CAPÍTULO 2 O PROFESSOR INICIANTE
2.3 CONSIDERAÇÕES SOBRE AS POLÍTICAS PARA O DESENVOLVIMENTO DO
Nesse sentido, localizamos duas pesquisas, estando apenas uma disponível para consulta. Roethig (2016), em sua dissertação, discute sobre a atuação do professor iniciante em Geografia ao realizar trabalhos de campo. Os professores iniciantes destacaram que é essencial o contato com os alunos da Educação Básica por meio de trabalho de campo. A aproximação com a sala de aula favorece a partilha de conhecimentos e de aprendizado, colaborando com a prática e propiciando a relação teoria e prática.
Diante do levantamento e da leitura dos resumos das pesquisas, percebemos que em alguns períodos houve lacunas nas produções sobre a prática dos alfabetizadores, como também não constatamos pesquisas sobre a prática pedagógica do professor alfabetizador iniciante, o que possibilita a reflexão da necessidade de se ampliar estudos sobre a temática. A análise e a leitura possibilitaram, também, compreendermos sobre o movimento das práticas alfabetizadoras em sala de aula. Destacamos, nessa perspectiva, o quanto os programas e as políticas implantadas durante os anos pesquisados colaboraram para a constituição da prática e da formação do alfabetizador, visto que se tornar professor é um desafio.
2.3 CONSIDERAÇÕES SOBRE AS POLÍTICAS PARA O DESENVOLVIMENTO DO PROFESSOR INICIANTE
Romanowski e Martins (2013), ao realizarem um estudo sobre a formação dos professores iniciantes no Brasil, apontam a necessidade de políticas para o desenvolvimento do docente e em início de carreira.
1) desenvolvimento de uma política que reconheça que os professores iniciantes carecem de apoio quando iniciam sua atividade profissional;
2) ampliação e criação de programas de acompanhamento e supervisão destinados a promover o desenvolvimento profissional de professores em início de carreira; 3) estabelecimento de projetos de formação específicos que atendam as demandas do
início do trabalho docente;
4) melhoria nas condições de vínculo dos profissionais em início de carreira proporcionando remuneração e valorização do desenvolvimento profissional;
5) revisão de critérios de lotação e designação de trabalho para professores iniciantes que favoreça sua adaptação aos sistemas escolares;
6) fomento para realização de pesquisas sobre este período de desenvolvimento profissional e para pesquisas colaborativas que visem propiciar contribuição com a formação e prática desses profissionais em início de carreira. (ROMANOWSKI; MARTINS, 2013, p. 14).
As autoras destacam o quanto a trajetória do professor em início de carreira precisa passar por um longo caminho. Além disso, a necessidade do desenvolvimento de políticas e de ações que vislumbrem a importância do profissional iniciante, tanto para escola quanto para a sociedade.
Concomitantemente, Cunha et al. (2015) esclarecem que o processo de inserção profissional de professores iniciantes necessita de um olhar com mais afinco das políticas públicas, pois o professor iniciante não pode ser responsabilizado sozinho por sua ação docente. As pesquisadoras consideram que o início de carreira docente é como um ritual de passagem, que perpassa pela formação acadêmica, a qual inclui as práticas observadas quando estudantes, e a vida real, que o professor necessita articular aos conhecimentos teóricos por meio das diversidades.
O Plano Nacional de Educação (PNE), na meta 18, estabelece algumas estratégias, entre elas, implantar nas redes públicas de Educação Básica e Superior “[...] acompanhamento dos profissionais iniciantes, supervisionados por equipe de profissionais experientes” (BRASIL, 2014, p. 7). O objetivo da meta é fundamentar, por meio de uma avaliação documentada, a efetivação do profissional após o estágio probatório, assim como oferecer cursos de aprofundamento de estudos na área de atuação do professor voltados aos conteúdos a serem ministrados em cada disciplina.
Com o intuito de compreender se há algumas pesquisas sobre o PNE, encontramos o estudo exploratório de Mira e Aksenen (2016). A pesquisa faz um análise de como são abordados, nos planos municipais de educação, nas capitais brasileiras, a meta 18. As autoras destacam que o PNE (2014) não é fonte de preocupação na maior parte das capitais quando se refere ao professor iniciante, já que, das 23 capitais, incluindo o Distrito Federal, dez citam, em seus planos, o professor iniciante. Diante disso, as outras 13 capitais não mencionam, em seus planos, as estratégias para os professores iniciantes. As autoras explicitam que, embora possa ter ocorrido diálogos sobre o tema durante as conferências municipais, a meta 18 não foi avaliada e repercutida de forma concisa e positiva. Essa negação da impotência, portanto, pode ser correlata à falta de relevância sobre o início da docência. Tais perspectivas somam-se ao exposto pelas autoras:
É nessa perspectiva que se considera importante a existência de processos ou programas de apoio e acompanhamento aos docentes nesse período, objetivando sua aprendizagem e desenvolvimento profissional. Esses programas, na maioria das vezes, são oferecidos ou garantidos nas políticas de inserção das redes de ensino e suas escolas. Porém, em nosso país, a preocupação com os processos de inserção profissional docente ainda é recente. Há poucas evidências de programas de apoio e/ou acompanhamento aos professores iniciantes na realidade brasileira. (MIRA; AKSENEN, 2016, p. 2).
Os primeiros passos como professores iniciantes são desafiadores em todos os sentidos, seja na formação inicial, seja no convívio com o grupo de trabalho ou com as questões do cotidiano escolar. Cada profissional reage de forma diferente em relação a sua trajetória como iniciante. E, apesar das peculiaridades encontradas pelo caminho, fazem-se profissionais de uma forma ou de outra, com ou sem ajuda de políticas. Assim, os professores com o passar da sua trajetória, vão se formando como docentes e aprimorando suas habilidades e suas competências, pois estão experienciando novos aprendizados e, por meio deles, desenvolvendo novos saberes que farão parte de sua carreira profissional.
2.4 O PROFESSOR INICIANTE E OS SABERES NECESSÁRIOS PARA A PRÁTICA