• Nenhum resultado encontrado

CAPÍTULO II – PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta dissertação – “Despertar da percepção na educação infantil: caminhos para uma aprendizagem totalizante” – concretizou uma trajetória lavrada na Educação Infantil. Consolidou buscas para ampliar o olhar dos profissionais, que atuam com crianças aprimorando a sensibilidade corporal, por meio da formação continuada, cuja meta foi a de ressaltar: a compreensão e reflexão sobre a relevância do perceber para o processo de ensino e aprendizagem e a necessidade da aproximação professor/aluno neste processo.

Desvelar características de professores e crianças em suas singularidades, atenta às suas manifestações e subjetividade, foi um caminho extremamente profícuo. Neste sentido pode-se considerar plenamente atingido o objetivo central desta investigação de contribuir para o despertar da percepção da criança e do professor da primeira etapa da educação infantil sobre si mesmo, o outro e o entorno. Por outro lado, foi também um caminho difícil por descortinar a complexidade dos elementos dispostos na organização dos dados, seleção de recortes ilustrativos de um período longo de registros e de procedimentos, de apresentação de dados analisados que proporcionassem uma visualização dos processos evolutivos ocorridos nas situações de aprendizagem do projeto “Criança Fazendo Arte”.

Pesquisar essa população foi uma descoberta que atendeu à preocupação de encontrar uma forma inovadora para adquirir conhecimento e aproximar - se dos alunos e professores, que contemplasse:

1. o proporcionar sensibilidade e percepção nas ações pedagógicas por meio da arte e do brincar;

2. o refletir sobre as ações pedagógicas, de modo a garantir que as formas sensoriais utilizadas pela criança para exploração dos objetos fosse efetivada na escola;

3. o incentivar a participação, interação, comunicação expressiva e oralidade de crianças no espaço do ateliê e demais espaços da escola durante as atividades de exploração do que a cerca, com o foco no desenvolvimento integral da criança;

4. o ampliar a exploração dos sentidos nas propostas pedagógicas da escola de educação infantil;

5. o estimular a equipe de professores à pesquisa e;

6. o possibilitar ações de formação continuada que garantissem ao professor conhecimento com relação ao mundo percebido- consigo mesmo, com o outro e com o meio, a fim de efetivar em sua prática pedagógica com as crianças o despertar da percepção e garantir a aproximação e atenção à criança característicos da aprendizagem totalizante;

Esse estudo constitui uma inovação ao registrar e analisar atividades desenvolvidas nas quais é possível assinalar: a transformação e avanços dos professores na maneira de planejar e executar suas aulas com sensibilidade; percepção aguçada, aproximação, e atenção às necessidades dos alunos; disponibilidade de pesquisar e aprender; responder às manifestações das crianças em atividades realizadas, nas quais mostraram o despertar de formas sensoriais para a exploração dos objetos, que proporcionaram melhor interação com outras crianças, com o professor e com o objeto de conhecimento, avanço na oralidade. Apresenta registros de momentos que, não raro, têm sido impossibilitados aos alunos, vítimas de um sistema de educação cauterizado por metodologias de ensino mecânico, que não promovem as relações e, consequentemente, não permitem a autonomia e a possibilidade a crianças e adultos de se emanciparem cognitiva e afetivamente, no seu desenvolvimento e aprendizagem.

A análise das situações vivenciadas na Creche Betel, denotam as condições para uma formação integral e totalizante. Nesse sentido, pode-se considerar que os objetivos desta dissertação foram atingidos uma vez que a análise proporciona condições para verificar que, no “Projeto Criança Fazendo Arte” o professor da educação infantil mostra uma nova postura em oferecer novas experiências às crianças da primeira infância. Cabe ressaltar que o caminho não foi fácil para o professor, diante do desafio de ter sob sua responsabilidade mais de vinte crianças, o que exigiu muito do seu estado físico e psicológico, e nesses momentos o incentivo e estímulo da gestão foram essenciais para a continuidade do trabalho.

