A revisão teórica realizada para este trabalho tornou evidente a falta de consenso quanto à definição do construto da resiliência, principalmente sobre quais atributos pessoais fazem parte dessa teoria.
No meio científico, diversas tentativas de conceituação e delineamentos de modelos teóricos foram propostos, cada um com suas contribuições e críticas. É comum certa dificuldade de compreender e demarcar seus limites conceituais, ocasionando (ou sendo ocasionada) por uma confusão conceitual que envolve tal fenômeno.
Dentre essas contribuições, destaca-se a elaborada por Grotberg (1995), que englobou os aspectos pessoais da resiliência e os aspectos externos (apoio social). O modelo dessa autora traz uma visão geral e completa de tudo o que envolve o construto. Destacam-se também os modelos propostos por Wolin, S. J. e Wolin, S. (1993), Ojeda (1997) e Melillo (2008), que são os modelos mais completos que vão ao encontro do propósito da presente pesquisa, que foi reunir o maior número de informações possíveis a respeito dos atributos pessoais da resiliência, além de colaborar com a construção de um instrumento válido e fidedigno para avaliar tais características. Os resultados mostraram que o objetivo foi alcançado. Todo o processo, desde o levantamento teórico até a análise de itens, mostrou que a Escala dos Pilares da Resiliência (EPR) avalia os atributos pessoais da resiliência – também chamados de “pilares” por Ojeda (1997), Melillo (2005), Valdebenito, Loizo e García (2007) e agora pela autora deste trabalho – com evidências de validade baseadas na estrutura interna, na análise de itens e nos índices satisfatórios de precisão. Contudo, há que se destacarem alguns aspectos relevantes, dentre eles os positivos e os que trazem algum tipo de limitação.
Um aspecto positivo foi que a EPR reuniu o maior número de atributos pessoais da resiliência dentre os instrumentos encontrados na revisão deste trabalho, sendo todos eles consistentes e representativos da resiliência, uma vez que cinco ou mais autores mencionaram tais atributos em suas pesquisas e que os resultados estatísticos foram favoráveis. Outro ponto relevante foi a composição do conjunto dos participantes, pois atingiu um número representativo de participantes, ao menos quanto ao estado de São Paulo, uma vez que abrangeu tanto a capital quanto a Grande São Paulo e interior, além de a quantidade ter sido adequada para a realização dos estudos estatísticos que foram adotados para esta pesquisa.
Ainda em relação aos participantes, dando início às limitações deste trabalho, ressalta- se que, em se tratando de um construto como o da resiliência, que trata, resumidamente, da superação das adversidades sem prejuízos psicológicos, seria mais colaborativo com a teoria fazer coletas de dados em outros Estados brasileiros, pois as diferenças culturais, políticas, financeiras, dentre outras, variam de acordo com cada região, podendo acarretar maior ou menor grau de adversidade que impacta diretamente na vida das pessoas. No entanto, uma vez tendo sido aqui validada a EPR, se poderá dar continuidade aos estudos com a mesma, sendo um dos objetivos futuros aplicá-la em outras regiões do Brasil.
Outra limitação deste trabalho foi a não realização de estudos comparativos das médias entre idade, gênero, escolaridade, dentre outras características dos participantes. Tais estudos não foram incluídos nos objetivos pois já se havia identificado a falta de tempo hábil para concretizá-los, além do fato de que estes estudos não prejudicariam a validação da escala – que era o objetivo principal –, e, sim, seriam contribuintes dos estudos sobre a resiliência em geral. Ainda assim, pretende-se realizar tais comparações, uma vez que os dados estão disponíveis e que essas análises adicionais poderão gerar artigos científicos, por exemplo.
Outro ponto a ser destacado refere-se à necessidade de a validade da EPR ser testada por meio de análise fatorial confirmatória (AFC), já que este estudo constituiu um primeiro teste da validade da escala. Destaca-se que isso não limita a utilização de um instrumento, pois a análise fatorial comum já é considerada um estudo de validade e a confirmatória é utilizada, em resumo, para checar se os fatores da escala se comportam da mesma maneira quando ela é aplicada em amostra diferente daquela utilizada nos estudos iniciais, ou seja, a AFC permite rever ou confirmar o modelo fatorial extraído na primeira análise (PASQUALI, 2012). Considerou-se importante ressaltar essa questão, mesmo não tendo sido tratada na parte teórica, tampouco tenha sido objetivo desta pesquisa, por se tratar de um estudo que merece ser realizado futuramente, a fim de confirmar o modelo de 11 fatores de resiliência pessoal resultante deste estudo.
Ainda no sentido de sugestões para estudos futuros, uma das possibilidades é a utilização da EPR em diversos contextos, tais como em recursos humanos, na área hospitalar e na área social, e verificar a capacidade diagnóstica do instrumento em situações práticas. Para tanto, um estudo que poderá ser realizado será a exploração das correlações com outras características comportamentais, tais como eficácia no trabalho, adesão a tratamentos hospitalares, adaptação social, entre outros. Assim, tanto a compreensão como a utilização da
EPR será abrangida, e sua aplicabilidade será expandida em diversos campos de atuação profissional no contexto da saúde.
Por fim, como já sugerido no parágrafo anterior, espera-se que o fruto resultante deste estudo possa contribuir com a atuação de diversos profissionais da saúde e que seja um instrumento que auxilie no processo de identificação das potencialidades mais e menos desenvolvidas das pessoas, para que, posteriormente, sejam realizadas intervenções com o objetivo de aprimorar e promover os pilares da resiliência, tão importantes para adotar uma conduta flexível e equilibrada perante as adversidades.
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