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Quando questionados quanto ao fato de conhecerem a Biossegurança e sua função, houve uma resposta satisfatória, pois 92% dos alunos responderam que sabem o que é Biossegurança, e apenas 8% da amostra afirma que não sabem o seu significado.

Em estudo semelhante realizado por Schroeder et al (2010), observa-se que 75,35% dos estudantes conhecem essas normas universais. O questionamento foi importante para avaliar o que os acadêmicos em suas bases teóricas já haviam vivenciado acerca do assunto. Analisando esses dados é notável que os alunos, de alguma forma, conhecem o que seja a Biossegurança e sua aplicabilidade, e isso se torna gratificante.

Gráfico. 01: Distribuição das respostas atribuídas ao conhecimento dos acadêmicos de

Enfermagem e Medicina a cerca do significado da Biossegurança. Fonte: Própria pesquisa (2013).

O Ministério da Saúde caracteriza a biossegurança como um conjunto de ações que visam prevenir, controlar e diminuir ou eliminar riscos inerentes às atividades que possam afetar a saúde humana, através de adoções de novas técnicas e fatores a que o trabalhador e a

comunidade possam estar expostas. Garantir o controle, a promoção e proteção à saúde são um dos princípios do SUS e das políticas governamentais da Mais Saúde (BRASIL, 2006).

Percebe-se o quanto é importante conhecer a significância da biossegurança para se saber ao certo como evitar um risco ocupacional e para tanto o Ministério da Saúde corroborando com que o autor Costa (1996) traz acerca da Biossegurança como um conjunto de medidas técnicas, administrativas, educacionais, médicas e psicológicas, servindo assim para prevenir os acidentes em ambientes ocupacionais.

No gráfico abaixo compreende-se as respostas dos alunos quanto ao fato de já terem assistido a algum curso ou palestra acerca do assunto proposto. 60 % dos acadêmicos questionados de ambos os cursos, responderam que já assistiram palestras, cursos ou viram disciplinas sobre Biossegurança, e somente 40% dos demais entrevistados responderam que não tiveram nenhuma experiência com a temática exposta.

Gráfico. 02: Distribuição das respostas atribuídas referente à pergunta já assistiu a algum

curso/disciplina ou palestra sobre biossegurança

Fonte: Própria pesquisa.

Analisando os dados do questionamento, vê-se que, apesar dos acadêmicos afirmarem conhecer de alguma forma o significado da biossegurança, quando questionados com maior profundidade, os mesmos não demonstravam conhecimento aprofundado. Segundo Costa (2004), o aluno tendo uma boa teoria associado a uma boa prática, o mesmo terá uma chance mínima de ter um risco ocupacional. Este fato está relacionado ao fato de que

os alunos por não conviverem diariamente com estes riscos ambientais, às vezes passam despercebidos por áreas insalubres favorecendo a sua exposição.

Ao analisar a biossegurança num contexto maior, observa-se uma inter-relação entre a tecnologia/risco/homem, este três fatores estão interligados, ou seja, na medida em que o homem necessita fazer uso dessa tecnologia, está colocando em risco sua vida (COSTA, 2002).

Gráfico. 03: Distribuição das respostas atribuídas pelos acadêmicos acerca do Conhecimento

sobre EPI

Fonte: Própria pesquisa (2013)

O gráfico acima mostra uma predominância de 92% da pesquisa, onde os entrevistados afirmam conhecer o que é EPI; enquanto que 8 % dizem não conhecer o seu significado. Abaixo, gráfico 04, identificando os tipos de EPI´S citados pelos alunos.

É notável que os discentes em sua maioria conheçam o que é um equipamento de proteção individual, contudo 6 % da amostra não exemplificaram nenhum tipo de material de proteção individual. Conhecer e identificar o que é um equipamento de proteção individual são de suma importância, porque disto depende a própria proteção e a dos futuros pacientes.

Corroborando essa idéia, Marcos (2008) vem trazer que a prevenção de acidentes envolvendo atividades biológicas químicas e físicas desde a antiguidade era uma preocupação dos egípcios e para tanto os mesmos utilizam mão de obra escrava para trabalhar com produtos químicos; dessa forma os egípcios se protegiam e ainda tinham a preocupação de proteger mãos e rosto, o que se poderia denominar atualmente de Equipamentos de Proteção Individual, os EPIs.

