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Conhecimentos, Habilidades e Atitudes (CHA) Empreendedoras

No documento UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE (páginas 80-85)

2.3 CONTRIBUIÇÕES DA EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA

2.3.3 Conhecimentos, Habilidades e Atitudes (CHA) Empreendedoras

especializações e gerais); H = Saber fazer (capacidade de realizar determinada tarefa, física ou mental, ou seja, experiência e prática do saber); e A = Querer fazer (Ter ações compatíveis para atingir os objetivos, aplicando os conhecimentos e habilidades adquiridas e/ou a serem adquiridas, ou seja, são os comportamentos das situações do nosso cotidiano e das tarefas que são desenvolvidas no dia a dia).

Em uma pesquisa sobre competência empreendedora com gestores de instituições de ensino, a competência empreendedora “correr riscos calculados” apresentou uma nova roupagem, pois esses empreendedores correm risco ou se submetem ao risco sem calcularem até onde poderiam ser afetados por essa atitude. Alguns precisaram lidar com as consequências de seus atos durante a ocupação de um cargo ou execução de um projeto, muitos anos após aquele momento. Portanto, como resultado da pesquisa observou-se que o risco estava intimamente ligado ao amor e pela causa a que se propuseram, sendo que aqueles movidos por seus sentimentos, emoções e sonhos, encontraram prazer em realizar seus objetivos (SCHMITZ, 2012).

Na velocidade com que a sociedade contemporânea vive, as mudanças são inevitáveis, sendo assim, o empreendedor necessita aprimorar constantemente os seus conhecimentos, habilidades e atitudes para acompanhar as crescentes transformações. Silvério et al. (2014) afirmam que o empreendedorismo é o conceito de conhecimentos, habilidades e atitudes essenciais ao empreendedor, por ser o indivíduo que faz seu próprio negócio, e isso é relevante para a sociedade, assim como para todo o país, ou seja, identificar as habilidades de empreender é muito importante tanto para a vida pessoal, assim como para todas as organizações.

A interação dinâmica entre atitudes, habilidades e aspirações empresariais são institucionalmente incorporadas pelos indivíduos que impulsionam a alocação de recursos por meio da criação e gestão de novos empreendimentos, nos dizem Ács, Szerb e Autio (2014).

Dentro do tema de competência empreendedora, alguns autores têm se preocupado em criar tipologias ou modelos que possibilitem a identificação, por parte dos pesquisadores, de conhecimentos, habilidades, atitudes, por fim, de competências necessárias ao desenvolvimento de suas atividades entre eles, o trabalho de Man e Lau (2000), que ressalta que as experiências precisam ser levadas em consideração, bem como os aspectos demográficos, a educação e a história vivenciada pelo indivíduo (ZAMPIER; TAKAHSHI, 2011).

De acordo com Nunes et al. (2018), em seu estudo sobre as competências empreendedoras dos alunos de Engenharia de Matérias da Universidade Federal de Santa

Catarina foram encontradas as habilidades de: busca de oportunidade e iniciativa, persistência, correr risco calculado, planejamento, persuasão e rede de contato, e independência e autoconfiança. As atitudes voltadas a estas habilidades foram: o estudante esforça-se além da média para atingir seus objetivos; aceita desafios moderados com boas chances de sucesso;

enfrenta grandes desafios agindo por etapas; cria estratégias para conseguir apoio para seus projetos entre outras atitudes.

Barros e Gonzaga (2018) afirmam em sua pesquisa que as três competências mais relevantes para os docentes do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Acre que atuam no Campus Rio Branco são: Busca de Oportunidade, com 44,7% dos docentes, representando a característica mais evidente em um empreendedor; seguida de Planejamento e Monitoramento Sistemático, com15, 8%; e a terceira característica foi Comprometimento, com 13,2%.

Schmitz (2012), em seu estudo sobre as competências empreendedoras nas IES, constatou com base em Almeida (2003), Araújo et al. (2005), Baron (2002), Cooley (1991), Dolabela (2008), Filion (1999), Gibb (1999), Leite (2002), Leme (2005), McClelland (1973), Morales (2004), Spencer e Spencer (1993), que as atitudes voltadas para as habilidades empreendedoras são:

- Habilidade Condução de Situações: Atitudes (buscar oportunidades, ter iniciativa, ter comprometimento, ter persistência, correr riscos calculados, ser rápido, ser tolerante à ambiguidade);

- Habilidade Identificação de Oportunidade: Atitudes (ter visão, ter sonhos, inovar, enxergar tendências, ser criativo, orientar-se para o futuro e estar na zona de desconforto);

- Habilidade Disposição para o Trabalho: Atitudes (orientar-se para resultados, ter organização, ser otimista, ser tolerante, ter motivação, buscar desafio, ter lócus de controle interno e ser proativo);

- Habilidade Gerenciamento: Atitudes (estabelecer metas, buscar informações, planejar e monitorar, utilizar recursos e pensar, planejar, executar, controlar estrategicamente);

