• Nenhum resultado encontrado

CAPÍTULO III – ANÁLISE DE RESULTADOS

3.2 Análise do Questionário

3.2.1 Conhecimento e Comportamento na Internet

Talvez mais importante do que as características sociodemográficas, são os comportamentos que os indivíduos estão actualmente a ter na Internet a juntar ao conhecimento e experiência existentes. E de acordo com os resultados deste questionário, cerca de 77,7% dos indivíduos já é utilizador deste meio há mais de uma década, o que revela um elevado grau de maturidade e know-how, sendo já utilizado diariamente por cerca de 95,2% dos inquiridos (dos quais, 72,1% com uma utilização acima das cinco vezes ao dia) [Tabelas 19, 20 e 21].

Outras duas características de interesse para um melhor conhecimento desta amostra são os locais e os dispositivos de acesso à Internet. Começando pelo primeiro, temos a habitação do indivíduo como claro e destacado ponto de acesso à informação online com 98,8%, seguindo-se o trabalho com 56,3% e a Escola/Faculdade com 48,7%. Todavia, verifica-se também nos locais de acesso alguma mobilidade e evolução nos hábitos de consumo, com os Transportes Públicos e os Restaurantes/Bares a registarem 21,3% e 17,5%, respectivamente, e

os Cibercafés 5,8%. Como outras possibilidades foram referidas as casas de amigos, os cafés e “Em toda a parte, desde que hajam tempos de espera”, o que nos leva a concluir que estamos a olhar para consumidores cada vez mais ligados e absorvidos pelas novas tecnologias [Tabelas 22 a 29]. Foi referida a questão da mobilidade, mas será que na prática também está a haver um alargamento dos dispositivos de acesso à Internet? De acordo com estes resultados, e apesar de todos os inquiridos terem respondido utilizar o computador, a verdade é que os smartphones são utilizados por quase 50% destes indivíduos para acederem à Internet, ficando os tablets com uma utilização de quase 20% e as consolas com 9,1%. A par destes resultados, foram ainda apontados os iPod e a Televisão como outros pontos de acesso a este meio [Tabelas 30 a 35].

Olhando para os sites mais visitados, no top cinco de preferências temos as redes sociais com 86,9%, os de Notícias (77,5%), os de Cultura (33,2%), os Blogs (32,8%) e os de Cinema (28,4%). Contudo, os sites de Humor (28,2%), os de Viagens (26%) e os de Moda/Lifestyle (25,8%) ocupam também um lugar relevante nas escolhas destes indivíduos [Tabelas 36 a 55].

Focando nos produtos/serviços mais procurados na Internet, as Viagens foram a opção mais seleccionada por estes utilizadores, registando cerca de 65,4% das respostas. Ainda dentro de uma associação a Lazer e Lifestyle, seguem-se os Alojamentos/Hotéis (64,2%), Música (63,4%), Eventos (59,4%) e os Livros (42,9%). A par desta informação, e ainda com elevada relevância, encontramos a Roupa/Acessórios (42,9%) e os Telemóveis/Gadgets (37,6%). Por fim, e com excepção para os Produtos de Decoração (9,3%), as Jóias/Relógios (4,8%) e os Produtos de Jardinagem (0,4%), todos os restantes produtos/serviços registaram valores entre os 14% e os 19% [Tabelas 56 a 70].

Já para a análise das atitudes e percepções acerca deste meio foi utilizada uma escala de Likert por se tratarem de escalas bipolares que medem o quanto uma resposta é positiva ou negativa relativamente a uma determinada afirmação (Likert, 1932). Assim, resolveu-se utilizar uma escala com seis items/pontos (“Completamente em Desacordo”, “Bastante em Desacordo”, “Algo em Desacordo”, “Algo de Acordo”, “Bastante de Acordo” e “Completamente de Acordo”), como forma de obrigar o entrevistado a tomar uma posição sobre um dos pólos e a não dar uma resposta intermédia.

