3 Metodologia
3.3 Considerações éticas e procedimentos de coleta de dados
A pesquisa na área de saúde, para ter legitimidade e viabilidade científica, carece da aprovação de um Comitê Ético. Nesse sentido, o Projeto foi submetido através da Plataforma Brasil à apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte; teve pendências corrigidas e, posteriormente, foi
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submetido uma terceira vez atendendo a todos os critérios exigidos pelo CEP. A referida submissão se deu sob n° de CAAE 74103617.3.0000.5294 no dia 05 de dezembro de 2017, sendo a aprovação no dia 17 de janeiro de 2018. Todo o processo se deu, mediante legislação específica brasileira (Resoluções CNS 466/2012 e 510/2016) pelo fato de se tratar de pesquisa com seres humanos. Com a finalidade de preservar a identidade das mulheres, foi utilizada a estratégia de nomeá-las de acordo com o bairro onde residia, onde foi colocado as iniciais, bem como um número que tinha a ver com a sequência com que a mesma se pronunciou a primeira vez no grupo.
Para a investigação, foi utilizada, como já foi dito, a técnica de grupo focal que envolve reunir um grupo de pessoas para discutir e comentar um tema (o objetivo da pesquisa), a partir de experiências vividas acerca de assuntos emergentes na sociedade e problematizadas pela investigação (Schvingel, Giongo, & Vier Munhoz, 2017). Muito utilizada em pesquisas científicas e intervenções, especialmente, no que se refere as mediações sociais, educativas, terapêuticas e motivacionais (Souza, 2019). A essência do grupo focal consiste na interação entre os participantes e o pesquisador, que objetiva colher dados a partir da discussão focada em tópicos específicos e diretivos.
A literatura da área recomenda que um grupo focal seja composto por 6 a 10, no máximo 15 participantes, selecionados por terem algo em comum relacionado ao tópico que está sendo pesquisado. Cada encontro tem duração típica de uma hora e meia; o pesquisador precisa criar um ambiente propício para que as diversas percepções venham à tona, sem que não haja nenhuma pressão para que os componentes votem ou cheguem a algum consenso (Iervolino, & Pelicioni, 2001).
Os encontros, no total de oito, aconteceram, por sugestão das equipes, em equipamentos sociais do respectivo bairro; todos de fácil acesso às mulheres. Transcorreram de maneira bem informal, sendo discutidos a partir do roteiro exposto no Quadro 1 apresentado no subitem anterior, o qual foi elaborado com base em leituras no decorrer da vida profissional e na experiência da pesquisadora sobre necessidades de saúde, bem como da resolutividade do sistema de saúde, afinando então, com o objetivo do estudo. As cadeiras foram colocadas em círculo, de modo que todas as mulheres fossem visualizadas pelas outras, facilitando assim as conversas.
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Inicialmente, a pesquisadora, coordenando os grupos e as discussões, fazia um acolhimento, se identificando, dando as boas vindas e explicando o objetivo do encontro, quando pedia a todas para se apresentarem, a partir de uma dinâmica de apresentação, a qual cada uma dizia o nome, falava um pouco sobre si e sua motivação para estar ali.
Posteriormente, procedia com uma leitura do roteiro, procurando tirar as dúvidas que porventura viessem a surgir.
Corroborando com a literatura no que diz respeito à técnica de grupo focal, houve, além da coordenação da pesquisadora, a participação de dois colaboradores; um para fazer as anotações dos acontecimentos de maior interesse para a pesquisa (relator), que se tratava de uma acadêmica de enfermagem cursando o último período e interessada no tema e o outro para auxiliar na observação da comunicação não-verbal (observador), que é agente comunitário de saúde, mas que recentemente obteve a formação de enfermeiro.
Ocorreram dois encontros em cada região; um com mulheres de 45 a 50 anos e outro com mulheres de 51 a 59 anos, uma vez que, pela vivência, as mulheres de acordo com a idade, tem olhar diferenciado para determinadas questões. A quantidade de mulheres de cada faixa etária, por Unidade de Saúde, está exposta pela XXX a seguir.
Tabela 2 - Quantidade de mulheres, por faixa etária e Unidade de Saúde, que participaram da pesquisa.
Unidade de Saúde
Quantidade de mulheres 45 a 50 anos 51 a 59 anos
Alto da Boa Vista 7 7
Soledade 8 11
Itans 3 10
João XXIII 10 5
Fonte: Autoria da pesquisadora, 2017.
