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Três tipos de conhecimento: Milena sabe tocar piano bem.

Nino conhece Campos do Jordão.

Angela sabe que Campos do Jordão fica no

estado de São Paulo.

Conhecimento & ceticismo

Definição tradicional de conhe- cimento proposicional:

Conhecimento & ceticismo

Crença (x desejo, gosto, preferência...) Verdadeira = correspondente aos fatos

Justificada = autoevidente ou baseada em um bom argumento

Conhecimento & ceticismo

Todo solteiro não é casado.

(Frase autoevidente ou “analítica”)

Há mais solteiros do que casados no Brasil. As pessoas não devem se manter solteiras. (Frases “sintéticas”)

Conhecimento & ceticismo

Quando é possível dizer que uma crença (que não é autoevidente) está justificada?

Deve haver algum bom argumento (dedutivo ou indutivo) que possa ser dado em sua defesa.

Conhecimento & ceticismo

Observações:

1. Uma crença injustificada pode ser verdadeira; 2. Uma crença justificada pode ser falsa.

Conhecimento & ceticismo

Ex: O júri só sabe que o réu cometeu homicídio se:

(i) o júri acredita que o reú cometeu homicídio; (ii) o réu realmente cometeu homicídio;

(iii) o júri formou a crença (i) depois de analisar provas com cuidado.

Conhecimento & ceticismo

Objeções à definição tradicional? Edmund Gettier (1963).

Questão de prova (2014.2)

Você, que gosta muito de tênis, chega em casa, liga a TV e vê o Gustavo Kuerten erguendo a taça do Aberto da França. Isso acontece em 2001, no dia em que de fato Guga

conquistou o campeonato. Mas Guga também conquistou o Aberto da França em 2000. Você nem imagina, mas o vídeo a que está assistindo é um "replay" de 2000. Guga acaba der vencer em 2001, mas, no exato momento em que você liga a TV para ver o resultado da partida, a emissora está transmitindo a conquista do ano anterior. Mantendo em mente a definição tradicional de conhecimento, você pode dizer que sabe ou que tem conhecimento de que Guga

Conhecimento & ceticismo

Ser cético em relação a um assunto é afirmar que não se tem conhecimento acerca dele... ... é dizer que falta pelo menos um dos três elementos: crença ou verdade ou justificação.

Revisão

> Conhecimento = crença verdadeira e justificada > Ser cético = negar que se tem conhecimento acerca de um dado assunto

Próximo ponto (4): Ética I - Introdução. Leitura obrigatória

- Nagel, Cap. 7

- Rachels, Cap. 4, pp. 49-54 Perguntas:

1. Normas morais são universais?

2. É preciso apelar a Deus para fundamentar nossas crenças morais?

Ética I: introdução

Ética sociológica

(estuda as opiniões dos diversos grupos sociais sobre o certo e o errado)

x

Ética filosófica ou filosofia moral (estuda o que é certo e errado)

Ética I: introdução

Essa distinção é criticada por aqueles que acreditam no “relativismo ético” (RE).

RE: o que é certo ou errado depende das opiniões de cada grupo social.

Ética I: introdução

Dois problemas que afetam o RE: 1. Como delimitar os grupos?

2. Os grupos não podem errar?

O relativista comete “falácias naturalistas”.

O grupo X pensa que o aborto é errado Logo

Pessoas próximas merecem tratamento especial? Devemos renunciar ao luxo para fazer caridade? Podemos explorar os animais?

O aborto é permissível? E a barriga de aluguel? É imoral o uso de drogas ilícitas?

Devo votar em um partido de esquerda ou direita?

Ética I: introdução

Ceticismo ético (≠ relativismo ético)

Afirma que não é possível saber o que é certo ou errado.

Ética I: introdução

3 tipos de ceticismo ético:

> Não temos crenças morais; temos preferências morais subjetivas.

> Temos crenças morais, mas elas nunca são verdadeiras.

> Não conseguimos justificar nossas crenças morais.

Ética I: introdução

Teoria do comando (ou mandamento) divino (TCD)

Certo é o que Deus comanda; errado é o que ele proíbe.

Ética I: introdução

Duas maneiras de entender TCD:

(i) Condutas certas são certas porque Deus as comanda.

(ii) Só Deus sabe o que é certo e comanda sempre o que é certo.

Ética I: introdução

Neste curso, vamos nos concentrar na

possibilidade de justificação secular de crenças morais.

