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3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os estudos apresentados versam sobre a Patrulha Maria da Penha que atua no enfrentamento a violência doméstica, especificamente em relação a fiscalização do cumprimento de determinação judicial, o que a princípio aparenta ser inaudito, visto que a ordem judicial que determina as MPU é expressa, descrevendo de forma clara as proibições do autor para com a vítima e suas possíveis punições em decorrência de descumprimento, desta forma a mulher assegurada deveria estar e sentir-se protegida, e o autor achar-se inibido a cometer novos ilícitos em desfavor das mesmas vítimas. Entretanto, após décadas de enfrentamento a violência contra mulher, ainda é extremamente necessário que o Estado atue não só na repressão, mas principalmente na prevenção desta cultura arcaica e inaceitável de domínio masculino por meio da violência, sentimento de posse e desrespeito com as mulheres no âmbito doméstico e familiar.

Com esse estudo foi possível identificar o perfil das mulheres vítimas de violência doméstica ocorridas na Capital do Estado, cidade de Belém, com registros dos delitos na Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher e inscritas no Programa da Patrulha Maria da Penha por meio da aplicação das técnicas: descritiva e exploratória, onde se identificou que a maior parte das mulheres protegidas pela PMP-PA se identifica como sendo solteiras, pardas ou negras, com faixa etária entre 31 a 50 anos, possuem independência financeira e grau de escolaridade de pelo menos ensino médio completo, trabalham no setor comercial, tendo um ou dois filhos, contudo a maior parte das vítimas não possui filhos e nem vínculos familiares com os agressores, e sim mantiveram relações afetivas findadas. Conclui-se que essas mulheres, buscam na Polícia o fim do ciclo de violência, visando à efetiva proteção Estatal.

A dinâmica da atuação da PMP-PA inicia com o recebimento de ordem judicial para inclusão de mulheres vítimas de violência doméstica no Programa, a partir de então é diligenciado ao endereço informado na ordem judicial para a realização da primeira visita.

91 Nesse encontro inicial, que não possui tempo determinado a guarnição, sempre composta de uma policial, se apresenta a vítima de forma cortês e empática, compreendendo as particularidade e dificuldades de cada mulher, e a situação do caso concreto. É necessário ainda, que o policial obtenha o máximo de informações quanto à vítima e o agressor, a fim de constar no relatório o qual será encaminhado para juntada ao processo criminal. É nesse momento em que a vítima recebe instruções de como entrar em contato com a PMP-PA em situações de urgência

A PMP-PA também procura pelo autor do fato para expor a ele a necessidade do cumprimento das MPU e as consequências do descumprimento. As vítimas recebem visitas periódicas de rotina, pelo menos uma vez por semana, onde também são produzidos relatórios e encaminhados a Vara específica de cada processo. Quando acionados pelas vítimas em relatos de violência doméstica ou perigo iminente diligenciam imediatamente ao encontro da assistida, e solicitam apoio de guarnições próximas ao endereço a fim de proteger a mulher. Não há tempo de permanência no programa PMP-PA pré-determinado, o atendimento somente se encerra por meio de ordem judicial justificada.

Depreendeu-se da análise qualitativa quanto às características encontradas nas qualificações dos BOPs autuados pelas mulheres inseridas no Programa PMP-PA na DEAM- Belém, que as registradoras se identificam como vítimas, tem como agressor, novamente, pessoas as quais mantiveram relações íntimas de afeto, e procuram a Delegacia para registrar fatos que versam sobre descumprimento de medidas protetivas, violência física, psicológica e moral. A partir dos relatos desses BOPs compreendeu-se que os fatos ocorrem na maior parte das vezes no interior da residência, os descumprimentos das MPU referem-se ao retorno do agressor para o lar e sobre a proibição de manter contato, a violência física se dá por agressões, socos e tapas no rosto, psicológica versa sobre ameaça, e a moral em casos de injúria. Motivados na maior parte dos relatos por drogas, dinheiro e filhos.

A análise dos textuais mostrou que as principais ameaças são promessas de morte (matar; acabar), de agressões físicas (porrada; bater), por meio de instrumentos como faca ou arma de fogo (facada; furar, dar tiro). A categoria caractizou-se também pela presença de ofensas à vítima sendo as principais: vagabunda; puta; safada; pilantra; caralho e prostituta. Ao final do registro de ocorrência as vítimas, foram encaminhadas para os procedimentos de

92 perícia médica, assim como foi oferecido Abrigo do Estado que na maioria das vezes foi negado pela vítima. As mulheres solicitaram na maior parte dos registros as MPU, bem como requereram providências criminais, nas ações condicionadas a vontade da parte.

Evidenciou-se impactos positivos acerca da atuação do Programa Patrulha Maria da Penha da Policia Militar do Estado do Pará na fiscalização do cumprimento das Medidas Protetivas de Urgência em casos de violência doméstica contra a mulher no município de Belém- Pará, durante o período de janeiro de 2016 a fevereiro de 2019, em razão de nenhum caso de lesão grave ou morte das assistidas, e também da maior parte das vítimas após a inclusão no programa, não ter vivenciado novo episódio de violência doméstica, visto a considerável redução de registros de ocorrências na DEAM. Assim como inexpressivo número de prisões em situações flagrâncias de agressores, justificado pelo efetivo cumprimento das Medidas Protetivas de Urgência.