Gráfico. 04: Distribuição das respostas atribuídas pelos acadêmicos acerca dos tipos de EPI,

s.

Fonte: Própria Pesquisa (2013)

Tabela. 02: Distribuição das respostas atribuídas pelos acadêmicos, quanto ao fato de ter observado se

seus professores ou supervisores utilizam equipamento de proteção.

Variável f %

Sim 21 84

Não 4 16

Total: 25 100

Fonte: Própria Pesquisa (2013)

Os discentes ao serem questionados, quanto ao fato de ter observado durante suas aulas práticas ou supervisões, se seus supervisores ou professores usavam algum tipo de EPIs, responderam que 84 % deles usavam algum tipo de EPI, e o restante (16% ) afirmou nunca ter visto seu professor fazer uso desses de equipamentos. Em seguida foi solicitado que o aluno exemplificasse quais EPI`s os professores utilizam na hora da prática hospitalar e para tanto a resposta é dada no gráfico. 05.

Gráfico. 05: Distribuição das respostas atribuídas pelos acadêmicos, quanto aos tipos de EPIs usados por seus supervisores ou professores

Fonte: Própria Pesquisa (2013)

Esse resultado pode ter sofrido viés de confusão, devido termos discentes de diferentes períodos e com isso é esperado que os dos primeiros períodos do curso ainda não conheçam ou reconheçam os EPI`s que são preconizados para a segurança e a saúde.

Ao perceber que os supervisores ou professores utilizam EPI´s, os alunos se sentem mais motivados e notam que há uma importância quanto ao seu uso adequado. Ás vezes, os profissionais passam despercebidos quanto ao risco inerente de contaminação de microorganismo; na prática, nota-se ainda que as pessoas se protejem mais quando sabem que um determinado paciente tem alguma doença infecciosa. Nichiata et al (2004) revela que a equipe de enfermagem tem mais dificuldade de aderir medidas de segurança, com isso ficam menos protegidas quanto aos riscos expostos do ambiente de trabalho. Outro fato da resistência dos profissionais pode estar relacionado à formação acadêmica. Reafirmando a indagação de Nichiata et al o autor Costa et al (2004) diz que a educação em biossegurança, durante a formação acadêmica de enfermagem, passa por uma deficiência no que tange a sua sensibilização para medidas de segurança e este fato pode ser notado pela abordagem sucinta dos acadêmicos quando questionados sobre o tema.

Tabela. 03: Distribuição das respostas atribuídas pelos acadêmicos, quanto a suas praticas curriculares. Variável f % Sim 18 72 Não 07 28 Total: 25 100 Fonte: Própria Pesquisa (2013)

Quando questionados quanto ao fato de saberem se cuidar após um procedimento que os envolva ao risco biológico, 72% dos estudantes sabiam se cuidar, enquanto que 28 % falaram que não sabiam.

Ao analisar esses dados estatísticos nota-se que, apesar dos acadêmicos em sua maioria afirmarem saber se cuidar diante de um risco emitente, o restante apresenta não saber e este fator pode vir a predispor uma ocasião onde o aluno ficará frente ao fator de risco e o mesmo não se dará conta do acontecido. Souza (2008) apresenta o ambiente hospitalar como uma área insalubre, que por si só favorece a exposição dos pacientes e profissionais aos agentes agressores de diversas naturezas.

Segundo Bulhões (1994), os riscos ocupacionais em um ambiente hospitalar é algo evidenciado por todos. E o fato de se ter um acidente de trabalho em decorrência de uma exposição com matérias biológicas, deixam todos os profissionais ansiosos, devido estarem diariamente expostos a fatores de risco em determinados procedimentos, como contato direto ou indireto com sangue, fluidos corporais, hepatite B ou C, (AIDS) Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. Por isso, o conhecimento sobre a biossegurança é indispensável para os que lidam em ambientes hospitalares.

Tabela. 04: Distribuição das respostas atribuídas pelos acadêmicos, quanto ao fato de conhecer as

Normas Regulamentadoras (NR) que são usadas pelos profissionais da área da saúde. Variável f %

Sim 4 16

Não 21 84

Total: 25 100

Fonte: Própria Pesquisa (2013)

Os acadêmicos ao serem questionados se conheciam a norma regulamentadora, a maioria , 84% respondeu não saber o que esta norma representa para os profissionais de saúde, enquanto apenas 16 % dos pesquisados disseram conhecê-la. Esses dados podem não serem totalmente fidedignos, levando-se em conta que os mesmos alunos que marcaram a opção sim que se refere conhecer a NR, não exemplificaram nenhuma ação da norma.

