• Nenhum resultado encontrado

Considerações finais

No documento 4ª edição Novembro de 2015 (páginas 144-150)

THE PROGRAM “MAIS MÉDICOS” AND THE HEALTH IMPACTS IN BRAZILIAN POPULATION

3. Considerações finais

A sociedade brasileira passa por um momento de transformações demográficas significativas que afetam diretamente o gerenciamento dos recursos públicos, muitas vezes

insuficientes para a concretização dos direitos sociais previstos no art. 6º da Constituição Federal de 1988, como por exemplo, o direito à saúde.

O Sistema Único de Saúde – SUS, criado pela CF/88 e regulamentado pela Lei nº 8.080/1990, atualmente enfrenta defeitos em seu gerenciamento em decorrência do baixo investimento e escassez de recursos. Médicos reclamam da falta de infraestrutura, equipamentos e investimentos em pesquisas e tecnologia. Grande parta da população se demonstra insatisfeita com o atendimento médico na saúde pública. Os gestores municipais vêm cobrando mais recursos estaduais e federais com o intuito de melhor atender as necessidade básicas da população.

Diante deste cenário, o Poder Público vem buscando implementar ações afirmativas visando a melhoria da saúde brasileira. Portanto, após a criação do SUS, várias políticas públicas de saúde foram criadas como “O Programa da Família”, a “Política Nacional de Atenção Básica” e o recente “Programa Mais Médicos”, analisadas neste artigo.

Neste sentido, o objetivo deste trabalho foi analisar o “Programa Mais Médicos” e os impactos na saúde da população brasileira. Criado pela Lei nº 12.871/2013, este Programa busca solucionar alguns dos problemas mais urgentes na área da saúde como: melhor redistribuição de médicos pelas regiões; maiores investimentos em infraestrutura e compra de novos aparelhos; a extensão do curso de medicina impondo aos médicos recém-formados passagem obrigatória pelo SUS; e a criação de novas faculdades que ofereçam o curso medicina.

Em mais de um ano de programa, alguns resultados foram positivos, como a diminuição das filas de espera nos atendimentos, o aumento no número de consultas de atenção básica, o aumento no número de pré-natal e também nas consultas de diabetes e pressão arterial.

Entretanto, faz-se necessário a continuidade do programa, objetivando o fortalecimento e incentivo aos estudos médicos e também a humanização diante das necessidades básicas populacionais. Políticas públicas de saúde devem ser levadas a sério e devem ser prioridade, porque por meio delas, visa-se obter uma vida digna para todos.

Por fim, o Programa Mais Médicos é importante e demonstra que o Estado busca mais uma vez solucionar problemas na saúde que existem há décadas. Mesmo parecendo ser uma política paliativa para alguns, este Programa deve ser encarado como uma política preventiva

que busca melhorar a estruturação dos serviços de saúde pública no Brasil, sobretudo, nas áreas mais carentes do país.

[1]

Art. 3º. Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; II - garantir o desenvolvimento nacional; III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação (BRASIL, 1988).

[2]

Art. 6º. São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição (BRASIL, 1988).

[3]

Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às Ações e serviços para a sua promoção, proteção e recuperação.

[4]

Art. 200. Ao Sistema Único de Saúde compete, além de outras atribuições, nos termos da lei:

I - controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e substâncias de interesse para a saúde e participar da produção de medicamentos, equipamentos, imunobiológicos, hemoderivados e outros insumos;

II - executar as ações de vigilância sanitária e epidemiológica, bem como as de saúde do trabalhador; III - ordenar a formação de recursos humanos na área de saúde;

IV - participar da formulação da política e da execução das ações de saneamento básico; V - incrementar em sua área de atuação o desenvolvimento científico e tecnológico;

VI - fiscalizar e inspecionar alimentos, compreendido o controle de seu teor nutricional, bem como bebidas e águas para consumo humano;

VII - participar do controle e fiscalização da produção, transporte, guarda e utilização de substâncias e produtos psicoativos, tóxicos e radioativos;

VIII - colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho.

[5]

Art. 13. É instituído, no âmbito do Programa Mais Médicos, o Projeto Mais Médicos para o Brasil, que será oferecido:

I - aos médicos formados em instituições de educação superior brasileiras ou com diploma revalidado no País; e

II - aos médicos formados em instituições de educação superior estrangeiras, por meio de intercâmbio médico internacional.

§ 1º A seleção e a ocupação das vagas ofertadas no âmbito do Projeto Mais Médicos para o Brasil observarão a seguinte ordem de prioridade:

I - médicos formados em instituições de educação superior brasileiras ou com diploma revalidado no País, inclusive os aposentados;

II - médicos brasileiros formados em instituições estrangeiras com habilitação para exercício da Medicina no exterior; e

§ 2º Para fins do Projeto Mais Médicos para o Brasil, considera-se:

I - médico participante: médico intercambista ou médico formado em instituição de educação superior brasileira ou com diploma revalidado; e

II - médico intercambista: médico formado em instituição de educação superior estrangeira com habilitação para exercício da Medicina no exterior.

[6]

Art. 4º. O funcionamento dos cursos de Medicina é sujeito à efetiva implantação das diretrizes curriculares nacionais definidas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE).

§ 1º Ao menos 30% (trinta por cento) da carga horária do internato médico na graduação serão desenvolvidos na Atenção Básica e em Serviço de Urgência e Emergência do SUS, respeitando-se o tempo mínimo de 2 (dois) anos de internato, a ser disciplinado nas diretrizes curriculares nacionais.

