CAPÍTULO 2 – O ESPAÇO URBANO RESIDENCIAL NA CIDADE DE PONTA GROSSA: a política urbana municipal e a reconfiguração da cidade entre 1988 e
2.1 CONHECENDO PONTA GROSSA-PR: DO VILAREJO À CIDADE
O município de Ponta Grossa/PR está situado na região dos Campos Gerais,32 no segundo planalto paranaense, na mesorregião geográfica centro oriental paranaense, que, por sua vez, engloba três microrregiões geográficas: Telêmaco Borba, Jaguariaíva e Ponta Grossa. A microrregião geográfica de Ponta Grossa/PR é composta por quatro municípios: Carambeí, Castro, Palmeira e Ponta Grossa (IPARDES, 2012).33 A área territorial do Município de Ponta Grossa/PR é de 2.025,697 km² e dista 117,70 km da cidade de Curitiba, capital do estado do Paraná (IPARDES, 2016).34
32 Conforme o Dicionário Histórico e Geográfico dos Campos Gerais da Universidade Estadual de Ponta Grossa,
expressão "Campos Gerais do Paraná" foi consagrada por MAACK (1948), que a definiu como uma zona fitogeográfica natural, com campos limpos e matas galerias ou capões isolados de floresta ombrófila mista, onde aparece o pinheiro araucária. Há ainda definições que consideram a identidade histórico-cultural da área. Para o Dicionário Histórico e Geográfico dos Campos Gerais, adotou-se uma definição que procura preservar os critérios naturais e históricos de identidade regional, e ao mesmo tempo seja funcional diante das tendências recentes de organização do espaço. Os critérios de homogeneidade foram: Fitogeografia: a vegetação primitiva do município deveria ter sido, no todo ou em parte, de Campos Limpos. Tropeirismo: o município deveria ter estado integrado ao "Caminho de Viamão", principal rota das tropas no século XVIII e XIX. Associativismo: o município deve integrar a Associação dos Municípios dos Campos Gerais (AMCG). Disponível em <http://www.uepg.br/dicion/campos_gerais.htm>. Acesso em 04 jun. 2018.
33 Relação dos municípios do estado ordenados segundo as mesorregiões e as microrregiões geográficas do
IBGE - Paraná – 2012. Disponível em
<http://www.ipardes.gov.br/pdf/mapas/base_fisica/relacao_mun_micros_mesos_parana.pdf>. Acesso em 14 maio 2018.
34 Caderno estatístico do Município de Ponta Grossa/PR – IPARDES.
Disponível em <http://www.ipardes.gov.br/cadernos/MontaCadPdf1.php?Municipio=84000&btOk=ok>. Acesso em 10 maio 2018.
Figura 1: Localização do município e da área urbana de Ponta Grossa no estado do Paraná.
Fonte: NASCIMENTO e MATIAS, 2011.
Na metade do século XIX Ponta Grossa era apenas um vilarejo com cerca de quatro mil habitantes sem muitos atrativos para a região na época. Contudo, a partir da década de 1870 iniciou-se um período de desenvolvimento de estratégias visando estabelecer um novo ordenamento político e cultural no país que fosse “capaz de romper com o esquema de oligarquias regionais, consagrando assim, definitivamente, a emergência de uma sociedade urbano-industrial” (HERSCHMANN; PEREIRA, 1994, p. 12). Tratava-se de um verdadeiro processo de “civilização” que pretendia igualar o país à Europa em relação às instituições, economia, cotidiano, etc.
Mas, o início da formação da cidade de Ponta Grossa, segundo Gonçalves e Pinto (1983) remonta aos tempos do importante Caminho do Viamão, responsável por fazer a ligação entre São Paulo ao extremo sul do Brasil no século XVIII, consolidando-se como via de comércio impulsionada pela necessidade de abastecimento de carne para a região das Minas Gerais. Os viajantes que percorriam este trajeto passavam pela região de Castro e cruzavam o bairro de Ponta Grossa, que neste período consolidou-se como local de parada para pouso dos viajantes. Dessa forma, o tropeirismo impulsionou o desenvolvimento de vilas no decorrer do Caminho do Viamão, pois para esta atividade econômica eram necessários locais para pouso e descanso dos tropeiros.
