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CONSIDERAÇÕES FINAIS ​

No documento ERIK RUAN SANTANA DA SILVA (páginas 102-112)

Muito foram os desafios encontrados para a construção e percurso desta pesquisa. De todo modo, o que alcançamos com os resultados dessa produção é de extrema importância para a reflexão da nossa trajetória, dos saberes consigo e também com o outro. Bem mais que isso, este trabalho servirá para a produção de conhecimento publicitário, bem como social.

Os diversos sentidos encontrados na constituição do sujeito/usuário em Doritos Rainbow, nos eleva ao pensamento crítico de um enfrentamento diário contra as interdições, características da subjetividade, que violam direitos de existência e respeito a população LGBTQIA+.

De todo modo, a inserção dessa comunidade em mensagens publicitárias geram diversos sentidos positivos ou negativos, além de conflitos, preconceitos, injúrias, reverberados pela constituição subjetiva.

Diante disso, um dos grandes problemas encontrados para o fazer desta pesquisa, foi a leitura desses enunciados e o esforço em compreendê-los de maneira parcial. Em contrapartida, os desafios em coletar os dados, elaborar novas ferramentas metodológicas como fazer a leitura desses dados no Facebook; proteger a identidade desses sujeitos; criar um distanciamento para analisar os discursos e etc., também foi bastante dificultoso para alcançarmos os resultados pretendidos.

No entanto, refletir sobre a comunicação publicitária na inserção desses novos tipos de linguagem, traduz todo um pensamento social voltado para a não aceitação de vidas que estão na margem da sociedade, nas quais, independente de suas representações e visibilidades, seja através da mídia, na política ou na economia, os atores sociais que não se apresentam de acordo com uma norma reinante e hegemônica, estarão sujeito as interdições e ao silenciamento dos seus corpos.

Butler (2017) propõe repensar esses sentidos de vulnerabilidade e precariedade, bem enxergadas pela mensagem das campanhas de Doritos Rainbow, entretanto, violadas e interditadas por diversos discursos. Para Butler,

existem vidas que não são exatamente reconhecíveis como sujeitos e dificilmente enquanto condições de vidas. É nessa perspectiva, que buscamos refletir a urgência de apresentar esses corpos nas mídia publicitária, sobretudo, por investigar tais impactos que esses sujeitos proporcionam na reformulação e recepção da mensagem.

Apesar de suas práticas capitalistas, a publicidade tem se preocupado não somente com as empresas, mas como essas organizações estão representando e comunicando uma mensagem responsável para a inclusão da comunidade LGBTQIA+. Esta pesquisa, no entanto, pode despertar a busca por novos paradigmas comunicacionais. Além de compreendermos as formações discursivas presentes nos comentários de Doritos Rainbow.

É importante dizer que esta pesquisa não se encerra por aqui, assim como Foucault (1969) nos alerta sobre um discurso que é capaz de ser transformado por um determinado espaço e tempo, pretendemos revisitar os conceitos aqui apresentados em caminhos amadurecidos para uma possível tese ou desenvolvimentos científicos voltados para o campo da linguagem e do discurso.

O que se fez aqui, é apresentar um pequeno recorte de um universo tão fervoroso e crescente na mídia brasileira. As novas tecnologias, as novas formas de comunicação e interação dos usuários em plataformas digitais, as representações, as discussões sobre a diversidade e a pluralidade LGBTQIA+ perpassa por todo um jogo simbólico possível de se investigar. O que se coloca em pauta no momento, são os questionamentos para onde devemos chegar? Para que caminhos essa mudanças caminharão? A priori, podemos responder que a publicidade ainda necessita driblar e de certo modo, educar a população sobre o universo LGBTQIA+, e por vezes, enfrentar barreiras como as interdições de gênero, uma luta que é constante e que não pode se resumir apenas ao consumo de uma comunidade, enquanto nicho de mercado.

Nossa proposta, portanto, responde aos objetivos e convida a refletir sobre o processo de construção subjetiva do sujeito. Nesta constituição do eu perante as campanhas aqui apresentadas, percebemos que o indivíduo é moldado por determinadas instituições religiosas nas quais determinam suas verdades e constituem um ​eu ​que é capaz de interditar todo e qualquer discurso sobre a

população LGBTQIA+, seja no âmbito da sexualidade ou de gênero. Por outro lado, a relação subjetiva do consumidor revela a lógica de produção retórica da ciberpublicidade e das marcas.

Além da invisibilidade e de uma não aceitação ou representação da mensagem por uma subjetividade cristã e familiar, os ditos refletem a retórica de Doritos Rainbow ao aderir uma causa de maneira sazonal (somente veiculada durante a parada LGBTQIA+ de São Paulo), em prol do consumo desse segmento de mercado. Entretanto, também identificamos, a partir do jogo de rarefação - o que se encontra para além do dizer desses sujeitos - formas de representação e visibilidade numa significação simbólica de emoções e apoio a diversidade publicizada pelo comercial. Essas subjetividades, para o filósofo, “lhes impõem uma lei de verdade a qual eles devem reconhecer em si mesmos e que os outros devem reconhecer neles. Trata-se de uma forma de poder que transforma os indivíduos em sujeitos (FOUCAULT, 1984)”.

Diante disso, pudemos percebem que a construção de subjetividade perpassa por todo um jogo de verdade, por constituições simbólicas, pelo entendimento de si e de si com o outro. Neste sentido, é importante dizer que essas categorias não são isoladas, que se complementam e que se constituem através de enunciados indissociáveis.

Buscamos, no entanto, que o leitor possa refletir sobre a importância da visibilidade LGBTQIA+ na publicidade e que a compreensão e interpretação dos sentidos podem ser modificadas de pessoa a pessoa. Ou seja, o que se entende aqui, pode ser compreendido de diversas maneiras pela posição histórico social de cada indivíduo. Entretanto, é importante perceber que em todo o discurso, existe uma relação de poder, de vontades de verdade, de crenças, cultura e institucionalizações que molduram os debates acerca da diversidade, um caminho que ainda é longo para desconstruir, mas que refletem novos horizontes na contemporaneidade, seja midiática ou social.

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ANEXOS

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