Começando pela análise da segurança associada à Internet, cerca de 40,8% dos inquiridos mostraram estar Algo de Acordo com o facto de se considerar a

Internet um meio seguro, seguidos pelos 24,9% que estão Bastante de Acordo e pelos 23,3% que estão Algo em Desacordo. Por fim, houve ainda 4,4% que revelou estar Completamente de Acordo com tal informação, 4% Bastante em Desacordo e 2,4% Completamente em Desacordo. Numa análise global, cerca de 70,1% tem uma opinião positiva ligada à segurança na internet, comprovando também a média de respostas (3,95) esta mesma tendência [Tabela 71 e 72]. Tendo esta percepção, seria também importante saber qual o cuidado com os dados pessoais que os indivíduos colocam/partilham na Internet, tendo quase metade afirmado que Concorda Totalmente com o facto de ter cuidado com esta informação (48,1%) e cerca de 41,9% respondido que está Bastante de Acordo. Com apenas 8,9% ficaram os que responderam Algo de Acordo e com 0,6%, cada, os que responderam Algo em Desacordo e Completamente em Desacordo, com a média desta escala a apontar para 5,36, concluindo-se uma vez mais que há uma preocupação acrescida com a informação divulgada neste meio [Tabela 73 e 74].

Passando para uma análise da Internet enquanto meio de partilha de conhecimento, não se registou nenhuma resposta negativa a este respeito (47,3% afirmaram estar Completamente de Acordo, 39,6% Bastante de Acordo e 13,1% Algo de Acordo), verificando-se uma média de respostas de 5,34 [Tabelas 75 e 76].

A par desta informação, torna-se também pertinente analisar a influência que o crescimento e presença nas redes sociais tem nos diferentes indivíduos, afirmando 30,8% que está Algo de Acordo quando se pergunta se se sentem influenciados a aderir a uma rede social se os seus amigos fizeram parte dela. Com 23,5% de respostas temos os que dizem estar Bastante de Acordo e com 16,5% os que dizem estar Algo em Desacordo. Por fim, e nos extremos destes pólo, temos os que estão Completamente de Acordo com 11,3% e os que estão Completamente em Desacordo com 10,1%, restando 7,8% dos inquiridos que referiu estar Bastante de Desacordo. Em suma, a média de respostas situa-se nos 3,84, o que revela uma influência positiva para a adesão a este tipo de redes, reflexo também do seu crescimento nos últimos dois anos [Tabelas 77 e 78]. Com isto, e por mais de 95% dos indivíduos revelar utilizar diariamente a Internet, a questão seguinte revela-se ainda mais importante, uma vez que se tentou apurar se os indivíduos concordavam que deveriam passar menos tempo por dia a utilizar a Internet. E se, por um lado, cerca de 31% mostra-se Algo de Acordo com esta afirmação, por outro, cerca de 23,3% mostra-se Algo em Desacordo. Seguem-se os que concordam Bastante e Completamente, com 13,9% e 13,1%, respectivamente, e os que discordam Bastante e Completamente, com 9,5% e 9,3%, respectivamente, numa média total

de 3,7, o que nos leva a concluir que é favorável a concordância com esta afirmação [Tabelas 79 e 80].

Noutra área, desta vez a do acesso e gestão da conta bancária através da Internet, cerca de 38% dos indivíduos Concorda Totalmente que utiliza a Internet com esses fins, seguidos por cerca de 23,5%, no extremo oposto, que se mostra Completamente em Desacordo com esta afirmação. Para além destes, cerca de 17,9% revela estar bastante de Acordo, 12,1% Algo de Acordo, 4,8% Bastante em Desacordo e 3,6% Algo em Desacordo, num valor médio de respostas de 4,1 [Tabelas 81 e 82].

Colocando o ónus da análise na utilidade da Internet para as tarefas diárias dos indivíduos, a verdade é que mais de metade destes (55,1%) concorda totalmente que este meio seja fundamental no seu dia-a-dia, juntando-se os que estão Bastante de Acordo (28%) e os que estão Algo de Acordo (10,9%). Ao todo, cerca de 94% tem uma opinião favorável sobre a necessidade de utilizarem este meio com regularidade, distribuindo-se os restantes valores por 3,6% que está Algo em Desacordo com esta afirmação, 1,8% que está Bastante em Desacordo e 0,6% que está Completamente em Desacordo, num valor médio de 5,29 [Tabelas 83 e 84]. Todavia, apesar de considerarem este meio fundamental no seu dia-a-dia, apenas 29,8% estão Completamente de Acordo com a utilização da Internet para praticamente tudo, valores igualmente registados naqueles que estão Bastante de Acordo com esta afirmação. Bem perto, com 28,4%, temos os indivíduos que estão Algo de Acordo, seguidos pelos que estão Algo em Desacordo (12,1%). Por fim, temos aqueles que estão Bastante em Desacordo e Completamente em Desacordo, registando 2,4% e 1,8%, respectivamente, o que também contribuiu para reduzir um pouco o valor médio de resposta que se situa, para esta última questão relativa às atitudes, nos 4,73 [Tabelas 85 e 86].