As Normas Reguladoras (NRs) foram criadas através da portaria n° 3.214, 08 de junho de 1978, e são de observância obrigatória, periodicamente o Ministério do Trabalho e Emprego revisão essas normas. Há 34 tipos de NR, e das 34 NR as mais usadas para área de saúde são NR1, NR 5, NR6, NR 26 e NR 32.

A NR oferece uma assistência à saúde para a população e a mesma cria ações de promoção, recuperação, assistência, pesquisa e ensino em saúde de varias complexidades. A NR 32 classifica os riscos ocupacionais em físicos, químicos e biológicos.

Gráfico. 06: Distribuição das respostas atribuídas pelos acadêmicos, acerca do conhecimento do

que é uma doença ocupacional.

Fonte: Própria Pesquisa (2013)

Analisando os dados do gráfico. 06., pode-se concluir que os acadêmicos em sua pequena maioria sabem o que é um risco ocupacional, totalizando 52% da amostra; os demais entrevistados afirmam não conhecer o que é um risco ocupacional, categorizando 48 %.

Gráfico. 07. Distribuição das respostas atribuídas pelos acadêmicos, acerca de um exemplo de doença

ocupacional.

Os alunos exemplificaram alguns tipos de risco ocupacional que consideravam influenciar na vida profissional. 46 % deles não citaram nenhum tipo de risco; em segundo lugar aparece o Ler Dort, com 17 %; stress com 9%, silicose , DPOC, Lesão por esforço repetitivo e dermatite de contato tiveram 8% e o restante foi categorizado com 4 % para decorrentes da profissão, Hep. C e paralisia.

Segundo Laurell e Noriega (2000), os movimentos e a monotonia do trabalho exercido pelo profissional são considerados risco ocupacional ou “cargas de trabalho”, levando em conta que os mesmos estão expostos às substâncias químicas tóxicas, poeira, ruído, vibração, calor ou frio excessivo, às radiações, os microorganismos, às posturas viciosas do trabalho e à tensão.

Enfatiza-se que o risco é um fator ambiental capaz de acarretar lesões, doenças, inaptidão ou afetar o bem estar dos envolvidos no trabalho. (Burguess, (1997).

Atualmente, há uma maior cobrança com os profissionais, exigindo deles mais adesão e postura acerca de seus compromissos e desempenhos com a sua função de trabalho. (FARIAS 2004).

Tabela. 05: Distribuição das respostas atribuídas pelos acadêmicos, acerca da evidencia de um

acidente de trabalho que os empoam a matérias biológicos.

Variável f %

Sim 1 4

Não 24 96

Total: 25 100%

Fonte: Própria Pesquisa (2013)

Pelos dados apresentados, vê-se que 96% da amostra descrevem que nunca tiveram um acidente de trabalho, e apenas uma única pessoa, que representa 4 %, expõe que teve um acidente de trabalho. Quanto ao fato de um aluno ter tido acidente de trabalho, foi pedido ao mesmo para colocar qual a conduta do professor/supervisor e da Instituição de saúde quanto ao fato do cuidado pós-acidente de trabalho.

O aluno relatou que, depois de ocorrido o acidente de trabalho, seu professor solicitou todos os exames de sorologia, fazendo assim somente o acompanhamento. Vê-se que essa atitude faz parte do controle, corroborando com a idéia tem que a profilaxia e a notificação que também são importantes para controlar os incidentes ocasionados no trabalho, onde o mesmo expõe o profissional e ou paciente ao risco de contaminação. Para tanto, Forattini (1992) caracteriza a profilaxia como medidas fundamentais que devem ser manuseadas com intuito de evitar ou amenizar o risco de transmissão para a doença.

Souza e Mozachi (2010) recomendam que em acidentes envolvendo materiais potencialmente contaminados, o profissional e / ou a instituição deve proceder de acordo com o protocolo para exposição a sangue e outros fluidos corporais a HVI. Quanto à introdução da medicação de antirretrovirais deve seguir as orientações médicas da CCIH, quando indicado a medicação, a mesma deverá ser iniciada o mais rápido possível, de preferência até duas horas após o incidente e a duração da quimioterapia é de quatro semanas.

