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CONSIDERAÇÕES ACERCA DO SEGUNDO CAPÍTULO.

No documento Família Homoafetiva e o Serviço Social-1 (páginas 59-74)

Do ponto de vista técnico, ser assistente social implica o compromisso com a competência, cuja base é o aprimoramento profissional; preocupação com a (auto) formação permanente e uma constante postura investigativa. Pois, para atender as demandas da questão social tão complexas de nossa sociedade, é preciso um profissional preparado para responder as atuais demandas e conquistas da sociedade brasileira. É necessário que seja um profissio- nal generalista, gestor de pessoas, e voltado à proposição de programas e projetos sociais que desenvolvam e emancipem os sujeitos, tornando-os atores sociais de suas próprias vidas.

Iamamoto (2014) no 7º Seminário Anual de Serviço Social, organizado pela Cortez Editora, esclarece que o processo de construção do Projeto Acadêmico-Profissional do Serviço Soci- al no Brasil, que se expressa como a resistência à naturalização à ordem do capital, hoje sob a hegemonia das finanças, nesses tempos de crise tem como propósito, situar as diretrizes curriculares na história da sociedade brasileira recente, nessa dupla dimensão: os seus de- terminantes histórico-sociais e a ação dos sujeitos profissionais.

Logo, a união homoafetiva, e por conseguinte, o entendimento de que o casamento homoa- fetivo é uma entidade familiar, é matéria do Serviço Social brasileiro.

Em diversas pesquisas no Brasil, que tomam a temática da Diversidade Sexual e Homofobia com en- foque na intolerância e respeito às diferenças sexuais, os dados revelam práticas discriminatórias em razão da orientação sexual. Ou seja, a sociedade brasileira é preconceituosa com os LGBT sim, impli- cando por si na existência da homofobia. (DUARTE, 2012: 96).

Segundo Fachini (2012) o cenário político em que se desenvolvem as ações do movimento LGBT atualmente é marcado por um caráter contraditório, no qual temos, por um lado, uma crescente visibilidade das homossexualidades e de suas demandas na mídia e na sociedade e a decisão histórica do Supremo Tribunal Federal (STF), que reconhece a união estável homossexual, que contrastam, por outro lado, com a ação de deputados e senadores da chamada bancada religiosa que têm bloqueado o avanço da agenda LGBT no legislativo e no executivo em vários níveis de governo. O mesmo governo federal que aceita impedir a difu- são do Kit anti-homofobia nas escolas, convoca o processo da 2º Conferência Nacional LGBT, que inclui conferências estaduais e regionais ou municipais, num amplo processo de reflexão e pactuação no âmbito dos estados e municípios acerca dos direitos de LGBT. Co- mo sintetizou recentemente Peter Fry (2011), numa contribuição ao debate no jornal O Estado de São Paulo: “a homofobia e a homofilia coexistem em constante tensão em toda a sociedade (...) Creio que esse alto grau de incerteza apenas contribui para a ho- mofobia e a insegurança das pessoas LGBTT”.

O grande jogo da história será de quem se apoderar das regras, de quem tomar o lugar daqueles que as utilizam, de quem se disfarçar para pervertê-las, utilizá-las ao inverso e voltá-las contra aqueles que as tinham imposto; de quem, se introduzindo no aparelho complexo, o fizer funcionar de tal mo- do que os dominadores encontrar-se-ão dominados por suas regras (FOUCAULT, 1979: 46).

Conforme Duarte (2012) questões relativas à sexualidade, orientação sexual e as expres- sões da diversidade da identidade de gênero que moldam os estudos no campo da diversi- dade sexual já são significativas em diversas áreas do conhecimento no Brasil e no exterior, sempre ressaltando a critica à ideologia heteronormativa, sexista e machista. No entanto, apesar desse volume crescente, percebemos uma lacuna entre essa produção teórica e as mudanças sócio-culturais, pedagógicas, sanitárias e políticas, salvo raras exceções, no que tange aos estigmas, preconceitos e discriminações à população LGBT.

Sabemos que boa parte dessa contestação no interior da sociedade tem sido mais radicalizada pelos setores conservadores e de forte teor fundamentalista religioso, impondo uma leitura de doença - como algo a ser tratado, mesmo que os órgãos nacionais e internacionais que agregam médicos, psi- quiatras, psicólogos e assistentes sociais tenham rompido com tal argumentação e entendam a di- versidade sexual como algo que está no campo dos direitos sexuais e humanos. (DUARTE, 2012: 94).