A análise evidenciou que o professor desejoso por transformação e corajoso, repensou e modificou suas ações; deixou as propostas mecânicas e engessadas e passou a desenvolver suas atividades considerando as necessidades específicas desta faixa etária, com a devida aproximação das crianças, mostrou-se mais sensível, perceptivo, acolhedor, capaz de educar e enxergar esta criança como sujeito histórico-cultural, ações estas, que foram frutos de pesquisa e formação continuada oferecidas e incentivadas pela gestão escolar.

O desenvolvimento das crianças foi notório, ao verificar-se a presença de atividades planejadas que garantiram a exploração dos sentidos do corpo e o despertar da percepção na primeira infância. Demonstraram que a criança quando tem sua percepção corporal estimulada, torna-se um sujeito autônomo, mais seguro e feliz.

Todo o trajeto percorrido resultou em aprendizagem de modo significativo e total para os alunos, caminhos que se constituíram entremeados de sonhos de educadores corajosos, ousados em repensar a prática pedagógica e encetar uma caminhada desafiadora de construir conhecimento na infância partindo da exploração dos sentidos do corpo anestesiado nos tempos contemporâneos.

Os resultados obtidos, a maioria deles positivos, permite considerar que o investimento, em propostas inovadoras para a educação infantil, contribuiu significativamente para o desenvolvimento cognitivo, motor, afetivo e perceptivo das crianças e foram facilitadoras para a ocorrência da aprendizagem totalizante.

Um aspecto importante a salientar, e que foi além dos objetivos propostos nesta pesquisa, é que toda a equipe de professores sentiu motivação para ampliar seu olhar sobre a necessidade de mais pesquisa e estudo para compreender os processos de desenvolvimento dos seus alunos; impulsionados pelo despertar da percepção, esses professores buscaram embasamento teórico para suas ações e aprofundaram seus estudos sobre a Aprendizagem Significativa de Ausubel, sobre a Aproximação de Heidegger e sobre a Arte Contemporânea. Agregaram, também, as famílias das crianças em todo o processo, desenvolvendo eventos sobre a temática da percepção e questionários para os pais responderem, fatos estes, que incentivaram ainda mais a participação dos alunos nas atividades propostas de exploração dos sentidos.

Espera-se que os resultados desta dissertação contribuam para a elaboração e desenvolvimento de projetos pedagógicos na educação infantil que se apresentam carentes da corporeidade assumida de um “jeito leve e solto”, que permita às crianças o desenvolvimento integral de suas identidades por meio do brincar, expressar-se, interagir, movimentar-se pelo espaço escolar, com o intuito de erradicar projetos que apresentam práticas engessadas e marcadas por atividades mecânicas, sem nenhuma compreensão e reflexão, em que ficam quase excluídos os momentos de expressão artística na infância. Portanto, espera-se que esse estudo ajude na elaboração de propostas coerentes que enxerguem a criança como sujeito singular e o seu corpo como fonte de interação e conhecimento, uma vez que os resultados comprovaram que os investimentos dos professores numa educação com sensibilidade e percepção aguçadas, propiciam a seus alunos alcançarem êxito em sua aprendizagem.

A Educação Infantil é o alicerce para a criança no seu processo de desenvolvimento e aprendizagem, e especificamente neste programa as crianças tiveram a oportunidade de explorar os sentidos do corpo pelo envolvimento nas atividades propostas, livres de estereótipos, que contribuíram para que elas sentissem aqueles momentos de maneira leve e única evidenciados nos registros fotográficos, estampados nos seus rostos a satisfação em se envolver com todo o corpo nas propostas desenvolvidas. Portanto, ao considerar essas situações, fica evidenciada a importância deste despertar perceptivo na infância como fonte de conhecimento para a vida, pois o acesso à corporeidade no processo de aprendizagem da criança possibilita mais sensibilidade em suas ações, interação com os amigos, aprimoramento

da oralidade e motricidade, comunicação expressiva, exploração dos objetos, fatos que proporcionam o seu desenvolvimento integral.

