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CONSELHOS DE DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

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2.2.2.1.2 Regulamentação do FIA, através de Decreto, que deverá ser editado pelo Chefe

4.3 CONSELHOS DE DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

4.3.1 Funções típicas

Com o Estatuto da Criança e do Adolescente nasceram os Conselhos Nacional, Estaduais e Municipais dos direitos da criança e do adolescente, considerados como órgãos delibera- tivos e controladores das ações em todos os níveis, compostos pela sociedade civil e pelo Poder Público, de forma paritária, tudo de acordo com as leis federal, estaduais e municipais (art. 88, II, ECA). Para Edson Sêda (apud CURY, 2010, p. 371),os Conselhos de Direitos são

66 Atualmente, em regra, saem das universidades profissionais sem a consci-

ência de que o problema de uma criança ou adolescente é problema de todos, dificultando que a concretização dos direitos dos pequenos seja efetivada.

67 Apesar da existência de Conselhos Nacional, Estaduais e Municipais, em

razão do estabelecido no art. 88, inciso I, do ECA, será enfatizada a atuação dos Conselhos Municipais de Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA).

a instância em que a população, através de organizações representativas, participará, oficialmente, da formulação da política de atendimento dos direitos da criança e ado- lescente e do controle das ações em todos os níveis. Ainda de acordo com Sêda, a participação dos Conselhos de Direitos fundamentada nos arts. 204, da Constituição Federal, e 88, inciso II, do Estatuto da Criança e do Adolescente, institui três princípios – deliberação, con- trole da ação e paridade – para que a forma participativa da formulação política seja efetivada, conforme se observa com a transcrição das lições a seguir:

[...] 1) princípio da deliberação – ou seja, as esferas gover- namental e não governamental adotarão, conjuntamente, deliberações acerca de como se aplicará o art. 227 da CF, no seu âmbito de atuação (municipal, estadual ou federal) […]; 2) o princípio do controle da ação – por este princípio, governo e sociedade também se unem para comparar as ações levadas a efeito em torno da criança e do adolescente com as normas gerais presentes no Estatuto e verificar se há desvio. Havendo, deliberam formas, meios e modos para sua correção. Trata-se, portanto, de um moderno mecanismo social de retroalimentação, que busca a eficácia da norma; 3) princípio da paridade – a junção de dois atores sociais coletivos, governante e governado, para deliberar sobre políticas e controlar ações delas decorrentes não teria o caráter de freio ao arbítrio, nem de contrapeso ao desvio da norma, se não se lograsse equilibrar a balança. A norma geral federal encontrou na paridade o mecanismo de equilíbrio. Cada lado entrará com o mesmo número de membros no Conselho [...] (CURY, 2010, p. 371-372). Fica claro, assim, que a existência dos Conselhos de Direitos da Criança e do Adolescente garante a redução de arbítrio e desvios, na medida em que o órgão integrante do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e Adolescente é

formado com participação igualitária entre a sociedade civil organizada, através de organizações representativas, e o Poder Público, o que possibilita a efetividade da democracia e consagra o princípio constitucional da participação.

Destaque-se que os referidos órgãos – Conselhos de Direitos da Criança e do Adolescente – têm como principal incumbência institucional a deliberação e controle de todas as ações relativas à concretização dos direitos das crianças e adolescentes, espe- cialmente no que se refere às políticas públicas, ressaltando que suas decisões têm caráter vinculativo, criando um novo limite à discricionariedade administrativa, conforme se percebe com análise das lições de Públio Caio Bessa Cyrino e Wilson Donizeti Liberati (2003, p. 88, grifos do autor):

Na medida em que a Constituição exigiu a estruturação de órgãos descentralizados, com participação popular, para a formulação e controle de políticas públicas, uma vez criados por lei esses órgãos, suas decisões serão verdadeiras mani- festações estatais “de mérito”, “opções políticas criativas” adotadas por um órgão público, visando interesse público. Dessa forma, ocorre uma transferênciado locus onde se dará a escolha ou opção política – a discricionariedade administrativa – que deixa de ser atividade exclusiva do Chefe do Executivo, passando para uma instância colegiada, fazendo com que o ato administrativo se torne um ato complexo, sujeito a múltiplas vontades, as quais serão, depois, sintetizadas em um único ato (resolução) exteriorizado como vontade da Administração ou vontade estatal.

Corroborando com as lições anteriormente referidas, o Superior Tribunal de Justiça tem entendimento pacificado no sentido de que as decisões dos Conselhos de Direitos têm caráter vinculativo, ficando claro, portanto, que as reso- luções do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente são de cumprimento obrigatório, conforme se percebe claramente no julgamento do Recurso Especial

n. 493.811/SP, ocorrido em 11 de novembro de 2003, que teve como Relatora a Ministra Eliana Calmon68.

Nesse contexto, importa destacar que o principal avanço da escolha das políticas públicas garantidoras dos direitos das crianças e adolescentes foi a obrigatoriedade de deliberação pelo Conselho de Direitos das Crianças e dos Adolescentes, o que possibilita uma participação social mais efetiva nesse processo de escolha, na medida em que a deliberação das políticas públicas de um modo geral69 é feita através de repre-

sentantes mais distantes dos problemas sociais (Poder Executivo e Legislativo), o que não deve ocorrer com a deliberação rea- lizada pelos Conselhos no que se refere às políticas públicas infantojuvenis, na medida em que os conselheiros devem ser profundos conhecedores da realidade da comunidade que representam para deliberação acerca das políticas públicas.

Ressalte-se, porém, que o poder de deliberação dos Conselhos de Direitos em regra não é referente às políticas sociais básicas (educação, saúde, assistência social, cultura etc.)70,

mas sim de políticas intersetoriais, a cortar transversalmente

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