REALIZADO PELAS EMPRESAS FLORESTAIS DO PLANALTO SUL
CATARINENSE
O que mudou entre os tratamentos foram apenas a forma de distribuição e a dose de isca granulada, sendo que a quantidade de formigueiros presentes na área experimental não mudou, ou seja, todos os tratamentos estiveram expostos à mesma densidade de formigas.
O consumo de iscas granuladas foi observado em todos os tratamentos conforme descritos no item 5.3. Esse fato mostra que não houve diferença em usar 4 kg de isca granulada por hectare ou 250 g de iscas granuladas por hectare. A diferença observada neste experimento foi que iscas granuladas distribuídas em
forma de micro-porta-iscas apresentam maior resistência a umidade, do que as iscas granuladas distribuídas a granel.
Na Tabela 11 está descrita a apresenta uma comparação da conservação entre as formas de distribuição de iscas testadas, levando em consideração apenas o tratamento com menor dose (250 g/ha) e o tratamento testemunha (4000 g/ha).
TABELA 11 - ANÁLISE ESTATÍSTICA DO ÚLTIMO REGISTRO DE ISCAS GRANULADAS DISTRIBUÍDAS A GRANEL E EM MICRO-PORTA-ISCA, SEM DETERIORAÇÃO
Estação Distribuição de iscas granuladas Total1
Granel MIPI Dose (g/ha) 250 Primavera 4 6 0,76 ± 0,06 Verão 3 4 0,67 ± 0,04 Outono 3 6 0,69 ± 0,08 Inverno 3 6 0,71 ± 0,04 Total1 0,58 ± 0,07 b 0,83 ± 0,05 a - Α 0,0000000008** 0,084ns DMS 0,048 - CV(%) 9,16 Dose (g/ha) 4000 Primavera 4 6 0,76 ± 0,07 Verão 3 5 0,73 ± 0,10 Outono 5 6 0,80 ± 0,06 Inverno 4 6 0,75 ± 0,09 Total1 0,71 ± 0,06 b 0,83 ± 0,05 a - Α 0,00000000023** 0,061ns DMS 0,032 - CV(%) 5,83 1
Dados transformados em: log(x + 1)
**
Significativo a 1% de probabilidade de erro
ns
Não significativo
Médias seguidas pela mesma letra não diferem estatisticamente entre si, ao nível de 5% de probabilidade pelo teste de Tukey.
FONTE: O autor (2013)
Nas duas doses avaliadas (250 g/ha e 4000 g/ha) as formas de distribuição de iscas granuladas testadas não deferiram entre si em relação às estações, mas houve diferença significativa (t = 0,05) em relação às formas de distribuição de iscas granuladas, sendo que os micro-porta-iscas permaneceram conservados no campo por mais tempo. Desta forma, nas quatro estações do ano as iscas granuladas dos micro-porta-iscas apresentaram maior resistência a umidade. Por consequência aumentou a possibilidade de localização das iscas granuladas pelas formigas, pois com a proteção dos micro-porta-iscas as iscas formicidas permanecem mais mtepo atrativas para as formigas cortadeiras.
O controle formicida realizado na empresa avaliada é feito apenas em dias de sol e de maneira sistemática, pelo método de caminhamento baseando-se nas
linhas de plantio, mantendo uma distância de 9 metros entre funcionários, sendo que a cada 6 metros estes funcionários distribuem as iscas no campo. Partindo deste conhecimento, pressupõe que não há a localização dos formigueiros, com isso é necessário que as iscas granuladas tenham boa resistência à umidade, permanecendo em bom estado de conservação e mantendo suas propriedades atrativas por um período de tempo maior, havendo assim maiores chances destas iscas serem carregadas pelas formigas cortadeiras, possibilidade que não acontece com a distribuição das iscas a granel.
As empresas da região realizam em média dois controles formicida, nas áreas antes de realizar o plantio de Pinus taeda e mais três controles após o plantio, totalizando cinco controles, com uma média de 45 dias de intervalo entre os controles. Os dados descritos na primavera sugerem que não seja necessário todos esses controles em uma área com as mesmas características da área experimental do presente trabalho, pois nesta estação mesmo havendo consumo de micro-porta- iscas, estes modelos de distribuição de iscas granuladas permaneceram conservados cerca de 30 dias a campo, indicando que a utilização de micro-porta- iscas pelas empresas florestais da região pode diminuir os controles formicidas realizados em áreas de reforma de P. taeda, pois de forma geral as empresas do setor utilizam iscas granuladas distribuídas a granel que controladamente degradam- se rapidamente pela ação da umidade.
