Os resultados encontrados neste estudo, que buscou explorar as parti-cularidades de empresas de serviços para a compreensão do impacto das relações interorganizacionais na inovação nesse contexto, apresentaram contribuições teóricas e práticas. Os resultados corroboraram os aspectos teóricos elencados a partir da literatura, como um caminho para uma com-preensão ampla do fenômeno nas organizações. As motivações para o engaja-mento em uma aliança estratégica, os mecanismos para a seleção de parceiros, as práticas adotadas, o processo colaborativo por meio do compartilhamento de recursos, a aprendizagem e os impactos no processo e nos resultados de inovação puderam ser observados no caso analisado, o que possibilitou conexões entre teoria e prática, e forneceu evidências empíricas que contri-buem para a construção da teoria e para a prática gerencial.
23
A compreensão sobre como as empresas inovam, tendo em vista o pro-cesso de inovação em empresas de serviços, mostra-se desafiadora pela heterogeneidade e complexidade desse setor em particular, e, nesse sentido, o estudo oferece contribuições com base nas observações do caso. Integran-do aspectos da estratégia, gestão e práticas como uma forma de analisar os impactos das relações interorganizacionais na inovação, verificou-se que a formação de parcerias estratégicas corresponde a uma estratégia de inovação que pode não ser exclusiva, mas parte da estratégia corporativa, em que a gestão e a adoção de novas práticas são essenciais para o alcance de resulta-dos positivos para os parceiros.
Conforme evidenciado no caso, a necessidade de adaptações que ambas as empresas precisaram gerenciar a partir das práticas adotadas, resultando em inovações de processos, corresponde a um aprendizado relevante sobre a estruturação do modelo de gestão aplicado a parcerias, principalmente entre empresas com tamanho, estruturas e culturas organizacionais distintas. De fato, as mudanças geradas pela parceria e percebidas como resultados de ino-vação no curto prazo geraram impactos relevantes para a construção de estra-tégias e modelos de gestão da inovação baseados em parcerias, o que resultou na adoção de novas práticas e criação de um novo contexto de inovação, e impactou ainda a cultura e capacidade de inovação de ambos os parceiros.
Como contribuição gerencial, o estudo oferece uma visão sobre como alianças estratégicas podem ampliar os limites do conhecimento, tornando-se uma fonte de recursos complementares, ao ampliar a rede de relacionamen-tos das empresas e potenciais fontes de inovação. Novas formas de promo-ver a inovação, mudanças na cultura organizacional de modo a torná-la mais alinhada à dinâmica do ambiente competitivo e novos arranjos organizacio-nais emergentes representam desafios estratégicos contemporâneos, com vistas à sustentabilidade das organizações.
Como sugestões para pesquisas futuras, uma investigação sobre como as empresas criam conhecimentos, ou novas bases de conhecimento, distan-ciando-se do status quo e movendo-se com mais agilidade para inovações disruptivas, por meio de relações interorganizacionais, e sobre como geren-ciam tais conhecimentos no nível da díade ou da rede, ou ainda como as parcerias impactam os indivíduos e o ecossistema poderiam complementar os resultados deste estudo.
Estudos de caso que visam à compreensão em profundidade de aspectos reais do processo investigado, em que as fronteiras entre o fenômeno e o contexto não estão claras, não permitem uma generalização de resultados (Yin, 2015). Oferecem, contudo, a possibilidade de compreensão de uma
24
realidade em um determinado contexto, com contribuições específicas ba-seadas nesse cenário.
REFERÊNCIAS
Anand, B. N., & Khanna, T. (2000). Do firms learn to create value? The case of alliances. Strategic Management Journal, 21(3), 295–315.
Autio, E., & Thomas, L. (2014). Innovation ecosystems. In Dodgson, M., Gann, D. M., & Phillips, N. (Eds.), The Oxford handbook of innovation management (pp. 204–288). OUP Oxford.
Banco Central do Brasil (2018). Relatório de economia bancária 2017.
http://www.bcb.gov.br/pt-br#!/n/REB
Banco Interamericano de Desenvolvimento, & Finnovista (2017). Fintech: Ino-vações que não sabia que eram da América Latina e o Caribe. https://publications.
iadb.org/handle/11319/8265?locale-attribute=pt&
Bardin, L. (2011). Análise de conteúdo. Edições 70.
Baron, S., Patterson, A., Oakes, S., Harris, K., Droege, H., Hildebrand, D., &
Forcada, M. A. H. (2009). Innovation in services: Present findings, and future pathways. Journal of Service Management, 20(2), 131–155.
Baum, J. A., Calabrese, T., & Silverman, B. S. (2000). Don’t go it alone:
Alliance network composition and startups’ performance in Canadian biotechnology. Strategic Management Journal, 21(3), 267–294.
Berchicci, L. (2013). Towards an open R&D system: Internal R&D invest-ment, external knowledge acquisition and innovative performance. Research Policy, 42(1), 117–127.