Os dados registrados e analisados trouxeram novas perguntas que convidam a novas pesquisas dentre as quais as que seguem:

 Em uma profissão entremeada de percalços, como a de professor, como é possível estimulá-los à pesquisa e estudos e como garantir este espaço na rotina escolar?  Na realidade educacional brasileira, um professor de Educação Infantil (0 a 4 anos) é

obrigado a atender vinte crianças por sala em média, enquanto na Europa são oito crianças por adulto. Trabalhar nestas condições tem prejudicado a ação pedagógica do professor, que não apresenta condições físicas e psicológicas para planejar adequadamente suas aulas. Qual o papel da gestão escolar diante desta realidade que urge?

 A maior parte dos cursos de Pedagogia não oferece em seu currículo a Arte enquanto disciplina, o que traz um prejuízo para formas sensíveis do aprender. Quais medidas precisam ser tomadas para que a Arte conquiste seu espaço no currículo dos cursos de Pedagogia?

 A escola deve garantir estratégias para que a parceria da família seja efetivada, mas nos dias que correm, acelerados, os pais dizem não ter mais tempo para acompanhar os filhos no seu processo de aprendizagem. Neste contexto, como os pais têm percebido os seus filhos no contexto familiar? E como isso reflete no contexto escolar?

 Diante da realidade dominante dos meios tecnológicos, em que pessoas se relacionam pelas telas de seus computadores, de uma forma distante corporalmente, como desvelar a importância do corpo presente no processo de ensino e aprendizagem na educação básica?

 De acordo com o princípio básico da ação educativa que é o interesse em que o educando aprenda e se desenvolva individualmente e coletivamente, quais medidas precisam ser tomadas para minimizar o problema da falta de sensibilidade e percepção nas práticas pedagógicas das escolas da Educação Básica, Fundamental I e Fundamental II?

A continuidade deste trabalho é uma proposta e um desafio para os profissionais atuantes na educação infantil de promover oportunidades de aprendizagem totalizante que promovam a exploração dos sentidos do corpo visando o despertar da percepção. É um desafio, pois na realidade contemporânea que se vivencia, este corpo, não raro, se encontra apagado e o perceber anestesiado nas escolas brasileiras e, os atores envolvidos com a educação são frutos de uma sociedade acelerada que tem primado pelos meios tecnológicos como forma de se relacionar com o outro, sem nenhuma proximidade física, tão essencial para os relacionamentos interpessoais. Comumente, as pessoas utilizam seus polegares para enviar mensagens de seus celulares com uma agilidade impressionante, porém quando colocadas

face-a-face, as palavras somem, todo o discurso fica interrompido pela distância corporal. São estas crianças, adolescentes e adultos advindos desta sociedade que fazem parte do ambiente escolar e, cabe aos gestores e educadores, comprometidos com ato de ensinar, olhar as instituições de ensino a partir de uma perspectiva diferente e transformar a escola num espaço que valorize o corpo enquanto fonte de saber.

Sonhar é preciso para realizar coisas novas e mudar as concepções engessadas e arcaicas que marcam a maioria das instituições educacionais no Brasil. Nesta busca, os caminhos que se abrem na estrada da educação são horizontes cuja utopia é estímulo para o irromper dos passos.

REFERÊNCIAS

ADORNO, Theodor. Dialética do Esclarecimento. Trad. Guido de Almeida. Rio de Janeiro:Jorge Zahar, 1988.

ADORNO, Theodor W. Gesammelte Schriften, Band 8. Frankfurt am Main: Suhrkamp Verlag, 1972-80. Tradução de Newton Ramos-de-Oliveira, Bruno Pucci e Cláudia B. M. de Abreu. A revisão definitiva, feita pelo mesmo grupo, contou também com a colaboração de Paula Ramos de Oliveira. Publicado na Revista Educação e Sociedade n. 56, ano XVII, dezembro de 1996, pág. 388-411.

ANTUNES, C. Como transformar informações em conhecimento. Petrópolis, RJ: Vozes, 2005.

AUSUBEL, D.P. The psychology of meaningful verbal learning. New York, Grune and Stratton, 1963.