BIBLIOGRAFIA

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, 1988. Disponível em:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ConstituicaoCompilado.htm. Acesso em: 19 nov. 2015

BRASIL. Lei n.º 8.080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços

correspondentes e dá outras providências. Disponível em:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm. Acesso em 27 nov. 2015.

COHEN, S. C. et al. Habitação saudável no Programa Saúde da Família (PSF): uma estratégia para as políticas públicas de saúde e ambiente. Jul. 2004. Disponível em:

http://www.scielosp.org/pdf/csc/v9n3/a26v09n3.pdf. Acesso em: 26 nov. 2015.

COMPARATO, Fábio Konder. Ensaio sobre o Juízo de Constitucionalidade de Políticas Públicas. São Paulo, Ed. RT – Revista dos Tribunais, Revista dos Tribunais, vol. 737, março de 1997, p. 11-22.

CONSELHO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO. Audiência Pública sobre o

programa “Mais Médicos para o Brasil”. Jul. 2013. Disponível em:

_CNMP_-_Mais_M%C3%A9dicos_Vers%C3%A3o_Final_Revisada_1.pdf. Acesso em: 19 nov. 2015.

FORMENTI, Ligia. 86% acreditam que atendimento melhorou após Mais Médicos.

Revista Exame.com. 04 set. 2014. Seção Brasil. Disponível em:

http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/para-86-atendimento-melhorou-apos-mais-medicos.

Acesso em: 29 ago. 2015.

KILSZTAJN, S. Programa Saúde da Família. Revista Associação Médica Brasileira. São Paulo, v. 47, nº 4, outubro/dezembro de 2001. Disponível em:

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-42302001000400021&script=sci_arttext.

Acesso em 19 ago. 2015.

LABOISSIÈRRE, P. Programa Mais Médicos completa um ano. Revista Exame.com, 08 jul. 2014. Disponível em: http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/programa-mais- medicos-completa-um-ano. Acesso em: 24 ago. 2015.

LEAL, Rogério Gesta; REIS, Jorge Renato dos. Direitos Sociais & Políticas Públicas – Desafios Contemporâneos. IN: LEAL, Rogério Gesta; RECK, Janriê Rodrigues. Possíveis Dimensões Jurídico-Políticas locais dos Direitos Civis de participação social no âmbito da gestão dos interesses públicos. Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2004.

LUCCHESI, P. T. R. et al. Políticas Públicas em Saúde Pública. Disponível em:

http://www.professores.uff.br/jorge/polit_intro.pdf. Acesso em: 27 ago. 2015.

MELO, Daniela Tranches de. Movimentos Sociais e institucionalização de políticas públicas de saúde no Brasil: a experiência do movimento sanitário e do Sistema Único de Saúde. Rio de Janeiro: Mauad X Faperj, 2015.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. O SUS no seu Município. Garantindo saúde para todos.

2004. Disponível em:

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/sus_municipio_garantindo_saude.pdf. Acesso em 18 set. 2015.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Cartilha Entendendo o SUS. 21 de junho de 2006. Disponível em: http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2013/agosto/28/cartilha- entendendo-o-sus-2007.pdf. Acesso em: 20 ago. 2015.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria n.º 2.488, de 21 de outubro de 2011. Aprova a Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes e normas para a organização da Atenção Básica, para a Estratégia Saúde da Família (ESF) e o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), 21 out. 2011. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt2488_21_10_2011.html. Acesso em: 27 ago. 2015.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Programa Mais Médicos – dois anos: Mais Saúde para

os Brasileiros. 2015. Disponível em:

http://cdnmaismedicos.elivepress.com.br/images/PDF/Livro_2_Anos_Mais_Medicos_Ministe rio_da_Saude_2015.pdf. Acesso em 20. set. 2015.

NUNES, António José Avelãs. Neoliberalismo e Direitos Humanos. Rio de Janeiro: Renovar, 2003. 140p.

PALACIOS, Ricardo. O Programa Mais Médicos. Revista Samuel. Novembro de 2014, nº11, p.18.

POLATO, A.; TAVOOLIERI, N. Crise na saúde: entenda as propostas polêmicas para a

área. Revista Época Online, 19 jul. 2013. Disponível em:

http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2013/07/bcrise-na-saudeb-entenda-propostas- polemicas-para-area.html. Acesso em: 24 ago. 2015.

PROENÇA, Nelson Guimarães. Os quatro mandamentos da saúde pública. Revista Associação Médica de Medicina. Novembro de 2014, nº 263, p. 3-5.

REIS, Denize Oliveira; ARAÚJO, Eliane Cardoso de; CECÍLIO, Luiz Carlos de Oliveira. Políticas Públicas de Saúde no Brasil: SUS e pactos pela Saúde. Portal da

Universidade Aberta do SUS, 2009. Disponível em:

http://www.unasus.unifesp.br/biblioteca_virtual/esf/1/modulo_politico_gestor/Unidade_4.pdf.

SIMÕES, C. Curso de Direito Social. São Paulo: Editora Cortez, 3ª edição, 2009, p. 122 – 140.

TAVARES, Viviane. Gastos do Governo com a Saúde Pública. Revista Samuel. Novembro de 2013, nº11, p.52-55.

No documento 4ª edição Novembro de 2015 (páginas 144-150)

Documentos relacionados