Os encontros tiveram duração média de 50 minutos; a pesquisadora, após o acolhimento e a apresentação, iniciava a discussão explicando os objetivos da pesquisa, as questões éticas e solicitando a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Após comunicar que, haveria o anonimato, mas que seria necessário gravar as discussões, em razão de contribuir com a facilitação da recuperação dos dados, passava-se, então, para a leitura do roteiro norteador, com a finalidade de se familiarizar com os pontos de discussão, já sanando as dúvidas, se assim surgissem.
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A utilização desses procedimentos permitiu a obtenção dos resultados de acordo com o planejamento da investigação. Durante o processo de coleta dos dados foi possível detectar, por meio da linguagem falada e gestual, o exercício de reflexão das entrevistadas durante a apresentação da narrativa oral, devidamente registrada em um diário de campo, além da gravação feita em áudios. Assim, foi feita a escuta dos áudios e, posteriormente, a transcrição. O material foi organizado por bairro (que representava a região do município) e subdivididido em relação às faixas etárias. Cada mulher foi identificada pelo início do nome de seu bairro, recebendo um número que realmente era o que a diferenciava. A sequência para enumerar, iniciava pelas mulheres de faixa etária com 45 a 59 anos. Após esta disposição das falas, era realizada a leitura minuciosa, a fim de identificar alguma dificuldade no entendimento, o que não foi o caso.
O tratamento dos dados foi realizado a partir da técnica de análise de conteúdo de Bardin (2015), que possibilitou se fazer uma análise categorial dos resultados apresentados nas narrativas verbais e/ou subententidas nas “entrelinhas”, que consiste em trazer à tona a mensagem dada, mas não explicitada por meio da comunicação oral, porém através de impressões ou expressões, ou, até mesmo do silêncio, carregados de significados e significantes.
A escolha da análise categorial se deu, portanto, em razão das afirmações contidas nas palavras da pesquisadora, que favoreceu a discussão do conteúdo presente nos discursos das mulheres objeto deste estudo, de acordo com a explanação constante no próximo item:
“No conjunto das técnicas de análise de conteúdo, a análise por categorias é [...] na prática a mais utilizada. Funciona por operações de desmembramento do texto em unidades, em categorias segundo reagrupamentos analógicos” (Bardin, 2015, p. 153). Partindo destas orientações se faz relevante mencionar que entre as diferentes possibilidades de categorização, a análise temática, foi a escolhida para a avaliação dos resultados, por ser mais rápida e eficaz na apreciação dos discursos dos sujeitos da pesquisa.
O seguinte passo foi reconhecer o embasamento teórico relacionado na literatura estudada sobre o tema, articular com as falas das entrevistadas, buscando fazer correlações, seguindo com o discorrido, a fim de poder contribuir com o debate em outro momento.
Assim sendo, além da análise documental e bibliográfica sobre a saúde e seus paradigmas, relacionados as políticas públicas de atenção à saúde da mulher, e ao processo de envelhecimento feminino, houve a necessidade de se debruçar sobre a leitura de textos específicos sobre as pesquisas, no âmbito do Brasil, que tratam da percepção das mulheres
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(2019); Pitilin & Lentisck (2015); Wasilesck (2008); Morei & Coelho (2004), dentre outros.
Esses estudos serviram de iluminação para confrontar dados e ratificar posicionamentos de análises realizadas por esta pesquisadora, as quais estão devidamente elencadas a seguir durante a dicussão dos resultados da pesquisa.
93 4 Resultados da Pesquisa
Durante a coleta de dados, iniciaram-se, primeiramente, as discussões com o intuito de que fossem identificadas quais necessidades de saúde levavam as mulheres a buscarem o serviço de saúde, cujas respostas vão estar dispostas a seguir. Neste sentido, foi explicado que necessidades de saúde extrapolam as questões relativas a problemas de doenças, abarcando as vulnerabilidades que expressam modos de vida e identidades, envolvendo as condições necessárias para ter saúde (Hino et al., 2009).
No desenvolvimento de sua prática diária, o profissional de saúde tem como foco principal o cuidado humano. Sendo assim, deveria, constantemente, buscar alternativas para resolução de problemas, atendendo às necessidades de saúde apresentadas sob diversas formas, que se alteram, dependendo das estruturas sociais, dos estilos de vida, dos progressos científico-tecnológicos, dentre outros (Hino et al., 2009).
