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social em Porto Alegre

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Elisabete Domingos Vaz1

Geórgia Volkmer2

dades regionais e locais; 11) a melhoria contínua da qualidade dos serviços ofertados, de forma eficiente, eficaz, efetiva e sustentável, especialmente por meio do desenvolvimento de aplicativos e de soluções tecnológicas a serem ofertados aos trabalhadores; 12) a articulação permanente com a implementação das demais políticas públicas, com ênfase nas destinadas à população em condi-ções de vulnerabilidade social.

Para a efetivação da diretriz referente à participação da sociedade civil, foram constitu-ídas as Comissões de Trabalho e/ou Emprego nos distintos níveis de governo. Essas Comissões visam à racionalização das políticas de geração de emprego e renda através da participação da sociedade organizada.

Em 2018, o SINE e a estrutura participativa a ele relacionada passam por mudanças profundas em função da Lei n° 13.667, de 17 de maio de 2018. Segundo a Lei, a instituição de um Conselho do Trabalho, Emprego e Renda e de um Fundo para a gestão dos recursos da política tornavam-se requisitos necessários para o reconveniamento dos municípios com o SINE.

A nova legislação nasceu com o intuito de aperfeiçoar e democratizar o financiamento e o gerenciamento dos recursos, bem como de diminuir a burocracia e aumentar a participação da sociedade na política pública.

O marco regulatório traz como principal novidade a aplicação do conceito de governan-ça, ou seja, focado na efetividade e na entrega de melhores resultados à sociedade (a governança é algo novo e que não acontecia na antiga CME).

O modelo de SINE baseado em convênios está sendo substituído por um modelo com estruturação semelhante ao do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), ou seja, pautado na coparticipação dos entes da federação, cofinanciado num modelo de fundo a fundo controlado através da participação social.

Compete aos Municípios que aderirem ao novo modelo do SINE, sem prejuízo de ou-tras atividades que lhes sejam distribuídas pelo CODEFAT: 1) exercer por intermédio de órgão específico integrado à sua estrutura administrativa, a coordenação municipal do SINE, com su-pervisão, monitoramento e avaliação das ações e dos serviços a eles atribuídos; 2) habilitar o tra-balhador à percepção de seguro-desemprego; 3) intermediar o aproveitamento da mão de obra;

4) cadastrar os trabalhadores desempregados em sistema informatizado acessível ao conjunto das unidades do SINE; 5) prestar apoio à certificação profissional; 6) promover a orientação e a qualificação profissional; 7) prestar assistência a trabalhadores resgatados de situação análoga à de escravo; 8) fomentar o empreendedorismo, o crédito para a geração de trabalho, emprego e renda, o microcrédito produtivo orientado e o assessoramento técnico ao trabalho autônomo, autogestionário ou associado.

A participação e o controle social nas políticas de trabalho e renda em Porto Alegre Em Porto Alegre, a Comissão Municipal de Emprego (CME) foi originalmente instituí-da pelo Decreto nº 11.468, de 28 de março de 1996. Seu regramento legal sofreu diversas alterações ao longo do tempo, sendo a última normativa estabelecida pelo Decreto nº 16.314, de 4 de junho de 2009. A CME se constitui como um órgão colegiado, de caráter permanente e deliberativo, constituído de forma tripartite e paritária, com representantes de entidades de trabalhadores, em-presários e governo, conforme Resoluções nº 80/1995, nº 114/1996, nº 138/1997, nº 227/1999, nº 244/2000, nº 262/2001, nº 270/2001 e nº 365/2003 do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (CODEFAT).