O Conjunto CFESS-CRESS esclarece que está no Código de Ética da categoria de Assistentes Sociais, exercer o serviço social sem sofrer discriminação e nem discriminar por questões de inserção de classe social, gênero, etnia, religião, nacionalidade, orientação sexual, iden-

tidade de gênero, idade e condição física. Este é apenas um dos princípios que balizam o trabalho de Assistentes Sociais no Brasil em prol dos direitos humanos.

O Conjunto CFESS-CRESS vêm, ao longo de quase duas décadas, promovendo ações políti- cas para dar visibilidade às questões LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, trangê- neros, intersexuais), e, consequentemente, qualificar o trabalho da categoria com este pú- blico.

Além de campanhas diversas sobre a temática LGBTI, o CFESS e os CRESS possuem um apa- rato político-normativo que tem como premissa o respeito à diversidade humana.

Um exemplo é a campanha pela liberdade de orientação e expressão sexual “O amor fala todas as línguas: assistente social na luta contra o preconceito”, lançada em 2006, em par- ceria com as entidades LGBTI.

Elaborada a partir da Resolução CFESS 489/2006, que estabelece normas vedando condu- tas discriminatórias ou preconceituosas, por orientação e expressão sexual por pessoas do mesmo sexo, no exercício profissional de assistentes sociais, a campanha é retomada com frequência pelas entidades.

Segundo Duarte (2012) é neste contexto que questões como a união/casamento civil iguali- tário - entre pessoas de mesmo sexo, o contrato de união estável (agora com o reconheci- mento de unidade familiar pelo STF das famílias homoconjugais a partir da concepção de homoafetividade), a homoparentalidade, a adoção de filhos/as, a doação de sangue, a redu- ção da violência e dos assassinatos, a garantia dos direitos sexuais e reprodutivos, o direito ao uso do nome social, o processo transexualizador no SUS (Sistema Único de Saúde), a luta pela criminalização da homofobia (PLC 122/06), entre outras situações de desigualdades de direitos, passam a compor o conjunto das agendas políticas, governamentais, jurídicas e legislativas.

No entanto, sabemos que a questão da marginalização, discriminação e estigmatização de LGBT é co- tidianamente enfrentada por estes cidadãos, seja em casos de desrespeito e violência; em situações vexatórias e preconceituosas; na destituição de esperanças de sobrevivência digna e segura; quando são comumente inferiorizados ou reprimidos ao assumirem uma identidade sexual fora dos padrões convencionais; os baixos índices de instrução (evasão escolar provocada pela discriminação); na di- ficuldade de acesso ao mercado de trabalho (subempregos e atividades estigmatizantes) e aos servi- ços de saúde, levando a população LGBT, em boa parcela, a um sofrimento psíquico intenso, às vezes considerando-se anormais e desviantes da normatividade dominante entre os sexos e gêneros. (DU- ARTE, 2012: 95).

Em 2014 o Conjunto CFESS-CRESS lançou o cartaz “Nem rótulos, nem preconceito. Quero respeito”, que defende o uso do nome social e às pessoas a livre expressão da identidade de gênero.

O material reforça ainda a importância de outra resolução do Conjunto, a 615/2011, que possibilita a assistentes sociais travestis e transexuais o uso do nome social na carteira e na cédula de identidade profissional.

O Conjunto CFESS-CRESS também tem participado das atividades promovidas pelas enti- dades representativas LGBTI, como as paradas e as marchas contra a homofobia.

O Conselho Federal esteve presente nas últimas três marchas realizadas em Brasília (DF), levantando as principais bandeiras LGBTI, inclusive a de aprovação do Projeto de Lei que criminaliza a homofobia.

O Conselho Federal lança também diversos manifestos em razão de algumas datas políticas, como o Dia do Orgulho LGBTI, o Dia da Visibilidade Lésbica, entre outras.

Para se aproximar ainda mais das pautas LGBT, o CFESS compõe, desde 2013, o Conselho Nacional de Combate à Discriminação de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (CNDC/LGBT).

A participação do Conselho de Serviço Social no CNDC/LGBT é fundamental, não só pela histórica luta da profissão pelos direitos da população LGBT, mas também para dar visibili- dade a uma área de atuação de Assistentes Sociais.

