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Capítulo I- Fundamentação teórica

1.1. Conceptualização da área trabalho-família

1.1.5. Consequências do conflito entre o trabalho e a família

A literatura tem-se debruçado no estudo, não só dos antecedentes, como também das consequências do conflito entre o trabalho e a família. Eby et al. (2005) organizam as consequências do conflito entre o trabalho e a família em três grupos centrais: consequências ao nível da saúde física e mental, ao nível do trabalho e ao nível da família.

No que concerne às consequências ao nível da saúde física e mental, parece ser consensual entre os investigadores que o conflito entre o trabalho e a família se encontra relacionado com uma pior saúde física e saúde percebida (Frone, 2000), e com comportamentos depressivos (Allen et al., 2000; Bellavia & Frone, 2005). Frone et al. (1997) demonstrou que o CTF se encontra relacionado com a ocorrência de episódios depressivos

major, problemas de hipertensão e com outras queixas físicas, enquanto que o CFT antecipa

frequentemente problemas relacionados com o abuso de substâncias. Mais recentemente, Mihelič e Tekavčič (2014) efetuam uma revisão de estudos empíricos na qual demonstram que o conflito entre o trabalho e a família se encontra associado a uma menor saúde física, particularmente a problemas de colesterol, menor resistência física, perturbações de sono, cefaleias, fadiga, dores no peito, abuso de álcool, obsesidade e a outros problemas alimentares.

Paralelamente, um conjunto de investigações levadas a cabo demonstram que o conflito entre o trabalho e a família se encontra associado a um maior sofrimento psicológico (Burkes & Greenglass, 1999; Bagger, Li & Gutek, 2008 cit in Oliveira, Cavazotte & Paciello, 2013). Assim sendo, Brough & O’Driscoll (2005) citam diferentes pesquisas que demonstram que à medida que o conflito aumenta, também o distress4 psicológico aumenta. Já Eby et al.

(2005) referem no seu trabalho, diferentes estudos que relacionam o conflito entre o trabalho e a família com uma pior satisfação de vida e com elevados níveis de stress. Os resultados da pesquisa de Blanch e Aluja (2012) mostram que o conflito entre o trabalho e a família se encontra intimamente relacionado com a ocorrência de burnout, que corresponde a uma resposta afetiva crónica resultante da exposição contínua e prolongada ao stress relacionado com o trabalho. Por sua vez, Frone (2000) demonstrou que ambas as direções do conflito se encontram positivamente relacionadas com perturbações de ansiedade, humor e de dependência de substâncias, expondo que a relação entre a CFT e o desenvolvimento de perturbações de ansiedade é significativamente mais forte no género masculino do que no feminino. Igualmente, Allen et al. (2000) descrevem correlações significativas entre o aumento de queixas somáticas e o conflito entre o trabalho e a família.

4 Optou-se por recorrer à expressão original distress por não ter sido encontrado um termo na língua

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As consequências ao nível do trabalho baseiam-se em estudos empíricos que defendem que o conflito entre o trabalho e a família acarreta consequências prejudiciais para a organização (Eby et al., 2005). Na sua investigação, Eby et al. (2005) citam vários estudos que indicam que o conflito entre o trabalho e a família se encontra associada a uma menor satisfação laboral, a uma maior intenção de mudar de emprego, a um menor sucesso percebido na carreira e a uma menor satisfação com a mesma. Paralelamente, os autores supracitados acrescentam que outros estudos sugerem que a satisfação na carreira modera a relação entre o CFT e as intenções de mudança de local de trabalho (Eby et al., 2005). Alguns estudos defendem que a intenção de mudar de emprego corresponde a uma das variáveis que se encontram mais frequentemente associadas ao fenómeno do conflito entre o trabalho e a família, sendo significativamente mais frequente em sujeitos excessivamente envolvidos nas suas carreiras profissionais (Allen et al., 2000; Eby et al., 2005; Premeaux et al., 2007; Mihelič e Tekavčič, 2014). De modo semelhante, outra revisão de estudos demonstra que à medida que o conflito entre o trabalho e a família aumenta, observa-se uma diminuição do comprometimento organizacional do indivíduo (Mihelič e Tekavčič, 2014).

Por último, as consequências ao nível da família abarcam os efeitos sobre a satisfação familiar, sendo que alguns estudos mostram mediante o recurso a investigações anteriores, que a mesma se encontra negativamente associada ao conceito de conflito entre o trabalho e a família (Kinnunen et al., 2004; Eby et al., 2005). Na sua investigação, Kinnunen et al. (2004) concentram-se na análise dos efeitos do conflito entre o trabalho e a família na satisfação matrimonial e no distress parental. No que concerne à satisfação matrimonial, os autores supracitados mencionam diversos estudos que indicam que o conflito entre estes dois domínios se encontra associado à diminuição da satisfação conjugal apenas no género masculino, e outros que defendem esta relação apenas no sexo feminino. Na mesma linha, existem outras investigações nas quais o conflito entre os mesmos domínios não se encontra relacionado com a satisfação conjugal (Netemeyer et al., 1996 cit in Kinnunen et al., 2004).

O distress familiar compreende estados emocionais negativos, insatisfação e tensão, que por sua vez resultam da experiência dos papéis familiares (Abidin, 1990 cit in Kinnunen, et al., 2004). Apesar da maioria dos estudos verificar que estes efeitos ocorrem em ambos os géneros, outros sugerem que os mesmos aparecem apenas no sexo feminino (Bedeian et al., 1988; Parasuraman et al., 1992 cit in Eby et al., 2005). Através da revisão de diversos estudos, Mihelič e Tekavčič (2014) sugerem que a satisfação familiar apresenta uma relação negativa com o conflito entre o trabalho e a família, verificando-se que se encontra na origem de elevados níveis de distress familiar, particularmente de distress parental e matrimonial. Os mesmos autores defendem assim, que à medida que o conflito entre os domínios laboral e familiar aumenta, a satisfação com a família diminui (Mihelič e Tekavčič, 2014). Os resultados da investigação de Allen et al. (2000) corroboram a informação anterior, dado que o autor verifica uma robusta ligação entre o distresss relacionado com os papéis familiares e a ocorrência de conflito entre o trabalho e a família.

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1.2. Perceção de stress económico no conflito entre o trabalho