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1. INTRODUÇÃO

1.3 JUSTIFICATIVA, RELEVÂNCIA E INEDITISMO DO

2.1.1 Conhecimento como recurso competitivo e o capital

competitividade das organizações na emergente sociedade pós-industrial (SVEIBY, 1998; STEWART, 1998; DRUCKER, 2002; BUENO, 2003(a), 2003(b)), temas como ativos intangíveis e capital intelectual tornam-se evidentes em publicações e discussões acadêmicas e empresariais (BROOKING, 1996), apesar da lentidão no desenvolvimento de metodologias e limitada literatura específica devido, em parte, às privacidades das organizações (BONTIS, 1998) e a recente eclosão do tema (BUENO, 2003(b)), apesar do esforço desde a metade da década de 90 no desenvolvimento de ferramentas gerenciais para mensurar e gerir recursos baseados em conhecimento nas organizações (BUENO et al., 2006).

O conhecimento, então, passa a ser visto como o principal fator econômico de produção, surgindo frente aos tradicionais capital, terra e trabalho. Trabalhos como de Brooking (1996), Wiig (1997), Nonaka e Takeuchi (1997), Stewart (1998), Sveiby (1998), Bontis (1998) Edvinson e Malone (1998), Bueno et al. (2003(a)) – entre outros – evidenciam a questão.

Desde o início das discussões sobre o tema, sabe-se da complexidade do assunto principalmente pela compreensão que conhecimento está disperso na cabeça das pessoas, em documentos da estrutura organizacional tais como memorandos, relatórios e arquivos eletrônicos, conforme entendimento de Nonaka e Takeuchi (1997) e atrelado à prática e à ação (SVEIBY, 1998) e, por conseguinte, o capital intelectual, além de ser intangível ou não material (BUENO, 2003; BROOKING, 1996), não é um ativo estático (BONTIS, 1998; EDVINSON e SULLIVAN, 1996).

No âmbito da discussão da teoria organizacional, a partir da premissa que as organizações são comunidades sociais especializadas em formas de construção e transferência de conhecimentos de forma rápida e eficiente, apresenta-se um contraste na forma estabelecida como custo de transação (WILLIANSON, 1981 e 1991; POWELL, 1990) e os pressupostos da dicotômica relação entre mercados e hierarquias, afinal o conhecimento como recurso, ao ser compartilhado pode gerar mais valor, diferente de outros recursos competitivos.

Por esse prisma, as organizações desenvolvem melhores capacidades para criação e compartilhamento de conhecimento do que qualquer outro arranjo institucional, principalmente se comparadas com as relações de mercado (NAHAPIET e GHOSHAL, 1998) e, em suas estruturas, pessoas e formas de relação, desenvolvem modelos diferenciados que poderão permitir o desenvolvimento de recursos competitivos heterogêneos.

Nesse sentido, visando a delimitação da discussão, destaca-se que a competitividade, ora vista pelo viés da indústria (PORTER, 1986 e 1999; SCHERER e ROSS, 1990) também pode ser discutida, estudada e pesquisada

de outra forma. Como na sociedade do conhecimento se eleva a importância de competências singulares, acredita-se haver melhor aderência teórica para compreensão e proposição de ações, a partir da visão dos recursos competitivos na própria organização (PENROSE, 1960; BARNEY, 1991; WERNEFELT, 1984; CONNER e PRAHALAD, 1996) em detrimento da indústria.

Em outras palavras, fruto das diferenças das eras industrial e do conhecimento, uma análise estratégica pode ser vista não apenas em como a estrutura da indústria determina a lucratividade de uma firma (PORTER, 1986) e sim nas diferenças das firmas e, por consequência, em seus recursos (CONNER e PRAHALAD, 1996).

Dumay (2013, p. 8) sintetiza, e traz a esse momento, essa questão apontando as diferenças como sendo a estratégia da era industrial baseada na criação de valor a partir de um posicionamento, enquanto que a estratégia da era do conhecimento baseia-se na criação de valor por meio do compartilhamento de conhecimento e colaboração entre os agentes.

Além disso, Bontis (1999, p. 435) afirma que na “presente economia, mais e mais negócios estão ligados a valores não vinculados aos recursos tangíveis, mas aos seus recursos intangíveis”. Desse modo, uma vantagem competitiva sustentável está mais atrelada à posse de recursos, principalmente seus intangíveis, do que a um posicionamento estratégico na indústria.

Porém, destaca-se que, “ao contrário de ativos físicos, ativos de conhecimento, também conhecidos como capital intelectual, são muito mais difíceis de quantificar. Eles não são tangíveis, assim, não são comprados ou vendidos em um mercado aberto”. Mesmo assim, apesar de não serem objetos de comercialização direta e como para evoluírem necessitam passar por práticas de socialização e compartilhamento,

dessa forma ao longo do tempo, eles tendem a aumentar o seu valor (STEVENS, 2011, p.58).

A visão baseada em recurso – sigla RBV em inglês – tem como crença a heterogeneidade das firmas num mesmo ambiente e, por consequência percebe como base as diferenças entre empresas, constituindo elementos de competitividade (BARNEY, 1991; CONNER e PRAHALAD, 1996; WERNERFELT,1984). Nesta abordagem destacam-se os recursos sob dois aspectos:

a) físicos–ativos físicos e técnicas de produção próprias e protegidas por patentes ou segredos industriais vinculados a arranjos e formulações de bens e serviços;

b) intangíveis - ativos de conhecimento, valor de marca, competências instaladas e rotinas operacionais tácitas.

A RBV está estruturada em duas premissas: primeiro que as firmas dentro de uma indústria são heterogêneas em termos da posse de recursos distintos e que possuem controle sobre eles; segundo, que esses recursos, como possuem características que não permitem uma mobilidade entre firmas, poderão permitir uma vantagem superior no decorrer do tempo (BARNEY, 1991 e 1986).

Terminologias como competências distintas, recursos estratégicos, ativos invisíveis, competência essencial, capacidades e capacidades dinâmicas surgem a partir dos conceitos da RBV. Para todas, há consenso que o conhecimento é um recurso ou ativo, intangível e, portanto, potencial base para vantagens competitivas sustentáveis.

Para fins desse estudo se adotará o conceito de Diefenbach (2006, p.409) para recurso intangível:

(...) de existência não material, que é usado ou potencialmente utilizável para qualquer propósito, que é renovável após o uso, e que não só diminui, mas pode permanecer ou aumentar em quantidade e / ou qualidade durante a sua utilização.

Como uma extensão da RBV surge a KBV (BONTIS, 1999; SAARENKETO et al., 2009) sigla em inglês para visão baseada no conhecimento, que tem como premissa uma percepção da firma como um sistema de conhecimento, apesar de ser uma abordagem teórica com

grande potencial de evolução (GRANT, 1996) e alvo de críticas (FOSS, 1996).

Então, o conhecimento como um recurso valioso, gerador de vantagens competitivas sustentáveis pode ser traduzido como um ativo intangível de grande complexidade para ser gerido (SAARENKETO et al, 2009) e, à luz das premissas dos entendimentos sobre capital intelectual pode-se melhor compreendê-lo no contexto organizacional (BUENO, 2006).

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