A umidade na região do planalto sul catarinense é elevada, por esse motivo os resultados deste trabalho diferiram dos encontrados por Laranjeiro et al. (1986) que constataram que os MIPIs, podem ter vida útil no campo por mais de 4 meses. Muitas empresas seguem um calendário silvicultural baseado em metas de plantio semestrais, assim sendo, nem sempre é possível realizar o controle formicida em estações do ano favoráveis à aplicação de iscas granuladas. No entanto, neste experimento foi possível constatar que há uma diferença significativa entre a resistência a umidade e os modelos de iscas testadas, sendo que os micro-porta- isca foram mais resistentes à umidade.
Assim, as distribuições de iscas granuladas a granel acabam causando um dispêndio financeiro para as empresas, que pode ser reduzido de forma compensadora com a adoção de micro-porta-iscas, pois tem maior resistência à umidade.
6 CONCLUSÕES
Baseando-se nos resultados obtidos nesse trabalho, concluiu-se que:
• A. crassispinus (Forel, 1909) é a única espécie de formiga cortadeira presente na área experimental.
• Na área efetiva do projeto (18 ha) encontram-se 17 formigueiros, sendo que a média é de 0,94 formigueiros por hectare.
• Todos os tratamentos que possuem isca granulada distribuída a granel são encontrados e carregados pelas formigas no mesmo espaço de tempo na primavera e no verão.
• Todos os tratamentos de isca granuladas distribuída em MIPI são encontrados e carregados pelas formigas três dias após a distribuição na primavera e cerca de sete dias após a distribuição no verão.
• A umidade da região do planalto sul catarinense degrada as iscas granuladas distribuídas a granel.
• As iscas granuladas distribuídas a granel permanecem conservadas sete dias na primavera e três dias nas demais estações do ano.
• As iscas granuladas distribuídas em MIPI permanecem conservadas 15 dias no verão e 30 dias nas demais estações do ano.
• Os micro-porta-iscas (MIPI) apresentam maior resistência à umidade no campo em relação às iscas granuladas distribuídas a granel.
• A abertura dos micro-porta-iscas acelerou a deterioração das iscas restantes em seu interior.
7 RECOMENDAÇÕES
Para que o procedimento para controle de formigas cortadeiras na região do planalto sul catarinense em área de reforma de plantação de Pinus taeda, torne-se mais eficiente e ambientalmente equilibrado, recomenda-se:
• Identificar as espécies de formigas cortadeira presentes nas áreas de plantios florestais, com a finalidade de saber quais espécies são predominante.
• Avaliar o uso de outras iscas formicidas com outras ingredientes ativos e formas de distribuição que possam ser mais eficazes para o controle de formigas do gênero Acromyrmex na região do planalto sul catarinense.
• Buscar avaliar a eficiência levando em consideração o consumo de isca granuladas e danos causados as mudas.