Para além da discussão sobre a prática do profissional de saúde, e, considerando o objetivo desta pesquisa, que tratou de identificar a percepção das mulheres de meia-idade sobre as suas necessidades e, ainda, sobre a efetividade dos serviços de saúde a elas oferecidos, este item buscou apresentar os resultados da presente investigação que foi planejada e executada durante o período 2016 a 2021, cujos resultados, discussões e suas análises estão expostos nas páginas seguintes.
Assim, visando dar visibilidade e voz aos sujeitos da pesquisa, optou-se por apresentar os resultados das entrevistas, a partir do uso da análise categorial (Bardin, 2015), cujo teor permitiu discorrer sobre as informações obtidas. Estas, por sua vez estão agrupadas em dimensões da saúde consideradas relevantes para desvelar e elucidar todas as nuances e fatores que permeiam a realidade biopsicossoal dessas mulheres. Trata-se de um percurso metodológico e dissertativo utilizado com a finalidade de ratificar a hipótese de trabalho, quanto a falta de um modelo de atenção à saúde que preencha as necessidades psicossociais das mulheres de meia-idade.
Essas dimensões foram pré-estabelecidas pela pesquisadora, de forma que se pudesse coletar dados que, além de sustentarem a hipótese, ou não, ao mesmo tempo, revelassem as categorias, encontradas no discurso dos sujeitos, a saber: aspectos psicossociais; aspectos biológicos; resolutividade do sistema de saúde; e, preposições.
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Desse modo, estão expostos e explicitados os resultados da pesquisa agrupados de acordo com as dimensões já mencionadas.
Em relação a dimensão aspectos psicossociais foram construídas as categorias:
sintomas de ansiedade, sintomas de depressão, insônia, luto patológico, ninho vazio, problemas familiares, mudança na vida sexual. Já no que diz respeito aos aspectos biológicos, identificou-se: doenças crônico-degenerativas; problemas nos ossos; ganho de peso; climatério/menopausa. Com relação a resolutividade do sistema de saúde, as falas das participantes propiciaram a esta pesquisadora criar as categorias: baixa resolutividade do serviço de saúde; falta de acesso à rede assistencial; satisfação com a equipe de seu território ou a insatisfação; e, satisfação com a equipe gestora do sistema, ou a insatisfação. E por fim, uma dimensão denominada preposições, a fim de mostrar a visão das mesmas, com relação as melhorias que poderiam ser implantadas ao sistema.
Aspectos psicossociais
A relevância na exploração da dimensão aspectos psicossociais se deu, de modo geral, em decorrência de se tratar de um assunto relacionado a psicologia, em especial, a psicologia social, e que tem ganhado visibilidade nos estudos científicos sobre a saúde coletiva, uma vez que procura dá conta das relações que os indivíduos mantêm com a sociedade, voltadas ao desenvolvimento de sua psiquê. Em termos de saúde, a ciência tem confirmado ao longo do tempo a existência dessa relação simbiótica entre corpo e mente, provocando um intercâmbio de fatores decorrentes das influências diretas e indiretas do ambiente interno e externo, capazes de acarretarem bem estar, mas, também, de gerar condições destrutivas à saúde. Tourinho (2007), vai além dessa exposição conceitual dualista corpo-mente, para afirmar que a dimensão psicossocial envolve questões psicológicas, sócio-afetivas, sócio-econômicas e, ainda, as questões culturais e espirituais.
Do ponto de vista empírico, a análise da dimensão psicossocial, a partir das falas das mulheres participantes da investigação, permitiu a criação das seguintes categorias de análises: sintomas de ansiedade; sintomas de depressão; insônia; luto patológico; ninho vazio; problemas familiares; e, mudança na vida sexual.
Os discursos apresentados por essas mulheres refletem um quadro de muito sofrimento emocional e psíquico, ao mesmo tempo em que denota a “ineficiência” do
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sistema de saúde para cuidar de suas munícipes, principalmente, no que diz respeito à ações de promoção da saúde, a exemplo de identificação de fatores de risco, visitações domiciliares e implementação de grupos.
Os sintomas de ansiedade foram identificados em duas partipantes residentes em bairros diferentes da periferia da cidade de Caicó, apresentando uma faixa etária de 51 a 59 anos, conforme revelam os dicursos abaixo.
“Eu sou diabética e tenho muita ansiedade...”. Soledade19, (51-59 anos).
