CAPÍTULO II – REFLEXÕES EM TORNO DAS RELAÇÕES CIÊNCIA, TECNOLOGIA,
CAPÍTULO 4 ANÁLISE DE DADOS
4.1 Análise das atividades da unidade 1 – Assistir e discutir o documentário “Belo Monte, o
4.1.1 Considerações e impressões sobre a turma 9ºC
No dia 13/07/15 estavam presentes 18 alunos, para a etapa da problematização com a fatura de energia elétrica. A sugestão dada pela professora era formar dois grupos com quatro alunos e dois grupos com cinco alunos. Mas, duas alunas optaram por formar uma dupla e o restante formou quatro grupos de quatro alunos. No dia 20/07/15, os alunos continuaram as discussões, mas não com a mesma formação, visto que faltaram três alunos que haviam iniciado a atividade e dois alunos que não estavam presentes na aula anterior e não tinham participado das primeiras discussões se integraram nos grupos já formados. Algumas ausências no decorrer do processo acabaram dificultando a continuidade dos trabalhos. O grupo formado pelos alunos A6, A10, A18 e A19 foi bastante participativo chamando a professora várias vezes para a discussão. Dois grupos relataram dificuldade de citar uma usina hidrelétrica e uma informação relacionada. A professora orientou para que caso não lembrassem de um nome não teria problema, mas deviam fazer o possível para lembrar de uma informação relacionada a usinas hidrelétricas. O aluno A12 perguntou se poderia pesquisar na Internet, a professora respondeu que teria o momento para esta atividade de pesquisa e esclareceu que naquele momento seria importante discutir as informações que cada aluno já trazia consigo. Os alunos demonstraram certa insegurança, requisitavam a professora para questionar se suas conclusões estavam corretas, ou não. A professora explicou que deveriam anotar suas conclusões. O planejado para esta etapa seria uma aula para discussão
nos pequenos grupos e uma no grande grupo, porém para os pequenos grupos foram necessárias duas aulas para esse processo.
Na terceira aula no dia 24/07/15, para discutir as questões no grande grupo, a professora iniciou falando que esta aula seria para compartilhar com os demais colegas as respostas discutidas em cada grupo. Ao posicionar a câmera, a professora percebeu alguns alunos esquivando-se do foco, deslocando-se para lugares onde a câmera não iria focar. Então a professora perguntou qual era o problema, por que não estavam à vontade com a filmagem se eles haviam concordado com o procedimento. O aluno A19 falou que não estava à vontade com a câmera e a grande maioria concordou com ele, pois não estavam gostando do fato de serem filmados. Os alunos estavam arrependidos com a concordância com as filmagens. A professora perguntou se eles ficariam mais à vontade se apenas gravasse a voz durante as aulas. Os alunos foram mais receptivos com esta ideia. A partir deste momento as aulas foram gravadas somente em áudio. Em relação à tarefa de discussão no grande grupo compareceram apenas 11 alunos por motivo de chuva, mas mesmo com este contratempo foi possível estabelecer um processo comunicativo de problematização a partir das questões discutidas nos grupos. O envolvimento argumentativo estabelecido nesta aula constitui objeto de análise de dados durante a próxima etapa do trabalho.
Para a etapa da organização do conhecimento nesta turma, a sessão foi interrompida algumas vezes, pois os alunos sentiram a necessidade de questionar algumas informações declaradas no filme. Durante a exibição do filme, os alunos questionaram sua data de produção e se a construção da Usina de Belo Monte chegou a ocorrer. A professora explicou que o filme foi produzido em 2012, que a usina está em construção e que a previsão de parte desta entrar em funcionamento seria ainda para o ano de 2015.
O aluno A19 demonstrou indignação pela atitude de ironia pela qual o deputado Nícias Ribeiro tratava a questão, atitude esta que foi objeto de discussão ao término da sessão. Ainda A19 questionou o que Arnold Schwarzenegger estava fazendo na visita aos indígenas, pois o aluno não havia entendido finalidade da visita. A professora disse para que ele anotasse esta dúvida, pois seria uma questão a ser discutida logo após os alunos terminarem de assistir.
Na segunda aula assistindo o documentário, houve uma interrupção no momento em que o aluno A18 falou que não estava entendendo, mas a professora explicou que a cena que estava sendo mostrada se referia a estudos realizados em outras áreas de construção de usinas hidrelétricas, que demonstram que áreas de construção de barragens recebem muita mão-de- obra masculina e de outros estados; estes homens geralmente não levam a família e se acomodam nos alojamentos das empreiteiras. A grande maioria destes homens acaba procurando prostitutas e nas cidades próximas às construções de barragens se formam dezenas
e até centenas de cabarés. A cena se referia a uma série de problemas sociais relacionados à exploração sexual da mulher que surge em áreas de obras de usinas hidrelétricas.
Na terceira aula da sessão no 9º C, enquanto a professora arrumava o equipamento, o aluno A19 disse não estar entendendo o filme. A professora fez um breve resumo do que havia sido exibido nas duas últimas aulas, para que os alunos que não estavam conseguindo assimilar as informações conseguissem, a partir daquele momento, acompanhar com maior clareza. No dia 30/07/15 foram destinadas duas aulas, sendo uma para terminar de assistir o filme e a outra para as discussões. Em relação às discussões, os alunos se comportaram de uma forma imatura. Talvez não estivessem acostumados a esta forma de trabalho, alguns ficaram alheios à discussão. A professora introduziu a discussão, fez a gravação em áudio em torno de 30 minutos. Mas não se considerou satisfeita com as informações e percepções que conseguiu levantar junto aos alunos acerca do documentário. A professora ficou em dúvida se poderia ter sido a forma como conduziu a discussão, ou se realmente os alunos não haviam entendido a linguagem do filme. Por este motivo, a professora preparou uma atividade escrita sobre o filme para as duas aulas seguintes do dia 31/07/15. As questões escritas foram as mesmas apresentadas pela professora na discussão oral. A professora solicitou que formassem quatro grupos com 18 presentes. Os alunos preferiram formar grupos menores e foram formados então seis grupos, com dois, três e quatro alunos. A professora não insistiu para que fosse feito como havia solicitado de início, pois alguns alunos não se sentiam à vontade para trabalhar com os colegas com os quais não tinham muita afinidade, solicitou que cada grupo gravasse em áudio a discussão e anotasse por escrito a conclusão. Percebeu-se que a maioria dos alunos foram dedicados durante as duas aulas, todos os grupos chamaram a professora para esclarecer dúvidas. Apenas um grupo conseguiu concluir a discussão, a professora solicitou que todos entregassem as anotações que haviam feito, porém um grupo não entregou.