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ANEXOS
1 CRONOGRAMA DE ATIVIDADES.
Distribuição de iscas granuladas
Atividade Dias após
a distribuição
Calendário
Data Dia da Semana
Primavera
Realização do controle - - - 31/10/2011 Segunda-feira
1ª Avaliação 1 01/11/2011 Terça-feira 2ª Avaliação 2 02/11/2011 Quarta-feira 3ª Avaliação 3 03/11/2011 Quinta-feira 4ª Avaliação 7 07/11/2011 Segunda-feira 5ª Avaliação 15 15/11/2011 Terça-feira 6ª Avaliação 30 30/11/2011 Quarta-feira 7ª Avaliação 45 15/12/2011 Quinta-feira Verão
Realização do controle - - - 30/01/2012 Segunda-feira
1ª Avaliação 1 31/01/2012 Terça-feira 2ª Avaliação 2 01/02/2012 Quarta-feira 3ª Avaliação 3 02/02/2012 Quinta-feira 4ª Avaliação 7 06/02/2012 Segunda-feira 5ª Avaliação 15 14/02/2012 Terça-feira 6ª Avaliação 30 29/02/2012 Quarta-feira 7ª Avaliação 45 15/03/2012 Quinta-feira Outono
Realização do controle - - - 02/04/2012 Segunda-feira
1ª Avaliação 1 03/04/2012 Terça-feira 2ª Avaliação 2 04/04/2012 Quarta-feira 3ª Avaliação 3 05/04/2012 Quinta-feira 4ª Avaliação 7 09/04/2012 Segunda-feira 5ª Avaliação 15 17/04/2012 Terça-feira 6ª Avaliação 30 02/05/2012 Quarta-feira 7ª Avaliação 45 16/05/2012 Quinta-feira Inverno
Realização do controle - - - 02/07/2012 Segunda-feira
1ª Avaliação 1 03/07/2012 Terça-feira 2ª Avaliação 2 04/07/2012 Quarta-feira 3ª Avaliação 3 05/07/2012 Quinta-feira 4ª Avaliação 7 09/07/2012 Segunda-feira 5ª Avaliação 15 17/072012 Terça-feira 6ª Avaliação 30 01/08/2012 Quarta-feira 7ª Avaliação 45 16/08/2012 Quinta-feira
3 DADOS METEREOLÓGICOS
Os dados metereológicos apresentados na tabela abaixo, foram obtidos na estação, (50° 23’ 13” W e 26°53’ 33” S), localizada na sede da empresa Florestal Rio Marombas Ltda, situada na BR-116, km 161, Fazenda Rio das Pedras, Ponte Alta do Norte, Santa Catarina, Brasil. Eles são referentes ao período que foi executado o trabalho.
Mês /ano Variáveis Temperatura
ambiente (°C) Umidade relativa (%) Chuva (mm) Temperatura (°C) Máxima Mínima 11/2011 Soma - - - - - - 80,1 - - - - - - Média 19,2 42 - - - 22 13 12/2011 Soma - - - - - - 75,2 - - - - - - Média 21,3 37 - - - 24 16 02/2012 Soma - - - - - - 235,9 - - - - - - Média 23,6 42 - - - 26 16 03/2012 Soma - - - - - - 37 - - - - - - Média 22,9 25 - - - 26 17 04/2012 Soma - - - - - - 149,9 - - - - - - Média 19,7 40 - - - 22 14 05/2012 Soma - - - - - - 61,2 - - - - - - Média 15,8 53 - - - 18 11 07/2012 Soma - - - - - - 182,5 - - - - - - Média 12,9 51 - - - 19 6 08/2012 Soma - - - - - - 0,5 - - - - - - Média 17,3 47 - - - 20 11
4 ANÁLISE ESTATÍSTICA NÃO PARAMÉTRICA ENTRE AS AVALIÇÕES QUE HOUVERAM CONSUMO DE ISCA DISTRIBUIDA A GRANEL
4.1 PRIMAVERA
Avaliações Proporções de granel U α Resultado
3 250 500 4 0,17 Rejeita H1 250 1000 8 0,55 Rejeita H1 250 4000 4 0,17 Rejeita H1 500 1000 6 0,34 Rejeita H1 500 4000 3 0,10 Rejeita H1 1000 4000 2 0,05 Rejeita H1 4 250 500 3 0,10 Rejeita H1 250 1000 7 0,44 Rejeita H1 250 4000 4 0,17 Rejeita H1 500 1000 7 0,44 Rejeita H1 500 4000 4 0,17 Rejeita H1 1000 4000 4 0,17 Rejeita H1 5 250 500 6 0,34 Rejeita H1 250 1000 2 0,05 Rejeita H1 250 4000 0 0,014 Aceita H1 500 1000 0 0,014 Aceita H1 500 4000 2 0,05 Rejeita H1 1000 4000 0 0,014 Aceita H1
U: Teste de teste de Mann-Whitney.
Rejeita H1(aceita Ho): o consumo se comportou igualmente nas distribuições das doses;
Aceita H1: houve diferenças de consumo em relação às distribuições das doses.
