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O presente estudo objetivou determinar as características baropodométricas e estabilométricas em mulheres jovens, saudáveis e estabelecer os pontos de corte que discriminem o aumento da pressão plantar nessa população. O delineamento deste trabalho foi caracterizado pela vasta quantidade de informações clínicas, uma vez que o estudo utilizou um processo seletivo rigoroso na escolha de mulheres sem distúrbios metabólicos, mas que tinham uma serie de achados antropométricos que nos permitiu realizar correlações e inferências dos elementos definidores da pressão plantar e do equilíbrio.

Quanto à avaliação do IMC, 58,6% das participantes apresentavam excesso de peso. Proporção semelhante a esta também foi observada em estudo epidemiológico, realizado no estado do Ceará, onde foi encontrado 56,5% das mulheres com excesso de peso (BRASIL, 2014).

Apesar do alto percentual de mulheres com excesso de peso, a média da circunferência da cintura foi 89,73± 12,9. A faixa etária das participantes pode corroborar com esse achado, pois existe uma tendência ao padrão de distribuição de gordura na região do quadril (padrão ginecoide) em mulheres jovens, no período reprodutivo (TREMOLLIÈRES; POUILLES; ROBOT, 1996).

Estudos mostram que a circunferência de cintura, a relação cintura-quadril (RCQ) e o percentual de gordura, quando associados ao IMC, predizem melhor os riscos à saúde do que o IMC isoladamente. Isso porque o IMC não reflete a localização da gordura corporal, tampouco considera a quantidade de massa magra (KOSTER, 2008; PICON, 2007; PITANGA; LESSA, 2007).

Quanto à prática de atividade física, curiosamente, não foi observado diferença estatística entre o grupo fisicamente ativo com o grupo sedentário, provavelmente devido ao tamanho da amostra. A prática de atividade física regular tem sido reportada na literatura como fator favorável à saúde, por diminuir riscos potenciais de doenças, melhorar a capacidade cardiovascular e locomotora, aumentar a capacidade funcional e promover melhores condições de vida. Considerando que a manutenção do controle postural envolve os sistemas vestibular, visual, musculoesquelético e somatossensorial, atividades que estimulem estes sistemas podem a incrementar a marcha e o equilíbrio postural (BAHR, 2002; NIED, 2002; SPEERS, 2002; ALFIERI, 2008).

47 A Tabela 1 apresenta os exames bioquímicos realizados na pesquisa. Conforme esperado, todas as médias estão dentro dos valores de referência de normalidade. A pouca idade da população estudada também pode justificar o fato de as mulheres ainda não apresentarem alterações metabólicas evidenciadas em exames laboratoriais (TREMOLLIÈRES; POUILLES; ROBOT, 1996).

10.2 Avaliação das características baropodométricas

O pé humano constitui a base de apoio e propulsão para a marcha, além de fornecer suporte e flexibilidade para uma transferência e sustentação de peso adequada. A biomecânica adequada na região plantar é responsável pela manutenção da postura e uma distribuição simétrica das pressões em membro inferior, além de fornecer suporte e flexibilidade para uma transferência e sustentação de peso adequada (ORLIN; MCPOIL, 2000; VIANNA; GREVE, 2006).

Na análise de distribuição da carga plantar em antepé e retropé durante o exame estático, verifica-se que os resultados obtidos através do exame baropodométrico durante a posição estática (Tabela2) são semelhantes aos encontrados por Cavanagh et al. (1987) e Merczak (2004), porém os valores obtidos divergem dessa outra pesquisa, onde foi encontrado que 25% do peso do corpo está distribuído na região do calcâneo e 25% da distribuição de carga plantar está localizada na região do antepé (GEHLSEN; SEGER, 1980). A origem destas diferenças entre os exames pode ser justificada pela heterogeneidade da população estudada, ou até mesmo devido aos diferentes sistemas utilizados para obtenção dos dados. Observa-se também que os valores dos desvios padrão mantêm-se muito altos, mostrando que ocorre uma dispersão muito grande nos dados obtidos, através do sistema S- Plate. Acredita-se que parte dessas variações é devida às limitações do próprio sistema. Mesmo assim, podemos considerar que existe uma variação muito grande nas formas de distribuição de pressão plantar de uma pessoa para a outra.