“Tenho artrite, fibromialgia, tomo remédio para ansiedade...”. Alto13, (51- 59 anos).
Já em relação aos sintomas de depressão, estes foram localizados em sete participantes da pesquisa, cujas falas estão expostas a seguir. Tratam-se de sujeitos que moram em todos os bairros que constituíram a área geográfica do estudo, e possuem faixas etárias variadas. Para Feitosa (2014), a depressão, do ponto de vista da análise biopsicossocial, está associada a problemas interpessoais que pode encontrar a solução através do aprimoramento de habilidades sociais.
A partir de uma revisão da literatura sobre a temática, o autor apresenta o seguinte conceito: “a depressão é um transtorno de humor, caracterizado por uma experiência subjetiva de grande sofrimento, acompanhada de perda de energia e interesse, sentimentos de culpa, dificuldade de concentração, perda de apetite, modificações no sono e na atividade sexual e pensamentos de morte ou suicídio” (Feitosa, 2014, p. 490).
Baseado nesse pensamento, poder-se-ia afirmar que os relatos das mulheres que participaram da pesquisa apresentam uma confirmação do conceito exposto, não somente, para entender a depressão, mas, também outras categorias a ela associadas, e que foram detectados na pesquisa, como a insônia, a alteração na vida sexual, e, ainda, dos sintomas de climatério e/ou menopausa.
“...já fiz tratamento de depressão. Mas eu luto muito contra a insônia e muita ansiedade.
Tenho problemas na veia...trabalhei 15 anos em posto de gasolina em pé”. Alto13 (51-59 anos)
“Teve um tempo aí que eu tive depressão, mas aí fui viajar com minha patroa...vivia de arribada e aqui acolá, me dá tristeza, aí calço os tênis e vou caminhar...”. João XXIII8 (45-50 anos)
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“Eu já tive depressão e nessa idade a gente fica mais propícia, até pelo medo de envelhecer”. Itans11(51-59 anos)
“Eu tenho pesadelos...eu não durmo...eu vivo à base de remédios...eu tomo chá de sabugueiro com endro...eu não faço preventivo, não faço nada...eu me isolo”. Itans 8 (51-59 anos).
“Eu gosto muito de ficar só...porque choro, choro, choro e passa. Chorar é um desabafo”. Alto3 (45-50 anos).
“Aqui e acolá, a depressão chega...fiquei viúva...eu morria de medo de morrer primeiro, meu esposo casar com outra e não ser boa para meus filhos”. Itans10 (51-59 anos).
“Eu tomo Diazepam; sem ele, não consigo dormir...é muita insônia e muito calor”.
Soledade17 (51-59 anos).
“Eu botei na cabeça que estava com câncer; quase enlouqueço...é menopausa, angústia, depressão, palpitação, acelero...não tem alguém de mais estudo para nos aconselhar; a gente pode cansar a mente e chegar até um suicídio...”.
A categoria insônia tiveram três incidências, cujas narrativas demonstram como a qualidade de vida dessas paticipantes são afetadas por este tipo de transtorno. Os estudos realizados sobre a insônia, em sua maioria, têm associado esse transtorno a questão da menopausa nas mulheres de meia-idade. Entretanto, em uma revisão da literatura que trata do assunto e, ainda, da pesquisa com 2.190 mulheres participantes do Programa Pró-Vida, no âmbito dos campi universitários do Estado do Rio de Janeiro, Brasil, os pesquisadores Robaina, Lopes, Rotenberg & Faerstein (2015), demonstraram que os estudos que associam a insônia à questões hormonais, como a falta do estrogênio, que atingem as mulheres de meia-idade não são conclusivos.
Mas os resultados empíricos alcançados levaram os autores a concluírem que as mulheres que vivem o fenômeno da menopausa não recente, realmente, têm dificuldades de iniciar o sono, de manter o sono e se queixa de insônia, independente de fatores sócio- econômicos, demográficos e psicossociais. Mas, ressaltam que a relação da insônia com os aspectos psicossociais são biodirecionais, ou seja, “a insônia tanto pode ser um fator de risco quanto uma consequência de transtornos mentais comuns, da depressão de distúrbios de ansiedade, do abuso de álcool e de alguns eventos de vida produtores de estresse. Nesse sentido, se não tratada devidamente, a insônia pode favorecer o aparecimento de tais agravos, independentemente da idade ou do status de menopausa da mulher”.
