O objetivo da pesquisa consistiu em identificar os estilos gerenciais dos dirigentes das pequenas empresas associadas à ACIOC, conforme o ciclo de vida dessas organizações, utilizando modelo proposto por Oliveira et al. (2015). Acerca disso, os autores consideram que
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tal objetivo foi atingido, uma vez que os resultados apontaram para o conjunto de atividades mais valorizadas pelos dirigentes das empresas nos três estágios (1 – Estabelecimento, 2 – Direção e 3 – Consolidação).
Nessa direção, observa-se que no estágio 1 a atividade mais valorizada pelos respondentes foi a de alocador de recursos (média 6), enquanto que a menor média foi atingida pela de porta-voz (média 2,8). A distância entre a primeira e a última atividade é de 3,2 pontos, ou seja, para esses dirigentes, é mais importante as atividades de alocar recursos, monitorar, planejar, empreender e controlar, do que praticar a liderança, representar a empresa externamente ou ser o porta-voz para reivindicar melhorias ou recursos para o setor e para a empresa.
Para os estágios 2 e 3, essa diferença diminui por conta do aumento das médias nas atividades de negociador, representante e porta-voz, sugerindo que, conforme a empresa amadurece (mais tempo no mercado e maior organização interna), os dirigentes passam a valorizar atividades não contempladas no estágio 1 e a considerá-las importantes para direcionar o negócio no futuro.
Por outro lado, a análise fatorial revelou que para este grupo de dirigentes há quatro fatores que representam os estilos gerenciais e que formariam a identidade desse grupo quanto a abordagem de processo e de papéis. O primeiro fator aborda tanto atividades de processos, quanto de papéis, sendo que os demais fatores abrangem somente atividades representativas dos papéis. Então, ao comparar os estilos gerenciais extraídos da análise fatorial e as atividades mais valorizadas em cada um dos estágios do ciclo de vida organizacional observou-se que estes são valorizados de formas específicas e diferentes, de acordo com o estágio em que se encontram.
Quanto às atividades de processos destacadas na análise fatorial (Fator 1), das 12 questões constantes no questionário, 5 foram identificadas como as principais. Isso sugere que para esse grupo de dirigentes é importante realizar atividades de processos relacionados à orientação de seus colaboradores, agindo também como direcionadores das atividades. Em relação aos papéis, foram sugeridas 30 questões e os agrupamentos de fatores (1, 2, 3 e 4) identificaram a priorização de 20 papéis, demonstrando ampla gama de atividades exercidas por esses dirigentes.
No entanto, esta pesquisa revelou dados interessantes, que podem ser utilizados para ampliar os trabalhos da associação empresarial mencionada, especialmente para direcionar atividades específicas para o desenvolvimento dos dirigentes das firmas associadas. Assim, o estudo pode contribuir para instigar a profissionalização desses dirigentes na gestão de empresas (com a adoção de normas, processos, indicadores de desempenho, gestão de pessoas, etc.), já que possuem formações diversas e conhecimentos
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técnicos importantes para a condução do negócio, mas que nem sempre representam o que a administração dessas organizações requer.
Este estudo ainda facilita que as instituições de ensino superior e as entidades empresariais da região onde foi desenvolvida a pesquisa pensem em políticas de formação de dirigentes de forma mais customizada para o contexto gerencial de empresas cujos gestores têm formações de áreas distintas das que tradicionalmente são associadas à administração empresarial. Assim, caberia formatar treinamentos sobre gestão voltados para profissionais sem formação administrativa (como engenheiros, advogados, veterinários, médicos, professores, etc.), mas que exercem na prática outro ofício ao gerenciar entidades de segmentos empresariais díspares daqueles da respectiva graduação.
Quanto às limitações associáveis, convém esclarecer que a diversidade de empresas (tipos de negócios) e o pequeno porte das entidades (em termos do número de colaboradores) pode ser considerada uma limitação deste estudo. No mesmo sentido, o tamanho da amostra utilizada, que pode ser considerada pequena diante do total de empresas associadas à ACIOC, induz considerar que não é cabível extrapolar os achados oriundos do estudo para outros contextos empresariais ou regionais.
No que concerne a sugestões para trabalhos futuros, recomenda-se estender esta pesquisa para dirigentes de empresas de acordo com o segmento onde atuam, a fim de identificar os perfis preponderantes em empresas comerciais, industriais e de prestação de serviços. Uma recomendação adicional seria realizar pesquisa semelhante em outras associações, regiões catarinenses ou estados brasileiros para que haja uma base de comparação mais robusta. Com isso, seria possível definir com mais propriedade os estilos gerenciais dos dirigentes de pequenas empresas, já que estudos anteriores apontam para uma lacuna a respeito (Oliveira et al., 2015), motivada provavelmente pela diversidade de empresas.
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Para citar este artigo:
lmeida, I., & Wernke, R. (2018). Estilos Gerenciais dos Dirigentes de Pequenas Empresas:
Estudo Baseado no Ciclo de Vida Organizacional. REGEPE - Revista de Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas, 7(3). doi:https://doi.org/10.14211/regepe.v7i3.737