- Habilidade Liderança: Atitudes (tomar decisões identificar oportunidade, assumir responsabilidades, ter dedicação e ter capacidade de adaptação à mudança);

- Habilidade Sentido de Obrigação com os Outros: Atitudes (trabalhar em equipe, partilhar e ter integridade);

- Habilidade Rede de Relacionamento: Atitudes (ter convencimento, criar valor, conduzir situação, buscar parcerias, possuir valores éticos e morais, ter comunicabilidade, gerir conflitos e saber negociar);

- Habilidade Persuasão: Atitudes (conseguir convencer e controlar gestão);

- Habilidade Rede de Contato: Atitudes (comunicar e motivar colaboradores);

- Habilidade Autoconfiança: Atitudes (ser independente, negociar e prover recursos);

- Habilidade Conhecimento: Atitudes (adquirir conhecimentos, adquirir capacitações, ter autoconhecimento, dominar o processo, ter capacidade de pesquisa, apresentar ideias e ter expertise e ter feedback);

- Habilidade Voluntariado: Atitudes (doar-se, ouvir, ter empatia, gostar de gente, compreender estado de espírito, ter olhar holístico e ser imparcial).

A autora ainda ressalta que as habilidades: condução de situações, identificação de oportunidades e disposição para o trabalho estão relacionadas ao Comportamento Realização;

as habilidades: gerenciamento, liderança, sentido de obrigação com os outros estão direcionadas para o Comportamento Planejamento; a habilidade rede de relacionamento ao Comportamento Afiliação; as habilidades: persuasão, rede de contato e autoconfiança estão voltadas para o Comportamento Poder; a habilidade: conhecimento ao Comportamento Cognitivo. E por fim, a habilidade voluntariado está direcionada ao Comportamento Filantrópico (SCHMITZ, 2012).

Portanto, o empreendedorismo pode ser visto como habilidades e competências empreendedoras e a partir da teoria podem ser desenvolvidas metodologias adaptadas à formação empreendedora, voltadas ao empreendedor, sendo esse um dos responsáveis pelo processo de transformação da sociedade. Logo, há a relevância de abordar esse tema como atividades objetivas e factíveis e não mais como teoria subjetiva ou como características inatas de indivíduos geneticamente diferentes da maioria da população mundial (COSTA;

FURTADO, 2016).

Desse modo, a identificação e os agrupamentos dos conhecimentos, habilidades e atitudes ajudam a caracterizar o comportamento dos indivíduos voltados para o empreendedorismo, contribuindo de maneira significativa para encontrar quais são as habilidades e as limitações adquiridas nos discentes após as aulas de empreendedorismo na FURG, para posterior contribuição na proposta da FES.

Nesse contexto, a EA torna-se necessária para transformar os indivíduos em pessoas que participem das decisões sobre os seus futuros, desempenhando a cidadania; enfatizando que a relevância dos conhecimentos, habilidades e atitudes está em promover comportamentos necessários à preservação e à melhoria da qualidade ambiental, com o intuito de formar cidadãos conscientes dos valores ambientais (PIAZZA, et al., 2017).

3 METODOLOGIA DA PESQUISA

A partir da revisão bibliográfica na área de Empreendedorismo Sustentável, foram identificados os diferentes enfoques e teorias que contribuirão para o estímulo da Formação Empreendedora Sustentável na FURG. Para construir uma proposta de FES na FURG, integrando os princípios da Educação Ambiental, foi realizada uma pesquisa qualitativa, descritiva e exploratória, além de uma parte quantitativa, elaborada para verificar quais são as habilidades e as limitações dos estudantes sobre Empreendedorismo Sustentável que contribuirão para a Formação Empreendedora Sustentável na Universidade Federal do Rio Grande.

O método da pesquisa adotado nessa tese foi o estudo de caso. De acordo com Yin (2010), o estudo de caso é um método de pesquisa usual em muitas situações, contribuindo para o conhecimento dos fenômenos individuais, grupais, organizacionais, sociais, políticos entre outros, permitindo que os pesquisadores detenham as características holísticas e significativas dos eventos da vida real. Nessa pesquisa o estudo de caso foi realizado na Universidade Federal do Rio Grande - FURG, localizada no estado do Rio Grande do Sul.

O delineamento da pesquisa prevê a utilização de técnicas de coleta de dados, tais como entrevistas com os gestores estratégicos, sendo esses um grupo de indivíduos responsáveis pela alta administração da instituição, que apresenta a difícil tarefa de conciliar os diferentes interesses das partes interessadas e coordenar as atividades das diferentes áreas da organização (FILHO, 2017); docentes diretores das Unidades Acadêmicas; e discentes matriculados nas disciplinas relacionadas com o empreendedorismo na FURG.

De acordo com a Figura 3, pode-se observar como foram percorridos os caminhos para se chegar à proposta de Formação Empreendedora Sustentável na FURG.

Figura 3 - Fase Qualitativa e Fase Quantitativa da Pesquisa

Fonte: elaborado pela autora.

No documento UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE (páginas 80-85)