Biggemann, S., & Buttle, F. (2012). Intrinsic value of business-to-business relationships: An empirical taxonomy. Journal of Business Research, 65(8), 1132–1138.
Brady, T., & Davies, A. (2004). Building project capabilities: From explora-tory to exploitative learning. Organization Studies, 25(9), 1601–1621.
Brady, T., & Davies, A. (2014). Managing structural and dynamic complexity:
A tale of two projects. Project Management Journal, 45(4), 21–38.
Cantù, C., Corsaro, D., Tunisini, A., Dagnino, G. B., Levanti, G., Minà, A., &
Picone, P. M. (2015). Interorganizational network and innovation: A bib-liometric study and proposed research agenda. Journal of Business & Industrial Marketing, 30(3/4), 354–377.
25
Cap, J. P., Blaich, E., Kohl, H., Raesfeld, A. von, Harms, R., & Will, M. (2019).
Multi level network management: A method for managing inter-organiza-tional innovation networks. Journal of Engineering and Technology Management, 51, 21–32.
Dias, C., Hoffmann, V. E., & Martínez-Fernández, M. T. (2019). Resource complementarities in R&D network for innovation performance: Evidence from the agricultural sector in Brazil and Spain. International Food and Agribusiness Management Review, 22(2), 193–213.
Dodgson, M., Gann, D. M., & Phillips, N. (2014). Perspectives on innova-tion management. In Dodgson, M., Gann, D. M., & Phillips, N. (Eds.), The Oxford handbook of innovation management (pp. 3–25). OUP Oxford.
Dodgson, M., Gann, D., & Wladawsky-Berger, I. (2010). Engineers and services innovation. Ingenia, 44, 33–35.
Durst, S., Mention, A. L., & Poutanen, P. (2015). Service innovation and its impact: What do we know about? Investigaciones Europeas de Dirección y Economía de la Empresa, 21(2), 65–72.
Dyer, J. H., & Hatch, N. W. (2006). Relation-specific capabilities and barriers to knowledge transfers: Creating advantage through network relation-ships. Strategic Management Journal, 27(8), 701–719.
Dyer, J. H., & Singh, H. (1998). The relational view: Cooperative strategy and sources of interorganizational competitive advantage. Academy of Management Review, 23(4), 660–679.
Dyer, J. H., Singh, H., & Hesterly, W. S. (2018). The relational view revisited:
A dynamic perspective on value creation and value capture. Strategic Management Journal, 39(12), 3140–3162.
Dzever, S., Merdji, M., & Saives, A. L. (2001). Purchase decision making and buyer-seller relationship development in the French food processing industry. Supply Chain Management: An International Journal, 6(5), 216–229.
Eggert, A., Ulaga, W., & Schultz, F. (2006). Value creation in the relationship life cycle: A quasi-longitudinal analysis. Industrial Marketing Management, 35(1), 20–27.
Federação Brasileira de Bancos (2018a). Inovação e competição: Novos caminhos para redução dos spreads bancários? https://portal.febraban.org.
br/pagina/3141/26/pt-br/apresentacoes-setor-bancario
Federação Brasileira de Bancos (2018b). Pesquisa de tecnologia bancária.
https://portal.febraban.org.br/pagina/3106/48/pt-br/pesquisa
26
Francis, D., & Bessant, J. (2005). Targeting innovation and implications for capability development. Technovation, 25(3), 171–183.
Gates, R., & McDaniel, C. (2003). Pesquisa de marketing. Thomson.
Gil, A. C. (2010). Amostragem na pesquisa social. In A. C. Gil (Org.), Métodos e técnicas de pesquisa social (6a ed., pp. 90–109). Atlas.
Goes, J. B., & Park, S. H. (1997). Interorganizational links and innovation:
The case of hospital services. Academy of Management Journal, 40(3), 673–696.
Grant, R. M. (1996). Toward a knowledge-based theory of the firm. Strategic Management Journal, 17(S2), 109–122.
Griliches, Z. (1991). The search for R&D spillovers [Working Paper nº w3768]. National Bureau of Economic Research.
Gulati, R. (1998). Alliances and networks. Strategic Management Journal, 19(4), 293–317.
Hair, J., Babin, B., Money, A., & Samouel, P. (2005). Fundamentos de métodos de pesquisa em administração. Bookman.
Hertog, P. D. (2000). Knowledge-intensive business services as co-producers of innovation. International Journal of Innovation Management, 4(4), 491–528.
Hipp, C., & Grupp, H. (2005). Innovation in the service sector: The demand for service-specific innovation measurement concepts and typologies.
Research Policy, 34(4), 517–535.
Hippel, E. (1988). The source of innovation. Oxford University Press.
Hynes, N., & Elwell, A. D. (2016). The role of inter-organizational networks in enabling or delaying disruptive innovation: A case study of mVoIP.