4.2 VERÃO
Avaliações Proporções de Granel U α Resultado
3 250 500 3 0,10 Rejeita H1 250 1000 7 0,44 Rejeita H1 250 4000 7 0,44 Rejeita H1 500 1000 4 0,17 Rejeita H1 500 4000 4 0,17 Rejeita H1 1000 4000 2 0,05 Rejeita H1 4 250 500 3 0,10 Rejeita H1 250 1000 3 0,10 Rejeita H1 250 4000 4 0,17 Rejeita H1 500 1000 4 0,17 Rejeita H1 500 4000 4 0,17 Rejeita H1 1000 4000 2 0,05 Rejeita H1
U: Teste de teste de Mann-Whitney.
Rejeita H1(Aceita Ho): O consumo se comportou igualmente nas distribuições das doses;
5 ANÁLISE ESTATÍSTICA NÃO PARAMÉTRICA ENTRE AS AVALIÇÕES QUE HOUVERAM CONSUMO DE MICRO-PORTA-ISCA
5.1 PRIMAVERA
Avaliações Proporções de Granel U α Resultado
3 250 500 0 0,014 Aceita H1 250 1000 7 0,44 Rejeita H1 250 4000 4 0,17 Rejeita H1 500 1000 4 0,17 Rejeita H1 500 4000 0 0,014 Aceita H1 1000 4000 4 0,17 Rejeita H1 4 250 500 3 0,10 Rejeita H1 250 1000 7 0,44 Rejeita H1 250 4000 4 0,17 Rejeita H1 500 1000 7 0,44 Rejeita H1 500 4000 4 0,17 Rejeita H1 1000 4000 4 0,17 Rejeita H1 5 250 500 4 0,17 Rejeita H1 250 1000 7 0,44 Rejeita H1 250 4000 4 0,17 Rejeita H1 500 1000 4 0,17 Rejeita H1 500 4000 8 0,55 Rejeita H1 1000 4000 4 0,17 Rejeita H1 6 250 500 8 0,55 Rejeita H1 250 1000 7 0,44 Rejeita H1 250 4000 4 0,17 Rejeita H1 500 1000 4 0,17 Rejeita H1 500 4000 7 0,44 Rejeita H1 1000 4000 8 0,55 Rejeita H1 7 250 500 8 0,55 Rejeita H1 250 1000 7 0,44 Rejeita H1 250 4000 4 0,17 Rejeita H1 500 1000 3 0,10 Rejeita H1 500 4000 3 0,10 Rejeita H1 1000 4000 8 0,55 Rejeita H1
U: Teste de teste de Mann-Whitney.
Rejeita H1(Aceita Ho): O consumo se comportou igualmente nas distribuições das doses;
5.2 VERÃO
Avaliações Proporções de Granel U α Resultado
3 250 500 * - - 250 1000 4 0,17 Rejeita H1 250 4000 4 0,17 Rejeita H1 500 1000 4 0,17 Rejeita H1 500 4000 0 0,014 Aceita H1 1000 4000 4 0,17 Rejeita H1 4 250 500 8 0,55 Rejeita H1 250 1000 4 0,17 Rejeita H1 250 4000 6 0,34 Rejeita H1 500 1000 6 0,34 Rejeita H1 500 4000 8 0,55 Rejeita H1 1000 4000 4 0,17 Rejeita H1 5 250 500 8 0,55 Rejeita H1 250 1000 4 0,17 Rejeita H1 250 4000 0 0,014 Aceita H1 500 1000 3 0,10 Rejeita H1 500 4000 8 0,55 Rejeita H1 1000 4000 4 0,17 Rejeita H1 6 250 500 7 0,44 Rejeita H1 250 1000 4 0,17 Rejeita H1 250 4000 4 0,17 Rejeita H1 500 1000 4 0,17 Rejeita H1 500 4000 4 0,17 Rejeita H1 1000 4000 3 0,10 Rejeita H1 7 250 500 7 0,44 Rejeita H1 250 1000 4 0,17 Rejeita H1 250 4000 4 0,17 Rejeita H1 500 1000 4 0,17 Rejeita H1 500 4000 4 0,17 Rejeita H1 1000 4000 3 0,10 Rejeita H1
* Neste período nenhum dos recipientes apresentou consumo U: Teste de teste de Mann-Whitney.
Rejeita H1(Aceita Ho): O consumo se comportou igualmente nas distribuições das doses;