Partindo da premissa de que os assistentes sociais pertencem à categoria de trabalhadores assalariados, que através do exercício teórico-metodológico, técnico-operativo e ético- político, investem na construção, manutenção e garantia de direitos sociais historicamente conquistados em meio à luta de classes, é seguro afirmar que o tema aludido é de suma importância para a especialização profissional e científica dos assistentes sociais.

Portanto, ao assistente social e ao graduando em Serviço Social, cabe o desafio de se quali- ficar, para que assim desenvolva uma atuação interventiva e investigativa adequada, com a finalidade de responder a tais demandas a partir de uma perspectiva de totalidade, tendo assim, os subsídios para a compreensão da estrutura social, bem como a dinâmica e com- plexidade do movimento real dos usuários que recorrem à prestação dos serviços.

Mioto (2000) afirma que discutir a dimensão técnico-operativa do Serviço Social implica reconhecer a sua complexidade dada pela diversidade de espaços sócio-ocupacionais nos quais os profissionais transitam e pela própria natureza das suas ações nos diferentes âm- bitos do exercício profissional, como, por exemplo, a proposição e formulação de políticas

sociais, o planejamento, gestão e articulação de serviços e programas sociais, ou atendi- mento direto aos usuários em diferentes instituições e programas sociais.

Quando interligamos casamento homoafetivo e Serviço Social, visamos refletir sobre os desafios e dificuldades que o assistente social encontra na utilização da dimensão teórico- metodológico do fazer profissional, como por exemplo, o equívoco que cometem alguns profissionais que compõem a categoria, que discorrem que a prática é uma coisa e a teoria é outra.

Logo, a discussão sobre a importância da sistematização da prática profissional do assis- tente social, proporciona conhecimento real da realidade apresentada, possibilitando uma intervenção efetiva que deverá ultrapassar a preocupação em relação ao custo-benefício ou eficiência e eficácia da intervenção.

O Código de Ética Profissional do/a Assistente Social destaca que a sistematização da práti- ca profissional para o assistente social é importante por ser um processo orientado por referências teóricas que definem a metodologia, as estratégias de ação, os objetos e a forma de avaliar os resultados alcançados. Sistematizar o fazer profissional é um componente de suma importância para o trabalho do assistente social, pois o auxilia na identificação dos limites, desafios e possibilidades frente as demandas sócio-institucionais que lhe são colo- cadas a partir da dinâmica do ser social. Sistematização da prática não significa portanto, apenas a elaboração de dados e informações burocráticas, e muito menos uma perspectiva redentorista do trabalho profissional.

Segundo Almeida (2006) a sistematização das atividades realizadas pelos profissionais de Serviço Social é uma etapa fundamental das elaborações teóricas. Através da sistematiza- ção, por exemplo, podem surgir grandes projetos devido à fundamentação teórica, emba- samento crítico e clareza em relação ao objeto de intervenção que a mesma proporciona, além de dar subsídios para amadurecer a prática profissional.

Sobre o exposto, Sousa (2006) afirma que no tocante à competência teórico-metodológica, técnico-operativa, e ético-política, o/a assistente social deve conhecer, se apropriar, e so- bretudo, criar um conjunto de habilidades técnicas que permitam ao mesmo desenvolver as ações profissionais junto à população usuária e às instituições contratantes (Estado, em- presas, Organizações Não-governamentais, fundações, autarquias etc.), garantindo assim uma inserção qualificada no mercado de trabalho, que responda às demandas colocadas tanto pelos empregadores, quanto pelos objetivos estabelecidos pelos profissionais e pela dinâmica da realidade social.

O autor esclarece que o profissional deve ser qualificado para conhecer a realidade social, política, econômica e cultural com a qual trabalha. Para isso, faz-se necessário um intenso rigor teórico e metodológico, que lhe permita enxergar a dinâmica da sociedade para além dos fenômenos aparentes, buscando apreender sua essência, seu movimento e as possibili- dades de construção de novas possibilidades profissionais.

Sobre o ponto de vista da Metodologia, Sousa (2006) diz que de acordo com a instrumenta- lidade do Serviço Social, expressar os objetivos que se quer alcançar não significa que eles necessariamente serão alcançados. Nunca podemos perder de vista que qualquer ação hu- mana está condicionada ao momento histórico em que ela é desenvolvida. A realidade soci- al é complexa, heterogênea e os impactos de qualquer intervenção dependem de fatores que são externos a quem quer que seja – inclusive ao Serviço Social. Como analisa Iamamo- to (1995), reconhecer as possibilidades e limitações históricas, dadas pela própria realida- de social, é fundamental para que o Serviço Social não adote, por um lado, uma postura fa- talista (ou seja, acreditar que a realidade já está dada e não pode ser mudada), ou por outro lado, uma postura messiânica (achar que o Serviço Social é o “messias”, que é a profissão que vai transformar todas as relações sociais). É importante ter essa compreensão para localizarmos o lugar ocupado pelos instrumentos de trabalho utilizados pelo assistente social em sua prática.

