Os óleos essenciais são constituintes orgânicos voláteis que contribuem para o sabor e fragrância das plantas (TISSERRAND; BALACS, 1995). São caracterizados por apresentarem misturas complexas que podem conter 100 ou mais compostos orgânicos, seus constituintes variam desde hidrocarbonetos terpênicos, álcoois simples e terpênicos, fenóis, aldeídos, álcoois, ésteres, cetonas, ácidos orgânicos, óxidos, peróxidos, furanos, lactonas, cumarinas até compostos com nitrogênio e enxofre (CRAVEIRO et al., 1981; ALBUQUERQUE, et al., 1995; BEZERRA, 1994; SIMÕES et al., 2003; SANTOS et al., 2007). Apesar da grande diversidade das classes de compostos, os constituintes de óleos essenciais mais
comumente encontrados são os terpenos e os fenilpropenos (CASTRO et al., 2004; GRASSMANN, 2005ª; SANTOS et al., 2007).
A natureza e a quantidade de metabólitos especiais produzidos durante o desenvolvimento do vegetal podem ser afetadas por radiação (alta ou baixa), temperatura (excessivamente elevada ou baixa), precipitação (alta, deficiente e seca total), ventos fortes, altitude (SIMÕES, 2003) Além de variar durante o dia e ao longo do ano, depende da parte da planta de onde é extraído (raiz, madeira, casca, folha, caule, flor ou semente), da variedade, fatores como solo, situações climáticas, umidade e luminosidade, entre outros, limitam ou maximizam o potencial genético para produção de um composto químico pela planta.
Segundo Grassmann e colaboradores (2005) os terpenóides representam a maior classe química de constituintes ativos de plantas, havendo mais de 30.000 substâncias descritas. Os terpenos encontrados com maior freqüência nos óleos essenciais são os monoterpenos (cerca de 90% dos óleos essenciais) e sesquiterpenos, bem como os diterpenos, constituintes minoritários dos óleos essenciais (SIMÕES et al., 2003; SOARES et al., 2005). Breitmaier (1997) citou que outros fatores podem influenciar a emissão desses terpenos como idade da folha, acúmulo de nitrogênio foliar, herbivoria, injúria física e outras formas de estresse.
Os terpenóides (monoterpenos, sesquiterpenos, diterpenos, sesterpenos, triterpenose tetraterpenos) são hidrocarbonetos que possuem como unidade básica, o isopreno [CH3C(CH2)CH2CH2]. A classificação básica dos vários terpenos decorre do número de unidades isoprênicas que contêm. Os monoterpenos são constituídos de duas unidades de isopreno (10 átomos de carbono) e podem ainda serem divididos em três subgrupos: acíclicos (ex. linalol), monocíclicos (ex. α-terpineol) bicíclicos (ex.cânfora) (Figura 3).
Cânfora
O
Cânfora
O
O
α-terpineol
OHα-terpineol
OH OHc
OH
Linalolc
OH
LinalolFigura 3: Exemplos dos compostos químicos classificados nos subgrupos dos
Os monoterpenos são voláteis e freqüentemente encontrados nos os óleos essenciais, contribuindo para a fragrância das plantas que os produzem (SIMÕES et al., 2003; LEAL-CARDOSO et al., 1994; WAGNER; ELMADFA 2003) e têm representado uma nova classe de agentes químicos com elevado potencial terapêutico (TISSERAND; BALACS, 1995). São relatadas ações diversas destes compostos na literatura, dentre elas, efeito anti-neoplásico (JIRTLE et al., 1993; RUSSIN, 1989), atividade mucolítica e expectorante (GRAMICCIONE, 1989; POZZI, 1989), a atividade antioxidante in vitro (GRASSMANN et al., 2005b).
No Laboratório de Tecnologia Farmacêutica da Universidade Federal da Paraíba já foram realizados alguns estudos farmacológicos envolvendo monoterpenos, que apresentaram significativa atividade analgésica e cardiovascular (ALMEIDA, 1996; GUEDES, 2002; GONÇALVES 2008).
Magalhães (1998), demonstrou, in vivo e in vitro, atividade antiespasmódica intestinal do óleo essencial de Croton nepetaefolius (OECn) e seus constituintes cineol, metileugenol e terpineol.
O óleo essencial de Mentha x villosa Hudson (OEMV) e a rotundifolona (ROT), seu constituinte majoritário, apresentaram efeito hipotensor e bradicárdico em ratos conscientes, podendo a hipotensão ser atribuída a diminuição direta da atividade cardíaca associada ao efeito relaxante verificado in vitro em aorta (GUEDES, 2002).
