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4.1 ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS

4.1.2 Etapa 2: Questionário

4.1.2.1 Conhecimento sobre os moradores e o conhecimento dos mesmos sobre a FLONA do

terceira parte do questionário, agora com perguntas abertas, visualizar a compreensão dos moradores sobre sua participação na implantação da Lei de Gestão de Floresta Pública na FLONA do Jamari.

4.1.2.1 Conhecimento sobre os moradores e o conhecimento dos mesmos sobre a FLONA do Jamari e seus limites.

Durante a aplicação do questionário foram encontrados em suas casas, nos sítios e chácaras, tanto homens como mulheres no mando dos trabalhos diários. Alguns sítios maiores apresentavam a participação de trabalhadores não familiares, mas a grande maioria apenas o núcleo familiar.

Dos moradores que participaram da pesquisa 36 (60%) dos que responderam o questionário eram homens e 24 (40%) mulheres. Desses 12 (20%) moram na região a menos de 5 anos e 35 (58%) moram entre 6 e 15 anos. Ainda foram encontrados 9 (15%) moradores com mais de 16 anos e 5 (8%) moradores com mais de 20 anos na região, que vieram de todas as regiões do Brasil.

Tabela 5 - Naturalidade dos moradores da região do entorno da FLONA.

Item Naturalidade Quantidade %

1 Amazonas 2 3.33

2 Ceará 2 3.33

3 Acre 2 3.33

4 Rio Grande do Sul 2 3.33

5 Pará 1 1.67

6 Minas Gerais 12 20

7 São Paulo 1 1.67

8 Mato Grosso 2 3.33

9 Rio grande do Norte 1 1.67

10 Paraná 11 18.33 11 Rondônia 12 20 12 Maranhão 3 5 13 Santa Catarina 1 1.67 14 Bahia 1 1.67 15 Goiás 3 5 16 Espírito Santo 2 3.33 17 Paraíba 1 1.67 18 Rio de Janeiro 1 1.67 TOTAL 60 100

Fonte: Pesquisa de campo,

No quadro abaixo se verifica o que foi uma tendência nos anos 70 no Estado de Rondônia, uma grande chegada de imigrantes do sul e sudeste do país, levados pela fama da terra doada e dos incentivos do governo federal e estadual. Cada grupo de imigrantes buscou se estabelecer próximo de seus conterrâneos, formando núcleos, como é o caso das linhas de Cujubim e Itapuã do Oeste que mesmo tendo tido mudanças nos grupos dos primeiros assentados, essa tendência ainda existe.

Figura 12: Naturalidade dos moradores da região do entorno da FLONA Fonte: Pesquisa de Campo (2011).

Fato interessante identificado na comunidade é que mesmo tendo uma população nascida em todas as regiões do país, o deslocamento dessa população para a região pesquisada se deu em grande maioria do próprio Estado de Rondônia. Apenas 18 dos 60 pesquisados vieram diretamente de outros Estados para as regiões de Cujubim e Itapuã do Oeste. Inclusive alguns saindo de Itapuã do Oeste para Cujubim. Outro fato é que a maioria das migrações foi realizada das maiores cidades do Estado: Porto Velho, Ji-Paraná e Ariquemes.

Amazonas Ceará Acre Rio Grande do Sul Pará Minas Gerais São Paulo Mato Grosso Rio grande do Norte Paraná Rondônia Maranhão Santa Catarina

Tabela 6 – Último local de residência dos moradores do entorno da FLONA Jamari

LOCALIDADE QUAN. % ESTADO QUAN. %

Porto Velho 12 28.57 Amazonas 2 11.11

Ariquemes 7 16.66 Acre 3 16,66

Ji-Paraná 4 9.52 Ceará 1 5.55

Cujubim 4 9.52 Goiás 1 5.55

Jamari 3 7.14 Minas Gerais 4 22.22

Campo Novo 3 7.14 Mato Grosso 1 5.55

Jaru 2 4.76 Paraná 4 22.22

Urupá 2 4.76 Paraíba 1 5.55

Castanheira 1 2.38 Santa Catarina 1 5.55

Alto Paraíso 1 2.38

Rolin de Moura 1 2,38

Machadinho 1 2.38

Monte Negro 1 2.38

TOTAL 42 100 TOTAL 18 100

Fonte: Pesquisa de Campo.

