Fique atento !!
6) Considere que tenha sido requerida ao CADE determinada informação que não seja da sua competência
Considere, ainda, que o conselho tenha conhecimento do órgão que a detém. Nessa situação, o CADE deverá remeter o requerimento ao órgão competente, bem como avisar o interessado sobre a remessa do seu pedido de informação.
Comentário:
Conforme o art. 11, §1º, III da LAI, se não for possível conceder o acesso imediato à informação solicitada, o órgão ou entidade que receber o pedido deverá indicar, se for do seu conhecimento, o órgão ou a entidade que a detém, ou, ainda, remeter o requerimento a esse órgão ou entidade, cientificando o interessado da remessa de seu pedido de informação.
Gabarito: Certo
Restrições de acesso à informação
Embora a publicidade seja a regra, a LAI prevê hipóteses em que poderá haver restrição de acesso a determinadas informações consideradas sigilosas.
Nesse sentido, o art. 22 destaca que o disposto na LAI não exclui as demais hipóteses legais de sigilo (como o sigilo fiscal e bancário) e de segredo de justiça, nem as hipóteses de segredo industrial decorrentes da exploração direta de atividade econômica pelo Estado.
Nos termos da LAI, informação sigilosa é “aquela submetida temporariamente à restrição de acesso público em razão de sua imprescindibilidade para a segurança da sociedade e do Estado” (art. 4º, III).
O art. 23 da LAI enumera as situações consideradas “imprescindíveis à segurança da sociedade ou do Estado”
e, portanto, passíveis de sofrer restrição de acesso. Trata-se de informações cuja divulgação ou acesso irrestrito possam:
§ Pôr em risco a defesa e a soberania nacionais ou a integridade do território nacional;
§ Prejudicar ou pôr em risco a condução de negociações ou as relações internacionais do País, ou as que tenham sido fornecidas em caráter sigiloso por outros Estados e organismos internacionais;
§ Pôr em risco a vida, a segurança ou a saúde da população;
§ Oferecer elevado risco à estabilidade financeira, econômica ou monetária do País;
§ Prejudicar ou causar risco a planos ou operações estratégicos das Forças Armadas;
§ Prejudicar ou causar risco a projetos de pesquisa e desenvolvimento científico ou tecnológico, assim como a sistemas, bens, instalações ou áreas de interesse estratégico nacional;
§ Pôr em risco a segurança de instituições ou de altas autoridades nacionais ou estrangeiras e seus familiares; ou
§ Comprometer atividades de inteligência, bem como de investigação ou fiscalização em andamento, relacionadas com a prevenção ou repressão de infrações.
Ressalte-se que nenhuma informação que o Poder Público detenha pode ser mantida em segredo eterno.
Com efeito, quando a divulgação for capaz de colocar em risco a segurança da sociedade e do Estado, a informação poderá ser classificada em três grupos: ultrassecreta, secreta ou reservada, vigorando a restrição, respectivamente, nos prazos de 25, 15 e 5 anos, a partir da produção do ato a ser informado.
No âmbito da Administração Pública Federal, a LAI define as autoridades competentes para classificar as informações nos diferentes graus de sigilo (art. 27).
Vejamos tudo num quadro esquemático:
Classificação da informação
Prazo máximo de
restrição de acesso Autoridade competente para classificar
Ultrassecreta Até 25 anos
§ Presidente e Vice-Presidente da República;
§ Ministros de Estado e equivalentes;
§ Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica; e
§ Chefes de Missões Diplomáticas e Consulares permanentes no exterior.
Secreta Até 15 anos
§ Autoridades competentes para classificar no grau ultrasecreto;
§ Titulares de autarquias, fundações ou empresas públicas e sociedades de economia mista.
Reservada Até 5 anos
§ Autoridades competentes para classificar nos graus secreto e ultrasecreto;
§ Autoridades que exerçam funções de direção, comando ou chefia, nível DAS 101.5, ou superior, do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores, ou de hierarquia equivalente.
Na classificação da informação em determinado grau de sigilo deverá ser observado o interesse público da informação e utilizado o critério menos restritivo possível (art. 24, §5º).
A classificação das informações será reavaliada pela autoridade classificadora ou por autoridade hierarquicamente superior, mediante provocação ou de ofício, nos termos e prazos previstos em regulamento, com vistas à sua desclassificação ou à redução do prazo de sigilo. Na hipótese de redução do prazo de sigilo, o novo prazo de restrição manterá como termo inicial a data da sua produção (art. 29).
