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Conjunto dos Representantes dos Polimin´os Uma Abordagem Combinatorial

ideal de Z[i] for um ideal primo, ent˜ao ser´a um ideal maximal, [76].

Classicamente, subconjuntos finitos Ap[i] ⊂ Z[i] com p elementos, onde p ≡ 1(mod4), foram usa-

dos como alfabetos de c´odigos, [57]. Esses subconjuntos Ap[i] correspondem aos quocientes Z[i]/I ,

onde I ´e um ideal primo de Z[i], e podem ser vistos como um corpo isomorfo a Fp, o corpo de Galois

de ordem p.

Se A = h(x,y)i com mdc(x,y) = 1, ent˜ao a imagem de A pelo isomorfismoη ´e um ideal I de

Z[i], com m elementos. De fato, A = h(x,y)i implica que I = hzi, onde z = x + y · i. Ou seja, I

´e um ideal principal de ordem m. Se m= p ´e um primo ´ımpar tal que p ≡ 1(mod4), temos que I ´e um ideal primo e, portanto, ´e maximal, ou seja, I ´e o maior ideal em Z[i] que cont´em o conjunto

de representantes dos polimin´os. Al´em disso, o quociente Z[i]/I ´e um corpo, estrutura alg´ebrica

bastante utilizada para definir c´odigos cl´assicos.

Em Z2m, para encontrarmos os valores de x e y fazemos a forma quadr´atica x2+ y2 ser igual a

m. Analogamente, em Z[i], fazemos a norma N(z) = x2+ y2 ser igual a m e encontramos os valores

de x e y. Os representantes no reticulado correspondem `as coordenadas quando partimos da c´elula

(0, 0) e deslocamos x unidades horizontalmente e y unidades verticalmente nas c´elulas do reticulado.

Se algum valor de x e y for negativo, ent˜ao o deslocamento ´e feito no sentido oposto. Note que, as operac¸˜oes em Z[i] s˜ao realizadas m´odulo m para restringirmos o reticulado a Zm× Zm.

5.3

Conjunto dos Representantes dos Polimin´os - Uma Aborda-

gem Combinatorial

Dado um reticulado m× m, do ponto de vista combinatorial, o problema de determinar o vetor reticulado (x, y) ∈ Zm× Zm que representa um polimin´o pode ser resolvido atrav´es de uma matriz

quadrada A= 

a b c d



cujo determinante ´e m.

As linhas da matriz A definem o deslocamento nas c´elulas do reticulado para determinar os repre- sentantes dos polimin´os da seguinte maneira: a unidades para a direita e b unidades para baixo; e c unidades para a direita e d unidades para baixo. Se algum desses valores for negativo, o deslocamento ´e feito no sentido oposto. Essa operac¸˜ao tamb´em pode ser vista como soma usual de vetores m´odulo

m, onde consideramos o conjunto de vetores gerado por(a, b) e por (c, d).

Assim, obtemos um conjunto de m vetores reticulados que correspondem aos representantes dos polimin´os, A . Se mudarmos os valores de a, b, c e d de forma que det(A) = m, o conjunto de

representantes dos polimin´os permanece com m elementos, por´em podem estar em posic¸˜oes diferentes no reticulado. Logo, cada conjunto de posic¸˜oes nos fornece uma tesselac¸˜ao por polimin´os que podem

ser diferentes. Apesar do formato do polimin´o n˜ao influenciar nos parˆametros do c´odigo quˆantico, a posic¸˜ao dos representantes influencia no pr´oprio formato do polimin´o e na distˆancia do c´odigo. Al´em disso, a distˆancia agora deve ser observada no reticulado. Em alguns casos ser´a dada por d = min{|a| + |b|,|c| + |d|}, por´em existem casos onde a distˆancia efetiva ´e menor que este m´ınimo.

Exemplo 5.4 Para m= 3, temos que A = 

3 3 1 2



tem determinante 3. Note que d = min{|3| + |3|,|1| + |2|} = 3, por´em na Figura 5.5 pode-se verificar que d = 2. Neste caso, temos um c´odigo [[6, 2, 2]]. Obtemos o mesmo conjunto de representantes, portanto o mesmo c´odigo [[6, 2, 2]], se tomar- mos a matriz A=



1 −1

2 1



, cujo determinante ´e 3. Neste caso, d= min{|1| + | − 1|,|2| + |1|} = 2.

