praias, a Tourinhos e a todas as praias de São Miguel, Maceió, Tourinhos e outros, não me lembro, mas assim, esse lado tem um farol não tem? “Carcavela”, algo assim. (Farol do Calcanhar);
Entrevistado 3: Gostei bastante de Tourinhos e de seguir depois lá pelos Parques Eólicos, tem umas vilazinhas lá, depois vai seguindo pela praia, muito bonito. Essa praia aqui (Santo Cristo), essa parte aqui do Clube (Clube Kauli Seadi), achei muito bom.
Entre turistas internacionais simpatizantes é notória a predominância de atividades de turismo e lazer que que se voltam para a praia e kite e wind surf (Figura 11), apesar de tomarem frequentemente a iniciativa de conhecerem locais que não são enfatizados pelos agentes do turismo (nem midiatizados). Isso possibilita uma integração maior com os espaços citadinos e a população local.
35 Figura 11 – Compilação de registros de turistas praticando Kite e Wind Surf. Fonte: Instagram
de todos os entrevistados (2019).
Portanto, podemos considerar, assim como nas análises obtidas anteriormente, que o lazer praticado pelo grupo de turistas aqui estudado (internacionais), apontam um interesse maior pelos atrativos turísticos que possuem um cenário inóspito, paradisíaco, e que permita a prática em condições favoráveis dos esportes que utilizam tanto o mar quanto o vento. Ou seja, o turista internacional consome o destino São Miguel do Gostoso-RN da maneira como é concebido e comercializado pelos agentes do turismo, bem como difundido na mídia.
Porém existem turistas que “furam a bolha” por onde o trade turístico atua, e de forma espontânea encontram lugares menos turistificados e por onde circula o residente em seu tempo de lazer ou trabalho. Tais constatações nos levam a inferir que as práticas de lazer dos turistas internacionais que visitam o município são parcialmente segregadas, tendo em vista que parte dos locais mencionados há certa presença da população moradora.
4.3. Presença e papel do residente na experiência de viagem do turista
Seguindo adiante com a análise proposta pela pesquisa, fez-se necessário delimitar a presença e o papel do residente nos trajetos anteriormente descritos por nossos entrevistados. Para tal, foi questionado aos turistas internacionais como eles percebiam a presença e o papel dos residentes durante sua passagem em São Miguel do Gostoso-RN. As respostas proferidas pelos entrevistados serviram de base para o reconhecimento de tal dinâmica, e demonstra como se dá o movimento de integração/segregação.
Foi possível notar que a maioria dos entrevistados possuem uma integração com a população local mais especificamente através de uma relação de consumo e trabalho, ou de ocupação de um mesmo espaço com propósitos diferentes (como no caso dos pescadores X surfistas), como apontado pelos Entrevistados:
Entrevistado 1: Na pousada que estou, encontrei pessoas muito educadas, ao nível do que é a própria pousada;
Entrevistado 2: Eles são muito legais e estão em todos os lugares que eu vou. Há quatro, trabalhando em tempo integral aqui (escola Kauli Seadi, Praia do Cardeiro).
36 Entrevistado 3, Acho que em Tourinhos tem mais, tem bastante comércio ali, dos locais.
Entrevistado 4: Se você vai para as ruas atrás é mais local, não há turistas espalhados, mas eu fui lá, e também para o mercado de frutas, e há mais pessoas locais com certeza.
Entrevistado 6: Você passa às vezes pelas pessoas até mesmo na água, no barco de pesca.
Entrevistado 8: Acho que nos restaurantes fomos muito bem recebidos, a comida também é muito boa, não passamos mal com a comida em canto nenhum e tudo é de muita qualidade. E no hotel também a hospitalidade lá tá sendo excelente.
Entrevistado 9: Nós estamos sendo bem atendidos, essa aqui é a nossa primeira experiência, aqui no Dr. Wind, e lá na pousada, as pousadas que a gente visitou também, fomos bem atendidos.
Porém, foram relatadas ainda, relação que se aproxima mais de uma integração sociocultural de fato (Entrevistado 7: A população é bem entrosada, ajuda, dá opiniões,
palpites... Hoje realmente tem mais turista, mas ontem vimos mais o pessoal da população local em volta.), trazendo à tona uma amistosidade e espontaneidade na reação
com residente.
Existem outras realidades de aproximação que apontam para uma integração dos turistas internacionais com os locais (serviços públicos e ciclos de amizade), sobretudo aqueles que são assíduos do destino São Miguel do Gostoso-RN, e que por ventura já possuem inclusive residência no local, e desenvolvem uma relação mais fluida com os residentes, compartilhando dos mesmos espaços e serviços, como relatam os entrevistados 5 e 6:
Entrevistado 5: Eu tive alguns problemas pequenos e sempre as pessoas vinham me ajudar. [...] Sim, saúde né. Foi tudo perfeito, atendimento muito bom, não podemos reclamar. Minha esposa ficou doente umas 3 vezes e todas fomos muito bem atendidos.
Entrevistado 6: Eu também gosto de comprar algumas lembranças, para presente ou para mim, Flavela é meu amigo, Kadu é outro amigo que conheço, e ele faz essas pequenas casas, então eu compro algumas coisas[...] Bom. No geral, eu diria que a população local é tranquila, na minha rua há apenas pessoas locais, e é legal. Nós temos uma boa comunicação e amigável, [...] fui no posto de saúde as vezes. Foi eficaz quando eu tive que usar.”
37 A partir da análise das entrevistas anteriormente expostas, percebe-se que a presença dos residentes na experiência de viagem dos turistas internacionais se dá em torno das relações de compra e venda, mas se amplia em alguns casos – mesmo com a barreira linguística – em que percebe-se uma hospitalidade formal e informal, uma relação de intercâmbio sociocultural (mesmo que pequena), como enaltecido pelos Entrevistados:
Entrevistado 4: Eu sou da Alemanha, é uma cultura completamente diferente, mas eles são realmente amigáveis com todos. Eu não sei se é só aqui porque é uma cidade pequena, mas as pessoas são muito amigáveis. Se você precisar de ajuda, ou precisar reparar algo, eles sempre têm algo em mente para ajudá-lo.
Entrevistado 5: Mas viemos aqui durante o carnaval e vimos bastante a presença dos locais, mas realmente eu prefiro a tranquilidade. Entrevistado 6: Como eu disse na minha rua eu convivo com os nativos, aqui (Escola Kauli Seadi Praia do Cardeiro), também nos restaurantes quando você lida com a população local; é para lá que todo turista vai, mas também vejo em casa, na praia, no clube, no outro clube lá, também na rua você passa às vezes pelas pessoas, até mesmo na água, no barco de pesca, todo o mundo é amigável.
Entrevistado 8, “Notei que tem pessoas da região nos restaurantes como clientes, em Galinhos-RN também tinha bastante locais, então me parece que os locais estão incluídos também...”
Em síntese a relação que ocorre entre os residentes e os turistas é bem voltada para o papel que este desempenha em seu trabalho (apesar de alguns casos distintos), o que nos leva a crer que a cultura local e o intercâmbio sociocultural entre estes atores não constitui um atrativo que desperta o interesse do grupo de turistas analisados, seja na decisão e expectativas de viajar, seja na estada no destino.