É neste período que se tem a formação e consolidação de uma estrutura social e econômica fundiária, pois como a região era ponto para hospedagem as fazendas da região alugavam suas instalações para os tropeiros (ZULIAN, 2009). Segundo estudo de Zulian
(2009) a origem dos fazendeiros era portuguesa, os quais influenciaram fortemente na institucionalização de uma liderança política na região, além da disseminação do prestígio da elite fundiária, que mesmo com todas as mudanças ocorridas, a diversificação da base econômica e o aumento gradativo da importância das cidades, ainda pode ser percebido na região, principalmente na história política de Ponta Grossa.
Tais questões também foram analisadas e discutidas por Paula (2001) ao destacar o poder local como um “agente interferente privilegiado” (PAULA, 2001, p.53) na produção do espaço urbano. Nesta análise, o autor parte do pressuposto de que o espaço urbano é resultado da inter-relação entre os diversos agentes sociais, que agem em função dos seus interesses específicos e, assim, o poder local se destaca como uma importante rede de agentes interferentes privilegiados que produzem o espaço urbano.
Partindo deste pressuposto o autor analisou a influência e a evolução do poder local em Ponta Grossa-PR, destacando como o primeiro marco histórico o exercício do poder pelos fazendeiros pecuaristas, representantes do Paraná Tradicional35. Seguiu a análise com a
posterior transição do poder oligárquico rural para uma nova burguesia comercial e industrial que emergia após a proclamação da República, representada pelos profissionais liberais, comerciantes e empresários e como isto influenciou e moldou os rumos do processo de urbanização no estado do Paraná e em Ponta Grossa-PR.
Explica Paula (2001) que o domínio da oligarquia rural em Ponta Grossa-PR remonta à própria formação da cidade e sua elite campeira, que, assim como apontou Zulian (2009) foi a responsável por influenciar profundamente a evolução econômica e política de Ponta Grossa.
O fato de Ponta Grossa estar inserida no caminho de trânsito dos tropeiros e ter adotado predominantemente a atividade pecuária ao invés da agricultura, a qual demandava um contingente menor de mão de obra, impactou diretamente na formação da cidade, pois desde o início, como aponta Paula (2001), Ponta Grossa possuía baixos índices de população rural em relação aos demais municípios paranaenses que adotaram a agricultura como atividade rural predominante.
Não obstante essa peculiaridade foi justamente a elite rural pecuária que incentivou e promoveu a elevação de Ponta Grossa à categoria de cidade em 1855. Esta classe era formada pelos proprietários das terras que compunham o caminho das tropas e exercia poder em
35 O Paraná Tradicional refere-se ao processo de interiorização do território paranaense e pode ser dividido em
três momentos: a) século XVII com a ocupação do litoral e do planalto curitibano; b) século XVIII com a conclusão da ocupação dos Campos Gerais; e c) século XIX quando foram ocupados os campos de Guarapuava e Palmas (DITZEL, 2000).
âmbito local e estadual, cujos interesses na elevação de Ponta Grossa à categoria de cidade almejavam os lucros auferidos na cidade pelas classes dominantes (PAULA, 2001).
Já como cidade passou a ocorrer alterações na estrutura social e econômica de Ponta Grossa. Segundo Gonçalves e Pinto (1983), o desenvolvimento urbano foi decorrente do crescimento da economia baseada principalmente na erva-mate, madeira e gado, além da presença de migrantes nacionais e estrangeiros.
Nesse ínterim, começa a emergir no cenário político estadual o domínio de uma burguesia industrial-comercial ligada à exploração da erva-mate e da madeira, que, com o advento da República em 1891 consegue sobrepor-se a este poder oligárquico, fundado no modelo do latifúndio e na estrutura patriarcal, demarcando o segundo momento histórico que moldou uma nova classe no poder local de Ponta Grossa (PAULA, 2001).
Representado pela transição do poder oligárquico rural para uma burguesia comercial- industrial integrada pelos profissionais liberais, empresários e comerciantes, Ponta Grossa, aproximando-se da virada para o século XX, assistia e protagonizava uma série de mudanças no espaço urbano e na região como um todo, consolidando os núcleos urbanos ao passo em que fazia declinar o poder da elite rural.
A diversificação da economia aliada a esta burguesia industrial-comercial que assumiu o poder logo após a queda do Império em 1891, incluiu a construção de estradas de ferro que passavam pela cidade, o que representou outro estímulo importante para a ampliação da área urbana (DE PAULA, 2001).
