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Programa de Desestatização

6.1.1 Conhecendo a CEASA: uma unidade de abastecimento da CEAGEPE

A história da CEASA nos remete aos anos 1960, quando técnicos franceses, sob orientação da SUDENE, estiveram engajados em um projeto de melhoria do abastecimento nas maiores cidades do Nordeste brasileiro, sugerindo, entre outras medidas, a implantação de centrais de abastecimento na região. Com base neste estudo, o Governo Federal criou em 1962, a Central de Abastecimento de Pernambuco S/A (CAPESA) que, posteriormente, foi transformada pela SUDENE em Centrais de Abastecimento do Nordeste S/A (CANESA), ampliando sua área de atuação (PERNAMBUCO; FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS, 1999a).

Desta forma, o objetivo da CANESA, uma sociedade de economista mista, consistia em implantar novas Centrais de Abastecimento nos principais centros urbanos da região Nordeste, sendo a primeira instalada no Recife sob a denominação Central de Abastecimento do Recife (CARE), que passou a ser orientada pelo Grupo Executivo de Modernização do Abastecimento (GEMAB) criado no final da década de 60 pelo Governo Federal (PERNAMBUCO; FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS, 1999a).

Em 1972, foi instaurado o Sistema Nacional de Centrais de Abastecimento (SINAC), da qual a organização CARE passou a fazer parte, mudando sua razão social para Centrais de Abastecimento de Pernambuco S/A (CEASA-PE), com vistas a obter uma melhoria estrutural e administrativa (PERNAMBUCO; FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS, 1999a).

A CEASA-PE tornou-se, com o passar do tempo, um dos maiores centros de comercialização de alimentos do país, em especial, de hortigranjeiro no atacado e no varejo. Sua importância para a região pode ser constatada em alguns dados: no período de 1994 1998, o volume de negócios realizado atingiu o patamar de trinta milhões de reais mensais, contando com

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a participação de dois mil produtores e comerciantes e a movimentação diária de cerca de dezesseis mil pessoas no local (PERNAMBUCO; FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS, 1999a).

A CAGEPE, por sua vez, foi criada em 1955 com a missão de promover a armazenagem de grãos, bem como, auxiliar na implementação da Política de Garantia de Preços Mínimos, realizada pelo Governo Federal. As atividades realizadas por esta organização envolviam a armazenagem de produtos de origem agrícola, em silos e armazéns; e a descarga de cereais dos navios operada pelo Silo Portuário (PERNAMBUCO; FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS, 1999a).

Em 1987, o Governo Federal transferiu o controle acionário da CEASA-PE para o Governo do Estado de Pernambuco, que, por sua vez, autorizou no ano seguinte a incorporação da CEASA-PE à CAGEPE. No entanto, a efetivação desta incorporação só veio ocorrer em 1996, com o surgimento de uma nova organização denominada Companhia de Abastecimento e de Armazéns Gerais do Estado de Pernambuco (CEAGEPE), da qual a CEASA passou a fazer parte como unidade organizacional (PERNAMBUCO; FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS, 1999a).

Na ocasião do Programa de Desestatização, a CEAGEPE era uma sociedade de economia mista19 estadual, vinculada à Secretaria de Produção Rural e Reforma Agrária do Estado, composta por vinte unidades de armazenagem e de abastecimento, dentre elas, a CEASAe o Silo Portuário (PERNAMBUCO; FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS, 1999a).

A atuação desta organização se restringia a dois setores específicos e relevantes da economia agrícola do Estado: a comercialização em atacado de alimentos, em especial, de hortigranjeiro, e o armazenamento de produtos agrícolas, principalmente de grãos utilizados

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Di Pietro (2000, p. 352) define sociedade de economia mista como sendo a pessoa jurídica de direito privado, formada por capital público e capital privado, em que há participação do poder público na gestão e organização sob forma de sociedade anônima, regida pelas normas do direito público e pela Lei das S.A.; a qual executa atividades econômicas, algumas próprias da iniciativa privada, outras, assumidas pelo Estado como serviços públicos.

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como matéria-prima industrial, destinada ao processamento de alimentos para consumo humano e animal (PERNAMBUCO; FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS, 1999a).

Assim, a missão da CEAGEPE consistia em participar da política de desenvolvimento econômico e social do Estado de Pernambuco, realizando o estudo e a racionalização dos problemas inerentes às centrais de abastecimento e de armazenagem. Dentro desta ampla missão, a ela cabiam as seguintes atribuições (PERNAMBUCO; FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS, 1999a, p. 15):

a) guardar, conservar e consignar mercadorias de terceiros em armazéns, silos e frigoríficos; executando serviços e praticando atos pertinentes aos seus fins, emitir recibos de depósitos e warrants das mercadorias armazenadas;

b) instalar centrais de abastecimento e mercados para, sob sua administração, permitir o uso remunerado de seus espaços por terceiros que vise à comercialização dos produtos agropecuários, avícolas e pesqueiros, e outros serviços pertinentes aos seus fins; c) participar dos planos e programas de Governo de produção e abastecimento, nos

âmbitos regional e nacional, promovendo e facilitando o intercâmbio de mercado com as demais Unidades do Sistema Estadual de Abastecimento e entidades vinculadas ao setor.

Indo além dessas atribuições, a CEAGEPE/CEASA desenvolvia programas voltados para as comunidades carentes da região, tais como: o programa Sopão da CEASA, destinado aos projetos institucionais desenvolvidos nas comunidades; o programa Merenda Escolar, através do qual esta organização apoiava o produtor regional com a compra de seus produtos, e era responsável por sua armazenagem e distribuição; e ainda, o programa Leite de Pernambuco com distribuição gratuita diária a crianças, gestantes e nutrizes em comunidades carentes da Região Metropolitana do Recife e interior (PERNAMBUCO, [ca. 2003]).

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Apesar de atuar dentro do estado, as vantagens proporcionadas pelas unidades da CEAGEPE não se restringiam a Pernambuco, os estados vizinhos também se beneficiavam tanto dos serviços prestados pelo Silo Portuário do Recife, responsável pela descarga e expedição de grãos; quanto da comercialização de produtos hortigranjeiros, realizada na CEASA.

Na ocasião de sua reestruturação, a unidade de abastecimento CEASA funcionava como um terminal de comercialização atacadista, em que produtores e comerciantes (chamados permissionários) alugavam seus espaços, através de um contrato denominado Termo de Permissão Remunerado de Uso (TPRU), para fazer negócios com os usuários que ali se dirigiam. Foi neste campo que a GVconsult se inseriu com a missão de realizar uma ampla reestruturação e propor um modelo institucional mais adequado para sua desestatização.

6.1.2 Conhecendo o CECON: uma unidade organizacional da