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“Eu queria um relaxante para dormir...chá não está resolvendo mais não...”. João XXII14 (51 a 59 anos).
“Eu sinto um calor agoniado...não durmo que preste à noite...”. Alto14 (51 a 59 anos).
“Eu sinto insônia, muito calor e muito estresse. Precisa ter especialista; alguém que escute a gente” Alto3 (45-50 anos).
“Eu tenho insônia...tento resolver com chá...às vezes dá certo e às vezes não”. Alto7 (45-50 anos).
Esta pesquisadora também identificou a categoria do luto patológico entre três participantes e como a falta de um apoio nas unidades de saúde, tem contribuído para a presença de outros transtornos psicossomáticos. O rompimento de uma relação e a perda por morte, desencadeiam uma série de sentimentos e comportamentos que estão associados à melancolia, trazendo experiências dolorosas ao indivíduo. Um período vivenciado pelo ser humano, denominado de luto patológico, que no entendimento de Franco (2002) Apud Silva, Carneiro & Zandonadi (2017), se caracteriza por uma fase de profunda tristeza, acarretando problemas de saúde, distúrbios psíquicos, diminuição de contatos sociais, o que exige um processo de readaptação, e o acompanhamento de profissionais qualificados para combater os transtornos psicossociais causados pela perda.
“Faz oito meses que perdi meu pai e pra mim foi ontem...aqui falta muito um apoio psicológico na Unidade de Saúde...eu busco ler, para poder me adequar, mas sinto muita solidão, angústia, stress, ansiedade”. Soledade13 (51 a 59 anos).
“Eu perdi minha mãe vai fazer um ano...” [muito choro – grifos da pesquisadora]. Alto14 (51 a 59 anos).
“Depois que meu pai morreu, eu me tornei uma pessoa triste. Vai fazer três anos, mas eu não esqueço nunca. Preciso de psicólogo, mas não tem...é uma solidão, uma vontade de chorar...”. Soledade9 (51 a 59 anos).
O ninho vazio também apareceu entre as categorias a serem analisadas, uma vez que se trata de uma síndrome, do ponto de vista da psicologia, que poderá levar a transtornos psíquicos como a depressão. Entre as entrevistadas, houveram a incidência de três participantes que se colocaram como vítima dessa síndrome e de seus efeitos sobre sua saúde.
“Precisei muito de um psicólogo, mas não tinha...eu tive muito stress quando minhas filhas saíram de casa...”. Itans13 (51-59 anos).
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“Minhas filhas já são casadas...por mim, moravam as duas comigo...eu sou separada”.
Itans13 (51-59 anos).
“Muito stress quando minhas filhas saíram de casa”. Alto10 (51-59 anos).
Problemas familiares é uma categoria ampla que muitas vezes denota, a existência de famílias disfuncionais, sejam por questões de relacionamentos abusivos, violência doméstica, muitas vezes motivados por doenças em decorrências de dependência química e situações que geram conflitos emocionais.
“Meu marido usa drogas; não dá em mim, mas tudo que pega é para a droga...eu boto na cabeça que vão matar ele...vivo com os nervos à flor da pele. Não adianta dizer no Posto o que sinto; lá não tem uma pessoa que faça alguma coisa por mim”. Soledade16 (51 a 59 anos).
“Meu marido usa drogas; não dá em mim, mas tudo que pega é para droga...eu boto na cabeça que vão matar ele...eu vivo com os nervos à flor da pele”. Soledade16 (51-59 anos).
“Quando eu me separei, minha filha se revoltou muito dizendo que a culpa era minha por eu não ter cativado o pai a ficar em casa...ah, tristeza grande bateu em mim!”. Itans9 (51-59 anos).
“O médico psiquiatra disse que tudo isso que sinto é por causa de problema de casa...filho que bebe..., mas hoje eu já resolvi entregar a Deus”. Alto11(51-59 anos).
“Meu filho bebe; me perturba muito porque sai de moto... separou-se e tem uma filha de dez anos que é louca por ele...tenho muita pena”. João XXIII13 (51-59 anos).
“Meu maior medo de morrer é deixar meu filho...eu já tive ele velha e ele é rejeitado pela família do pai...o pai é homossexual...eu vivo um caos...”. Itans7(51-59 anos).
“Já passei muitas barreiras pesadas...marido que foi embora e deixou três filhos
“Já passei muitas barreiras pesadas...marido que foi embora e deixou três filhos