2007). E vem sendo reprimidas, como fez o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro proibindo a presença de parteiras no hospital (CREMERJ, 2012). E as barreiras criadas para a venda de plantas medici-nais, pois não se pode referir o nome do problema que aquela planta po-deria agir, causando perseguição a alguns raizeiros acusados de realizar um Ato Médico.
A negação e a supressão de uma cultura e de uma história levam a re-fletir sobre a ideia de preconceito e da invisibilidade da população negra.
Compreendida a partir do silêncio discursivo e da repressão que determi-nados grupos são submetidos (BRAGA, CAMPOS, 2012) e da ausência de sua perceptiva no discurso oficial, com a sobreposição de um ponto de vista de um grupo opressor, o qual o escravizou e reprime ainda nos dias de hoje (PORTO, 2007).
5 - Considerações: por uma outra
São portadores de um saber imaterial, se constituindo em uma ciência própria. É outra lógica de saúde, em relação ao modelo biomédico vigente.
Seria preciso refletir sobre um modelo de saúde específico que atenda às demandas, e que respeite e dialogue com a cultura local.
Com a concepção biomédica impregnada nas ações dos profissionais de saúde por sua formação, a ESF pode comprometer a cultura desta comuni-dade, sendo uma grande promotora da medicalização e desmotivadora dos partos normais.
Seria necessária a aproximação das equipes de saúde com os mestres do saber tradicional, como parceiros reais na promoção da saúde desta po-pulação. Uma possível forma para mediar estes saberes, seria a inclusão de um antropólogo assessorando as equipes de saúde e a gestão destes municípios, ao facilitar o diálogo intercultural, com os mestres dos saberes tradicionais como colaboradores e parceiros das equipes de saúde.
As parcerias das várias universidades, que atuam na comunidade, entre as prefeituras destes municípios também podem contribuir para uma nova construção de uma rede de saúde. Se constituindo em uma parceria de mão dupla, em que as universidades se beneficiam com um lócus privile-giado de formação em saúde e de pesquisa, refletindo também sobre a seu processo de formação.
Outra preocupação é na formação em saúde. O tecnicismo presente nos cursos podem levar os ACS Kalunga a desvalorizar o saber tradicional. E deve se lutar por uma formação técnica e superior que efetive a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares, com os conhecimen-tos tradicionais sobre plantas medicinais. E, futuramente, a ESF como pro-motora da prática segura do uso destas plantas, e também incentivadora e promotora dos partos normais e domiciliares.
A busca da escolaridade, por empregos e pela saúde são motivos para mi-gração, funcionando muitas vezes como pressão para desocuparem suas terras. Apresar de esta população ter várias políticas específicas, porém não efetivadas, chama a atenção a o exemplo da educação e saúde indígenas.
Mesmo sendo clara a diferença cultural entre indígenas e comunidade Kalunga, esta poderia se beneficiar dos avanços das políticas para os Povos
Indígenas, como o direito a uma educação escolar específica, diferenciada, intercultural, e atendimento constante com unidades de saúde próximas às suas casas, com atendimento mínimo com um técnico de enfermagem e visitas periódicas de enfermeiros, dentistas e médicos.
Prova do avanço em relação às políticas de saúde para os indígenas, em relação aos quilombolas, é que no caderno de diretrizes do SUS tem como observância as práticas de saúde e as medicinas tradicionais, com controle social, e garantia do respeito às especificidades culturais.
Este artigo não pretende esgotar este assunto devido a sua complexidade, porém tenta contribuir com uma reflexão sobre o acesso à saúde da comu-nidade Kalunga e por uma construção de uma rede de atenção em saúde diferente da precariedade da rede que funciona como liteira.
Esta grande extensão territorial, com uma população com especificidades culturais e necessidades de saúde são desafios, que merecem reflexões e ações para efetivar as políticas públicas, os direitos individuais e coletivos desta importante comunidade tradicional.
Entidade Financiadora: Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG), edital 06/2012.
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