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3. METODOLOGIAS E NOÇÕES TEÓRICAS

3.2. Análise e Avaliação de Risco

3.2.2. Consequências

3.2.2.1. Parâmetros de Consequências

Para avaliar as consequências, Menezes (2021) adotou cinco parâmetros que se relacionam com os elementos que se encontram expostos a um possível movimento de massa, com a vulnerabilidade das estruturas e a capacidade de se antever um movimento de massa e com o valor dos elementos expostos e o custo da sua recuperação (Menezes, 2021). Os critérios para pontuação das consequências em taludes de solo encontram-se na Tabela 4.

Tabela 4 – Critérios para pontuação de consequências em taludes de solo (adaptado de Menezes, 2021)

Consequências 3 Pontos 9 Pontos 27 Pontos 81 Pontos

Exposição de elementos

Ocupação do

talude IOT Nula Agrícola Logradouro

Habitacional ou equipamento

coletivo

Afastamento da moradia/estrutura à

base do talude/altura do

talude IAH

A/H ≥ 2/1:

afastamento é o dobro da altura do

talude

2/1 > A/H ≥ 1/1:

afastamento é igual ou maior à altura do talude e menor que

o dobro da altura

1/1 > A/H > 1/3:

afastamento é maior que um terço

da altura do talude e menor que a

altura

A/H ≤ 1/3:

afastamento é igual à terça parte da altura do talude ou

menor

No caso de as estruturas avaliadas se encontrarem na crista do talude, o afastamento e a altura podem ser considerados como:

Vulnerabilidade das construções e capacidade de se antever o movimento de massa

Condições das moradias ou estruturas como

vias, estabelecimentos

comerciais, turísticos, etc. ICM

Visualmente resistentes ao movimento de massa e/ou que

tenham um anteparo de proteção que

favoreça a destruição mínima ou nula em caso de serem atingidas por movimentos de

massa

Visualmente bem construídas, sem danos estruturais, com provável pouca destruição

se atingida por movimentos de

massa

Com danos estruturais visíveis

ou pouco resistentes, com

provável significativa destruição se

atingida por movimento de

massa

Com danos estruturais marcantes ou baixa

resistência, com destruição integral

se atingida por movimento de

massa

Largura da plataforma ILP

> 9 metros 6 – 9 metros 3 – 6 metros < 3 metros

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Valor dos elementos expostos e custo de recuperação

Condicionantes do contexto urbanístico ICU

Zonas interditas ou de ocupação irregular de baixa densidade e com mais nenhuma

condicionante urbanística

Zonas habitacionais e/ou de ocupação irregular de baixa a

média densidade e/ou com até mais

1 condicionante urbanística

Zonas de atração turística ou habitacional densa,

uma vez que o trânsito de pessoas

nessa área é bastante superior e/ou com até mais 2 condicionantes

urbanísticas

Zonas de grande trânsito de pessoas, com edifícios públicos, áreas comerciais, etc., e com 3 ou

mais condicionantes

urbanísticas

Ocupação do talude, I

OT

A ocupação do talude foi incluída para avaliação das consequências uma vez que os diferentes tipos de ocupação influenciam a vulnerabilidade do talude. Adotaram-se os critérios aplicados por Borges (2017), adaptados de Mesquita (2013), tendo-se atribuído as seguintes pontuações:

 3 pontos quando a ocupação do talude é nula;

 9 pontos quando o talude apresenta uma ocupação agrícola;

 27 pontos para taludes com ocupação de logradouro, onde também se incluem vias públicas, áreas de circulação, praças, entre outros espaços de uso público;

 81 pontos quando o talude apresenta uma ocupação habitacional ou quando existem equipamentos coletivos (Menezes, 2021).

Afastamento da moradia ou estrutura à base do talude versus altura do talude, I

AH

Este parâmetro, adotado de Campos (2011) por Menezes (2021), é representativo da possibilidade que o material proveniente de um movimento de massa apresenta de atingir estruturas localizadas próximo do talude, ou até pessoas (Menezes, 2021).

Calcula-se a partir da relação entre o afastamento da moradia ou da estrutura à base do talude (A) e a altura do talude (H) – A/H. O valor obtido para esta relação vai corresponder a uma certa pontuação:

 3 pontos quando o afastamento da estrutura à base do talude é o dobro ou mais do dobro da altura do talude – A/H ≥ 2/1 (Figura 6.a);

 9 pontos quando o afastamento do talude é igual ou superior à altura do talude, mas inferior ao dobro da altura – 2/1 > A/H ≥ 1/1 (Figura 6.b)

 27 pontos quando o afastamento é inferior à altura do talude e superior a um terço da altura do talude – 1/1 > A/H > 1/3 (Figura 6.c)

 81 pontos quando o afastamento à base do talude é igual ou inferior a um terço

da altura do talude – A/H ≤ 1/3 (Figura 6.d) (Menezes, 2021).

22 Embora o afastamento seja relativo à base do talude, é possível, também, avaliar esta relação caso as estruturas avaliadas se encontrem na crista do talude, como se encontra representado na Figura 7.