Tabela. 06. Distribuição das respostas atribuídas aos acadêmicos, acerca de qual procedimento os

mesmos acham que os mais expõem a contaminação por material biológico.

Variável f % Sutura 5 20 Administração de medicamento 2 8 Instrumentação Cirurgica 2 8 Cirurgia no Geral 16 64 Total: 25 100 Fonte: Própria Pesquisa (2013)

Os acadêmicos que consideraram as cirurgias, no geral, um fator que mais os expõem à contaminação totalizam 64 %; em segundo, vem a sutura com 20% e a administração de medicamentos e a instrumentação cirúrgica com 8% .

É valido que os alunos já observam alguns setores dos hospitais como sendo mais críticos e conseqüentemente esses locais se tornam mais susceptíveis de contaminação. ...

Enfatizando o estudo, observa-se que alguns autores como Souza (2008) apresenta o hospital como um ambiente de insalubridade, onde o mesmo favorece uma exposição dos pacientes e profissionais a agentes agressores de diversas naturezas, além de agentes físicos que contemplam as radiações de raios-X e radioativas, agentes químicas que estão associados a medicamentos e soluções.

Como citado, o hospital é um local que presta cuidados ao paciente, porém o mesmo apresenta áreas criticas de atendimento que pode levar o profissional e/ou cliente a um contato indesejável, podendo ocorrer complicações sérias de saúde.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo que ora se apresenta, traz o resultado de pesquisa sobre o conhecimento acadêmicos da área de saúde da UFCG, Campus Cajazeiras, sobre a biossegurança e sua aplicabilidade. Os entrevistados cursam Enfermagem e Medicina. A amostra se concentra, em maior número, por alunos do curso de Medicina que se encontram no 4° período bem como os alunos do curso de Enfermagem, cuja idade é de 21 a 25 anos mais precisamente. Diante dos dados obtidos, podemos concluir que os alunos, de uma forma geral, conhecem o significado da biossegurança, porém alguns deles ainda apresentam certa dificuldade em reconhecer a sua importância e isto é evidenciado através das respostas dadas aos questionamentos que lhes foram direcionados.

Ao analisar os dados obtidos, pode-se perceber que alguns acadêmicos afirmam conhecer a Norma Regulamentadora, os Riscos Ocupacionais e os Equipamentos de Proteção Individual (EPI). No entanto, ao observar o cenário de investigação durante as práticas acadêmicas, percebe-se que alguns alunos se encontram um tanto desnorteados, e outros sequer utilizavam os EPI’s. Isso demonstra que os alunos necessitam de uma conscientização maior acerca da problemática, posto que ficou evidenciado o uso inadequado dos EPI’s pelos mesmos. Outro ponto importante é que quando eles estão juntos aos professores ou quando sabem que existe uma possibilidade maior de contato com um paciente infectado, eles utilizam os EPI’s; caso contrário, são negligenciados o uso pelos mesmos.

Ressaltam-se aqui as dificuldades encontradas quanto a informações mais precisas e o acesso à literatura em relação ao assunto que foi abordado, posto que há poucos estudos que contemplem a biossegurança, porém as pesquisas relacionadas às definições e conceitos aplicados aos profissionais acerca da biossegurança mostram-se mais acessíveis.

Embora haja pouca literatura que contemple o assunto, foi gratificante trabalhar com esse tema e poder notar que os acadêmicos em sua grande maioria se preocupam e sabem fazer bom uso dos equipamentos de proteção individual; apesar de que os alunos dos primeiros períodos ainda apresentam certa imaturidade para perceber o hospital como um setor crítico. Sendo assim, faz-se necessário uma educação mais eficaz e permanente em saúde, visando sempre à prevenção dos riscos ocupacionais.

Como contribuição para futuros estudos, sugere-se uma pesquisa comparativa com método observacional de caráter qualitativo, em virtude de se ter percebido, por parte de alguns alunos, uma resistência para responder o questionário estruturado de forma objetiva e,

se o mesmo fosse composto por questões abertas, possivelmente, eles responderiam mais fidedignamente.

Pelo fato de ser comparativo, o estudo iria confrontar os dois cursos, Medicina e Enfermagem, no que tange a quem mais faz uso das medidas de prevenção. E assim, quem sabe a Biossegurança seria tratada com mais cuidado e atenção no meio dos setores de saúde.

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