1 METODOLOGIA – Uma “viagem” em busca dos COMADs no ES
PROCEDIMENTOS CAPÍTULOS
4.2 Conselhos Antidrogas
Os Conselhos Antidrogas surgiram com a implementação do Sistema Nacional Prevenção, Fiscalização e Repressão de Entorpecentes, na década de 80. Eram denominados Conselhos de Entorpecentes nas instâncias federal, estaduais e municipais – CONFEN, CONENs e COMENs, respectivamente. No Sistema, o CONFEN era o órgão central e responsável por propor a Política Nacional de Entorpecentes. Além disso, era responsável por elaborar planos, exercer orientação normativa, coordenação geral, supervisão, controle e fiscalização das atividades relacionadas com o tráfico e uso de entorpecentes e substâncias que determinem dependência física ou psíquica. Esse Conselho era composto por integrantes da sociedade civil, na representação de um membro da classe médica e um jurista com especialidade na área de drogas (BRASIL, 1980).
A criação desses conselhos identifica uma fase da política de drogas no Brasil, em que limita a ação inovadora desses espaços a interferências pontuais. Exemplos disso: as campanhas de prevenção através da mídia eram sujeitas à avaliação do CONFEN, numa tentativa de repensar o teor repressivo das mesmas; formalizou-se a legalidade do Santo Daime41 e o CONFEN manteve contato direto com as
41O Daime é um chá extraído de duas plantas alucinógenas: do "cipó da vida" e de uma folha. Essas
comunidades usuárias amparando essa decisão; criação do conselho comunitário no CONEN-RJ, com representação de vários setores da sociedade (ONGs e instituições na área de drogas, universidades, entidades estudantis, etc). Nesse conselho criticava-se a política repressiva e a criminalização do usuário era considerada um problema a ser enfrentado; incentivo à criação de conselhos estaduais e municipais; implantação dos núcleos de estudos e pesquisas em atenção primária e tratamento de dependência de drogas em vários Estados do Brasil, ligados às universidades estaduais (NEPAD/UERJ, PROAD/SP, CETAD/BA, etc). A partir desses núcleos, algumas questões foram discutidas; assim, por exemplo, o conceito de prevenção (evitar que alguma coisa aconteça) foi substituído pelo conceito de atenção primária, ou seja, de um conjunto de medidas que visam a promover uma decisão crítica, instrumento básico nos cursos de capacitação de educadores) (ACSELRAD, 2005).
Em 1998, o governo extinguiu o CONFEN e em seu lugar instituiu o CONAD, com base na Medida Provisória 1689-6. Algumas mudanças ocorreram nessa transição, primeiro quanto à vinculação e denominação e segundo quanto à composição. Porém, ainda se verificava a participação da sociedade civil organizada somente com a indicação governamental (QUADRO 8) (BRASIL, 1998). Posteriormente, o Presidente da República alterou essa composição, pelo Decreto nº 4.513 de 13/12/2002, e concedeu ao Presidente do Conselho o poder de convidar um representante dos Conselhos Estaduais de Entorpecentes ou Antidrogas a compor o CONAD. A escolha desse representante se dava mediante processo de indicação e aprovação dos presidentes dos conselhos estaduais (BRASIL, 2002).
O CONAD integra o SISNAD como órgão normativo e de deliberação coletiva. A ele compete, entre outros aspectos: aprovar a PNAD, consolidada pela SENAD; acompanhar e avaliar a gestão dos recursos do Fundo Nacional Antidrogas – FUNAD e o desempenho dos planos e programas da Política Nacional Antidrogas Vegetal e várias outras seitas. O cipó dá "força" e a folha, "luz". Estes rituais são bastante difundidos no Brasil e cultuam as forças e os deuses das florestas. São praticados nas regiões Norte (Amazônia e Acre), como também na região Centro Oeste, nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro.
(BRASIL, 1998). A partir dessas orientações, instituem-se os Conselhos Estaduais42 (COESADs) e Municipais Antidrogas43 (COMADs), que se integrarão na ação conjunta e articulada de todos os órgãos em níveis federal, estadual e municipal que compõem o SISNAD (BRASIL, 1998).
Segundo a atual política, o CONAD organiza-se em Câmaras (FIGURA 6):
a) Técnicas: promover e propor consensos, estratégias e metodologias relativas às áreas de que trata a Política Nacional Antidrogas. Composta por organizações dos setores público e privado e da sociedade civil organizada que atuem na área da redução da demanda ou da oferta de drogas. Essa composição observará a igualdade do número de representantes do setor público em relação ao conjunto dos demais segmentos, podendo o Plenário do CONAD autorizar sua composição sem a observância do requisito da igualdade de representação. Essas câmaras têm natureza permanente, autonomia de funcionamento e se interligam em estrutura matricial. São divididas em temáticas, estruturais e setoriais. As Câmaras Técnicas Temáticas são as seguintes: Câmara Temática de Interação com a Sociedade; Câmara Temática de Prevenção; Câmara Temática de Tratamento; Câmara Temática de Redução de Danos; Câmara Temática de Reinserção Social e Câmara Temática de Redução da Oferta. As Câmaras Técnicas Estruturais são subdivididas em: Câmara Estrutural de Cooperação Internacional; Câmara Estrutural dos Estados e Câmara Estrutural dos Municípios. E as Câmaras Setoriais serão subdivididas em: Câmara Setorial do Setor Público; Câmara Setorial do Setor Privado; Câmara Setorial do Terceiro Setor e Câmara Setorial do Voluntariado;
b) Assessoramento: emitir pareceres jurídicos e promover estudos técnicos e científicos, para atender às demandas do Plenário do CONAD ou de sua Secretaria-Executiva, subsidiando-os em suas deliberações e decisões. Composta por membros titulares, representantes de organizações dos setores público, privado, não-governamental do Ministério Público e Outros Poderes e de juristas que atuem na área jurídica e da produção do conhecimento sobre drogas e/ou por especialistas da comunidade científica de reputação ilibada e notório
42 Em cada estado a denominação e sigla se diferenciam.
conhecimento e experiência na área de redução da demanda e da oferta de drogas, designados pela Secretaria-Executiva do CONAD (ver Anexo). Essa câmara subordina-se diretamente ao Plenário do CONAD e à sua Secretaria- Executiva. São as seguintes: Câmara de Assessoramento Técnico-Científico; Câmara de Assessoramento Jurídico; Câmara de Assessoramento sobre Mecanismos de Fomento e Câmara de Assessoramento na Articulação com o Ministério Público e Outros Poderes;
c) Especiais: promover estudos e elaborar propostas técnicos/políticos, a partir de necessidades identificadas pelo Plenário do CONAD ou de sua Secretaria- Executiva, e/ou por solicitação do Governo e da sociedade, validadas pelo CONAD, sobre temas específico na área de redução da demanda e da oferta de drogas, não contemplados nas câmaras técnicas temáticas, estruturais e setoriais, subsidiando-os em suas deliberações e decisões. Composta por membros titulares, representantes de organizações dos setores público, privado e não-governamental e pessoas da sociedade civil que atuem na área do conhecimento sobre drogas e políticas públicas, e detentores de experiência na área de redução da demanda e da oferta de drogas, indicados parcialmente pelo órgão coordenador da Câmara e pela Secretaria-Executiva do CONAD (BRASIL, 2005).
Contudo, segundo informações da SENAD, somente a Câmara Especial de Políticas Públicas sobre o álcool está em funcionamento, o que mostra a dissonância entre o que está proposto e o que está efetivado.