Detalhe interessante é que, ao invés de fixar a restrição de acesso por um determinado prazo, poderá ser estabelecido que o acesso a determinada informação ficará restrito até que ocorra um certo evento, desde que este evento aconteça antes do transcurso do prazo máximo correspondente à classificação atribuída à informação. Assim, por exemplo, se o acesso a uma informação secreta ficar condicionado à ocorrência de certo evento e, depois de passados 15 anos, este evento ainda não tiver acontecido, o sigilo deixará automaticamente de existir, já que o evento escolhido não pode ter ocorrência ulterior ao prazo máximo previsto para a classificação daquela informação. Agora, se o evento ocorrer antes do transcurso dos 15 anos, o sigilo deixará de existir quando da ocorrência do evento.
Ressalte-se que, uma vez transcorrido o prazo de classificação ou consumado o evento que defina o seu termo final, a informação tornar-se-á, automaticamente, de acesso público, ou seja, não é necessária a edição de um ato específico para declarar a queda do sigilo.
Sendo a publicidade a regra e o sigilo a exceção, a informação não classificada como ultrassecreta, secreta ou reservada será de livre acesso, salvo se estiver resguardada por alguma norma de sigilo estabelecida em legislação específica (ex: informações que impliquem violação de sigilo fiscal e bancário).
Conforme o art. 7º, §2º da LAI, “quando não for autorizado acesso integral à informação por ser ela parcialmente sigilosa, é assegurado o acesso à parte não sigilosa por meio de certidão, extrato ou cópia com ocultação da parte sob sigilo”.
A LAI instituiu, no âmbito da Administração Pública Federal, a denominada Comissão Mista de Reavaliação de Informações20, a qual, entre outras atribuições, tem competência para prorrogar por uma única vez, e por período determinado não superior a 25 anos, o prazo de sigilo de informação classificada no grau ultrassecreto, enquanto seu acesso ou divulgação puder ocasionar ameaça externa à soberania nacional ou à integridade do território nacional ou grave risco às relações internacionais do País (art. 35, §1º). Em outras palavras, o limite teórico máximo de restrição de acesso a informações cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado é de 50 anos21.
A referida Comissão Mista também possui competência para rever a classificação de informações ultrassecretas ou secretas, de ofício ou mediante provocação de pessoa interessada (art. 35, §1º, II).
A revisão de ofício por parte da Comissão Mista deverá ocorrer, no máximo, a cada 4 anos, após a reavaliação da classificação dos documentos ultrassecretos ou secretos a que os órgãos entidades públicas devem proceder a cada 2 anos (art. 35, §3º c/c art. 39).
A não realização da reavaliação pelos órgãos e entidades ou da revisão de ofício pela Comissão Mista nos prazos previstos implicará a desclassificação automática das informações, ou seja, tais informações serão consideradas, automaticamente, de acesso público (art. 35, §4º c/cc art. 39, §4º).
Bem, tratamos até aqui da restrição de acesso às informações imprescindíveis à segurança da sociedade e do Estado. Mas a LAI também admite que seja restrito o acesso a informações pessoais, definidas como
20 A composição da Comissão Mista de Reavaliação de Informações está prevista no Decreto 7.724/2012:
Art. 46. A Comissão Mista de Reavaliação de Informações, instituída nos termos do § 1o do art. 35 da Lei no 12.527, de 2011, será integrada pelos titulares dos seguintes órgãos:
I - Casa Civil da Presidência da República, que a presidirá;
II - Ministério da Justiça;
III - Ministério das Relações Exteriores;
IV - Ministério da Defesa;
V - Ministério da Fazenda;
VI - Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão;
VII - Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República;
VIII - Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República;
IX - Advocacia-Geral da União; e X - Controladoria Geral da União.
Informações secretase ultrasecretas
Reavaliaçãopelos órgãos e
entidades A cada 2 anos, no máximo
Revisão de ofício pela Comissão Mista Reavaliação
de Informações
A cada 4 anos, no máximo
informações relativas à intimidade, vida privada, honra e imagem de pessoa natural identificada ou identificável.
Com efeito, nos termos do art. 31, §1º, I, as informações pessoais terão seu acesso restrito a agentes públicos legalmente autorizados e à pessoa a que elas se referirem, podendo a restrição durar pelo prazo máximo de 100 anos a contar da data de produção da informação. Ressalte-se que a restrição de acesso a informações pessoais independe de classificação de sigilo, ou seja, os dados dessa natureza não precisam ser classificados em ultrassecretos, secretos ou reservados para se tornarem sigilosos.
