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CAPÍTULO 3 – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICO-METODOLÓGICA

3.3 CONSIDERAÇÕES CONCEITUAIS DE CONECTIVIDADE EM ECOLOGIA DA

A conectividade entre as manchas é um aspecto importante nos estudos de Ecologia da Paisagem. Para compreendê-la, se reconhece nesta pesquisa a relevância de uma abordagem quanto aos principais pressupostos da Biogeografia Insular, visto que dela surge a base para as investigações quanto à conectividade.

Além da relevância já apresentada, tem-se o fato de que a porção de Vitória que está sendo estudada é a porção insular, e os Parques Naturais em termos de configuração espacial também se delineiam como “ilhas”, já que estão isolados uns dos outros e circundados por ocupação urbana, em alguns casos.

De acordo com Cox & Moore (2009), George Foster e Candolle foram alguns dos primeiros cientistas a assinalarem observações de características específicas da biogeografia das espécies em ilhas, entretanto, devido principalmente ao volume de trabalhos produzidos Alfred Wallace é tido como o precursor dos estudos acerca daquele assunto. Odum e Barret (2008, p.390) afirmam que “[...] as ilhas tem fascinado biólogos, geógrafos e ecólogos desde que Charles Darwin visitou as ilhas Galápagos. Também ficou aparente que as manchas de paisagem no continente provavelmente funcionam como ilhas dentro do mosaico da paisagem [...].”

A Biogeografia Insular ganha grande notoriedade e credibilidade com a formulação conceitual e matemática da Teoria da Biogeografia de Ilhas (MACARTHUR & WILSON, 1967). Essa Teoria se alicerçou em três premissas principais, quais sejam: a de que o número de espécies de uma ilha está relacionado ao equilíbrio entre as taxas de colonização e extinção, o número de espécies relaciona-se à área das ilhas e por último, a Teoria relaciona-se aquele número ao grau de isolamento da ilha (Figura 23).

Figura 23 - Modelos representativos das premissas da Biogeografia Insular Fonte: Modificado de MacArthur & Wilson (1967).

De acordo com MacArthur & Wilson (1967) inicialmente a taxa de imigração em uma ilha recém-formada é alta porque ela pode ser colonizada por qualquer espécie que possua condições de dispersão para alcançá-la. Com o passar do tempo, os imigrantes iniciais se estabelecerão na ilha e com isso as taxas de chegada se reduzirão. A taxa de extinção, ao contrário, aumenta com o tempo, porque de acordo com os autores todas as espécies são passíveis de extinção, então quanto maior seu número, mais serão extintas. Por essas e tantas outras contribuições,

Não surpreende que a Teoria da Biogeografia Insular tenha sido calorosamente bem recebida por aqueles envolvidos em gerenciamento e projetos de reservas naturais, pois essas podem ser analisadas como ilhas no meio de um “mar” circundante de terra desprotegida (COOX & MOORE, 2009, p.162).

Coox & Moore (op.cit.) afirmam que a Teoria da Biogeografia de Ilhas já recebeu diversas críticas quanto a sua confiabilidade como teoria geral em especial há um esforço crítico sobre o aspecto do equilíbrio ecológico, um dos pressupostos da Teoria.

Hoje se sabe que na implantação de reservas naturais, vários aspectos devem ser considerados, além dos já propostos pela Teoria. Todavia, ela não se tornou obsoleta e nem deve ser totalmente esquecida. É passível de complementações, substituições e aprofundamento, mas pode ainda contribuir muito com a discussão acerca das espécies de fauna e flora em reservas que na maior parte das vezes estão ilhadas.

A discussão acerca do isolamento geográfico e sua interferência positiva ou negativa nos ecossistemas, por exemplo, segue, numa nova roupagem dentro da Ecologia da Paisagem quando se discute a conectividade entre as manchas na paisagem.

A conectividade é uma característica muito importante, especialmente às condições ecológicas na paisagem. Ela se faz relevante tanto para as unidades da paisagem, como é característica destacável na matriz. Metzger (2001) define a conectividade como a capacidade da paisagem de facilitar os fluxos biológicos e que aumenta a possibilidade de (re)colonização de sítios por espécies.

Forman & Godron (1986) consideraram conveniente a definição matemática de conectividade, a qual afirma que um espaço está totalmente conectado quando não dividido em dois ou mais todos abertos.

Casimiro (2003) afirma que existem dois tipos de conectividade que devem ser observados, quais sejam: a conectividade estrutural e a conectividade funcional. A primeira trata-se da conexão física, a ligação entre as formas da paisagem por meio de um corredor, ou uma borda; e a segunda trata da conexão possível no sentido das formas, que apesar de não fisicamente conectadas, possibilitam as trocas e os fluxos entre as unidades, conforme observado na figura 24.

Figura 24 – Estratégias de restauração da conectividade. O primeiro exemplo trata de conectividade estrutural e os dois seguintes de conectividade funcional

Fonte: Metzger (2001)

Na busca pela conservação da biodiversidade é relevante a preocupação com a conectividade que pode se dá de distintas formas, e variarão em função dos usos já presentes na paisagem.

A conectividade refere-se ao quão interligadas ou próximas estão as unidades da paisagem. As manchas, por exemplo, que são unidades geométricas e matematicamente invidualizadas, podem estar conectadas por corredores. Os corredores ecológicos são exemplos de forma que possibilitam a conexão da paisagem. Sobre os corredores ecológicos no Brasil,

Buscam avançar na consolidação das Unidades de Conservação (UC’s) de diferentes categorias de manejo, promover o planejamento ambiental e propiciar a integração de ações entre órgãos ambientais. Buscam ainda identificar áreas com potencial para criação de novas UC’s visando proteger a fauna e a flora, sua diversidade biológica e as populações da região (BRITTO, 2006, p.73).

A conectividade em Ecologia da Paisagem é, de maneira geral, uma característica amplamente discutida no âmbito da preocupação com a minimização de impactos da fragmentação e/ou da perda de habitats sobre a preservação de espécies, conservação da biodiversidade, e sobre a tentativa de reduzir ocorrências de extinção.

Em paisagens urbanas há uma patente dificuldade na promoção de efetiva conectividade estrutural, em especial de áreas verdes. Isso ocorre em função do intenso uso e ocupação da terra com diversos equipamentos urbanos, bem como o elevado contingente populacional que demanda grande número de residências, enfim. Com isso, salvo poucas exceções, pelo menos no Brasil, não há preocupação em manter ou reservar espaços às áreas verdes e à conectividade entre elas.

Há em diversos países, tais como Guatemala, México e Japão, iniciativas de criação dos Corredores Ecológicos. No Brasil e no estado do Espírito Santo existe o projeto Corredores Ecológicos da Mata Atlântica, já mencionado.

Para Metzger (2001), a conectividade não deve ser avaliada somente do ponto de vista estrutural, como aquela conectividade possibilitada pelos corredores. Em função do uso que se faz da terra é possível que outras formas de conectividade sejam particularmente efetivas e por tanto, a funcionalidade da conectividade é um aspecto bastante relevante, por exemplo, nas paisagens urbanas por motivos já expostos anteriormente.