Journal of Business & Industrial Marketing, 31(6), 722–731.
Kastelle, T., & Steen, J. (2014). Networks of innovation. In Dodgson, M., Gann, D. M., & Phillips, N. (Eds.), The Oxford handbook of innovation management (pp. 102–120). OUP Oxford.Kon, A. (2004). Economia de serviços: Teoria e evolução no Brasil. Campus.
Kyläheiko, K., Jantunen, A., Puumalainen, K., Saarenketo, S., & Tuppura, A.
(2011). Innovation and internationalization as growth strategies: The role of technological capabilities and appropriability. International Business Review, 20(5), 508–520.
Lavie, D. (2006). The competitive advantage of interconnected firms: An extension of the resource-based view. Academy of Management Review, 31(3), 638–658.
Lee, S., Park, G., Yoon, B., & Park, J. (2010). Open innovation in SMEs; An intermediated network model. Research Policy, 39(2), 290–300.
27
Menor, L. J., & Roth, A. V. (2007). New service development competence in retail banking: Construct development and measurement validation. Journal of Operations Management, 25(4), 825–846.
Morrar, R. (2014). Innovation in services: A literature review. Technology Innovation Management Review, 4(4), 6–14.
Pouwels, I., & Koster, F. (2017). Inter-organizational cooperation and organi-zational innovativeness: A comparative study. International Journal of Innovation Science, 9(2), 184–204.
Powell, W. W., Koput, K. W., & Smith-Doerr, L. (1996). Interorganizational collaboration and the locus of innovation: Networks of learning in bio-technology. Administrative Science Quarterly, 41(1), 116–145.
Qi Dong, J., McCarthy, K. J., & Schoenmakers, W. W. (2017). How central is too central? Organizing interorganizational collaboration networks for breakthrough innovation. Journal of Product Innovation Management, 34(4), 526–542.
Ries, E. (2012). A startup enxuta. Leya.
Ryu, H. S., & Lee, J. N. (2018). Understanding the role of technology in ser-vice innovation: Comparison of three theoretical perspectives. Information
& Management, 55(3), 294–307.
Salter, A., & Alexy, O. (2014). The nature of innovation. In Dodgson, M., Gann, D. M., & Phillips, N. (Eds.), The Oxford handbook of innovation management (pp. 26–49). OUP Oxford.
Sampson, R. C. (2007). R&D alliances and firm performance: The impact of technological diversity and alliance organization on innovation. Academy of Management Journal, 50(2), 364–386.
Schoenmakers, W., & Duysters, G. (2010). The technological origins of radical inventions. Research Policy, 39(8), 1051–1059.
Schüßler, E., Decker, C., & Lerch, F. (2013). Networks of clusters: A governance perspective. Industry and Innovation, 20(4), 357–377.
Shamsie, J., Martin, X., & Miller, D. (2009). In with the old, in with the new:
Capabilities, strategies, and performance among the Hollywood studios.
Strategic Management Journal, 30(13), 1440–1452.
Sinha, N., & Srivastava, K. B. (2016). Perceived innovation championing strategies and intrapreneurial orientation the role of social cultural con-text. Journal of Management Research, 16(2), 77–86.
Smith, S. C. (1994). Innovation and market strategy in Italian industrial cooperatives: Econometric evidence on organizational comparative advan-tage. Journal of Economic Behavior & Organization, 23(3), 303–320.
28
Sundbo, J., & Gallouj, F. (1998). Innovation in services in seven European countries:
The results of work packages 3-4 of the SI4S project. [Research Report] Univer-sité Lille 1, CLERSE; Roskilde University.
Toivonen, M., & Tuominen, T. (2009). Emergence of innovations in services.
The Service Industries Journal, 29(7), 887–902.
Wang, C. C., Sung, H. Y., Chen, D. Z., & Huang, M. H. (2017). Strong ties and weak ties of the knowledge spillover network in the semiconductor industry. Technological Forecasting and Social Change, 118, 114–127.
Worren, N., Moore, K., & Cardona, P. (2002). Modularity, strategic flexibility, and firm performance: A study of the home appliance industry. Strategic Management Journal, 23(12), 1123–1140.
Yin, R. K. (2015). Estudo de caso: Planejamento e métodos. Bookman.
Yström, A., Ollila, S., Agogué, M., & Coghlan, D. (2019). The role of a learning approach in building an interorganizational network aiming for collaborative innovation. The Journal of Applied Behavioral Science, 55(1), 27–49.
CORPO EDITORIAL Editor-chefe Gilberto Perez Editora associada Márcia da Mota Darós Suporte técnico Vitória Batista Santos Silva
PRODUÇÃO EDITORIAL Coordenação editorial Jéssica Dametta Preparação de originais Carlos Villarruel Revisão Silvana Gouvea
Diagramação Emap Projeto gráfico Libro