Entendo que os desafios profissionais do Serviço Social inscrevem-se no âmbito da com- preensão do significado social da sua intervenção, discorre Netto (2007). Este significado só é inteligível se se elucidarem as condições em que as relações sociais se processam (vale dizer: produzem-se e reproduzem-se) na sociedade contemporânea.

Os assistentes sociais trabalham com a questão social nas suas mais variadas expressões quotidia- nas, tais como os indivíduos as experimentam no trabalho, na família, na área habitacional, na saúde, na assistência social pública, etc. Questão Social que sendo desigualdade é também rebeldia, por en- volver sujeitos que vivenciam as desigualdades e a ela resistem, se opõem. É nesta tensão entre pro- dução da desigualdade e produção da rebeldia e da resistência, que trabalham os assistentes Sociais, situados nesse terreno movido por interesses sociais distintos, aos quais não é possível abstrair ou deles fugir porque tecem a vida em sociedade. (Iamamoto, 1997, p. 14)

Segundo Freire (1997) o papel do trabalhador social que optou pela mudança não pode ser outro senão o de atuar e refletir com os indivíduos com quem trabalha para conscientizar- se junto com eles, isto implica a necessidade constante do trabalhador social de ampliar cada vez mais seus conhecimentos, não só do ponto de vista de seus métodos e técnicas de ação, mas também dos limites objetivos com os quais se enfrenta no seu quefazer.

Logo, o assistente social deve aprimorar a práxis profissional com expertise e consciência social.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O tema ora exposto é importante para a sociedade brasileira. Vivemos em um país muito diverso. Tantas culturas fazem uma mistura de tradições e costumes muito singulares que nos fazem ser um país único e especial.

O reconhecimento da união estável homoafetiva como entidade familiar pelo Supremo Tri- bunal Federal (STF) em 5 de maio de 2011, e consequentemente, o reconhecimento do ca- samento entre pessoas do mesmo sexo pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 25 de outubro de 2011, e a aprovação pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 14 de maio de 2013, da resolução Nº 175, que impõe que os cartórios em nível nacional realizem a união estável e/ou casamento de casais homoafetivos, é um marco histórico. Uma conquista para a comunidade LGBTI, mas acima de tudo, um ganho para a sociedade brasileira.

Juridicamente não há nenhuma diferença entre o processo de casamento civil heteroafeti- vo e o processo de casamento civil homoafetivo. Não difere nem se a divergência for a des- conformidade de religião, ou ausência desta, caso os nubentes sejam católicos, evangélicos, umbandistas, espíritas, muçulmanos, judeus, agnósticos ou ateus, por exemplo. Pois o Esta- do brasileiro é laico. O Estado laico é neutro sobre questões religiosas.

A Constituição Federal de 1988 é baseada no conceito de igualdade. O sentido amplo de igualdade é equidade. Equidade é a garantia a todos os sujeitos, em igualdade de condições, ao acesso às ações e serviços do Estado. O propósito da equidade é diminuir desigualdades. Portanto, se o Estado brasileiro não admite a interferência da igreja em assuntos políticos e culturais, e a Constituição Cidadã tem como escopo a equidade; logo, o casamento entre pessoas do mesmo sexo é uma entidade familiar legítima.

O casamento igualitário é a celebração da diversidade humana. Portanto, ao pensarmos sobre o casamento, façamos a nós mesmos algumas perguntas: 1) Existe alguma diferença entre o casamento heteroafetivo e o casamento homoafetivo? 2) Há alguma discrepância entre o afeto heterossexual e o afeto homossexual, partindo da premissa de que sujeito é sujeito seja ele qual for? 3) Há várias formas de democracia? Não. A democracia é um só. Democracia é enxergar o outro não como objeto, mas como sujeito. O que leva-me a apre- ender: somos todos iguais, porque somos diferentes.