BETTLEHEIM, B.. Uma Vida para Seu Filho; tradução Maura Sardinha e Maria Helena Geordane. -Rio de Janeiro: Campus, 1988.

BRASIL. Ministério da Educação e Desporto, Secretaria de Educação Fundamental. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Brasília: v. 3. MEC/SEF. 1998.

BRITO, Teca Alencar. Música na educação infantil: propostas para a formação integral da criança.São Paulo: Peirópolis, 2003.

CAMPAGNE, F.. Le Jouet.l'Enfant l'Educateur. Toulouse, Editions Privat, 1989.

CAPOVILLA, Alessandra G. S; CAPOVILLA; Fernanda C SILVEIRA et al. Alfabetização: método fônico 4ed. São Paulo: Memnon, 2007.

CARDIM, Leandro Neves. A Razão entre o Empirismo e o Intelectualismo. Revista Ciência e Vida. São Paulo, 2009.

CARDOSO, Débora Silva. Artigo: Necessidade da Alfabetização na Linguagem da Arte: Desafios na Educação Infantil. World Congress Comunication Arts, 2011.

COSTA, Cacilda Teixeira Arte no Brasil 1950- 2000: Movimentos e Meios/ Cacilda Teixeira da costa. - São Paulo: Alameda, 2004

CUNHA,Susana Rangel Vieira da (Org.). Cor, som e movimento:a expressão plástica, musical e dramática no cotidiano da criança. Porto Alegre: Mediação,1999.

DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo. Trad. estela dos Santos Abreu. Rio de Janeiro: Contraponto,1997.

DELEUZE, Gilles. Diferença e repetição..Rio de Janeiro: Graal, 1988.

DELEUZE, Gilles. Proust e os signos. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2003.

DEWEY, John. Arte como Experiência. Trad. Vera Ribeiro. (Coleção Todas as Artes). São Paulo:Martins Fontes, 2010.

DUARTE JUNIOR, João Francisco A Montanha e o Videogame: Escritos sobre educação.Campinas: Papirus Editora, 2010.

FARGE, A.. Vivre dans la rue. Informations Sociales Transmises par les Objects. Helsinki, 1976.

FREIRE, Paulo,. Pedagogia do Oprimido. São Paulo: Paz e Terra. 1996

GARAKIS, S.C.. Divulgando Piaget: exemplos e ilustrações sobre a epistemologia genética. Fortaleza, Ce: UNIFOR, 1998.

GOULART, LB.. Piaget: experiências para utilização pelo professor. Petrópolis, RJ: Vozes, 1987.

GODOY. Apêndice 3. In: DARCY, M.M.H: MARIA,L.M.T: LAURA,M.Z. Uma visão baseada em stakeholders. São Paulo: Saraiva, 2007.

GUATARRI, F.. As Três Ecologias. Trad. Maria Cristina F. Bittencourt. Campinas: Papirus, 1990.

HERNÁNDEZ, Fernando. Transgressão e mudança na educação: os projetos de trabalho/ Fernando Hernández; tradução Jussara Haubert Rodrigues. Porto Alegre: Artmed, 1998. HOLM, Anna Marie. Baby-Art:Os primeiros passos com a arte. São Paulo:Museu de Arte Moderna de São Paulo, 2007.

HOUAISS, A. VILLAR, M. de S.; FRANCO, F. M. M. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.

KASTRUP, Virgínia. A invenção de si e do mundo: uma introdução do tempo e do coletivo no estudo da cognição. Campinas: Papirus, 1999.

KISHIMOTO, T. M. O brinquedo na educação: considerações históricas. Idéias, o cotidiano da pré-escola. São Paulo, 1990. Fundação para o desenvolvimento da Educação

KISHIMOTO,T. M.. Encontros e desencontros na formação dos profissionais de educação infantil. In: MACHADO, M.L.A. (org.). Encontros e desencontros em educação infantil. São Paulo: Cortez, 2002.

KISHIMOTO,T. M.. Pedagogia e a formação de professores de educação infantil. Proposições, v.16, n.16 (48), set/dez, 2005.