A Estrada de Ferro do Paraná – que inicialmente ligava Curitiba a Paranaguá – foi ampliada e alcançou Ponta Grossa em 1894. Se a construção das ferrovias em Ponta Grossa influenciou na economia do município com o transporte de madeira e erva-mate, é preciso considerar que para os trabalhadores (tanto os que já moravam na cidade quanto os que vieram atraídos pelas empresas) essa influência foi também muito significativa. Conforme Monastirsky (2001), a economia ponta-grossense impulsionou um processo de migração interna da região sul do Paraná, abrangendo também uma parcela considerável dos trabalhadores imigrantes europeus que já se encontravam em Ponta Grossa. Além do impulso na diversificação da economia e a formação de uma nova classe trabalhadora, a construção das estradas de ferro provocou mudanças na organização do espaço urbano próximo às linhas férreas.
Em função de a cidade compor a malha ferroviária, sendo um importante entreposto comercial e parada obrigatória dos trens que vinham de Curitiba e dos que circulavam entre São Paulo e Rio Grande do Sul, com extensão ao Uruguai e Argentina, foi criada próxima à
Estação Ponta Grossa (estação de passageiros) uma infraestrutura para atender aos visitantes, composta de hotéis, pensões, bares, restaurantes, lojas de varejo, além daquelas edificações destinadas às cargas, como depósitos e armazéns, colocando a cidade na rota da modernização. As imagens a seguir extraídas do acervo da Fundação Municipal de Cultura de Ponta Grossa demonstram como eram as instalações da época:
Figura 2 – Antigo barracão de cargas anexo à Estação, ano de 1906.
Fonte: Acervo da Fundação Municipal de Cultura de Ponta Grossa (PONTA GROSSA, 2012). Disponível em http://www.pontagrossa.pr.gov.br/node/13220. Acesso em 22 mai 2020.
Nota: A figura retrata o armazém da Estrada de Ferro do Paraná, local que serviu para estocagem de produtos agrícolas e extrativistas, além de funcionar como depósito de materiais importados que chegavam do Porto de Paranaguá.
Figura 3 – Série Ferrovia em Ponta Grossa. Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima.
Figura 4 – Estação Roxo de Rodrigues (Estação Ponta Grossa) em 1907.
Fonte: Acervo da Casa da Memória, 2020. Disponível em
https://patrimoniopg.com/2020/05/21/fotos-colorizadas/#jp-carousel-2609. Acesso em 22 mai 2020. Nota: A fotografia é de autoria de Frederico Lange e data do ano de 1907. Compõe o acervo histórico da Casa da Memória de Ponta Grossa e foi recentemente colorizada por João Edilson Lopes.
Ao mesmo tempo em que a cidade foi se desenvolvendo e se modernizando, a chegada de trabalhadores imigrantes europeus evidenciou outro aspecto importante deste momento histórico, qual seja, a reafirmação da identidade tradicional e conservadora de Ponta Grossa- PR. Tal afirmação decorre das análises de Ditzel (2000) que buscou compreender a aderência do movimento integralista e a sua repercussão no desenvolvimento dos Campos Gerais nos anos de 1930 a 1950. Para tanto, a autora observou por meio de jornais integralistas da região com maior circulação e jornais institucionais, a forma de reprodução da ideologia nacional do movimento, bem como a repercussão do discurso integralista nos Campos Gerais. Assim o fez a partir da composição social da Associação Integralista Brasileira (AIB), das alianças e dos conflitos entre as diferentes forças político-sociais para, por fim, entender as estratégias de disseminação do movimento e a manutenção do ideário integralista em outros discursos.
Explica a autora que o integralismo consubstancia-se num “movimento cultural e político, que mescla elementos do fascismo europeu a uma raiz brasileira, em que a variável étnica deve ser considerada sem exclusividade” (DITZEL, 2000, p. 36) 36. E para analisar
36 A autora destaca alguns valores que representam o integralismo, tais como a preocupação com a educação das
massas, visão redentora da educação, o culto aos heróis, defesa da ordem social, nacionalismo, a adoção de tom emocional apelando aos sentimentos de honra e civismo, dentre outros.
como esse movimento foi incorporado e reproduzido nos Campos Gerais, Ditzel (2000) retoma o histórico da cidade marcado pela elite fundiária e posteriormente como importante entroncamento rodoferroviário da região, chegando à condição de cidade polo regional no Paraná já nas primeiras décadas do século XX, apresentando bons índices de desenvolvimento econômico e urbanização para a época. O resultado disto é que o crescimento e a conjuntura econômica favorável do município nesse período ofereciam boas perspectivas de emprego, atraindo migrantes e imigrantes, principalmente russos, alemães, italianos e poloneses para a cidade, impulsionando as atividades industriais e fortalecendo-a no âmbito regional.
