O desenvolvimento do presente trabalho possibilitou uma análise de forma geral da Reforma Trabalhista, que foi implementada no Brasil no final do ano de 2017, que trouxe consigo acaloradas discussões no âmbito jurídico trabalhista.
Neste trabalho busca-se tratar de um dos tantos pontos críticos da referida reforma, que foi a modificação do § 2º, do artigo 58, da Consolidação das Leis do Trabalho. Esta mudança foi sutil nas palavras, porém, em contrapartida, foi intensa nos direitos trabalhistas, pois suprimiu de alguns trabalhadores o direito de receberem pelas horas in itinere enquanto tempo de efetivo trabalho na sua jornada diária.
Trouxemos, ao início do projeto, uma retrospectiva de todo o direito do trabalho, desde os primórdios, do trabalho escravo, onde não existia qualquer direito aos trabalhadores, passando pela época da servidão e feudalismo, pela revolução industrial, revolução francesa, tratando da evolução do direito do trabalho no mundo e no Brasil, trazendo as principais mudanças quanto aos direitos dos trabalhadores nas Constituições brasileiras, a criação da CLT, até a chegada da Reforma Trabalhista de 2017.
O primeiro capítulo também trata do surgimento dos primeiros direitos trabalhistas e a sua evolução no decorrer do tempo. Trata dos direitos como: o limite de jornada de trabalho, idade mínima para poder trabalhar, trata da criação no Brasil das horas in itinere, em que circunstâncias estas vieram a nascer, entre outras várias vitórias dos trabalhadores até a presente época.
Passando, ao fim do capítulo, a discorrer sobre a Reforma Trabalhista, suas mudanças em relação ao texto anterior, com a modificação de direitos outrora garantidos aos empregados, elencando alguns dos mais importantes direitos que foram modificados com o advento da Lei nº. 13.467/17.
Este tópico do trabalho deu a verdadeira dimensão do Direito do Trabalho enquanto ferramenta importantíssima de proteção aos trabalhadores, pois estes são parte hipossuficiente na relação de trabalho. Passa a ser compreendido que, caso as leis trabalhistas não existissem, piores seriam as condições de trabalho das pessoas. No segundo capítulo, foram apresentados os princípios do Direito Constitucional e do Direito do Trabalho. Fora abordado neste ponto a importância dos princípios na produção legislativa, enquanto diretrizes a serem seguidas. Tratou-se do princípio da proteção e seus subprincípios, estes são os norteadores do Direito do
Trabalho, vez que concedem ao trabalhador, enquanto parte hipossuficiente, igualdade jurídica em relação ao empregador. Fora tratado ainda o princípio da vedação ao retrocesso social, princípio constitucional de suma importância, que busca valorizar a evolução social da nossa Constituição, proibindo que sejam excluídos direitos sociais já garantidos, tais como o das horas in itinere. Outro princípio abordado é o da segurança jurídica, que também norteia o Direito, em sentido geral, pois busca dar maior estabilidade à legislação e jurisprudência nacional, como sua própria nomenclatura aborda a segurança, como ideia de certeza e tranquilidade nas relações jurídicas. Este último tem forte ligação ao anterior (princípio da vedação ao retrocesso), justamente por tratar da linha da segurança quanto à obtenção dos direitos socias.
Com este capítulo foi possível nortear o trabalho quanto a legalidade da Reforma Trabalhista quando veio a suprimir o direito à contabilização das horas in itinere enquanto jornada de trabalho, pois foi possível evidenciar as quebras principiológicas dessa mudança legislativa no mundo dos direitos trabalhistas.
O terceiro capítulo, tratamos de maneira exaustiva das horas in itinere, objeto principal deste trabalho. Neste capítulo, apresenta-se o contexto histórico das horas
in itinere, a conceituação deste benefício, quais os requisitos para a obtenção desta, quem faria jus à percepção deste direito e, por fim, fora tratado da sua supressão a partir da Reforma Trabalhista.
Com este tópico, foi possibilitado o aprendizado quanto a real importância desse direito para os trabalhadores, em especial os rurais e mineradores, que devem percorrer grandes trajetos até o seu local de trabalho que tenham difícil acesso, sem contar com o transporte público regular, tendo o transporte fornecido pelo empregador. Com a remoção deste direito, os trabalhadores que antes o detinham, passarão a ter a jornada de trabalho reduzida, pois o tempo que estará no trajeto a disposição do empregador, não mais contará como tempo trabalhado, ocasionando uma redução salarial a esses trabalhadores.
No quarto e último capítulo, foi abordado o objetivo principal deste projeto, qual seja: a constitucionalidade da mudança legislativa promovida pela Reforma Trabalhista quanto a remoção das horas in itinere.
Nesse sentido, após toda a análise dos temas tratados no trabalho, estudados os princípios norteadores da Constituição e do Direito do Trabalho, como o da vedação ao retrocesso social, o da segurança jurídica e o princípio da proteção ao trabalhador,
bem como a importância da contabilização das horas in itinere para os trabalhadores que dela se beneficiam, optamos por acreditar na inconstitucionalidade da Lei nº. 13.467/17, que veio a modificar o artigo 58, da CLT, em seus parágrafos 2º e 3º.
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