KISHIMOTO, T. M. . Educação Infantil no Brasil e no Japão: acelerar o ensino ou preservar o brincar?. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, v. 90, p. 449-467, 2009.

KRAMER, S.. Currículo de Educação Infantil e a Formação dos Profissionais de Creche e pré-escola: questões teóricas e polemicas. In: MEC/SEF/COEDL Por uma política de formação do profissional de Educação Infantil. Brasilia-DF. 1994

KRAMER, Sonia. Profissionais de Educação Infantil: gestão e formação. São Paulo: Ática, 2008.

KUJAWSKI, Gilberto de Mello. A crise do século XX. São Paulo: Ática, 1988.

LARROSA, Jorge. Linguagem e educação depois de Babel.Belo Horizonte. Autêntica, 2004. LE BRETON, David. Adeus ao Corpo. In: NOVAES, Adauto (org.). O Homem- Máquina: A Ciência Manipula o Corpo. São Paulo: 2003.

LIPOVETSKY, Gilles. O Império do Efêmero: a moda e seu destino nas sociedades Modernas. Trad. Maria Lucia Machado. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

LÜDKE Menga; ANDRÉ, Marli. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária LTDA, 1986.

MARTINS, Miriam C.; PICOSQUE, Gisa. Travessias para fluxos desejantes do professor- propositor. In: OLIVEIRA, Marilda Oliveira de, (org). Arte, educação e cultura. Santa Maria: Ed. Da UFSM, 2007)

MARTINS, Miriam Celeste; PICOSQUE, Gisa; GUERRA, M. Terezinha Telles. Teoria e prática do ensino de arte: a língua do mundo. volume único. 1. ed. São Paulo: FTD, 2009. MARTINS.Miriam. O pulsar da experiência em timbres. IN: MASIINI, E. F. Salzano (org). Perceber: raiz do conhecimento. São Paulo: Vetor, 2012

MASINI, Elcie F. Salzano Aprendizagem Totalizante. São Paulo: Menon/ Mackenzie, 1999. MASINI, Elcie F. Salzano. Aprendizagem Totalizante: propicia o aprender de crianças com deficiência visual, de crianças surdas e de crianças sem deficiências sensoriais? Revista Brasileira de Educação Especial, n.2, v.9. Marilia, 2003.

MASINI, Elcie F. Salzano; MOREIRA, Marco Antônio. Aprendizagem Significativa: condições para ocorrência e lacunas que levam a comprometimentos. São Paulo: Vetor, 2008.

MASINI, Elcie F. Salzano; Moreira, Marco Antônio. Aprendizagem significativa: a teoria de David Ausubel. 2. Ed São Paulo: Editora Centauro, 2006.

MASINI, Elcie, F. S Perceber: raiz do conhecimento/ MASINI, Elcie, F. S e colaboradores. São Paulo: Vetor 2012.

MERLEAU-PONTY, Maurice. Fenomenologia da percepção. 3ed.. São Paulo: Martins Fontes, 2006

MERLEAU-PONTY O primado da percepção e suas consequências filosóficas.S Campinas: Papirus, 1990.

NOVAES, Adauto. A Ciência no Corpo. In: NOVAES, Adauto (org.). O Homem- Máquina: A Ciência Manipula o Corpo. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

PIAGET, J. A formação do símbolo na criança: imitação, jogo e sonho, imagem e representação. 3. Ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1978

PIAGET, J.; INHELDER, B.. A psicologia da criança. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil S.A, 1993.

PIAGET, J. A psicologia da criança. Ed Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.

PILLAR, Analice Dutra. A educação do olhar no ensino da arte. In: BARBOSA, Ana Mae (org.). Inquietações e mudanças no ensino da arte. São Paulo: Cortez, 2002.

READ, Herbert. Educacion por El Art,.Buenos Aires: Editorial Paidós, 1977.