Ainda observou-se que a grande maioria dos moradores da região eram casados 34 (56%), mas havendo um quantidade significante de solteiros 9 (15%), para moradores em sítios e chácaras (área rural), além de 9 (15%) separados, viúvos 6 (10%) e 3 (5%) “amancebados” (morando junto). O número de filhos não foge significativamente da média nacional de 2.31 filhos por família (IBGE. 2000), ficando em 2.61, mais apresenta 16% de moradores sem filhos, o que é proporcional ao número de solteiros 15%.

A população pesquisada demonstra ter, em sua maioria, mais de uma fonte de informação, destacando-se a televisão que está nos lares de 83,33% dos moradores, somados ao rádio em 80% das casas pesquisadas. A internet, já se apresenta em 10% das casas dos pesquisados.

A maioria dos moradores estabelecidos na região trabalha com agricultura e pecuária, mas existe um pequeno número que explora outras atividades como a piscicultura ou o trabalho assalariado na mineradora. Pode-se notar, numa visão rápida nos sítios e chácaras, que a maior parte dos agricultores trabalha com abacaxi e café, enquanto a pecuária leiteira é a outra atividade econômica da região.

Tabela 7 - Atividade econômica dos moradores da região do entorno da FLONA.

item Atividade Econômica Quantidade %

1 Agricultura 29 48,33 2 Pecuária 24 40 3 Piscicultura 1 1.66 4 Empreita 1 1.66 5 Cerca/agricultura 1 1.66 6 Caseiro 1 1.66 7 Comerciante 1 1.66 8 Aposentado 1 1.66 9 Mineração 1 1.66 Total 60 100

Fonte: Pesquisa de Campo.

Uma das questões levantadas aos pesquisados da região se refere aos técnicos que trabalham no interior da FLONA do Jamari, ou seja, os servidores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio. Na ocasião, foi perguntado se conheciam o chefe da Floresta Nacional do Jamari, além da visível dúvida demonstrada pelos moradores sobre a diferença entre IBAMA e o Instituto Chico Mendes. Ficou claro que muito pouco é conhecido sobre o interior institucional da FLONA, apenas 3 dos 60 pesquisados, já haviam ouvido falar do chefe da FLONA, ou seja, apenas 5% dos moradores pesquisados tinham conhecimento da chefia.

Diversas foram as vezes que os moradores pararam para pensar e se posicionar sobre os dois órgãos ambientais, já que a grande maioria via um carro, ”o do IBAMA”, e praticamente não viam o carro do Instituto Chico Mendes. Embora a

maior parte deles tivesse conhecimento da existência da FLONA há muitos anos, poucos tinham conhecimento do Instituto Chico Mendes, que é o órgão responsável pela reserva.

Sobre os limites da FLONA, 39 (65%) dos pesquisados informaram conhecerem os limites da reserva (mesmo porque, grande parte mora a menos de um quilometro da divisa). Quando perguntado sobre a utilização da FLONA de alguma forma, 54 pesquisados, ou seja, 90% afirmaram categoricamente não utilizarem para nada, os outros 10%, informaram utilizar para, “pegar um peixinho ou matar um bichinho nos fins de semana”.

Sobre o processo de implantação, uma resposta demonstrou uma fato diferenciado ou uma constatação que as informações sobre a implantação tomaram outros rumos. Podemos notar que, quando perguntados sobre a licitação da reserva (estranho, porque a palavra “licitação” é um termo não muito utilizado, porém mais conhecido entre os órgãos públicos, que são obrigados a licitar para fazer compras ou contratar serviços, conforme a Lei 8666/93), houve várias respostas afirmativas. Apresentou-se 23,33% dos questionários respondidos de forma positiva, enquanto foi apurada na mesma pesquisa que respostas como o conhecimento da Lei de Gestão de Floresta Pública chegou aos mesmos 23,33% positivos, e a pergunta sobre informações recebidas sobre a reserva, teve 11,66% de respostas positivas.

Também foi perguntado para os moradores se conheciam alguma empresa na região que teria condições de trabalhar no interior da FLONA e de disputar, com empresas de outros Estados, algumas das áreas licitadas. Para isto, 50 dos 60 pesquisados responderam que não, que não sabiam de nenhuma empresa da região que poderia fazê-lo. Então, perguntamos se tinham ideia do lucro que a madeira poderia dar para as empresas envolvidas, a resposta foi unanime: 100% não tinham ideia da lucratividade que poderiam ter as empresas.

4.1.2.2 Compreensão dos moradores sobre sua participação na implantação da Lei