A questão de Ponta Grossa-PR e a região sul do Brasil como um todo ter sido polo para instalação de colônias alemãs e italianas foi uma das razões que a autora observou para o fato de o movimento integralista ter grande aceitação na região sul do Brasil. No Paraná Ditzel (2000) aponta que o movimento difundiu-se entre as principais cidades do estado, incluindo Ponta Grossa, a qual, inclusive:
Constituiu-se em uma das cidades onde o integralismo melhor se estruturou no Paraná, contando com grande número de italianos e alemães e seus descendentes em sua composição populacional na década de 1930 e possuindo uma população majoritariamente fixada na zona urbana, o que facilitava as discussões de ideias, a circulação de notícias e a organização de associações das mais diversas formas. Enfim, o integralismo encontrou na cidade um local propício para a sua disseminação. (DITZEL, 2000, p. 41)
Ditzel (2000) conseguiu perceber que o fato de Ponta Grossa se consolidar como uma cidade com predominância de população urbana desde o seu início, mas com grande influência da elite rural, somado ao fato de ser atrativa aos imigrantes europeus pela oferta de postos de trabalho, além de possuir uma vida sociocultural ativa, demonstrou ser um campo fértil para a ressonância dos valores e das ideias do movimento integralista. O que de certa maneira moldou o desenvolvimento da própria cidade, que se apoiou em uma matriz conservadora, tradicional e que partilhava valores defendidos pelo movimento integralista.37
Entretanto, esse aparente contraste não obstou a continuidade do desenvolvimento, expansão e modernização da cidade, porquanto como ressaltou Ditzel (2000, p. 45) “alguns valores integralistas são bem aceitos por diversos setores sociais e permeiam diferentes discursos”.
E assim, já no início do século XX, a cidade de Ponta Grossa cresceu de tal forma que foi absorvendo os núcleos coloniais situados em seu entorno, originando os bairros de
37 Estas conclusões de Ditzel (2000) decorreram de análises dos discursos emitidos nos veículos de imprensa
Uvaranas, Dona Luíza, Ronda e Olarias. Além do aumento da área urbana, também se alterou a forma como a cidade era organizada, espacial e socialmente, seguindo, a partir de então, os mesmo pressupostos predominantes nos maiores centros urbanos brasileiros (GOMES, 2009). Este crescimento e a forma de organização socioespacial da cidade, além de decorrer dos elementos já expostos, sofreu grande influência das condições e aspectos geográficos do território. O primeiro aspecto que caracteriza a cidade de Ponta Grossa é o fato de possuir cerca de 170 km (cento e setenta quilômetros) de arroios somente dentro do perímetro urbano (ROGALSKI, 2011). O processo de urbanização foi impactado fortemente por esse aspecto geográfico, porquanto, conforme Medeiros e Melo (2001) o desenvolvimento urbano ocorreu a partir de um eixo central, de onde irradiou uma rede hidrográfica, tendo em vista que a cidade é banhada pelas bacias hidrográficas dos rios Ribeira e Tibagi, tornando-se o centro irradiador dos rios que percorrem a paisagem e formam uma drenagem radial.
No contexto de crescimento populacional, o aumento de residentes representou maior demanda no consumo de água, bem como refletiu no processo de ocupação do solo, pois as áreas no entorno dos arroios passaram a ser ocupadas irregularmente para fins de moradia, assim, como constatou Silva (2017) a grande maioria dos arroios da cidade ou possuem moradias ilegais em suas margens, ou estão canalizados.
Assim como os recursos hídricos influenciaram na forma de ocupação do solo, o relevo da área urbana também se mostrou um elemento diferenciador na forma de produção e ocupação do espaço urbano. Löwen Sahr (2001) ao analisar a expansão horizontal da cidade de Ponta Grossa-PR identificou que as características do relevo urbano representaram problemas. Isto porque, explica a autora, existe uma grande diferença de altitude entre o ponto mais baixo e o mais alto da área urbana, que gira em torno de 230 (duzentos e trinta) metros, fazendo com que o terreno urbano apresente declividades como a formação de fundos de vale. Sobre a ocupação desse espaço urbano irregular do ponto de vista morfológico, a autora aponta que as primeiras instalações urbanas da cidade originariamente foram no ponto mais alto (900-980 metros) e daí irradiaram eixos de circulação a partir do centro, os quais seguiram pelos espigões de relevo, cujos principais foram as Avenidas Carlos Cavalcanti, Bonifácio Vilela, Ernesto Vilela e Visconde de Mauá. Nesse contexto, o relevo irregular e os fundos de vale de certa forma impediram ou dificultaram uma melhor ligação entre os diferentes eixos da cidade.