RICHARDSON, Robert Jarry. Pesquisa social: métodos e técnicas. São Paulo: Atlas, 1999. RIZOLLI, Marcos. Artista, cultura, linguagem. Campinas, SP: Akademica Editora, 2005. SALOMON, Sonia Maria. Educadores apreciam proposta psicopedagógica: corpo, percepções recursos naturais, na escola regular. 2011. Tese (Doutorado em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2011. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-19012012-133052/>. Acesso em: 2013-11-08

SCHAFER, Murray R.. O ouvido pensante São Paulo: UNESP,- 2011

SPANOUDIS, S. Apresentação e Introdução em HEIDEGGER, M. Todos nós... ninguém. São Paulo: Moraes, 1981.

STORI, Norberto (org.) Arte, criatividade e sentimento na educação. In: O despertar da sensibilidade na educação. São Paulo: Instituto Presbiteriano Mackenzie: Cultura Acadêmica Editora, 2003, PP. 47-48, passim.

STORCH, R.. O policiamento cotidiano na cidade vitoriana. In Cultura &Cidades, São Paulo ANPUH, n8/9, set. 84-abr85.

Terra,1987.

TOURAINE, Alain. Crítica da Modernidade. Petrópolis: Ed. Vozes, 1994.

VYGOTSKY, L. A Formação social da Mente.6a ed..São Paulo: Martins Fontes,1991. WAJSKOP, G.. O Brincar na Educação Infantil. Cadernos de Pesquisa, 92, 62-69, 1995. WASSERMAN, S.. Brincadeira Séria na escola Primária. Lisboa: Inst. Piaget, 1990.

APÊNDICE A

Entrevista com a Professora S sobre o despertar da sensibilidade e percepção em sua prática pedagógica

1) Descreva os momentos de formação continuada vivenciados na Creche Betel .

Foram momentos riquíssimos e de muito aprendizado. Sempre tínhamos que estudar antecipadamente algum texto solicitado pela coordenação e depois tínhamos os momentos de discussão sobre o assunto e sempre elas preparavam uma vivência de exploração dos sentidos diferente, essas experiências me marcaram para o resto de minha vida. No começo, eu me lembro que tinha muita dificuldade em me soltar nas reuniões, mas a cada reunião, com as trocas de experiências, fui percebendo que, de fato, o que me faltava era mais sensibilidade e capacidade de perceber a mim mesma e ao meu redor. Acredito que todo esse processo de formação com essa temática não me mudou somente enquanto profissional, mas enquanto pessoa também.

2) O estudo sobre a fenomenologia da percepção contribuiu para a sua prática pedagógica?

A formação sobre a percepção contribuiu significativamente para o enriquecimento de minha prática pedagógica com as crianças, visto que tenho adquirido subsídios para planejar propostas variadas que contemplem a exploração dos sentidos, garantindo assim uma aprendizagem significativa.

3) Houve avanço com relação ao mundo percebido, consigo mesmo, com o outro e com o meio?

Com certeza. É importante ressaltar que após os estudos e experiências proporcionadas sobre o tema da percepção passei a observar de maneira mais intensa as minhas ações e também os detalhes do espaço da sala de aula, perceber as necessidades de cada criança e sentir as coisas ao meu redor com mais intensidade, pois percebo na prática que um simples carinho, atenção, olho no olho e muito diálogo transformam o ambiente da sala de aula em um ambiente mais sensível, acolhedor e agradável, o que contribui para a aprendizagem das crianças.

4) Quais foram as formas utilizadas de aproximar-se e estar atento à criança?

A criança é o foco de nossas ações, porém muitas vezes nos distanciamos e tornamos nossa prática de educar mecânica e sem sentido. Uma das formas de aproximação de meus alunos foi fazer junto com eles as atividades e não somente mostrar como fazia. Me melequei, me diverti e me emocionei muitas vezes percebendo o progresso da aprendizagem de modo integral. Esta relação mais próxima nos torna mais atentos às necessidades dos alunos. Outra forma, foi a de proporcionar uma roda de conversa após as atividades de exploração e fazer o exercício de ouvir e também ser ouvida. Percebi que nossa relação melhorou muito.

5) Como ficaram evidenciadas as transformações na sua prática pedagógica decorrentes da formação continuada?