nascimento, sugerindo também reformulação dos currículos universitários para atingir este objetivo.

Acho que um dos fatores é isso mesmo, o trabalho, as empresas enxergam que a mãe tem mais direito

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