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3 CONSEQUÊNCIAS DA HAS E OBESIDADE A CURTO E LONGO PRAZO

OBESIDADE E HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES: FATORES DE RISCO E CONSEQUÊNCIAS

3 CONSEQUÊNCIAS DA HAS E OBESIDADE A CURTO E LONGO PRAZO

A HAS e a obesidade são importantes fatores de risco para as DCV e já há evidências de que estas complicações em adultos têm origem na infância (CHORIN et al., 2015; NASCIMENTO, 2015). Crianças e adolescentes que já apresentam tais condições são suscetíveis a maiores riscos de problemas de saúde no decorrer de sua vida (CHORIN et al., 2015; HELENO et al., 2017).

As alterações vasculares têm início precoce e se desenvolvem de modo silencioso e assintomático, uma vez que a sua evolução se dá de forma cumulativa ao longo dos anos, o que ocasiona o desenvolvimento de aterosclerose coronariana, rigidez arterial e hipertrofia ventricular esquerda, levando a maior morbidade cardiovascular (NASCIMENTO, 2015;

YANOVSKI, 2015). O IMC elevado na infância tem sido associado ao maior risco de eventos cardiovasculares fatais e não fatais durante a fase adulta. As crianças, cujo sobrepeso e obesidade

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persistirem na maioridade, apresentam maiores riscos de desenvolver síndrome metabólica, diabetes mellitus (DM) tipo II, dislipidemia, aterosclerose, acidente vascular encefálico, vários tipos de câncer e osteoartrite (HELENO et al., 2017; MD YUSOP et al., 2018; ZHAO et al., 2017).

Doenças relacionadas à obesidade, que anteriormente eram raramente observadas na infância, incluindo apneia do sono, doença hepática gordurosa não alcoólica com cirrose resultante, refluxo gastroesofágico, colelitíase, cálculos biliares e DM estão aumentados entre pacientes pediátricos obesos. Tais condições estão associadas ao aumento da morbidade e mortalidade a longo prazo (YANOVSKI, 2015).

Crianças e adolescentes vêm apresentando desconforto musculoesquelético, comprometimento da mobilidade e maiores riscos de fraturas devido às complicações ortopédicas decorrentes do sobrepeso e obesidade e também devido à falta de atividade física (LIMA; GONÇALVES; SILVA, 2013). Segundo Yanovski (2015), crianças obesas são mais propensas a ter sofrimento psicológico, incluindo baixa autoestima, transtornos de ansiedade, distúrbios de imagem corporal e sintomas depressivos.

Contudo, a crescente prevalência de sobrepeso e obesidade nessa população requer estratégias eficazes para uma modificação de comportamentos e estilo de vida (MD YUSOP et al., 2018). A detecção precoce e a avaliação adequada da PA também são importantes para a prevenção ou limitação das doenças relacionadas à HAS (ÖNSÜZ; DEMIR, 2015). É nesta fase, considerada como um período crítico, que fatores de risco devem ser identificados para que, então, possam ser adotadas medidas de prevenção de complicações futuras, diminuindo assim os possíveis agravos e consequências deletérias na vida adulta (HELENO et al., 2017;

NASCIMENTO, 2015).

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A obesidade e a HAS na infância e adolescência demonstram ser importantes problemas de saúde pública, devido a elevadas taxas de prevalência nessa população, bem como as consequências geradas a curto e longo prazo. As alterações vasculares, predisposição a doenças cardiovasculares, síndrome metabólica, DM tipo II, desconfortos musculoesqueléticos, sofrimento psicológico e isolamento social são comprometimentos importantes que podem vir a gerar limitações, tornando o indivíduo mais vulnerável e impactando na qualidade de vida.

Dessa forma, percebe-se a necessidade de desenvolvimento de mais estudos nessa população a fim de que se instituam tratamentos adequados para a prevenção e diminuição de possíveis agravos.

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III

PROMOÇÃO DA SAÚDE E