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2.1 DADOS, INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO

2.1.3 CONHECIMENTO

LÉVY (1996, p. 58) define o conhecimento como sendo o “fruto de uma aprendizagem, ou seja, o resultado de uma virtualização da experiência imediata.”

Assim, o conhecimento pode ser interpretado como uma capacidade que os indivíduos possuem para agir.

Para SVEIBY (1998, p. 35-41) o conhecimento é, sobretudo: tácito, orientado para a ação, sustentado por regras ou baseado nelas, individual, e está em constante mutação. O conhecimento está em constante mutação porque “os novos conhecimentos se associam aos conhecimentos anteriores, seja para confirmá-los, seja para acrescentar-lhes informações, seja para negá-los” (TARDIF; 1997, p.37).

TARDIF (ibid, p. 40) ainda acrescenta que:

Essa força dos conhecimentos anteriores não é exclusiva de um campo da aprendizagem: ela se verifica em todo o conjunto dos conhecimentos. É suficiente tomar conhecimento dos comportamentos típicos das pessoas em nível de aperfeiçoamento para se convencer rapidamente que os conhecimentos anteriores exercem um papel predominante no aprendizado e que esse papel envolve mais de um domínio dos conhecimentos.

RESENDE (2000, p.36) define conhecimento como sendo “informações, idéias e noções de domínio das pessoas; acúmulo de saber, aprendizado, experiência.”

Para DAVENPORT e PRUSAK (1999, p.06) o conhecimento é:

Uma mistura fluida de experiência condensada, valores, informação contextual e insight experimentado, a qual proporciona uma estrutura para a avaliação e incorporação de novas experiências e informações. Ele tem origem e é aplicado na mente dos conhecedores. Nas organizações, ele costuma estar embutido não só em documentos ou repositórios, mas também em rotinas, processos, práticas e normas organizacionais.

Segundo CRAWFORD (1994, p. 22) o conhecimento apresenta as seguintes características:

1. O conhecimento é difundível e se auto reproduz. As matérias primas de uma economia industrial são recursos finitos…, o conhecimento expande-se e aumenta à medida em que é utilizado…Dessa forma, numa economia do conhecimento a escassez de recursos é substituída pela expansão destes.

2. O conhecimento é substituível. Por exemplo, um fazendeiro que consegue uma colheita maior num mesmo espaço de terra, utilizando para tanto apenas novas técnicas de plantio, não necessita de mais terras para aumentar a produção.

3. O conhecimento é transportável…Em poucos segundos, posso enviar para Taiwan,… um esquema para um novo chip de computador que representa meses de um intensivo trabalho de engenharia.

4. O conhecimento é compartilhável. A transferência de conhecimento para outras pessoas não impede o uso deste mesmo conhecimento por seu original.

NONAKA e TAKEUCHI (1997) segmentam o conhecimento em dois: o conhecimento explícito e o conhecimento tácito e, os diferenciam da seguinte maneira:

TABELA 1: Dois Tipos de Conhecimento.

Conhecimento Tácito (subjetivo) Conhecimento Explícito (objetivo)

Conhecimento da experiência (corpo) Conhecimento simultâneo (aqui e agora) Conhecimento análogo (prática)

Conhecimento da racionalidade (mente) Conhecimento seqüencial (lá e então) Conhecimento digital (teoria)

Fonte : NONAKA e TAKEUCHI (1997, p. 67)

Esta diferenciação faz com que o conhecimento explícito seja “expresso em palavra e números, e facilmente comunicado e compartilhado sob a forma de dados brutos, fórmulas científicas, procedimentos codificados ou princípios universais” (NONAKA e TAKEUCHI 1997, p.7). Com isso o conhecimento explícito pode ser interpretado “como um sinônimo de um código de computador, uma fórmula química ou um conjunto de regras gerais” (id). De onde se pode supor que o conhecimento explícito está apoiado, principalmente, na educação formal.

Já o conhecimento tácito, por sua natureza subjetiva e intuitiva é “altamente pessoal e difícil de formalizar, o que dificulta sua transmissão e seu

compartilhamento com outros. Conclusões, insights e palpites subjetivos incluem-se nessa categoria de conhecimento” (NONAKA e TAKEUCHI; 1997, p.8). Portanto, o conhecimento tácito está ligado diretamente com a capacidade de agir dos indivíduos. Isto faz com que o conhecimento tácito seja difícil de ser verbalizado, de ser descrito por palavras, além de estar baseado em regras que não mudam com facilidade. O que transforma o conhecimento tácito no conhecimento mais rico e mais difícil de se gerenciar.

KREINER (2002, p. 112-113) também reconhece a dificuldade em se gerenciar e explicitar o conhecimento tácito. Para o autor o “conhecimento tácito é recurso principal para o desenvolvimento de novos produtos e processos”.

Para TERRA (2000, p. 57), o conhecimento tácito é o “conhecimento do expert na solução de problemas”, ou ainda, o conhecimento que dá à intuição a capacidade para tomar “algumas decisões sem motivo ou razão facilmente explicável ou aparente”(id). Para o autor, a “identificação de problemas a partir do conhecimento tácito é associada a sensações de desconforto que algumas pessoas expressam diante de certas situações, mas que não conseguem explicar muito claramente” (TERRA; 2000, p. 57-58). Assim, a predição e a antecipação são os resultados dos períodos de preparação e incubação dos processos criativos, o que TERRA denomina de insights criativos.

NONAKA e TAKEUCHI (1997, p.7) segmentam o conhecimento tácito em duas dimensões, a técnica e a cognitiva. A dimensão técnica, “abrange um tipo de capacidade informal e difícil de definir ou habilidades capturadas no termo know- how.” A dimensão cognitiva, é constituída de “esquemas, modelos mentais, crenças e percepções tão arraigadas que os tomamos como certos. A dimensão cognitiva do conhecimento tácito reflete nossa imagem da realidade (o que é) e nossa visão do

futuro (o que deveria ser)” (id). Apesar da dificuldade de articulação a dimensão cognitiva do conhecimento tácito modela “a forma como percebemos o mundo à nossa volta” (NONAKA e TAKEUCHI; 1997, p. 8).

Diversos autores, entre eles NONAKA e TAKEUCHI (1997), DAVENPORT e PRUSAK (1999) TERRA (2000), ao reconhecerem a grande importância do conhecimento tácito e ao reconhecê-lo, alertam para a grande importância na transformação deste tipo de conhecimento em conhecimento explícito. Para NONAKA e TAKEUCHI (1997, p. 11), “ter um insight ou palpite altamente pessoal tem pouco valor para a empresa, a não ser que o indivíduo possa convertê-lo em conhecimento explícito, permitindo assim que ele seja compartilhado com outros indivíduos na empresa.”

KREINER (2002, p. 122) argumenta que “tradicionalmente a gestão do conhecimento estava centrada na aquisição, codificação e transferência do conhecimento, e em relação ao conhecimento tácito o programa tinha que ser escrito detalhadamente na lógica da externalização – transformar o conhecimento tácito para o conhecimento explícito.” Para o autor este é o caminho para que o conhecimento possa ser gerenciado e que os recursos advindos do conhecimento possam ser manuseados.

Se o conhecimento tácito não for transformado em explícito e compartilhado na organização, a sua utilização pode ser restrita a um grupo pequeno de pessoas, o que, em determinado momento, pode fazer com que a organização despenda esforços para saber algo, ou recuperará um conhecimento, que já sabe.