Condições das moradias ou estruturas, I

CM

O parâmetro que diz respeito às condições das construções foi adaptado de Pimentel &

Dutra (2018), que desenvolveu este parâmetro para classificar a vulnerabilidade das construções encontradas nas diferentes regiões do Brasil, tendo sido adaptado por Menezes (2021) de modo a ser possível aplicá-lo também às condições encontradas nas construções da cidade do Porto. A pontuação para este parâmetro são as seguintes:

 3 pontos quando as moradias ou estruturas são resistentes a movimentos de massa e/ou tenham um anteparo de proteção que permita uma destruição mínima ou nula se forem atingidas por um movimento de massa;

Figura 7 – Relação entre o afastamento da moradia ou estrutura à crista do talude e a altura do talude (obtido de Menezes, 2021)

Figura 6 – Relação entre o afastamento da moradia ou estrutura à base do talude e a altura do talude. Legenda:

a – afastamento igual ou superior ao dobro da altura do talude (A/H ≥ 2/1); b – afastamento igual ou superior à altura e inferior ao dobro da altura do talude (2/1 > A/H ≥ 1/1); c – afastamento superior a um terço da altura e inferior à altura do talude (1/1 > A/H > 1/3); d – afastamento igual ou inferior a um terço da altura do talude (A/H ≤

1/3) (adaptado de Menezes, 2021)

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 9 pontos quando as moradias ou estruturas se encontram visualmente bem construídas, sem danos estruturais, e que provavelmente sofreriam pouca destruição se atingidas por movimentos de massa;

 27 pontos quando as moradias ou estruturas apresentam danos estruturais visíveis ou sejam pouco resistentes, que possam sofrer uma destruição significativa se atingida por um movimento de massa;

 81 pontos quando as moradias ou estruturas apresentam uma baixa resistência ou danos estruturais marcantes, havendo a destruição integral das mesmas se forem atingidas por movimentos de massa (Menezes, 2021).

Largura da plataforma, I

LP

A largura da plataforma consiste na largura da zona ou plataforma de circulação de pessoas ou veículos. Este parâmetro representa a possibilidade de um elemento exposto, como uma pessoa ou um veículo que circule próximo do talude, se desviar de material caído proveniente deste, bem como a possibilidade deste elemento ser atingido por material, no caso de ocorrer um movimento de massa (Borges, 2017; Menezes, 2021). A largura da plataforma foi adotada por Borges (2017) para taludes de rocha do Porto, que adaptou o parâmetro de Pierson & Van Vickle (1993), tendo sido usado também por Menezes (2021) por se distinguir do parâmetro do afastamento ao talude versus altura do talude. As pontuações usadas foram as pontuações definidas por Pierson & Van Vickle (1993) para taludes rochosos rodoviários:

 3 pontos para plataformas com largura superior a nove metros;

 9 pontos para plataformas com largura entre seis e nove metros;

 27 pontos para plataformas com largura entre três e seis metros;

 81 pontos para plataformas com largura inferior a três metros (Menezes, 2021).

Contexto urbanístico, I

CU

Este parâmetro foi adaptado de Borges (2017) por Menezes (2021), representando o contexto em que se inserem os taludes avaliados, bem como a existência de condicionantes urbanísticas. As classes de pontuação adotadas foram as mesmas aplicadas por Borges (2017), tendo sido acrescentada a presença de uma ou mais condicionantes urbanísticas da cidade do Porto (Menezes, 2021) (Figura 8):

 3 pontos são atribuídos a zonas de acesso interdito ou zonas de ocupação

irregular de baixa densidade e sem mais nenhuma condicionante urbanística;

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 9 pontos correspondem a zonas habitacionais e/ou de ocupação de baixa a média densidade e/ou, no máximo, com mais uma condicionante urbanística, zonas essas onde pessoas e/ou veículos frequentam a base do talude quando deixam ou regressam às suas habitações;

 27 pontos para zonas de atração turística ou zonas habitacionais densas, visto que o trânsito de pessoas na área é superior ao das últimas duas classificações, podendo apresentar, no máximo, mais duas condicionantes urbanísticas;

 81 pontos são atribuídos a zonas onde se verifica um grande trânsito de pessoas devido à presença de edifícios públicos, áreas comerciais, estabelecimentos como restaurantes, escolas, hospitais, equipamentos coletivos, entre outros locais onde possa haver uma maior afluência e uma permanência mais prolongada de pessoas, bem como três ou mais condicionantes urbanísticas (Menezes, 2021).

Figura 8 –Carta de Condicionantes Geral do Plano Diretor Municipal do Porto (obtido de CMP, 2021)

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3.2.2.2. Classes de Consequências

Após a atribuição de uma pontuação a cada parâmetro de consequências, é possível obter uma pontuação total representativa das consequências de um certo talude. Tal como para a perigosidade, converteu-se as pontuações quantitativas possíveis para as consequências em classes ou graus de consequências – valores qualitativos –, correspondendo cada classe a um intervalo de valores. As classes de consequências foram estabelecidas de acordo com ANPC (2009) – residual, reduzida, moderada, acentuada e crítica – e os intervalos de valores correspondentes a cada classe segue o padrão usado por Borges (2017) para definição do grau de vulnerabilidade para taludes rochosos do município do Porto. Estes intervalos apresentam limites múltiplos de 27, com um valor mínimo possível de 15 pontos – pontuação obtida quando se obtém uma pontuação de 3 pontos para os cinco parâmetros de consequências – e um valor máximo possível de 405 pontos – pontuação obtida quando se obtém uma pontuação de 81 pontos para os cinco parâmetros de consequências. A correlação entre as classes de consequências e os respetivos intervalos encontra-se na Tabela 5.

Tabela 5 – Classes de Consequências e respetivos intervalos de valores

Classes de Consequências

(ANPC, 2009) Intervalos de classes (Borges, 2017)

Residual (1)

15 – 54 pontos

Valor mínimo – 5 x 3 = 15 Valor máximo – 2 x 27 = 54

Reduzida (2)

55 – 108 pontos

Valor mínimo – 55 Valor máximo – 4 x 27 = 108

Moderada (3)

109 – 189 pontos

Valor mínimo – 109 Valor máximo – 7 x 27 = 189

Acentuada (4)

190 – 297 pontos

Valor mínimo – 190 Valor máximo – 11 x 27 = 297

Crítica (5)

298 – 405 pontos

Valor mínimo – 298 Valor máximo – 5 x 81 = 405