X X 0 1 0 2 X 1 2 Figura 5.5: C´odigo[[6, 2, 2]].

Existem alguns casos que recaem nos mesmos valores obtidos atrav´es da abordagem alg´ebrica, a saber quando a, b, c e d s˜ao as soluc¸˜oes (±x,±y) ou (±y,±x) de x2+ y2= m, assim A =



x y

−y x 

. Neste caso, a distˆancia m´ınima do c´odigo ´e a distˆancia de Mannheim. Podemos reproduzir da mesma forma os c´odigos de Kitaev, Bombin e Martin-Delgado, a classe [[d2, 2, d]] e as demais classes da

subsec¸˜ao 5.2.4.

Exemplo 5.5 Para reproduzir o Exemplo 5.1 podemos considerar a matriz A= 

2 1

−1 2 

. Ent˜ao, det(A) = 5 e os vetores reticulados que representam os polimin´os s˜ao (0, 0), (2, 1),

(4, 2), (1, 3) e (3, 4).

Exemplo 5.6 Para reproduzir o Exemplo 5.2 podemos considerar a matriz A = 

2 0 0 2



. Assim, det(A) = 4 e os vetores reticulados s˜ao (0, 0), (2, 0), (0, 2) e (2, 2).

Exemplo 5.7 O Exemplo 5.3 pode ser obtido da matriz A= 

2 2

−2 2 

. Logo, det(A) = 8 e os vetores reticulados que representam os polimin´os s˜ao(0, 0), (2, 2), (4, 4), (6, 6), (6, 2), (2, 6), (0, 4), (4, 0).

Se considerarmos a e b da matriz A como sendo respectivamente os valores x e y obtidos atrav´es do m´etodo alg´ebrico, com mdc(x, y) = 1, a partir da relac¸˜ao xd − yc = m podemos determinar todos os poss´ıveis valores para c e d. Todas essas soluc¸˜oes, exceto as triviais, onde c ou d assumem os valores cˆongruos a 0(mod m), nos d˜ao o mesmo conjunto de representantes, isto ´e, h(x,y)i = h(c,d)i.

5.3. Conjunto dos Representantes dos Polimin´os - Uma Abordagem Combinatorial 99

Exemplo 5.8 Para m= 5, vimos no Exemplo 5.1 que uma soluc¸˜ao para (x, y) ´e (2, 1). Ent˜ao considere (a, b) = (2, 1). Assim, 2d − c = 5, e algumas poss´ıveis soluc¸˜oes para (c,d) s˜ao (−3,1),(−1,2),(1,3) ou (3, 4). A matriz A =



2 1

w z 

com esses valores de c e d tem determinante 5. O conjunto de vetores reticulados gerados por(−3,1),(−1,2),(1,3) ou (3,4) ´e igual ao conjunto de vetores reticu- lados gerados por(2, 1), lembrando que as somas s˜ao feitas m´odulo 5. Portanto, obtemos o c´odigo [[10, 2, 3]] do Exemplo 5.1.

Atrav´es do m´etodo combinatorial ´e poss´ıvel cobrir casos que n˜ao s˜ao poss´ıveis de ser reproduzidos algebricamente. Por exemplo, para m = p um primo ´ımpar tal que p = 4κ+ 3. Esses valores n˜ao

podem ser escritos como soma de quadrados, na verdade obedecem a outras formas quadr´aticas, ou melhor, pertencem a outros an´eis de inteiros e por isso tˆem uma norma diferente da soma de quadrados. Por esse motivo n˜ao podem ser realizados em um reticulado quadrado, pois an´eis de inteiros diferentes dos an´eis de inteiros Gaussianos correspondem a reticulados diferentes, como por exemplo reticulados hexagonais no caso dos an´eis de inteiros de Eisenstein - Jacobi. Entretanto, isso n˜ao impede de conseguirmos uma matriz do tipo A com determinante m e assim realizar o c´odigo.