Outra questão aventada pela autora foi que diante do fato de existir uma extensa malha hídrica de arroios urbanos os fundos de vale foram ocupados pela população de baixa renda para a formação de favelas urbanas.
Contudo, não obstante as dificuldades geográficas a autora demonstra que a cidade cresceu e expandiu, tendo o perímetro urbano sido expandido por diversas vezes por meio da legislação municipal, o que representou entre os anos de 1940 e 1990 uma extensão de 26 km² para 150 km², em cujas áreas foram instalados principalmente loteamentos e núcleos habitacionais destinados à população de baixa renda.
Estes fenômenos segundo a autora podem ser interpretados como “resultado principal da ação da economia privada no espaço, através da instalação de loteamentos” (LÖWEN SAHR, 2001, p. 24) e os efeitos nocivos desta expansão se verificam na intensificação da especulação imobiliária na cidade e no encarecimento dos investimentos públicos em infraestrutura e equipamentos urbanos nas novas áreas.
Gomes (2009) também analisando o crescimento da cidade, apresenta o adensamento populacional de Ponta Grossa no século XX (1920-2000) demonstrando como a população aumentou no decorrer das décadas em razão do desenvolvimento e incremento das atividades econômicas realizadas e intensificadas com a ligação da cidade à estrada de ferro.
Tabela 2: Evolução demográfica da cidade de Ponta Grossa-PR (1920-2010)
ANO População
rural (nº absoluto)
População
rural (%) urbana (nº População absoluto)
População
urbana (%) População total (nº absoluto) 1920 8.136 40,3 12.035 59,7 20.171 1940 10.388 25,6 30.200 74,4 40.588 1950 11.757 21,3 43.486 78,7 55.243 1960 12.332 13,5 78.557 86,5 90.889 1970 14.687 11,5 112.253 88,5 126.940 1980 13.701 7,3 172.946 92,7 186.647 1991 12.313 5,3 221.671 94,7 233.984 1996 12.004 4,7 244.298 95,3 256.302 2000 6.917 2,5 266.552 97,5 273.469 2010 6.878 2,2 304.733 97,79 311.611
Fonte: GOMES, 2009. Adaptado.
Da tabela extrai-se que o auge do crescimento urbano da cidade ocorreu entre as décadas de 1950 e 1960, mas ficou concentrado na parte central da cidade com o início do processo de verticalização. As imagens a seguir demonstram como era a cidade nestas décadas:
Figura 5 – Foto aérea da cidade datada da década de 1950.
Fonte: Página do grupo Ponta Grossa Memória e Fotos Atuais, Facebook (2020).
Figura 6 – Vista aérea da cidade na década de 1960.
Fonte: Página do grupo Ponta Grossa Memória e Fotos Atuais, Facebook (2020).
Vê-se de fato que a área central contava com uma alta densidade de ocupação caracterizada por residências e imóveis térreos. Por outro lado, concentração em menor grau
se verificou nas margens da estrada de ferro, sentido bairro de Uvaranas (leste) dando início à ocupação em outros bairros e estimulando um crescimento horizontal de forma tentacular nos sentidos leste, noroeste e sul da cidade (GOMES, 2009).
O autor supracitado identificou também que nesta época o crescimento da área central expandiu-se a partir do centro tradicional da cidade, em volta da igreja Matriz, e seguiu no sentido leste até a estação ferroviária, onde predominou a construção residencial. Na direção norte da cidade o predomínio se deu para atividades comerciais e de prestação de serviço.
Além dessas dinâmicas de crescimento e expansão a cidade apresentou dois eixos principais de crescimento. O primeiro ao sul com o surgimento do bairro de Oficinas estimulado pela instalação do pátio de oficinas para trens, o que incentivou, também, a ocupação residencial dos ferroviários. O segundo eixo de expansão foi na direção leste, sentido bairro de Uvaranas, igualmente estimulado pela implantação da ferrovia, nesta localidade foram implantados serviços e instituições relacionadas à atividade, tais como o hospital dos ferroviários, além do 13º Batalhão de Infantaria Blindada da cidade, conforme se