O α-terpineol (figura 4), é um terpenóide não-volátil com baixa toxicidade, e componente majoritário de óleos essenciais de muitas espécies vegetais tais como:
Ravensara aromática (Ravensara), Melaleuca qinquenervia (Niaouli), Croton sonderianus (Marmeleiro preto) e Eucalyptus globulus (Eucalipto). Tais óleos
essenciais apresentam muitas aplicações difundidas pela medicina popular e aromaterapia (CRAVEIRO et al., 1981; FRANCHOME P; PENOEL D, 1995; CRAGG et al., 1997).
Dados na literatura mostraram que o α-terpineol possui efeito antifúngico (SAITO, 1996) e atividade antiespasmódica em íleo de cobaia (MAGALHÃES, 1998). Um estudo farmacológico preliminar realizado em nosso laboratório com o α- terpineol e seus análogos demonstraram uma atividade vasorelaxante utilizando a metodologia in vitro para anéis de artéria mesentérica superior.
O H
Figura 4: Estrutura Química do α-terpineol e sua respectiva massa molecular (MM=154).
A Farmacologia de Produtos Naturais tem como objetivo principal avaliar a atividade biológica da planta e seus constituintes químicos em sistemas, órgãos e tecidos com o intuito de descobrir substâncias que possam ser potencialmente utilizadas na terapêutica e/ou como ferramentas farmacológicas, além de informar sobre possíveis efeitos colaterais e tóxicos surgidos a partir do uso incorreto das plantas.
Já o estudo dos efeitos farmacológicos de produtos naturais sobre o sistema cardiovascular tem como meta principal descobrir substâncias que possam ser potencialmente utilizadas no tratamento da hipertensão. Portanto, um conhecimento mais aprofundado sobre constituintes de plantas medicinais como: óleos essenciais e os terpenos neles encontrados, desenvolvido através de estudos integrados nas áreas de botânica sistemática, química e farmacologia, ao lado de outras ciências correlatas mais especializadas, se faz necessário.
Objetivos
Objetivos
Objetivos
Objetivos
2. OBJETIVOS
2.1 Geral
O presente estudo teve como objetivo investigar a atividade cardiovascular do α-terpineol em ratos normotensos não-anestesiados, e estudar o mecanismo de ação envolvido no seu efeito vasorelaxante em anéis de artéria mesentérica superior isolada de rato.
2.2 Específicos
Estudo - in vivo
• Avaliar o efeito do α-terpineol sobre a pressão arterial e a freqüência cardíaca de ratos normotensos não-anestesiados;
Estudos - in vitro:
• Caracterizar o mecanismo de ação do α-terpineol no que tange seu efeito vasorelaxante em modelo de artéria mesentérica superior isolada de rato.
• Utilizar as ferramentas farmacológicas adequadas na tentativa de elucidar os mecanismos farmacológicos envolvidos nestas respostas.
Materia
Materia
Materia
Materiallll
3 MATERIAL
3.1 Animais:
Os animais utilizados nos experimentos foram ratos Wistar machos normotensos, pesando em torno de 250 – 300 gramas, os quais eram provenientes do biotério Prof. Thomas George do núcleo de pesquisas do Laboratório de Tecnologia Farmacêutica Prof. Delby Fernandes de Medeiros – Universidade Federal da Paraíba, e mantidos sob condições controle de temperatura (21 ±1ºc) e de ciclo claro e escuro de 12 h (6-18 h), tendo livre acesso à água e a ração.
Todos os protocolos experimentais foram submetidos ao comitê de ética e pesquisa animal do LTF e aprovados sob o parecer CEPA nº 0202/07
3.2 Obtenção do αααα-terpineol
O monoterpeno α-terpineol foi adquirido da empresa Sigma/ Aldrich – EUA.
3.3 Substâncias e sais
• Ácido tetracético (N,N,N´,N´) bis (beta amino etil éter) etilenoglicol (EGTA); cloridrato de acetilcolina (ACH); indometacina (INDO); glibenclamida (GLIB) Hidroxicobalamina (HDX); L (-) arginina; L (-) fenilefrina; nitroprussiato de sódio; NG-nitro-L(-) arginina-metil éster (L- NAME); ODQ (1H-[1,2,4] oxadiazole [4,3,α-quinoxalin-1-ona), sulfato de atropina, tetraetilamônio (TEA), 4-aminopiridina (4-AP) cremofor, dimetilsulfóxido (DMSO) foram obtidos da Sigma – Aldrich (EUA).
• Cloreto de cálcio dihidratado (CaCl2.2H2O), cloreto de potássio (KCl),
cloreto de sódio (NaCl), glicose (C5H12O6), sulfato de magnésio
heptahidratado (MgSO4.7H2O), cloreto de magnésio hexahidratado
(MgCl2.6H2O) foram obtidos da Merck.
• Fosfato monossódico 1-hidratado (NaH2PO4.H2O), bicarbonato de sódio
(NaHCO3) foram obtidos da Vetec.
• Tiopental sódico foi obitdo da empresa Cristália.