A divulgação de informações pessoais poderá, ainda, ser autorizada por lei ou mediante consentimento expresso da pessoa a que elas se referirem. Esse consentimento não será exigido quando as informações pessoais forem necessárias (art. 31, §3º):
§ à prevenção e diagnóstico médico, quando a pessoa estiver física ou legalmente incapaz, e para utilização única e exclusivamente para o tratamento médico;
§ à realização de estatísticas e pesquisas científicas de evidente interesse público ou geral, previstos em lei, sendo vedada a identificação da pessoa a que as informações se referirem;
§ ao cumprimento de ordem judicial;
§ à defesa de direitos humanos; ou
§ à proteção do interesse público e geral preponderante.
A restrição de acesso à informação relativa à vida privada, honra e imagem de pessoa não poderá ser invocada com o intuito de prejudicar processo de apuração de irregularidades em que o titular das informações estiver envolvido, bem como em ações voltadas para a recuperação de fatos históricos de maior relevância (art.
31, §4º).
Em qualquer caso, aquele que obtiver acesso às informações pessoais de outrem será responsabilizado por seu uso indevido (art. 31, §2º).
Questão para fixar
7)
Considere que, em 2014, um cidadão tenha solicitado acesso a documentação produzida e classificada como reservada pelo ICMBio em 2008. Nessa situação, o instituto poderá indeferir o pedido, a depender do conteúdo da documentação.Comentário:
A informação em poder dos órgãos e entidades públicas, a depender o seu conteúdo e em razão de sua imprescindibilidade à segurança da sociedade ou do Estado, poderá ser classificada como ultrassecreta, secreta ou reservada, hipótese em que o acesso a essa informação ficará restrito, em regra, por 25, 15 ou 5 anos, respectivamente (LAI, art. 24). Contudo, a LAI também estabelece que “as informações que puderem colocar em risco a segurança do Presidente e Vice-Presidente da República e respectivos cônjuges e filhos(as) serão classificadas como reservadas e ficarão sob sigilo até o término do mandato em exercício ou do último mandato, em caso de reeleição”. Sendo assim, a documentação classificada como reservada pelo ICMBio em 2008, cujo prazo de restrição de acesso, ordinariamente, terminaria em 2013 (cinco anos), poderia ficar restrita por mais tempo caso seu conteúdo pudesse colocar em risco a segurança do PR e Vice e respectivos cônjuges e filhos(as), ou seja, o instituto poderia indeferir o pedido de acesso efetuado em 2014, nessa situação. Portanto, o item está correto.
Gabarito: Certo
Recursos
A LAI prevê que, nos casos de negativa de acesso a informações ou de não fornecimento das razões da negativa do acesso, o interessado poderá interpor recurso contra a decisão.
Para assegurar o exercício do direito de recurso por parte do interessado, a Administração deverá informa-lo, sempre que indeferir pedido de acesso, sobre a possibilidade de interpor recurso, os prazos e condições para sua interposição, devendo, ainda, indicar-lhe a autoridade competente para sua apreciação (art. 11, §4º).
O recurso deverá ser interposto pelo interessado no prazo de 10 dias a contar da ciência da decisão denegatória, e ser dirigido à autoridade hierarquicamente superior à que exarou a decisão impugnada, que deverá se manifestar no prazo de 5 dias (art. 15).
Em especial, se a negativa de acesso for oriunda de órgãos ou entidades do Poder Executivo Federal, o requerente poderá recorrer à Controladoria-Geral da União (CGU), que deve decidir no prazo de 5 dias (art. 16).
Esse recurso à CGU só é cabível depois de ter sido apreciado por pelo menos uma autoridade hierarquicamente superior àquela que exarou a decisão impugnada (art. 16, §1º). Negado o acesso à informação pela Controladoria-Geral da União, cabe ainda recurso à Comissão Mista de Reavaliação de Informações.
Já no caso de indeferimento de pedido de desclassificação de informação (atenção, não é pedido de acesso) protocolado em órgão da Administração Pública Federal, poderá o requerente recorrer ao Ministro de Estado da área, depois de submetido à apreciação de pelo menos uma autoridade hierarquicamente superior à autoridade que exarou a decisão impugnada, sem prejuízo das competências da Comissão Mista de Reavaliação de Informações (art. 17).