Ética I: introdução

João: Abortos são imorais, a menos que a gestante corra risco imediato de vida.

Maria: O aborto é imoral mesmo quando a gravidez resulta de ato violento, como estupro?

João: Ainda que o estupro seja condenável, o direito do feto à vida é mais importante do que o fato de que a vida do feto tem origem em um ato violento.

Ética I: introdução

Maria: Bom, imagine que você tenha sido

sequestrado e sedado, e que tenha acordado ao lado de um famoso violinista. Seus rins estão

filtrando o sangue dele. Você pode separar-se, mas isso o mataria. Para salvá-lo precisa manter- se conectado até que um doador apareça, o que pode levar meses. Você acha que pode

Ética I: introdução

João: Acho que sim.

Maria: Então, sendo coerente, você deveria admitir que o aborto é permitido em caso de estupro.

Ética I: introdução

S1: situação hipotética em que a sobrevivência do violinista depende do seu corpo

S2: situação hipotética em que a sobrevivência de um feto gerado depois de estupro depende do seu corpo

Ética I: introdução

1. Em S1 você tem permissão moral para desligar-se do violinista.

2. S1 é análoga a S2, visto que, nas duas, a

sobrevivência de outro veio a depender do seu corpo depois de um ato violento, sem o seu

consentimento. Logo,

3. Em S2 você tem permissão moral para desligar-se do feto.

Revisão

> Ética sociológica x ética filosófica > Relativismo ético

> Ceticismo ético

> Teoria do comando divino

Próxima aula: Ética II – utilitarismo (ponto 5) Leitura obrigatória: Rachels, Caps 7 e 8

Pergunta:

Quais são as virtudes e as deficiências da teoria utilitarista?

Ética II: utilitarismo

Toda teoria ética se pronuncia sobre duas coisas: (1) O que é bom, o que tem valor.

(liberdade, igualdade, felicidade, família etc.)

Ética II: utilitarismo

Em relação a (1), há duas tendências básicas: > Teorias monistas x teorias pluralistas

Obs: Teorias pluralistas podem estabelecer “rankings” de valores.

Ética II: utilitarismo

Em relação a (2), também há duas tendências: > Teorias consequencialistas x teorias não-

Ética II: utilitarismo

De acordo com teorias consequencialistas, deve- se maximizar o que é bom.

Ética II: utilitarismo

De acordo com teorias deontológicas, deve-se

honrar o que é bom.

Ética II: utilitarismo

Exemplo: É permitido sacrificar uma pessoa para salvar um número maior de vidas?

Ética II: utilitarismo

Utilitarismo: teoria que defende a maximização da felicidade geral

(consequencialismo + monismo)

Obs: Não é uma teoria egoísta (cuidado com o uso vulgar da palavra “utilitarismo”).

J. Bentham (1748-1832)

J. S. Mill (1806-1873)

Por princípio da utilidade entende-se o princípio que

aprova ou reprova qualquer ação de acordo com sua aparente tendência para aumentar ou diminuir a felicidade das pessoas

cujo interesse está em jogo.

para aumentar ou diminuir a felicidade das pessoas cujo interesse está em jogo.

Ética II: utilitarismo

Felicidade =

Obtenção de prazer? Satisfação de desejos?

Satisfação de preferências lúcidas?

Ética II: utilitarismo

Virtudes do utilitarismo:

1. Propõe um cálculo relativamente objetivo para determinar como se deve agir.

Obs: objetivo ≠ simples

Ética II: utilitarismo

2. É imparcial: a felicidade de cada pessoa tem o mesmo valor.

(imparcial ≠ igualitário)

3. É altruista: exige o sacrifício de interesses pessoais.

Ética II: utilitarismo

4. Abre uma via para a proteção dos animais.

Ética II: utilitarismo

Críticas ao utilitarismo:

1. Não dá a devida importância a direitos individuais.

2. Não dá a devida importância a relações pessoais.

3. Promove também preferências caras e ofensivas.

Revisão

> Utilitarismo: teoria monista e consequencialista que defende a maximização da felicidade geral

> Lado positivo: objetividade, imparcialidade, altruísmo

> Lado negativo: menosprezo de direito individuais e relações pessoais, promoção de preferência caras e ofensivas

Próxima aula: Ética III – Kant (ponto 6). Leitura: Rachels, Cap. 10.

Perguntas:

1. É deontológica a ética kantiana?

2. São diferentes as duas versões do imperativo categórico?

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