A CME de Porto Alegre possuía as seguintes competências:

• levantar e analisar informações relativas ao emprego, desemprego e renda da população economicamente ativa, tendo em vista a ção do diagnóstico socioeconômico local do município;

• articular-se com instituições públicas e privadas, inclusive cas e de pesquisas, com vistas à obtenção de subsídios para o moramento e orientação de suas ações e da situação do SINE ma Nacional de Emprego);

• propor, com base em relatórios técnicos, medidas efetivas que zem os efeitos negativos dos ciclos econômicos e do desemprego tural sobre o mercado de trabalho no município;

• articular-se com instituições e organizações envolvidas com mas de geração de emprego e renda, visando à integração com o SINE e com as Comissões de Emprego de outros municípios, objetivando soluções para problemas comuns;

• formular diretrizes específicas sobre a atuação do SINE em nível cipal, em consonância com aquelas definidas pelo CODEFAT;

• elaborar o Plano Municipal de Qualificação Profissional, integrante do QUALIFICAR-RS/PLANFOR mediante articulação com entidades de formação profissional em geral, inclusive escolas técnicas, tos de pequenas e microempresas e demais entidades representativas, bem como acompanhar a execução do mesmo;

• indicar as áreas e setores prioritários para a alocação de recursos no âmbito do Programa de Geração de Emprego e Renda;

• levantar e avaliar informações relativas aos indicadores: número de ocupações geradas e/ou consolidadas, capacidade de auto-organização, capacidade de autossustentação e melhoria do nível de renda, visando ao aperfeiçoamento dos programas de crédito, à qualificação nal e à geração de emprego e renda em nível municipal;

• propor medidas para aperfeiçoamento do SINE.

Ao longo do tempo, houve diversas demandas por parte de representantes do CME para a constituição de um Conselho Municipal do Trabalho Emprego e Renda na cidade Porto Alegre.

Algumas dessas demandas foram acolhidas pela Diretoria do Trabalho, Emprego e Renda da Pre-feitura Municipal que, no ano de 1919 propõe a instituição do referido Conselho.

Esse processo de transição do CME para o CMTER foi agilizado pelas mudanças ins-tituídas pela Lei nº 13.667, de 17 de maio de 2018, referidas anteriormente. Na medida em que a existência do Conselho e do Fundo se tornaram exigências para os municípios participarem do SINE, a Diretoria de Trabalho, Emprego e Renda, em discussão com a CME, elabora e encaminha o Projeto de Lei que institui o Conselho Municipal do Trabalho, Emprego e Renda, institui o Fundo Municipal do Trabalho e dá outras providências. A aprovação do projeto conforma a Lei Municipal nº 12.694, de 11 de março de 2020.

Esta adequação tem, assim, a finalidade de destinar recursos para execução das ações e serviços, bem como atendimento e apoio técnico e financeiro à Política Estadual de Trabalho, Emprego e Renda, em regime de financiamento compartilhado, no âmbito do Sistema Nacional de Emprego no Município de Porto Alegre - RS, nos termos da referida Lei e legislação complemen-tar vigente e das regulamentações novas por virem.

O CMTER será composto por membros titulares e suplentes, renovados a cada dois anos, de forma tripartite e paritária, com representação em igual número do governo, dos traba-lhadores e dos empregadores, da seguinte forma:

I - representação governamental:

a) 02 titulares e 02 suplentes da DGTER-SMDSE;

b) 02 titulares e 02 suplentes a serem indicados pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre.

II - representação dos trabalhadores:

a) 01 titular e 01 suplente do Sindicato dos Empregados do Comércio de Porto Alegre – SINDEC;

b) 01 titular e 01 suplente do Sindicato dos Empregados de Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas e de Fundações Estaduais do Rio Grande do Sul – SEMAPI;

c) 01 titular e 01 suplente do Sindicato dos Técnicos-Científicos do Rio Grande do Sul – SINTERGS;

d) 01 titular e 01 suplente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário de Porto Alegre e Grande Porto Alegre – STIV/POA;

III - representação dos empresários:

a) 02 titular e 02 suplentes do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio Grande do Sul – SINDUSCON/RS;

b) 02 titular e 02 suplentes do Sindicato Intermunicipal das Empresas de Compra e Venda Locação e Administração de Imóveis e dos Condomínios Residenciais e Comerciais no Rio Grande do Sul – SECOVI/RS.

