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4.4 PROCESSO DE MUDANÇA

4.4.6 Conquistas de curto prazo

Não foram observadas conquistas de curto prazo com a mudança adotada, pois, conforme a visão dos entrevistados, como os resultados esperados não foram alcançados, não foi possível utilizar os dados para a tomada de decisão, que poderia de alguma forma gerar melhorias a curto prazo.

Também foi identificado que não houve planejamento para a geração de vitórias a curto prazo, as vitórias previstas eram as de longo prazo, com a implementação total da ferramenta e utilização pelos gestores, aí sim viriam os seus benefícios. Para Kotter (1997), a criação de vitórias a curto prazo é diferente de esperar por elas, sendo esta última passiva, ao passo que a primeira é ativa. Para Kotter (1997), em uma transformação de sucesso, os administradores procuram ativamente maneiras de obter nítidas melhorias de desempenho, estabelecer metas no sitema de planejamento anual, alcançar esses objetivos e premiar as pessoas envolvidas com reconhecimento e promoções.

E2: Ainda não houve vitórias de curto prazo. O processo é lento, é mudança de paradigma. Não existe um processo de cobrança consistente, apesar de se enviar e-mails, orientar, chamar a atenção.... como o sistema como um todo não aderiu, a adesão foi parcial, não dá para se ter resposta desse benefício,

a gente percebe que, em termos gerais, em torno de 30% da comunidade pericial está utilizando. Então quando o sistema foi implementado e concebido era para um todo e não para uma pequena parte, se é pra fazer mapa de lotação, estudos de distribuição de recursos humanos e materiais e tecnológicos, é difícil ter um diagnóstico de benefícios com uma coisa bem aquém da metade em termos de utilização. Acho que só vai enxergar algum benefício quando todos estiverem plenamente utilizando, aí sim a ferramenta vai ser empregada para o propósito que ela foi criada. Em um ano, pouco mais de um ano, está muito engatinhando em termos de utilização que se pretende, então não dá para se concluir em termos de benefícios ainda. E6: A gente visualizou que a forma que foi feita não foi a melhor. Não teve conquista, mas só indicou que teria que ter nova adaptação.

Um dos benefícios a curto prazo apontado foi o fato de ter sido iniciada a discussão do assunto, o que representa amadurecimento e reconhecimento da necessidade dos indicadores para a substituição do método empírico de tomada de decisão, o que poderia facilitar novas ações nesse sentido no futuro.

E1: O primeiro benefício visível é que você conseguiu implementar a ideia de que você tem que ter indicadores. Os indicadores foram implementados, mas não estão sendo utilizados, mas hoje você sabe que a massa de peritos, apesar de não estar utilizando aquilo, ela sabe que existe a ideia de que há necessidade de controle, esse é um benefício. O próximo passo amanhã, você não está mais inovando ao implementar um controle, você não está implementando pela 1a vez indicadores, já existe a cultura de ter indicadores, você teria que começar a trabalhar o seguinte, os resultados deles, a gente vai para o segundo passo. Você hoje não tem resultados como lotação, você não sabe quais são as unidades que mais tem demanda, que mais tem tido capacidade de absorver mão de obra de horas periciais, quais são aquelas que menos têm tido condições de absorver essas horas periciais, você não consegue comparar. A partir de que você não tem os resultados, você não avaliou inconsistências.

E3: Eu acho que existe sim uma conquista com a mudança no sentido de que a gente dá mais um passo na melhoria da gestão. Tudo que tem por trás disso aí, que vem lá do alto do governo federal, é no sentido de melhorar a gestão, de atender melhor a sociedade. E se a gente tem agora uma preocupação em atender as coisas em determinado tempo, isso é um passo nessa direção. Ainda precisamos de vários outros, mas esse é um passo. Antes dessa preocupação com celeridade, a gente deveria ter preocupação com a eficácia, com a efetividade, porque isso está relacionado diretamente com a justiça, que em última análise é o que se demanda da gente. Mas, eu considero um passo importante, uma melhoria, vamos dizer assim, essa facilidade à disposição, no sentido de você poder estabelecer aí a complexidade, e em função disso, o tempo. Eu acho que os efeitos, necessariamente não são tão visíveis assim, mas porque talvez a gente tenha um problema de marketing, um problema de transmissão, o problema de mostrar os benefícios que você tem disso. Por exemplo, se você tem cobranças internas dentro do órgão no sentido de te perguntar por que você está demorando mais ou menos para fazer determinado laudo, se você tem tudo dentro do próprio sistema, explicando quanto tempo levou para fazer

determinado tipo de laudo, então sua justificativa está pronta, a sua resposta para os demandantes das suas tarefas, para o seu chefe, ou para a corregedoria está pronta, você colocou a complexidade, você disse que levaria X tempo para fazer aquele laudo. Então, a gestão das suas atividades está facilitada, a ferramenta te permite isso. Então esse benefício existe, mas nem todos veem assim, simplesmente porque desconhecem isso. Então a gente pecou no sentido de não mostrar, não comunicar os benefícios. A gente tem hoje problemas de adesão à utilização dessa ferramenta e talvez não tivesse tanto se a gente tivesse mostrado esses benefícios pros colegas. E5: Tem um benefício que é o mais evidente: começamos a discutir o assunto. Porque o nível mais insipiente é você deixar como tá. A partir do momento que você enxerga que há uma necessidade de melhoria, você já subiu um degrauzinho, se você já discutiu isso, já foi capaz de implementar o negócio, mesmo que seja o mais errado possível, já houve um ganho, porque entra num processo agora só de aprimoramento e qual a velocidade disso e a organização disso, depende da gente mesmo. Mas entramos num ciclo agora que não tem volta, que é a melhoria da coisa. Como esses planos de melhoria são feitos, aí são outros quinhentos, mas já houve ganhos.

E7: É difícil de responder se houve ganhos, até porque só 30 % preenchem. Eu acho que talvez uma mudança de cultura, de as pessoas estarem começando a se acostumar com isso, mas acho que num ritmo que poderia ser maior, acho muito lento, até porque desde que foi implementado, de prático mesmo não aproveitamos nada, até porque não tinha um preenchimento uniforme e grande, era muito pouco o preenchimento para tirar uma conclusão em cima daquilo, mas a ideia era poder pegar um relatório no criminalística, se todo mundo preenchesse, aí você ia poder ver realmente qual é o problema de tal estado, qual o problema de tal SETEC, o que tá pesando mais, na área de informática, na área de contabilidade, etc., através do tempo que vão atender aquelas solicitações, do que números absolutos que não dizem muita coisa, às vezes tem SETEC que está produzindo muito laudo, mas você vai ver é laudo de moeda, de veículo, que é mais rápido, laudo de química que é um pouco mais rápido também. Esse índice de complexidade serviria para fazer uma avaliação nesse sentido, mas não está sendo utilizado por causa disto. Então atualmente não vejo muito benefício.