A propósito, há várias formas de afeto? Sim, afeto é diverso. Há o afeto fraternal, o afeto conjugal, o afeto maternal, o afeto paternal, o afeto filial, o afeto heterossexual, e o afeto homossexual, por exemplo. Afeto é tão heterogêneo, que a conjugação do verbo afe- tar divide-se em indicativo, subjuntivo, imperativo e infinitivo. Afetar no indicativo é pre-

sente, pretérito imperfeito, pretérito perfeito, pretérito mais-que-perfeito, futuro do pre- sente, e futuro do pretérito. No subjuntivo, afetar é presente, pretérito imperfeito, e futuro. No imperativo, afetar é afirmativo e negativo. E no infinitivo afetar é pessoal. E tem mais, afetar tem seis pessoas: eu, tu, ele(ela), nós, vós eles(elas). Portanto, não há diferença entre o afeto de um homem por uma mulher; de uma mulher por um homem; de um homem por outro homem; de uma mulher por outra mulher; de um intersexual por outro intersexual; de intersexuais pelos demais e/ou dos demais por esses.

Intersexo (intersexual; intersexuais) é o termo usado para indicar uma gama de conjuntu- ras onde um sujeito nasce com uma anatomia sexual que não encaixa-se na descrição de sexo feminino ou masculino. Isto é, um sujeito pode ter uma aparência masculina, mas ter genitais femininas. Ou ter genitais que se situam entre o feminino e o masculino.

Identidade de gênero atribui o gênero que o sujeito se reconhece (gênero masculino, fe- minino, ou transgênero, por exemplo).

Papel social de gênero são comportamentos associados ao gênero masculino e ao gênero feminino.

Orientação sexual  sinaliza por qual (por quais) gênero/os o sujeito tem atração físico- afetiva. O sujeito pode entender-se como assexual, bissexual, heterossexual, homossexual etc., dentre as infinitas possibilidades que atravessam a diversidade humana (sujeitos cole- tivos).

A partir da Constituição Federal de 1988, a igualdade social passou a ser direito do cidadão e dever do Estado, mas aos casais homoafetivos foi dado um papel social de segundo plano: sem protagonismo social, como se estes fossem quase invisíveis; imperceptíveis; como se não existissem, recebendo um tratamento insignificante.

O julgamento simultâneo da ADI 4277 e da ADPF 132 pelo STF veio corrigir um erro e uma injustiça históricos.

Desde 2011 o afeto homossexual no Brasil passou a ter nome, sobrenome, CEP, CPF, RG, dignidade, orgulho e cidadania.

A família é uma instituição Social historicamente condicionada e dialeticamente articulada com a so- ciedade na qual está inserida. Isto pressupõe compreender as diferentes formas de famílias em dife- rentes espaços de tempo, em diferentes lugares, além de percebê-las como diferentes dentro de um mesmo espaço social e num mesmo espaço de tempo. Esta percepção leva a pensar as famílias sem- pre numa perspectiva de mudança, dentro da qual se descarta a ideia dos modelos cristalizados para se refletir as possibilidades em relação ao futuro. (MIOTO, 1997, p.128)

Meu objetivo com esta pesquisa foi de analisar a união civil entre pessoas do mesmo sexo e seus desdobramentos na sociedade brasileira; identificar os avanços jurídicos no tocante à garantia de direitos civis para os segmentos sociais dos homoafetivos, a partir do reconhe- cimento da união homoafetiva como entidade familiar pelo Supremo Tribunal Federal atra- vés do julgamento simultâneo da Ação Direta de Inconstitucionalidade 4277/DF (moção da Procuradoria-Geral da República; e da Arguição de Descumprimento de Preceito Fun- damental 132/RJ, expressa pelo Governo do estado do Rio de Janeiro); especificar a união homoafetiva como entidade familiar; abordar a importância da garantia de direitos para os LGBTI.

Pelo que eu estudei, o reconhecimento da união estável homoafetiva como entidade famili- ar pelo Supremo Tribunal Federal através da ADI 4277 e da ADPF 132 é compatível com o princípio protetivo que permeia a Constituição Federal de 1988 com relação ao conceito de universalidade, equidade e integralidade, visando a garantia de direitos. Ademais, constatei que o reconhecimento da união estável homoafetiva como entidade familiar vai de encon- tro à pauta do Projeto Ético-Político do Serviço Social brasileiro, constituída coletivamente

No documento Família Homoafetiva e o Serviço Social-1 (páginas 59-74)