Compete ao CMTER gerir o Fundo do Trabalho (FT) e exercer as seguintes atribuições:

1) deliberar e definir acerca da Política Municipal de Trabalho, Emprego e Renda, em consonância com a Política Nacional de Trabalho, Emprego e Renda; 2) apreciar e aprovar o plano de ações e serviços do SINE, na forma estabelecida pelo FAT, bem como a proposta orçamentária da política pública de Trabalho, Emprego e Renda, e suas alterações, a ser encaminhada pelo órgão da Ad-ministração Pública Municipal responsável pela coordenação da Política Municipal de Trabalho, Emprego e Renda; 3) acompanhar, controlar e fiscalizar a execução da Política Municipal de Tra-balho, Emprego e Renda, conforme normas e regulamentos estabelecidos pelo FAT e pelo Minis-tério do Trabalho, Coordenador Nacional do SINE; 4) orientar e controlar o respectivo Fundo do Trabalho, incluindo sua gestão patrimonial, envolvendo a recuperação de créditos e a alienação de bens e direitos; 5) aprovar seu Regimento Interno, observando-se os critérios da Resolução 831, de 21 de maio de 2019 do CODEFAT, que trata do funcionamento dos conselhos; 6) exercer a fiscalização dos recursos financeiros destinados ao SINE depositados em conta especial de titu-laridade do Fundo do Trabalho, Emprego e Renda; 7) apreciar e aprovar relatório de gestão anual que comprove a execução das ações relativa à utilização dos recursos federais descentralizados para os fundos do trabalho das esferas de governo que aderirem ao SINE; 8) aprovar a prestação de contas anual do FT; 9) decidir sobre sua própria organização, elaborando seu regimento interno;

10) baixar normas complementares necessárias à gestão do FT; 11) deliberar sobre outros assuntos de interesse do FT.

Entraves na implantação do CMTER

A aprovação da Lei Municipal nº 12.694/2020 não garantiu, no entanto, a imediata im-plantação das disposições definidas na Lei. Diversos entraves foram se colocando nesse processo, obstaculizando a transição do CME ao CMTER.

Alguns desses entraves se relacionam às demandas impostas pela necessidade de adap-tação aos diversos regramentos federais. O contexto de mudanças e instabilidades político-ad-ministrativas em âmbito federal, com a reestruturação de Ministérios e alterações legais, tornou ainda mais complexo e demorado o processo de atendimentos das determinações impostas por leis, decretos e regulações federais.

Outros entraves se relacionam a aspectos do âmbito municipal. Primeiramente, a pró-pria Lei Municipal nº 12.694/2020, ao estabelecer em lei as entidades que iriam compor o Con-selho, acabou engessando o processo de formação do CMTER. Tal fato se agrava na medida em que entidades que tradicionalmente participavam do CME foram excluídas da nova composição do CMTER, enquanto entidades com pouco comprometimento com a participação e o controle social foram incluídas.

Em segundo lugar, entraves relacionados à atuação do governo municipal também têm obstaculizado a implantação do CMTER. A troca de secretários municipais tem produzido instabili-dade e descontinuiinstabili-dade no processo de implantação. A indicação de representantes governamentais e a não assinatura de documentos, em função da mudança ou do atraso dos responsáveis por tais ações, postergam o funcionamento do Conselho. Além disso, a contratação de gestores com pouco ou nenhuma experiência com a política de trabalho e renda agravem o quadro de dificuldades.

Em terceiro lugar, entraves burocráticos, como aqueles que têm dificultado a própria obtenção do CNPJ por parte do CMTER, constituem outro fator que obstaculiza o pleno funcio-namento do Conselho.

Por fim, o contexto da pandemia se soma aos entraves anteriores, trazendo novos pro-blemas e atrasos no processo de implantação do CMTER. Com o advento da emergência de saúde pública relacionada ao Coronavírus, por diversos atos normativos por parte do Poder Público, foram necessárias adaptações às necessidades imediatas de enfrentamento à pandemia. Muitos servidores foram levados à quarentena e ao isolamento forçado devido à idade e comorbidades.

Vários setores públicos estabeleceram rodizio no atendimento. Todas estas medidas prejudicam e provocam morosidade nos trâmites do andamento do processo de implantação do CMTER.