Os resultados encontrados nas variáveis área de contato, pressão máxima e pressão média durante a caminhada são semelhantes aos estudos encontrados na literatura (TÁBUA, 2010; BACHA, 2013; JEREMIAS; FERRAZ; VICENTE, 2017). Porém, os mesmos são menores que os encontrados nesse outro estudo com 29 idosos, com a idade média de 63,06 ±2,84 anos de Alfieri et al. (2006), onde os valores encontrados de área e pressão estão acima dos encontrados em nosso estudo. Isso pode ter ocorrido devido à idade da população estudada ser superior e pode ser justificado pelo fato das alterações dos sistemas

48 vestibular, somatossensorial e visual, que ocorrem durante o processo de envelhecimento, refletirem também sobre o controle postural. Como o controle postural é responsável pela orientação da postura e manutenção do equilíbrio, as ações dependentes destas funções tendem a ficar prejudicadas (ALFIERI; TEODORI; GUIRRO, 2006).

Vários autores descreveram que a baropodometria é um bom complemento na rotina de avaliação de patologias que possam vir a interferir no controle do equilíbrio corporal (DUARTE, 2000; GAGEY; WEBER, 2000; BIENFAIT, 1995). Segundo Bienfait (1995), não há boa postura estática sem bons apoios plantares. Para Bricot (1999), uma deformidade na região plantar repercutirá sempre ascendente e necessitará de uma adaptação do sistema postural. A integridade desse sistema desempenha um importante papel na manutenção do equilibro.

São escassos os estudos de que utilizam a estabilometria na avaliação de indivíduos saudáveis, sendo a maioria deles realizados em populações com algum tipo de patologia e em aparelhos com tecnologias diversas. O presente estudo foi realizado em sujeitos metabolicamente saudáveis, sem queixas, o que limita as comparações. Apesar da diferença na tecnologia utilizada nos estudos, os resultados encontrados nas variáveis comprimento, área, comprimento e área de oscilação, oscilação laterolateral e oscilação anteroposterior nesse trabalho foram semelhantes aos encontrados por Vieira (2006).

10.3 Análise das correlações de IMC, percentual de gordura e circunferência abdominal com características baropodométricas

Na avaliação estática, não foi observada diferença significante entre os grupos estratificados pelo IMC, percentual de gordura e circunferência abdominal em relação às variáveis de distribuição de pressão plantar em ambos os pés. Estudos atribuem a falta de relação entre essas variáveis ao aumento da área de contato do pé, o que causaria uma redistribuição da sobrecarga plantar.

É possível também que outros fatores estejam exercendo influência sobre o comportamento dessa variável. Cavanagh et al. (1987) apontam que talvez outros fatores influenciem na magnitude das pressões plantares além do peso, como: estrutura esquelética, variação da anatomia óssea, padrão da marcha, composição e localização do enchimento plantar, que tende a distribuir a pressão plantar. Além disso, outros aspectos da composição de gordura corporal podem contribuir para esse comportamento (HEMMIG, 1991; WEARING, 2004).

49 Foi observado diferença estatística entre os grupos nas análises baropodométricas durante a marcha. O presente estudo analisou também a influência do excesso de adiposidade corporal sobre as variáveis baropodométricas área e pressão durante a avaliação dinâmica em mulheres adultas. Conforme o esperado, maiores índices de adiposidade foram associados a valores mais elevados de força máxima e maior área de contato do pé com o solo. Esses achados são consistentes com estudos prévios, que identificaram alterações plantares durante a marcha em indivíduos com excesso de adiposidade (BIRTANE; TUNA, 2004; FABRIS, 2006; LAI, 2008; MONTEIRO et al., 2010; BUTTERWORTH et al., 2015; MICKLE; STEELE, 2015).

Sendo assim, esses achados levantam a hipótese de que a adiposidade corporal aumenta as tensões aplicadas na região plantar, ocasionando uma maior aplicação de força por meio de um segmento, com resultante direta sobre os pés, não só em virtude da massa corporal aumentada, como também por meio de alterações estruturais (BUTTERWORTH et

al., 2015). Acredita-se também que, em condições de sobrecarga, as forças verticais

transmitidas pela tíbia podem levar ao colapso do arco longitudinal medial, resultando em maior área de contato do mediopé com o solo, podendo ocasionar alterações biomecânicas e estresse articular severos (FARIA et al., 2010).

10.4 Análise das correlações de IMC, percentual de gordura e circunferência abdominal

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