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UNIDADE VI CONSTRUINDO REGRAS

CONSEQUÊNCIAS PARA O ESTUDAR

Conseqüência é aquilo que acontece logo após uma ação e pode influenciar a ocorrência dessa ação no futuro.

Exemplo: quando vocês colocam uma roupa e alguém diz: "Nossa, como você ficou bonita

com essa roupa", isso aumenta as chances de que vocês vistam essa roupa de novo. Mas se alguém disser: "Essa roupa não ficou boa em você”, isso diminui as chances de você vestir a roupa novamente (se você confiar no gosto da pessoa, ou se ela for uma pessoa importante para você!).

Não há garantia de que esta mudança (aumento ou diminuição da chance de repetir a

ação por causa da ocorrência de uma ou outra conseqüência) vá ocorrer sempre e em geral não se trata de uma mudança repentina, depois de uma única conseqüência, apesar disso, existe conhecimento sobre o comportamento das pessoas que indicam que podemos criar algumas condições para aumentar a chance de que comportamentos de interesse passem a ocorrer, ocorram mais freqüentemente, deixem de ocorrer ou diminuam de freqüência.

No caso do exemplo, você pode notar que se queremos aumentar a chance de que o comportamento em que estamos interessados venha a ocorrer novamente, temos que buscar

conseqüências positivas para esse comportamento. No entanto, o que é conseqüência positiva

para uma pessoa pode não ser para outra. No caso do elogio, por exemplo: se a pessoa elogiada é tímida, não gosta de ser colocada em destaque em público, um elogio desta natureza pode fazer com que a pessoa evite vestir-se novamente de maneira a provocar estas reações.

Veja alguns exemplos de conseqüências que podem aumentar a chance de um comportamento ocorrer novamente:

receber permissão para brincar, por exemplo, poderá aumentar a chance de que ela venha a fazer isto de novo. Ou, mesmo durante a lição, se o pai apóia a criança e elogia os pequenos passos, aumenta a possibilidade da criança continuar fazendo o exercício. Atenção: estamos falando

em possibilidade! Este procedimento requer paciência e muita atenção para notar pequenas

mudanças, que podem levar a mudanças maiores.

Outros exemplos: quando a criança pede para desligar a televisão para estudar, é

possível comentar que, agindo assim, está mostrando que tem responsabilidade (isto já pode ser uma conseqüência positiva para a criança); além disso, é possível aproveitar para prometer que, depois que terminar o estudo, o lanche será especial (afinal, a criança já tem direito ao lanche, independentemente de estudar ou não, porque precisa se alimentar; mas um lanche especial é uma boa conseqüência para premiar um desempenho especial!); se a criança diz a um dos pais

que vai fazer um trabalho com um amigo, para semana que vem, o pai ou a mãe pode

perguntar se não tem outra tarefa mais urgente; caso não haja tarefa mais urgente, o pai ou a mãe pode comentar que a dedicação a uma tarefa que não é urgente demonstra responsabilidade por parte do filho, o quanto está feliz com ele e, uma vez cumprida a tarefa, autorizar a criança a permanecer brincando com o amigo por um tempo extra.

Algumas pesquisas com pais perguntaram “o que você faz quando seu filho tira nota baixa? As respostas foram as mais diversas: “ponho de castigo, dou umas palmadas, proíbo de ver tv”. Em seguida outra pergunta foi feita “O que você faz quando seu filho tira nota 10?” e a maioria respondeu “Nada, ele não faz mais que a obrigação” ou “Nada, ele só faz isso, tem que tirar nota boa”.

O que você considera que acontece se não ocorrem conseqüências positivas para a criança depois que ela fez a tarefa de casa ou foi bem na escola? A criança pode perder a

vontade de estudar, isto pode fazer com que ela estude com menor freqüência e apresente dificuldades. Mas atenção: para muitas crianças, o próprio resultado da atividade já pode ser positivo o suficiente para mantê-la estudando. E conseguir isso com todas as crianças é o desejável, para que se tornem “estudiosas”, ou seja, independentes nesta área. No entanto, com crianças que estão começando a vida escolar ou que apresentam dificuldades para avançar no estudo, é fundamental providenciar conseqüências especiais, até que a gratificação com o próprio aprender se tornem suficientes. De qualquer modo, o reconhecimento de pessoas importantes, como os pais, para o esforço e para o bom desempenho da criança, em qualquer área, é muito importante!

Imagine você ou seu marido levantar cedo e ir trabalhar sem receber nenhum salário para isso? Ou se você trabalhasse muito e seu chefe só reclamasse e nunca te elogiasse? Talvez

Conseqüências como bater, beliscar, xingar, gritar, etc. não ensinam para a criança o que ela deve fazer, mesmo que a levem a agir de modo diferente do que antes. Ela pode até mudar o que faz pelo medo de apanhar, imediatamente, mas punições, em geral, levam a reações como perda da vontade de estudar, indisciplina, agressividade, desânimo e, freqüentemente, maneiras de fugir do castigo pela mentira ou fingimento. Isto acontece principalmente quando a criança não sabe se comportar como os pais ou professores desejam, e não encontram ajuda para melhorar seu desempenho.

Lembre-se que bater não educa, não ensina a respeitar os pais, mas a ter medo deles e, segundo pesquisas, pode ensinar a criança que agressividade é uma forma de resolver os

problemas e, em longo prazo, levar a pessoa a agir desta maneira para resolver as coisas da sua vida, inclusive fazendo parte de grupos que praticam e estimulam a violência.

Não dar conseqüências positivas por imaginar que você irá “comprar” seus filhos com recompensas é um engano! Quando a mãe faz uma comida gostosa e recebe um elogio da família certamente ela pensa que mereceu o elogio e se sentiu recompensada por passar a manhã toda de domingo cozinhando, não é? Você se sentiria comprada ou animada para fazer mais almoços especiais? Porém, se a família disser para a mãe “você não fez mais que a obrigação”, certamente isso a deixará magoada e talvez não faça tantas comidas especiais. O mesmo acontece com o filho que tirou nota boa na escola: se receber uma recompensa ficará feliz e terá mais chances de repetir o feito no futuro!E nem irá precisar mais de outra recompensa do que o próprio resultado do que faz... Assim como as mães fazem comidas especiais pelo gosto de dar prazer a sua família, ficam felizes porque as pessoas comem com prazer, mas não dispensam os elogios!

Então, como criar conseqüências positivas?

Em primeiro lugar descubra o que agrada e o que não agrada seu filho (Você se lembra da Unidade 1?). Muitos pais pensam que sabem e se enganam. Para isto não acontecer com você, procure prestar atenção em como a criança reage quando recebe o que você acha que ela gosta.

Exemplo: quando você faz elogios, seu filho demonstra que

gostou (sorri, faz um gesto de carinho) ou demonstra que não gostou (fica envergonhado, te empurra, fica emburrado)? Afinal, como já dissemos, o que funciona para uma criança não funciona para outra. Se achar mais fácil, pergunte para seu filho o que ele gosta e o que não gosta. Assim, você saberá o que fazer para a criança depois que ela fizer uma ação que você deseja estimular.

Nunca use o amor como moeda nas negociações sobre como,

onde e quando estudar. Aliás, nunca use o amor como moeda para nada: a criança tem o direito de ser amada independentemente de como se comporte. Ame seu filho pelo que ele é, e não pelo que ele faz! Nunca diga “eu gosto de você quando você tira notas altas” (ou qualquer outro comportamento), mas sim “eu gosto quando você tira notas altas”. Há uma grande diferença nestas duas situações.