Exemplo 5.9 Veja que m= 7 pode ser obtido da forma quadr´atica x2

1+ 3x22, ou ainda, um elementoς com norma N) = 7 pertencente ao anel de inteiros de Eisenstein - Jacobi, Z[ω], cuja norma ´e dada por N) = x2+xy+y2, paraς= x+y·ω, ondeω=1+i√3

2 . Este ´e um caso onde n˜ao podemos aplicar o m´etodo alg´ebrico. No entanto, a matriz A=



2 1

−1 3 

que tem detA= 7 nos fornece os vetores reticulados(0, 0), (2, 1), (4, 2), (6, 3), (1, 4), (3, 5), (5, 6) que definir˜ao uma tesselac¸˜ao por polimin´os. Tais polimin´os podem ser formados pela junc¸˜ao de um quadrado 1× 1 e um retˆangulo 2 × 3. Assim obtemos um c´odigo[[14, 2, 3]], Figura 5.6.

0 1 2 0 1 6 2 3 4 5 3 4 5 6 X X X X X X X Figura 5.6: C´odigo[[14, 2, 3]].

Nos casos onde m= p ´e um primo ´ımpar do tipo p = 4κ+ 3, o conjunto dos representantes obtidos

c´odigo perfeito no sentido de [21], e a distˆancia m´ınima do c´odigo decorrente desse processo coincide com a distˆancia de Mannhein.

Na verdade, essa abordagem combinatorial ´e bastante ampla e pouco se pode fazer para tentar analis´a-la por inteiro. S˜ao problemas combinatoriais apresentando dificuldades em decidir quais os poss´ıveis valores para a, b, c e d, qual a melhor distribuic¸˜ao dos representantes ou ainda quais os melhores polimin´os a serem usados. As duas ´ultimas respostas s´o podem ser dadas de acordo com o tipo de canal sendo considerado.

Cap´ıtulo

6

C´odigos TQC em Superf´ıcies Compactas com

g

≥ 2

´

E poss´ıvel generalizar a construc¸˜ao de c´odigos quˆanticos topol´ogicos (TQC) para superf´ıcies com gˆenero g≥ 2, [48]. No entanto, essa generalizac¸˜ao, quando feita na literatura, ´e definida sobre mer- gulhos de c´elulas de grafos em superf´ıcies, [12]. Esse modelo de construc¸˜ao n˜ao deixa claro o tipo de tesselac¸˜ao usada e nem quais os c´odigos poss´ıveis de serem gerados. Nossa proposta de construc¸˜ao de tais c´odigos segue exatamente os mesmos passos da construc¸˜ao de Kitaev, levando em considerac¸˜ao a geometria associada `as superf´ıcies. Al´em disso, ´e poss´ıvel exibir todos os poss´ıveis c´odigos para cada superf´ıcie. Para simplificar o texto, a menos de menc¸˜ao contr´aria, escreveremos superf´ıcie para indicar uma superf´ıcie compacta orient´avel.

Uma das principais motivac¸˜oes para desenvolver esse trabalho se deve aos resultados obtidos em [16, 17, 71] que mostram que o desempenho, medido em termos de probabilidade de erro, de um sistema de comunicac¸˜oes utilizando constelac¸˜oes de sinais (modulac¸˜ao digital) em espac¸os com cur- vatura negativa K< 0, ou equivalentemente, em variedades bidimensionais com gˆenero g ≥ 2 impli- cando na caracter´ıstica de Euler negativa, ´e melhor do que em espac¸os com curvatura K≥ 0. Como a modulac¸˜ao digital pode ser vista como uma classe de c´odigos, ent˜ao conjectura-se de que os c´odigos corretores de erros mais eficientes oriundos de variedades bidimensionais com gˆenero g≥ 2 possam ser constru´ıdos.

Na Sec¸˜ao 6.1 fazemos uma breve revis˜ao de geometria hiperb´olica, visto que essa ´e a geometria associada `as superf´ıcies com gˆenero g≥ 2. Na Sec¸˜ao 6.2 mostramos como obter um modelo planar da superf´ıcie e apresentamos o modelo que ser´a usado na construc¸˜ao sendo proposta. A Sec¸˜ao 6.3 mostra como determinar as tesselac¸˜oes do modelo planar. Na Sec¸˜ao 6.4 apresentamos a construc¸˜ao dos novos c´odigos, e as tabelas de todos os poss´ıveis c´odigos gerados em superf´ıcies com gˆenero g= 2, 3, 4, 5. A

Sec¸˜ao 6.5 mostra que a construc¸˜ao em considerac¸˜ao reproduz o c´odigo t´orico de Kitaev e uma classe de c´odigos obtidos a partir de mergulhos auto-duais de grafos completos em superf´ıcies apresentada em [13]. Al´em disso, ampliamos essa classe de c´odigos.